quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Seis meses em Limerick!


Quem diria, completei seis meses longe da minha casa no Brasil. Seis meses em Limerick, esse lugar que desde de que coloquei os pés aqui pela primeira vez, em 2018, senti como se também fosse meu lar. 
Nunca me imaginei vivendo longe de Alfredo, longe do Brasil, mas hoje não consigo mais imaginar minha vida sem Limerick. Li no twitter: "I don't see my life without Limerick" e me identifiquei na hora. Eu sinto como se sempre tivesse aguardando o momento de vir para cá, de “voltar” para essa cidade que de forma inexplicável sempre fez parte da minha vida e que agora tendo vindo para cá, nunca mais serei a mesma. 
Nesse meio ano por aqui, já aprendi muito e não estou falando apenas da vida acadêmica, estou falando também de aprender mais sobre mim mesma. Aprendi a me ver com outros olhos, observar melhor minhas falhas e saber do que sou capaz. Aprendi muito sobre os outros também, o quanto eles podem ser generosos, amorosos, acolhedores e até mesmo invejosos e mesquinhos. Mas o fato é: se eu for colocar em uma balança tudo de bom e ruim que vivi aqui até agora, as coisas boas são infinitamente maiores do que as ruins e isso me deixa muito feliz. Ontem uma amiga me falou “tu tá numa fase muito boa da vida né?” e a resposta é: Estou! A irlanda tem sido muito boa para mim e é por isso que quando não estou aqui, já sinto saudades.
Durante esses seis meses, tive férias e fiquei quase um mês longe de Limerick, a saudade foi grande, mas quando aterrissei no aeroporto de Dublin, meu coração já começou a se sentir em paz, pois aqui me sinto acolhida, em casa.
Para mim o povo da irlanda é o mais querido de toda a Europa! Não conheço outra gente tão amigável, solícita e encantadora. É sério! Tem muito europeu que vive de fato o “eurocentrismo” e acha que é melhor do que qualquer um, principalmente melhores do que nós da América do Sul, mas aqui na Irlanda nunca senti isso, muito pelo contrário, só tenho a agradecer a maneira como os irlandeses tratam a mim e aos meus colegas. E como já falei em outro desses meus textos, apesar de todas as diferenças vejo muitas semelhanças entre irlandeses e brasileiros. 
Acho que Limerick também gosta da gente e quis comemorar nossos seis meses aqui, nos dando um presente. Neve! A neve que tivemos, não pode ser chamada de nevasca, mas os flocos que caíam já foram o suficiente para fazer a alegria dos brasileiros. É incrível, todo mundo volta a ser criança: guerra de bolas de neve, tentativas de construir bonecos, anjos, rodopios e muitos suspiros de emoção são encontrados nessas ocasiões. Não tem nevasca, mas tem avalanche de novos stories, todo mundo quer registrar de todas as maneiras possíveis esses momentos de profunda alegria. Não poderíamos ter recebido um presente melhor! 
Para finalizar, a palavra por esses seis meses continua sendo gratidão! Gratidão é o que sinto todo dia por ter tido a oportunidade de estar aqui. Oportunidade de estudar na Mary Immaculate College e de ter conhecido tanta gente incrível e inspiradora - meu colegas e professores. Gratidão e alegria pelas pequenas coisas, como poder escolher entre as centenas de pubs o local para tomar uma Guinness, ver o pôr-do-sol pintando as águas do Shannon,  passear pelo Milk Market e sentir todos os seus aromas ou poder ir ao Nancy’s e sempre viver o que chamamos de experiência antropológica. 
Gratidão por terem me permitido viver Limerick!

sábado, fevereiro 08, 2020

Mas é uma Praga!


       
 Eu estava viajando já há algum tempo e a República Tcheca era meu último destino, finalmente eu estava chegando ao meu 30º país visitado e quando falei pra minha mãe que estava indo para Praga ela disse: “Tchecoslováquia” e caiu na gargalhada. 
Quanta maturidade!
Ela me contou a história de quando ouviu esse nome pela primeira vez em uma aula de geografia e a turma toda achou muito peculiar e caiu em um riso sem fim. Estamos falando de um tempo longínquo em que Alfredo Wagner não era ainda nem cortada pela BR282 e eles estavam estudando sobre o socialismo que ainda estava presente em boa parte da Europa. Pelo visto ela ainda acha graça no nome, mas lá se vão mais de 30 anos. O socialismo caiu e a Tchecoslováquia deixou de existir, dando lugar a República Tcheca e a Eslováquia, mas aparentemente o que não mudou foi a atração que Praga provoca nas pessoas.
Provavelmente isso se trata de regionalismo, mas para mim quando alguém te chama de praga ou solta uma frase tipo, “Mas tu és uma praga”, boa coisa não é de se esperar. Eu tinha a impressão de que praga era sempre uma coisa ruim, as pragas nas plantações, as sete pragas do Egito, até que conheci “a cidade das 100 cúpulas” de perto e mudei completamente de ideia.
A cidade pulsa, se move, é cheia de cultura, de esculturas, possui uma arquitetura que mistura o moderno e o clássico e uma história longa e interessantíssima. Aparentemente tirada de um cenário de conto de fadas, a capital da República Checa é bem real e aguarda a sua visita.
Como disse Franz Kafka, um de seus mais ilustres filhos, Praga “não nos deixa ir embora, esta velha tem garras”.
Cheguei em Praga, capital da República Tcheca no final de janeiro. Tinha o frio como maior companheiro da viagem, mas a cidade logo me aqueceu. Tenho a impressão que poderia passar meses por lá, sem me cansar e me encantando cada dia mais. Acho que nosso santo bateu e aparentemente a cidade vem batendo o santo com o dos visitantes desde a idade média, pois são de lá alguns dos primeiros registros de pessoas que caíram de amores pela cidade.
Sem dúvidas, ela não pode ficar fora do roteiro de ninguém que planeja uma viagem por essa parte leste da Europa. É difícil definir o que mais me atraiu na cidade, mas acho que foi uma mistura de tudo. O charme das ruas históricas, as esculturas que enchem as ruas de arte, tudo lá é tão vivido, que tem até tem um prédio dançante!
A ponte Carlo com suas dezenas de esculturas, o Castelo - maior do mundo -, o antigo cemitério judaico, o relógio astronômico, os palácios, torres, igrejas, sinagogas, as cúpulas que hoje já são bem mais de 500 e Kafka, espalhado por todos os lugares. Há pelo menos três monumentos dedicados ao autor, mas o mais curioso deles é um busto de 11 metros composto de 42 camadas que se movem. Desta forma, pode ver o rosto do Kafka em várias posições. Para mim se permitem o trocadilho, é a perfeita metamorfose. 
Praga é para todos os gostos. E daqui para a frente, quando me chamarem de Praga, tomarei como um elogio!

