segunda-feira, novembro 25, 2013

Personalidades: Arthemio Rosa Farias

Data de Nascimento: 13 de Fevereiro de 1927
Data de Falecimento: 11 de agosto de 2005
Por Maria Salete Farias 

Nasceu em Barracão, Distrito de Catuira, Município de Bom Retiro (Hoje Alfredo Wagner, no dia 13 de fevereiro de 1927).
Seu Pai Manoel da Rosa Farias era conhecido como Manuel do Dôia, pois foi criado na casa de Dôia, filho mais velho de João Conorato (João Conrado Schmidt), e sua mãe Santa Andersen Farias (também conhecida como Santolina) era filha de Rodolfo Andersen irmão de Cristina mãe de Dôia.
Casou com Otilia Fernandes (filha de Jorge Fernandes (Jordelino) e Maria Kurtz Fernandes) no dia 30 de novembro de 1946.
Da união nasceram 07 filhos (Dulcinéa, Maria Salete, Marcina, Laerte, Maria de Fátima (natimorto), Márcia Rosani e Adauto).
No inicio da vida profissional exerceu as atividades de engarrafador de bebidas, dono de posto de combustível, e mais tarde indústria e comércio de madeiras, também atuou como avaliador do Banco do Brasil para a Carteira de Crédito Imobiliário.
Suas atividades empresariais, juntamente com as de outros comerciantes da época, foram objeto de anúncio publicado na Revista “A Voz do Planalto” editada em Bom Retiro na década de 1950.
Adquiriu uma serraria situada no lugar chamado Jararaca, a qual possuía muitos empregados, uma vila para residência destes a qual contava, inclusive, com uma Igrejinha.
Dita serraria causou-lhe muitos dissabores, pois herdeiros de antigos proprietários conseguiram judicialmente uma medida liminar que impedia o corte de pinheiros.
Com as atividades da serraria paralisadas precisou desfazer-se de outros bens para fazer face às despesas com salários e fornecedores, implicando em séria crise financeira.
Cansado de esperar o resultado da demanda foi abordado pelos autores da ação que ofereceram um acordo para encerra-la a oferta foi verbalmente aceita.
Ocorre que, ao comunicar o fato ao seu advogado o ilustre Dr. João Monn foi informado por este, que o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina havia julgado improcedente a ação e condenado os Autores a indenizar-lhe as perdas e danos.
Ciente da má fé dos Autores na propositura do acerto, e afirmando que sua “palavra valia mais que mil contratos” manteve o acordo verbal e arcou, inclusive com os honorários do seu advogado que obteve o ganho de causa.
O mesmo advogado defendeu-o quando um parceiro comercial, valendo-se de um título de crédito assinado em branco por Artemio, e que se achava em seu poder, requereu a falência de “ARTEMIO ROSA FARIAS COMÉRCIO DE MADEIRAS”, o brilhante causídico munido de um cheque em branco assinado por este parceiro comercial, solicitou no Fórum de Bom Retiro fosse elaborada a conta do processo de falência para fins de quitação, e preenchendo o cheque com o valor total da conta, inclusive custas e honorários efetuou o pagamento e encerrou a ação. Num golpe de mestre o advogado aproveitou os documentos em poder de seu cliente e quitou a dívida com um cheque assinado pelo próprio credor
É que ambos e outros amigos comerciantes, por força de acordo de cavalheiros, trocavam títulos assinados em branco para serem utilizados em caso de necessidade, para desconto em bancos, já que seus negócios eram realizados na rede bancária de Florianópolis e nem sempre coincidia estarem juntos na capital.
Muito irado com a atitude do comerciante, Artemio dirigiu-se à residência deste que ficava do outro lado do rio perto da antiga ponte, e na travessia da ponte armado com um revólver desferiu alguns tiros para o alto, mas antes do confronto recuperou o autocontrole e voltou para casa.
Envergonhado com o ato, contava aos netos que a partir deste episódio trocou o revolver por um rosário.
Era muito religioso e jamais esquecia sua rotina de orações, tinha um jeito especial de contar as passagens bíblicas especialmente os evangelhos, como “Jesus caminhando sobre as águas e dizendo: Vem Pedro vem; Homem de pouca fé”...; o grão de mostarda e muitas outras que os filhos e netos às vezes fingiam ouvir.
Era homem de muitos amigos e muitos compadres o Professor José Dell’ Antonia, Altair Schweitzer, Olíbio Ferreira da Cunha, José de Campos, Pedro Kretzer, Rogério Pedro Kretzer, Adelar Lehmkuhl, José Rocha, Izidoro Cechetto, Flares Figueiredo de Oliveira, Júlio Wessler entre outros foram seus compadres.
(Na foto: Casamento filha de Lindolfo Schweitzer, churrasco na olaria do Seu Balcino)
Em sua casa que ficava onde atualmente acha-se localizada a Comunidade Evangélica, já na década de 1950 havia água encanada levada à caixa por bomba manual, água quente através de um sistema de serpentina instalado no fogão à lenha, banheiro com bacio e chuveiro e pia, também a cozinha era equipada com pia, água encanada e sistema de esgoto.
