terça-feira, maio 31, 2016

Rota Alto Limeira

Bom, no ultimo feriado (27), resolvi conhecer um pouco mais da minha cidade, de MTB! O trajeto escolhido foi todo o interior da Limeira. Saindo do centro de Alfredo pegamos 10km de asfalto, aonde havia muito movimento. De começo, estávamos pensando em subir todo o Riozinho, mas modificamos o trajeto sem saber aonde iriamos, para realmente conhecer. Pois já tínhamos feito a trilha do Riozinho algum tempo (recomendo muito).

A estrada estava com muitos buracos, poças e muita lama, de começo caçamos algumas laranjas que achávamos durante o trajeto e guardávamos na mochila, por sorte achamos um bar e compramos um bolo e outras comidas para comermos durante o trajeto, pois tínhamos imaginado que seria realmente muito difícil o acesso. Começando com muitos morros, avistando coisas que realmente achei que não poderia encontrar na minha cidade. A aventura foi tanta, que no meio do pedal quando ainda estávamos indo, já não havia mais aderência do meu pneu com o solo, pelo fato de ter tanto banhado, estava muito liso, me parecia que estava patinando no gelo. Quando nos tocamos, surge um novo desafio: Estavamos em 3 pessoas, porém, só eu tinha levado a lanterna e pelo horário, prevemos que iria escurecer muito antes do que imaginávamos. Com 20 km de percurso, fizemos uma parada de 25 minutos para comer e planejar o que iriamos fazer, já que andar sem luz tanto no asfalto quanto na estrada de chão é muito perigoso.

Não desistimos, subimos mais ainda até passar pela Escola da Limeira, e quando já tínhamos passado pela comunidade de São Vendolino pensamos em voltar pelo asfalto, que poderia ser um pouco mais rápido, porém, como tínhamos subido muito morro, queríamos nos vingar de tanta subida, e optamos pela estrada de chão, lisa, escura e com muitos obstáculos (Pedras, troncos de arvore, etc.)
Algo realmente muito gratificante, tivemos que montar um plano para que todos pudessem enxergar pois realmente estava muito escuro, todas aquelas descidas e banhados fizeram surgir mais um desafio: A corrente da minha bike já não conseguia mais girar pelo fato de ter muito banhado e não conseguia trocar minhas marchas, acontecendo o mesmo com o Vinicius, de primeira tentamos arrumar com alguns equipamentos que levamos na mochila, sem sucesso, pensamos em achar alguma poça para lavar, mas tinha que ser bastante água, pois estava muito suja a corrente e já não havia mais óleo nela, optamos em continuar assim mesmo até ver no que ia dar para chegar no rio, na Catuíra. 
Com muito sacrifício chegamos no rio para lavar as bikes e continuar nosso trajeto que já estava em 30km, muito escuro, fomos no asfalto, com o mesmo esquema e andando um pouco mais rápido para nos livrar, nossa próxima parada é uma ponte que tem próximo a um bar que não me recordo de quem, mas que nos levaria na comunidade das casinhas, algo que daria mais uns 7km de estrada de chão, não imaginávamos que seria tão legal, pois estava com muita lama novamente a estrada, e cada vez mais escuro, sem a lanterna não enxergávamos absolutamente nada, fomos devagar e fizemos mais uma parada de 10 minutos para comer o que nos restava (laranja, goiabada) assim, chegamos exaustos no centro com um pedal de 40km e por todos os imprevistos, mais de 4 horas de pedal. Algo que nunca irei esquecer, esse esporte nos faz ver tudo o que a natureza tem para nos oferecer, você se sente mais vivo.

