quarta-feira, novembro 09, 2016

Tríplice Fronteira


Minha primeira viagem internacional foi em 2003, para o Paraguai. Minhas impressões não foram as melhores; achei o lugar bagunçado, sujo, fedido, mas como todos podem perceber a experiência não me traumatizou, pois não deixei de conhecer outros lugares por conta desse primeiro contato além-fronteiras.
A viagem para Foz estava na minha lista já há algum tempo e no início do ano, quando minha mãe me convidou para uma viagem que a escola dela estava programando - tendo a Tríplice Fronteira como destino - não pensei duas vezes. Seria minha primeira viagem com ela, que odeia viajar e por isso às vésperas da viagem acabou inventando uma desculpa para não ir. Confesso que eu não estava muito animada, mas com a data chegando, a animação também veio. 
Na sexta (28/10) saímos de Alfredo em direção a nosso destino. Fomos de ônibus, com a empresa Imperatriz e nossa condução não poderia ser mais confortável. No piso inferior – é assim que se fala dos andares em ônibus? – ficava a “Sala de Jogos”, onde eu e mais alguns amigos que não tinham o costume de enjoar em viagens, passamos boa parte da viagem bebendo, conversando, jogando, cantando no karaokê ou acompanhados pelo violão do seu Fabricio. Subi para a área dos passageiros mais silenciosos já eram 4:00H da manhã e dormi pesadamente até as 8:30h, acordando apenas por conta de uma parada. Estávamos atrasados. A chegada que estava prevista para as nove, acabou acontecendo apenas as 13:00hrs, o que nos fez usar da criatividade – e da paciência – para fazer o tempo passar.
Assim que chegamos ao nosso hotel – Hotel Muffato – nos acomodamos e seguimos para o almoço. A fome estava grande e eu estava disposta a pagar qualquer preço para matá-la. Por sorte fomos a uma churrascaria com uma comida deliciosa e deu para voltar a ser feliz.
Novamente no ônibus estávamos prontos para nossa primeira visita, Itaipu Binacional. Itaipu em tupi significa “Pedra que Canta”, mas o lugar é bem mais que isso. A Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional é reconhecida como uma das maiores obras da engenharia moderna, sendo a maior usina hidroelétrica em produção do Mundo, e durante muito tempo, também foi a maior em tamanho. Uma construção monumental que hoje é um dos principais pontos turísticos de Foz do Iguaçu, com um atendimento turístico organizado e um serviço qualificado, que conta com várias opções de atrações, tanto nas áreas da engenharia, como na tecnologia, na natureza e no resgate histórico da região.
A “Visita Panorâmica” é o passeio tradicional da Usina e começa no Centro de Visitantes com um filme apresentado numa sala de cinema, o qual conta a história da construção da barragem e um pouco do atual trabalho de Itaipu. Após a projeção, os visitantes são levados de ônibus para dois mirantes de observação, que permitem diferentes pontos de vista da construção, e o passeio termina passando ao lado e sobre a barragem, onde também há a vista do Lago de Itaipu – e de eventuais marinheiros que estiverem por lá dando bobeira.
De volta ao hotel, foi tempo de desfrutar da piscina, que eu não entrei, do secador de cabelo que levou 3 hrs para secar minhas madeixas e de comer o maior prato “A la minuta” da minha vida – ou pelo menos começar - e de finalmente descansar. Eu não me sentia bem, tomei um remédio para febre e cedo fui dormir.

