domingo, abril 20, 2014

2014 - Montevideo

Terra do pampa que se estende sem fim. Do rio mais largo do mundo. De um litoral cheio de luxo e personalidade. Do assado na brasa. Do doce de leite. E do mate. Um lugar onde a gente não percebe pressa e nem o corre-corre – exceto no que diz respeito ao mestrado.
Ao desenhar o seu mapa, o Uruguai ajudou a definir parte de nossa fronteira, essas terras banhadas pelas águas doces do Rio da Prata e pelas praias da Costa Atlântica sempre fascinaram.
Montevidéu nem parece capital de um país. Tem mais jeito provinciano que cosmopolita. E olha que metade da população uruguaia vive nela. Entre as ruas sem engarrafamento e rodeadas por árvores, esta a Universidad de la Empresa, a responsável por eu passar quase um mês nessa cidade encantadora.
É la também que tem a ‘rambla’ que é um calçadão com 20 quilômetros que se debruça sobre o Rio da Prata e liga a cidade colonial à cidade moderna.
A capital uruguaia tem um ar de nostalgia espalhado pelos jardins, casarões e prédios que exibem na fachada estilos arquitetônicos dos últimos dois séculos. O Teatro Solis é uma das construções mais lindas da cidade.
O Palácio Salvo com suas torres que lembram o gótico e chegam a 70 metros já foi o mais alto da América do Sul. E há uma fonte mágica que diz a lenda, realiza apenas um desejo: amor. A ela não são dadas moedas, mas cadeados com nomes de apaixonados. Eles representam o desejo de amantes que sonham em ficar juntos para sempre. E muitos amantes já fizeram pedidos à fonte.
No meio do caminho há uma porta. Antiga, imponente. É a porta da cidadela - o que restou da muralha que protegia a Montevidéu colonial de 1714. É atrás dela que fica o Hostel Splendido, minha casa em Montevideo durante minha estadia na capital uruguaia.

Nas ruas, o que se vê é uma tranquilidade que impressiona. E o que se sente é um cheirinho de fumaça no ar. Sempre tem um fogo pronto para preparar o prato preferido de quem mora por lá: o assado. Eu comi assado todos os dias, no Tar Tar do Cyro! O assado é orgulho nacional que envolve tradição e técnica. Diferentemente ao que estamos acostumados no churrasco brasileiro, o assado uruguaio é feito com lenha e não com carvão e isso faz toda a diferença garantem os parrilleros, enfim, vou contar um pouco sobre minhas viagem para essa bela cidade através dos meus diários de bordo, vamos lá...

Diário de Bordo UY - 11\01

Bom, nossa viagem até aqui foi uma odisseia. Quase 12 horas para chegar em Porto Alegre não é coisa de Deus, mil paradas, desconforto, o que animou foi a ilustre presença de Iaroslava em nosso ônibus. A senhorinha já era uma sexagenária e reclamava de tudo, queria que ônibus parasse para ela fumar e falava muito alto, no final acostumamos com ela e percebemos o quão culta ela era, descobrimos até que ela era Tcheca. Carinhosamente nós a chamamos de Anita, devido a maneira terna que ela se despediu da cidade de Laguna.
Eucatur, nunca mais.
Em Porto Alegre tive um encontro the Flash com Aline, que foi até a rodoviária me entregar as passagens. Mesmo de forma rápida é sempre bom reencontrar minha grande amiga.
A viagem de POA até Montevideo ocorreu de forma bem tranquila, cheguei antes que os outros e fiquei aguardando o transfer para nos trazer até o Hostel.
Estamos hospedados no Hostel Splendido, que fica exatamente de fronte para o Solis, a vista é linda e da sacada podemos tirar várias fotos do famoso teatro. Nas duas laterais do prédio - que de alguma maneira lembro o Flatiron Building de New York - tem uns calçadões cheios de bares, restaurantes e danceterias. O prédio é bem antigo e todos os papos sobre espíritos que tive em Floripa – com  Júlia, Nado e Guiga – as vezes me fazem ter medo. Hahaha É uma construção bonita que merecia uma restauração e certamente tem um passado cheio de história. Eu particularmente gostei do hostel – menos da recepção que tem cheiro de incenso e trilha sonora indiana – achei um lugar bem alternativo.  Agora lá embaixo – na rua - ta rolando a maior festa, ouvimos as músicas aqui do quarto, mas nem animamos em descer, pois estamos exauridos.
Logo que chegamos nos acomodamos e fomos dar uma volta pela cidade, procurando um bom lugar para almoçar. Acabamos almoçando em um restaurante aqui perto do hostel, nos enrolamos um pouco com o cardápio todo em espanhol, mas no final concordamos com quem nos preveniu de que no Uruguay se come muito bem, pura verdade. Foi no almoço que quase me apaixonei pelo “Zorro Dançador”, mas quando ele tirou a máscara a magia da paixão acabou. =P
Quem quiser dar uma olhadinha no dançador, segue o link http://instagram.com/p/jCYmNHSBym/
O Clima tempo me enganou e por conta disso passarei frio. Está ventando demais, um vento gelado e eu não tenho roupa para isso, amanhã preciso dar o jeito de comprar uma blusa.
Turisticamente conhecemos pouco da cidade, ficamos mais pelas imediações do hostel, passeamos até o rio, passamos pela Puerta de la Ciudadela, retornamos e agora perto da noite passamos pela Plaza de la Independencia, pela Estátua em homenagem a Artigas, tudo más que se pode ver na tal Plaza e fomos jantar, saboreei o tal do Chivito e aprovei!  Amanhã após as energias serem renovadas desbravaremos Montevideo.