Agradecendo a parceria do Vinicius Linder, e do Luis Felipe Pereira que foi muito guerreiro pelo fato de ter sido seu primeiro pedal.







domingo, maio 29, 2016

Em busca do pinheiro gigante - parte II


Aproveitamos o feriado de Corpus Christi para ir novamente em busca do pinheiro centenário gigante. Os boatos de nossa primeira expedição se espalharam, não faltaram pessoas dando dicas e indicando os caminhos que deveríamos tomar para chegar até o pinheiro. Nosso grupo também aumentou, além de nós três - Suzanne, Evandro e eu – nos acompanharam Tarcisio, Lu, Manu, Renan, Ariel e Lazaro que se ofereceu para ser nosso guia, além de Luci e Pen Duick, dois cachorros da raça border collie. Dessa vez o terreno estava ainda mais molhado, o que deixou a viagem com um gostinho de aventura ainda maior.
Fomos logo depois do almoço em dois carros, um quadrículo e uma moto. Assim que chegamos começamos a busca. Tomamos o mesmo caminho de 15 dias atrás, margeando o rio e depois subindo um pasto. Vale ressaltar que essa subida é longa e se chega ao final dela exausto, o que compensa é a vista!
Desse ponto já começamos a ver imensas árvores, de várias espécies.
Logo depois da primeira subida ainda se anda mais um pouco pelo pasto e só cerca de meio quilometro à frente é que se entra na mata.
Todo o caminho foi feito com muita animação, muita conversa e acima de tudo, contemplação. É incrível ver como a natureza é exuberante e não tem como não se admirar com suas sutilezas, como por exemplo um pequeno pinheiro, nascendo a partir de um pinhão, deixado provavelmente por algum pássaro em cima de um samambaiaçú.
Depois de mais de uma hora de caminhada chegamos ao pinheiro e tivemos um momento mágico, todos em silêncio apenas admirando a exuberância da árvore. Não tem como não pensar há quantos anos aquele imenso pinheiro está ali, naquele mesmo lugar. Dias de sol, chuva, neve, tempestades, brisas de verão... ele foi testemunha do grande desmatamento que aquela região sofreu há algumas décadas e sobreviveu, para continuar encantando a todos, atraindo pessoas que tem como único intuito admirar sua beleza.
De acordo com algumas informações encontradas na internet ele não é um pinheiro qualquer, o nosso pinheiro gigante figura como um dos maiores exemplares de araucária - Araucária angustifólia - do planeta, no quesito circunferência. A verdade é que muitas cidades lutam para ter o título de cidade onde existe a maior Araucária do mundo, como por exemplo Canela que divulga aos sete ventos que possui o maior pinheiro, com uma árvore de 7,5m de circunferência e 2,7m de diâmetro, mas, que já perde para uma de Caçador aqui em Santa Catarina com 7,8m de circunferência e 3,6m de diâmetro e também para a majestosa Araucária de São Joaquim com circunferência de cerca de 15,2 metros e cerca de 900 anos. Esse título certamente é catarinese!
Bom a nossa não disputa o título, mas não faz feio, possui uma circunferência de 6,95 metros e o diâmetro de 2,22 e com possibilidade de aumentar a medida, pois só depois que retornamos descobrimos que existe um padrão para medir a circunferência de árvores, a medida dever ser feita a 1,30 metros do chão e desconfiamos que nossa medida tenha sido realizada a uma altura superior a essa, cinco pessoas foram necessárias para abraça-la. Vale a pena a visita. Estimamos que pelos dados contidos na internet nosso pinheiro tenha mais de 500 anos e já estamos planejando uma próxima expedição para medir sua altura e estimar sua idade.
Para completar o passeio ainda pudemos ver logo ao lado um pedaço do pinheiro que caiu, talvez por ter sido atingido por um raio ou algo do tipo, ali existem dezenas de nós de pinho, formando belas estruturas.
Na volta fizemos um piquenique às margens da pequena queda d’agua, já imortalizada tantas vezes em fotos dos Soldados do Sebold. Salame do Evandro, pães deliciosos do Pedras Rolantes, frutas, queijo, vinho e mais algumas besteiras para finalizar um passeio maravilhoso. A noite já caia enquanto nos divertíamos e recuperávamos a energia comendo. Na volta mais aventura pelas estradas do Santo Anjo.
Depois que retornarmos e comentamos com amigos sobre a expedição algumas pessoas nos falaram que existe outro pinheiro, naquela mesma região e que esse mede mais de 10 metros de circunferências. Se ele existe mesmo ou não, só indo lá para conferir, e ao que tudo indica teremos que o  “Em busca do pinheiro gigante parte III”.
Se você tiver dica ou foto desse pinheiro ainda maior do que encontramos na última quinta, deixe algum comentário ou foto, nos ajude a encontrá-lo e a formar a rota dos pinheiros gigantes de Alfredo Wagner!  