O segundo dia chegou e, ele era por mim o mais aguardado. A febre tinha passado e após o café seguimos para o Parque das Aves. Localizado próximo ao Parque Nacional do Iguaçu, onde ficam as Cataratas do Iguaçu, o Parque das Aves é um dos maiores parques de aves da América Latina, que além da exibição dos exemplares, também desenvolve projetos de conservação e procriação de algumas espécies. O Parque das Aves é uma oportunidade de contato com aves de diversas regiões do Mundo em um passeio que coloca o visitante dentro de viveiros durante a caminhada. O passeio tem duração média de 1 a 2 horas, num ambiente de mata nativa, com trilhas de acesso aos viveiros. Alguns viveiros são de observação, enquanto em outros o visitante pode entrar. Durante a caminhada, além das aves, ainda existem espaços de repteis e borboletas. No espaço dos repteis tomei do meu próprio veneno; após quase matar um senhorinha do coração dando um susto na Tati, o Eduardo e Bea passaram um pauzinho em minhas pernas, enquanto estávamos dentro de um viveiro com uma cobra enorme. Nem sei descrever o que senti, só sei que em um milésimo de segundo, gritei, pulei e estava pronta para fugir em disparada. 
Lamento por não ter conseguido uma foto com a arara no braço, chegamos tarde e a fila estava imensa, até cogitei fura-la, mas graças a Deus me faltou coragem. 
Cataratas:


O parque nacional do Iguaçu é gigantesco. Foz é a cidade brasileira mais próximas das cataratas do Iguaçu, uma das 7 maravilhas naturais do mundo. Esqueça todas as cachoeiras que você já viu, lá são nada mais, nada menos do que 275 quedas d’água que são tão violentas que fazem o vapor se conectar com as nuvens. A trilha de 1.200 metros é a melhor e mais impactante maneira de começar a explorar o parque, ela é a principal atração já inclusa no preço da entrada – R$: 33,00 – Ficamos do lado brasileiro, as quedas ficam no lado argentino e é claro que nos demos melhor nisso também, pois a vista mais bonita ficou para a gente. São diversos mirantes ao longo do caminho e não tem como não ficar boquiaberto em cada um deles, é pura contemplação.
O imenso barulho da água caindo e os respingos de água pelo corpo fizeram com que eu me sentisse fascinada pela experiência. Certamente um dos lugares de beleza natural mais exuberantes que já tive o prazer de conhecer. Muitas fotos para registrar o lugar de todos os ângulos!
Almoçamos no hotel e à tarde fomos para o Duty Free em Puerto Iguazú. Quem me conhece sabe que não tenho nenhum interesse nesse tipo de passeio, não sou muito consumista – além de ser pobre, com poder aquisitivo baixo – mas mesmo assim fomos. Deu para comprar uma Amarula e ouvir os meninos reclamando do copo de chopp por 20 reais.
Retornando ao hotel, algumas risadas na piscina e depois Chopperia Rafaim. A noite parecia perdida, mas espantamos as assombrações e nos divertimos muito. Pedimos músicas, falei que tinha apenas 22 reais, tomamos muitas torres, levamos um golpe no pagamento da conta e outro dado pelos casais que nos humilharam dançando muito bem e coreografado, mas de fato, foi uma noite divertidíssima.
O que não foi nada divertido, foi a parte de acordar cedíssimo no dia seguinte e cruzar a ponte da amizade.
Em 13 anos o Paraguai mudou, parece mais limpo, mais organizado e mais caro. Não comprei muito, aproveitei para arrumar pela terceira vez a tela do meu Iphone – eu sei, eu sei... essa foi a última – em uma barraca muito estranha, com uma gente mais estranha ainda, falando em Árabe e me achando meio idiota por não tirar os olhos de meu telefone com medo dele ser roubado. Perfume, óculos, relógio, Pringles e meias preencheram minha lista de compras. Mesmo comprando pouco achei um dia proveitoso, eu sei que essa minha frase “Experiência antropológica” já ta meio manjada em meus textos, mas encaro assim. É algo completamente diferente de nossa realidade, o guarani, misturado com o espanhol, línguas árabes, aquele trânsito incompreensível, aquela gente oferecendo meias “all the time”, pessoas desesperadas tentando te fazer comprar algo e você só querendo se livrar do calor e dos braços que insistem em te puxar, foi sim um experiência antropológica (risos). Não posso negar, eu adoro, toda essa “muvuca”, essa cidade de vida pulsante e descoordenada, mas um dia basta! Já chegava de Paraguai e era hora de retornar.
A volta foi menos cansativa que a ida e chegar em casa é sempre muito bom.
O Paraná não está entre meus estados favoritos, mas certamente a beleza das Cataratas e a grandeza de Itaipu – sem papo de serraria – ficarão em minha memória. 

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