Teve um cinema, situado na mesma quadra, que era praticamente inteira de sua propriedade, desde a rua principal até a atual Rua Artemio Rosa Farias.
O cinema era equipado com gerador movido a óleo diesel e antes das cessões de cinema um gramofone tocava um disco de 78 rotações, sendo de um lado “Mulher Rendeira” dedicada à Dulcinéa e do outro “Ninguém me ama” preferido da Maria Salete. Em algumas ocasiões a Oca e a Dida (belas moças com vozes maravilhosas) cantavam ao vivo canções como “Asa branca”.
Integrou a Comissão Paroquial na época de Frei Deodoro, na foto com José de Campos, Lindolfo Schweitzer, Paulo Schwinder Almeida, Paulo Bunn, Olíbio Ferreira da Cunha, Adelar Lehmkuhl e Izidoro Cechetto.
Como era proprietário de um dos poucos automóveis da localidade, era chamado, não raro, de madrugada para transportar doentes a hospitais.
Da época em que possuía um trator com arado com o qual prestava serviços aos plantadores de fumo, restou o episódio que não se cansava de narrar, visando desestimular o vício do cigarro: dizia que ao observar a quantidade de veneno (agrotóxicos) utilizados nas plantações abandonou o vício. Quando fumante preparava a palha de milho para enrolar seus cigarros fervendo-as previamente com leite e secando-as ao sol.
Gostava de rituais na preparação de alimentos, nas refeições tudo sem pressa.
A militância política gerava inimizades e ele costumava contar que em uma ocasião conseguiu do Governo do Estado uma máquina patrola para melhorar a estrada geral das Demoras, mas durante a noite o inimigo político colocou melado no tanque da máquina danificando totalmente o veículo e impossibilitando a sua utilização.
Foi vereador em Bom Retiro na 3ª Legislatura – 1955 a 1958.
Em 14 de fevereiro de 2002, juntamente com os demais ex-vereadores recebeu homenagem da Câmara Municipal de Bom Retiro. 
Políticos como Irineu Bornhausen, Jorge Lacerda, Albino Zeni frequentavam sua casa. Certa vez o Governador Irineu foi padrinho de casamento de um casal de ciganos acampados no Barracão e para recebê-lo as poltronas e o tapete da sua sala foram emprestados aos ciganos.
Na qualidade de vereador e presidente do diretório distrital da UDN era recebido pelo Governador Irineu Bornhausen no Palácio na Capital do Estado onde postulava melhorias em favor da comunidade.
Assim, pleiteou fosse instalado um Cartório de Registro Civil no Barracão, em face de dificuldade de locomoção de seus moradores, até a sede do distrito em Catuira para registrar nascimentos, casamentos e óbitos.
O Governador sugeriu que ele elaborasse um Projeto de Lei visando à elevação de Barracão a distrito, para permitir a instalação do Cartório e ele apresentou o projeto que foi transformado na Lei Municipal de n.º 56/9 de 22 de outubro de 1956.
Em outra ocasião, pediu a criação de um Grupo Escolar, e o Governador garantiu que se houvesse a doação e um terreno para tal assim seria feito. Obteve de seu compadre José de Campos a doação do imóvel e o Governador cumpriu a promessa com a inauguração do Grupo Escolar Silva Jardim.
Era um político dedicado e como na época os vereadores não recebiam salário apenas o jetom pelo comparecimento às sessões ele custeava as despesas do próprio bolso e doava o jetom ao partido.
Sofria muito com as derrotas políticas de seus correligionários, especialmente a de Antonio Carlos Konder Reis para Ivo Silveira (Governo do Estado) e Rogério Kretzer, na primeira eleição, para a prefeitura municipal de Alfredo Wagner.
Com a emancipação de Alfredo Wagner, emprestou sua escrivaninha e cofre para o prefeito nomeado, Pedro Weinhardt Borges, para a instalação da prefeitura.
Ditos móveis haviam sido utilizados anteriormente quando o extinto  Banco INCO,  teve uma subagência no Barracão a qual funcionou em uma das dependências de sua casa.
Participava de todas as convenções estaduais e municipais de seu partido a UDN.
Compensava o pouco tempo de escolaridade fazendo cursos por correspondência (o antigo artigo 99 uma espécie de curso supletivo).
Em sua estante a Bíblia Sagrada convivia com clássicos como Platão (Apologia de Sócrates), Cícero (Orações), Dicionários enciclopédicos e ortográficos além de Jornais e Revistas (O Cruzeiro, Manchete) que adquiria em suas frequentes viagens a Florianópolis.
Em janeiro de 1966, mudou-se para Florianópolis, mais precisamente em Capoeiras onde inicialmente teve uma fábrica de móveis e mais tarde até a aposentadoria trabalhou no ramo de materiais de construção.
Mudou-se para São José, mantendo o seu comércio em Capoeiras.  Com a saúde debilitada, e inconformado com a perda da filha Dulcinéa, faleceu no dia 11 de agosto de 2005, com 78 anos de idade.