Fotos: Tarcisio Mattos 









quinta-feira, maio 26, 2016

Relato de uma ida ao Cânion do Espraiado em Urubici!

Trekking pelos Campos do Espraiado
Distancia: Cerca de 28km de caminhada.
Tempo total em movimento: indeterminado, com saída as 09 hr 33 min  da manha e retorno ás 19 hr.
Ganho de elevação: 901
Altitude máxima: 1444 metros
Fotos: Carol, Vanessa, Jaíne, e Patricia

Na sexta do dia 8 pela manhã, já estava ansiosa pelo final de semana que viria. Sempre pensei em reunir amigas com o mesmo ideal, que fosse parceira para ‘qualquer parada’, e não é que nos encontramos? Amiga de amiga que foi conversando e descobrindo gostos em comum, coisa rara de se encontrar hoje!
Por enquanto somos em 4 integrantes, Eu Vanessa, Carol, Jaíne e Paty todas com  a mesma idade, 20 anos, grande coincidência, pois algumas de nós não se conheciam  ainda, só quando fizemos a reunião da primeira Trip TREKKING POR ELAS. Temos como objetivo conhecer novos lugares, adquirir conhecimento, principalmente da natureza tão bela, em meio às trilhas, caminhando, pedalando e praticando esportes radicais relacionados à aventura promovendo a consciência ambiental! Estamos de braços abertos para receber novas integrantes que sonham em viajar o mundo.
De malas prontas, mochilas equipadas e roupas adequadas para enfrentar as baixas temperaturas da região, partimos para a grande aventura. Estávamos um pouco apreensivas, pois a previsão do tempo era de chuva, mas resolvemos ir assim mesmo! O pai da Carol nos levou até lá. Pelo caminho muito neblina, quase não enxergávamos a estrada até que chegamos ao centro de Urubici, indo em direção a Serra do Corvo Branco. Antes de subir há uma entrada com placa sinalizando ‘Refúgio Rio Canoas’ seguimos durante 4 Km em estrada de chão até o Albergue por volta de 1h da madrugada. Nosso guia chegou pela manhã para nos receber e nos guiar. Foi tudo muito tranquilo, as instalações eram muito aconchegantes, fogão à lenha e tudo mais!
Na verdade o nosso primeiro recepcionista foi o ”Lobo” um cachorro da raça Collie muito dócil! Preparamos nossas camas e acomodamos nossos equipamentos. O certo seria irmos dormir para guardar as energias para o dia seguinte, mas não nos contemos e fomos dar uma volta pelos arredores de lanterna mesmo! Estávamos muito eufóricas. Só então é que fomos descansar para o dia seguinte.
A primeira a despertar foi a elétrica Jaíne, em seguida todas acordaram para o grande dia. Fomos levantando aos poucos, primeiro a Paty, depois eu e a Carol, 7h 30min já estávamos todas acordadas.  O céu estava perfeito, limpinho, os passarinhos cantarolando, de lá temos a vista da grande Pedra da Águia de costas.
Já preparamos nosso café da manhã e o lanche e nos arrumamos para a caminhada, tiramos belas fotos ao ar livre em frente ao albergue e procuramos galhos que servissem de bastão, depois descemos novamente ao Rio Canoas para contemplar e nos divertir correndo pelos gramados ao meio das árvores. O guia Matias foi bem pontual, chegou às 9h. Cumprimentamo-nos e eu já muito feliz disse  que estávamos empolgadíssimas! Ele nos mostrou através de um mapa, os Aparados da Serra, todos os pontos e trilhas e inclusive o que iríamos fazer. Assinamos um termo de responsabilidade e ele arrumou bastões de bambu que eram mais eficientes que nossos galhos quebradiços.