terça-feira, janeiro 28, 2020

Os mistérios de Stonehenge



Stonehenge é um daqueles lugares que sempre sonhei em conhecer. Daqueles que me faziam querer pegar meu chapéu de Indiana Jones, colocar na cabeça e explorar. Junto com as ruínas da cidade perdida dos Incas, Macchu Picchu, o Coliseu, o que restou da cidade de Pompéia e as Pirâmides do Egito - que ainda não tive a oportunidade de conhecer - Stonehenge figurava no meu top 5 de locais históricos que eu mais queria conhecer em todo o mundo.


As tais pedras enigmáticas, provavelmente já estiveram na proteção de tela de muita gente que usava o Windows XP e o mistério em torno delas transpassa vários séculos. Hoje em dia, depois de muitos estudos arqueológicos realizados, algumas respostas já foram encontradas, mas muita coisa ainda permanece em meio a brumas desconhecidas.
O monumento pré-histórico, construído a mais de 5 mil anos, fica na Inglaterra. Estudos apontam que as chamadas “Pedras Azuis” pesando 4 toneladas cada, que compõe o círculo interno foram retiradas do País de Gales, assim como as pedras do círculo externo, ainda maiores, com cerca de 25 toneladas cada uma.
A questão é saber como os construtores neolíticos, usando apenas ferramentas de pedra, madeira e ossos, esculpiram os pilares de pedra de Stonehenge das colinas do oeste do País de Gales e como os transportaram mais de 230 quilômetros para a planície de Salisbury, onde se encontram. E mais, pesquisas recentes apontam que as pedras maiores, já fariam parte de um grande círculo de pedras no País de Gales, mas o monumento foi desmontado e reconstruído no país vizinho.
Então uma das maiores questões ainda sem respostas a respeito do círculo: Por que razão as pedras precisaram vir de tão longe? Geralmente pedras da região eram utilizadas para construção de círculos semelhantes. O que essas pedras têm de tão especial?
Outra questão importante diz respeito a maneira como essas pedras foram transportadas. Existem várias teorias que tratam sobre isso. Algumas pessoas até mesmo acreditam que Merlin, o mais poderoso Druida de todos os tempos, teria as transportado pelo poder da magia e tem também quem acredite - céticos rsrs - em algo bem mais sem graça:  que elas teriam sido arrastadas por toda essas distância, ou até mesmo transportadas por jangadas, durante parte do percurso.
Mas afinal de contas, por qual motivo elas foram construídas?
Elas serviam para recolher os dados a respeito do movimento de corpos celestiais. Além de regular o ciclo agrícola, é claro, existiam também as funções religiosas, dos celtas.
Em Stonehenge o principal eixo das pedras se alinha ao eixo do solstício. No dia mais longo do ano, solstício do verão, o sol nasce a nordeste e no solstício do inverno, o sol se põe no vão entre as duas composições de três pedras mais altas, uma delas atualmente tombada.
Hoje em dia os visitantes não podem ir até o interior do círculo e tocarem nas pedras, exceto em pelo menos duas ocasiões do ano, o solstício de Verão e o de Inverno. Acredita-se que nesses dias os celtas realizavam grande rituais no interior dos círculos. Hoje em dia nessas ocasiões o visitante entra às 19h e deve sair até às 7h, os visitantes costumam tocar as pedras, abraçá-las, fazem orações, cantam, tocam gaita de fole... Também nessas ocasiões grupos vestidos nas roupas tradicionais celtas e com flores na cabeça cantando músicas antigas, representando os druidas. Tudo bem estilo Outlander.
Infelizmente eu visitei o monumento exatamente uma semana depois do Solstício de Inverno e não tive oportunidade de experienciar isso, mas acho que ainda não desisti da idade.


Os mistérios de Stonehenge