5 comentários:

  1. Meu pai foi um herói,um guerreiro,um pai maravilhoso,um homem de muita fé,um homem batalhador que criou seus filhos com muto sacrifício.Fez tudo por sua família.Um vencedor!Este foi o meu Pai.Saudades eternas

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  2. Carol se não me falha a memória, e caso não esteja enganado, faltou o nome do filho mais novo que se chama Mauricio.Será?

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  3. Foi um grande homem. Fez muito por Alfredo Wagner. Merecido o preito que lhe foi prestado tornando-o patrono da rua onde morava, aqui no Centro. Hoje fiquei sabendo que o seu Arthemio era primo em segundo grau de minha avó, Santília Schmidt Wagner (filha de João Conrado Schmidt e de Cristina Francisca Andersen). Vovó Cristina tinha, se não me engano, dez irmãs mulheres e apenas três irmãos: tio Frederico, tio João (morto acidentalmente enquanto pescava, de canoa, no Rio Itajaí, na Catuíra. Enquanto remava, a pistola que tinha na cinta disparou, atingindo-o fatalmente) e tio Rodolpho.

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    1. Sim Juliano Wagner o meu bisavô Rodolpho Andersen era irmão de Dona Cristina, lembro que o Seu Florinho sempre o tratou meu pai como um parente chegado. Mesmo morando em Florianópolis manteve a amizade com Altair Wagner que o visitava em Capoeiras por conta do amor por moedas antigas que tinham em comum, seu Altair sempre comprava as mais valiosas. Obrigada pela postagem.

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  4. Meu avô querido! Muito orgulho e muita saudade! Tia, obrigado pela história.

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