Começamos a caminhada exatamente às 9h 33min, pelo caminho víamos o Rio Canoas seguindo seu curso ao nosso lado, muitos passarinhos voavam por entre as árvores, vimos a grande Pedra da Águia e perguntei ao guia se por acaso teria como escalar. Ele disse que hoje já não seria mais possível, pois as rochas estavam instáveis, mas que já fizeram á um tempo atrás. Pelo caminho as majestosas Araucárias e tantas outras diversidades de plantas, de pássaros e aquele ar puro que sentimos ao estar em contato com a natureza.
Quem estava nos acompanhando não era somente o guia, mas o Lobo e o Snoopy, nome que eu mesma criei por não saber o nome do cachorrinho, esse era todo de ”algodão” e brincalhão. Depois de uma pernada caminhando, conversando e contemplando tudo, chegamos ao portão do RPPN Leão da Montanha, a qual possui um projeto de pesquisa do conhecido Puma. Aos poucos a trilha começa a ser mais inclinada, com muitos buracos e pedras no decorrer dela. E a cada Km já conseguíamos sentir os ventos de altitude.
Na subida fizemos a primeira parada para o almoço, comemos um pouco do lanche que trouxemos de casa e do que recebemos do guia, incluso com o pacote, com sanduíche, frutas, clube social e etc.. Levamos uma sacolinha para guardar todo nosso lixo, inclusive o que achávamos pelo caminho, o guia nos instruiu a isso, até os orgânicos, que jogássemos pelo menos em lugares escondidos para que a trilha continuasse bonita naturalmente, digna de admiração e cuidado com o nosso meio ambiente.  Já aproveitamos para fazer uma pausa para descansar, mas logo voltamos a caminhar.
Até que no caminho avistamos uma égua com seu potrinho, a Paty foi bem próximo fotografar, até que de repente a danada da égua ficou apreensiva e muito brava pelo Snoopy que latia querendo chamar atenção, veio devagar relinchando em nossa direção, já assustadas sem saber o que fazer olhamos para o guia, que tentando acalmar a mamãe preocupada com sua cria, enfrentou-a e com bastante cautela mudamos o curso do caminho, pois ela estava decidida  a não deixarmos passar por ali. Seguimos até perdê-la de vista, sentimos um grande alívio, no fundo sabemos que ela não fazia por mal, só queria defender seu filhote, mas confesso que passamos por um apuro! Depois comentamos sobre o ocorrido e demos risada! A Jaíne que não perde uma foto, até na hora do perrengue fotografou o momento.
O dia estava realmente lindo, já estávamos com calor naquele sol do meio dia. Sorte estarmos com as cabeças protegida com toca e protetor solar. Pelo caminho o guia ia-nos contando sobre o lugar e quando chegamos aos campos de altitude, percebemos a vegetação baixa e as turfas que pareciam esponjas ao pisarmos. Avistamos alguns búfalos que se alimentavam tranquilamente. O vento aumentava á medida que nos aproximávamos do cânion. Depois de 10 km enfim começamos a avistar os cânions nós estávamos muito maravilhadas com a paisagem. Gritamos de alegria!
Mais um chão pela frente, 4 km e então chegamos ao ponto onde víamos a imensidão, duas cachoeiras, uma de um lado e a outra do outro, Cânions gigantescos, ao fundo se avistava a Serra do Corvo Branco. O céu totalmente limpo e as rajadas de ventos impressionantes quase nos derrubavam. Paramos lá e fizemos mais um lanche contemplando aquela perfeição dos Aparados da Serra. Pensar que de lá podemos chegar a Alfredo Wagner caminhando, toda aquela extensão interligando cidades vizinhas, com várias nascentes importantes da região.
Claro que as gurias e eu tiramos várias fotos impressionadas com a beleza estonteante do Espraiado, andamos pelas bordas do cânion, sempre com muito cuidado chegando próximo aos paredões onde observamos a imensidão. Percebi o quanto somos pequenos diante daquela paisagem incrível que nos rodeava, como me senti feliz estando lá ouvindo o barulho do vento perto das minhas amigas parceiras, descobrindo novos horizontes e visualizando novas ideias. Ás vezes o caminho pode não ser fácil.  Para realizar um objetivo, o primeiro passo é ter força de vontade, pensar que pode ir além do que imagina, que a vida lá fora te espera de braços abertos, que o que nos move é a adrenalina de simplesmente viver da melhor forma possível. A vida aqui na terra com certeza não será em vão quando você se alimentar das boas energias e exercitar seu corpo e sua mente fazendo o bem, vendo a simplicidade nos pequenos momentos.
Vamos juntas aprender e experimentar muito mais dessas aventuras com certeza, foi um dia inesquecível em minha vida! Voltamos para o albergue contentes pelo dia que tivemos, um pouco dolorida, mas sem dúvidas, valeu a pena! A noite fizemos uma janta reforçada e depois a Jaíne preparou chocolate quente, tudo que precisávamos depois de um dia cansativo, mas não menos espetacular.
À noite conversamos e rímos muito, foi de mais, já me sinto conectada com cada uma e agradeço do fundo do coração por termos nos encontrado!!!!  De manhã a Paty que foi a primeira a dormir, acordou mais cedo e preparou um delicioso café da manhã bem saudável e foi tirar umas fotos no Rio Canoas enquanto nós dormíamos.  Acordamos mais tarde, descansamos bem, eu  Vanessa sendo a segunda acordar vi aquela mesa nem acreditei, vi que a Paty tinha saído, chamei as mochileiras para tomar aquele café de saladas de frutas, sanduíches e castanhas.
Logo depois fomos atrás da Paty que estava deitada na grama curtindo o visual fotografando, aí decidimos explorar o lugar novamente. Fomos até a ponte do Rio Canoas e ficamos lá trocando ideias e falando sobre o lugar e os momentos que estávamos tendo.
Voltamos fizemos o almoço, macarrão que sobrou mais um molho especial da Carol!  Almoçamos e fomos dormir mais um pouco até que nossa carona chegou e ainda passamos pela Serra do Corvo Branco , depois paramos na padaria em Urubici tomamos um café e voltamos pra Rio do Sul exaustas porém felizes da vida, chegamos as 21h 30min.
Autora: Vanessa Laura Franz

domingo, maio 22, 2016

Café Pedras Rollantes

Eu já tinha visto uma placa indicando que existia um café na minha rua, mas não sabia onde ficava. Depois em uma reunião do Conselho de Turismo da cidade conheci Tarcísio, o dono do Café. Quase me emocionei quando ele falou: “Eu sempre passava pelo vale do Rio Águas Frias e ficava contemplando o lugar, achava muito lindo e hoje eu tenho oportunidade de morar nesse local”.

Não estou exagerando quando digo que quase me emocionei. Palavras me tocam profundamente, todo mundo sabe o quanto tenho uma forte ligação com a minha rua, Águas Frias, endereço onde minha família sempre viveu. Lembro quando eu era pequena e pegava minha bicicleta e ia pela Água Fria, chegava na estrada de chão e pedalava, pedalava, tentando chegar na BR, nunca cheguei, mas era uma emoção, eu sempre achei aquele lugar maravilhoso e algumas vezes levei a câmera comigo, aquelas antigas de filme e fiz várias fotos – minha vontade de documentar as belezas de Alfredo já vem desde a infância! Ver que alguém também sentia aquilo, um sentimento puro de admiração, me deixou muito feliz.

Suzanne reservou um café para sua família no sábado e me convidou, então finalmente conheci o Pedras Rollantes. O Café fica situado em um sítio e além da deliciosa comida também somos convidados a passear pelo local e conhecer suas belas paisagens. Logo na chegada vieram ao nosso encontro os dois cachorros do casal. Sabe aqueles cachorros de filme, que a gente joga o pauzinho e eles vão buscar?  Já fiquei encantada logo de início. Conhecemos Lu a esposa de Tarcísio, que também é de uma simpatia imensa.

Fiquei impressionada com a casa do sócio do Pedras Rollantes, Tarcísio nos contou a história... que ela é uma casa que foi construída no final do século XIX, originalmente estava situada na cidade de Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha, mas foi comprada, desmontada e montada novamente aqui em Alfredo. É uma obra majestosa, em estilo enxaimel, um contraste com o verde que a cerca. Fiquei encantada com a casa e com sua história, mas esse era apenas o primeiro detalhe que chamaria minha atenção nesse passeio.

Tarcísio também nos contou sobre as construções dos chalés, que futuramente abrigarão os turistas, casas feitas com base em conceitos de sustentabilidade, desde sua construção, até sua futura utilização. Existem algumas curiosidades interessantes a respeito dos materiais utilizados para a construção. Os tijolos utilizados nas paredes das cozinhas e dos banheiros pertenciam à casa do Senhor Genésio, que todos de nossa cidade conhecem, e que ficava no centro da cidade em frente à pracinha e ao antigo posto de saúde.

Os tijolos foram fabricados no século passado, na olaria do seu Balcino, outra figura histórica de Alfredo Wagner. As madeiras utilizadas nas construções faziam parte, na década de 30, de Capela São João, no Barro Branco, quando foi construída uma capela nova, essas mesmas madeiras foram utilizadas para construir o salão de festas da comunidade e hoje fazem parte dos chalés. Não é de se admirar que essas madeiras perpassem gerações, afinal, são todas “madeiras de lei”, encontradas, no passado, em grande quantidade em nossa região, caso da imbuia, canela, peroba e araucária.
Os vidros também são reaproveitados, e esses vieram de construções originárias da cidade de Florianópolis. E é assim, pensando em sustentabilidade e mantendo viva algumas lembranças históricas de nossa terra que os chalés vão ganhando forma e deixando o lugar ainda mais bonito.
Fomos conhecer as plantações e o rio. Uma ponte pênsil deu um ar de aventura ao passeio e de cima dela é possível contemplar o Águas Frias que nessa região sempre revela belas paisagens.

Do outro lado conhecemos o pomar, repleto de frutas como pêssego, limões, goiaba, bergamotas e a especialidade do sítio, as clemenules, uma tangerina sem sementes, conhecida na Europa como a rainha das tangerinas. Passeamos pela beira do rio, vimos cavalos e tivemos a certeza de que vale a pena uma visita no verão para entrar na água.

Na volta chegou o momento do café. Tudo preparado de uma forma muito especial, lá até a louça tem uma história... Primeiro vem o chá de clemenules, que ninguém conhecia até então, e, para acompanhar, queijos com geleias e pães tostados com patê de tilápia. Sempre que serve algo, Tarcisio explica a procedência, geralmente proveniente dos pequenos produtores da região, o que dá um gosto ainda mais especial a tudo.
Depois da entrega chega o café, preparado um coador de pano, ali mesmo na mesa. São servidos pães variados, com geleia, uma pasta a base de salame, manteiga... Destaque especial ao pão de tomate e ao cookie de amendoim, produzidos ali mesmo no sitio e que eu adorei. No final, bolo de cenoura ou de chocolate e uma deliciosa sobremesa completa a experiência.

Após o café, permanecemos na mesa conversando sobre assuntos diversos, enquanto a noite chegava e a temperatura baixava. Quando estávamos indo embora, entramos na casa do casal para nos despedir. O ambiente é aconchegante e acolhedor, fomos convidados a subir até o segundo piso e conhecer a vista que se tem da varanda do quarto, algo estarrecedor! Ficamos imaginando como é dormir e acordar com uma paisagem daquelas.
Recomendo a todos o passeio, tanto para quem é de fora como para os alfredenses, pois nós merecemos conhecer mais um pedacinho maravilhoso de nossa terra!

Para mais informações:
Endereço: Rua Águas Frias, Alfredo Wagner - SC

Número de telefone: 4891899982

quinta-feira, maio 19, 2016

Em busca do pinheiro gigante


No último domingo, saímos em busca do pinheiro gigante centenário. São muitas as histórias que falam sobre ele e toda a sua grandeza. Fomos com o Fusca do Evandro em direção ao Santo Anjo, até os Soldados... devo comentar... o dia estava chuvoso, até esboçava uma garoa quando saímos do centro e mesmo assim, entre nuvens, os Soldados estavam lindos, mais uma vez enchendo nossos olhos.

O pinheiro fica na margem esquerda do riacho que se tem que atravessar para chegar ao Soldados. Margeamos o rio, depois subimos um imenso pasto – uma caminhada realmente muito forçada, cheguei ao topo com meu coração saindo pela boca – de cima do pasto ficamos praticamente na mesma altura da base dos Soldados – de onde as Imensas pedras “brotam” – e adentramos a mata. As árvores de “Jurrassic Park”, como o Evandro comenta, deixam a paisagem maravilhosa - certamente são árvores centenárias que permaneceram ali, intactas.

As bromélias encantaram a Su e ali, entre as árvores e muitos tombos, encontramos um pinheiro enorme que nós 3 não conseguiríamos abraçá-lo. Já estávamos impressionadas e Evandro disse “Como esse tem muitos, é pequeno”. Andamos mais um pouco, mas fomos impedidos de avançar devido a uma grota gigante. Então resolvemos voltar ao pasto e entrar na mata um pouco mais atrás, fizemos isso mais duas vezes, mas sempre encontrávamos a grota, que não nos permitia avançar.

Como estávamos com fome, resolvemos voltar ao carro e deixar para encontrar o pinheiro em outra oportunidade. Na volta para o carro, famintos, encontramos uma pinha praticamente intacta, a recolhemos e levamos conosco até o local onde faríamos uma sapecada.
No inverno, a semente da Araucária - o pinhão, é muito comum nas beiradas das estradas de terra ou nos campos de serra e é um ótimo combustível para qualquer pessoa que pratique atividade física, pois fornece carboidrato e proteína, podendo ser guardado no bolso. Para nós é comum a sapecada, mas para quem não sabe o que significa, lá vai uma pequena explicação:

primeiro devemos fazer uma pilha com as grimpas – que são as “folhas” secas da araucária que caem no chão; depois jogamos os pinhões por cima das grimpas; basta colocar fogo e esperar que os pinhões “sapequem”. Tivemos um pouco de dificuldade para colocar fogo nas grimpas, pois o vento estava intenso, mas com a ajuda do Fusca e de um cobertor, após uns 30 fósforos, conseguimos! Os pinhões ficam um delícia, torradinhos. Basta tomar cuidado para não queimar os dedos ou colocar um pinhão em brasa na boca, como eu quase fiz.
Após a sapecada, ainda fizemos um piquenique com algumas coisas que tínhamos levado, demos uma volta em direção a Santa Bárbara e depois retornamos para casa.
Não foi dessa vez que encontramos o pinheiro, mas em breve retornaremos!

O passeio, apesar de não ter atingido seu objetivo, foi fantástico. Nos divertimos tanto na estrada com o Fusca mais turbinado que existe e também com as belas paisagens que encontramos.

A busca continua....