Diário de Bordo UY - 12\01

Como todos sabem a maconha está liberada aqui em Montevideo – não para estrangeiros – e é nisso que se baseia minha melhor história do dia de ontem.
Pedimos um mapa da cidade aqui na recepção do hostel, o recepcionista não encontrando, nos deu um daqueles livrinhos de viagem, que trazia um mapa com apenas metade da cidade, o jeito foi explorar só a parte mapeada mesmo.
O domingo estava reservado para o turismo, finalmente esquentou, o sol deu as caras e agraciou nossa presença na capital do Uruguay. A primeira atividade do dia era encontrar a universidade, no caminho exploramos a Plaza Independência, tiramos fotos com suas diversas atrações e até entramos no mausoléu com os restos mortais de Artigas – um herói nacional daqui. Encontramos a Universidad de la Empresa – UDE - e após conferir o prédio do campus onde vamos estudar seguimos para o almoço. Dessa vez almoçamos em uma pizzaria, mas meu pedido foi o mesmo do dia anterior, um chivito – tem como eu não gostar dessa culinária? Carne e batata frita, Deus é Uruguaio!
Depois do almoço voltamos para o hostel e após um desencontro total eu e Diego passamos a tarde inteira perdidos pela rambla de Punta Carretas e pelo Mercado del Puerto. Em Punta Carretas andamos por uma espécie de trapiche – deve ter outro nome – onde várias pessoas estavam com suas motos estacionadas e suas varas de pesca a espera de peixes.  Lá a única coisa bonita que encontramos foi a vista da cidade, a bem da verdade nos arrependemos muitos de caminhar cerca de 500 metros para chegar a uma espécie de oca de concreto, ok isso acontece. Resolvemos seguir até o Puerto margeando o rio, o resultado foi que andamos muito e quando chegamos ao Mercado nos decepcionamos um pouco, esperava que fosse maior, depois de superada a decepção curtimos o mercado e experimentamos uma Zillertal – cerveja uruguaia. No mercado tem gente de todas as partes do mundo, visitando Montevideo com transatlânticos, é uma experiência bacana.
Na volta finalmente encontramos as meninas que estavam indo para o Puerto, sem forças para retornar com elas viemos para o hostel e fiquei lendo. Quando elas retornaram resolvemos descer para conhecer os pubs aqui da rua do hostel – péssima ideia. Fomos até o The Shannon, um bar no estilo Irlandês, com um ambiente temático e músicas muito boas. As gurias comeram e eu as acompanhei em algumas Stellas, descemos assim que as senhoras do encontro da turma de 83 chegaram e dominaram o ambiente, fomos para os banquinhos da rua e foi lá que vivemos a experiência com a maconha – calma mãe.
Estávamos sentadas nas mesas da rua e o relógio já devia marcar meia noite, foi então que um cara uruguaio chegou com vários saquinhos com maconha e queria que comprássemos. Eu muito simpática não quis dizer que não fumava – para não parecer a brasileira careta – e então disse que não tinha dinheiro, que estava muito caro, ele foi abaixando o preço e também as calças para tirar da cueca outras sacolinhas. No final ele estava nos vendendo um pacotinho por 10 reais, mas mesmo assim eu não queria e não encontrávamos mais jeito de dispensar o sujeito. Tive que pedir ajuda a um casal que tínhamos conhecido anteriormente – ele uruguaio e ela brasileira – pedi para ele falar ao cara que eu realmente não queria, o que não deixou o sujeito cheio de cicatrizes de tiros nos braços muito satisfeito e o fez sair gritando pela calle: “Chica, vá chupar uma pica... UMA PICAAA!” Mereço? Todo mundo ficou me olhando, quase morri de vergonha. Maldito traficante mequetrefe.
Foi também nessa noite que descobrimos que Paula fala Italiano e não espanhol, vabêne!
Após o The Shannon paramos no El Pony Pisador, um barzinho com música ao vivo, provavelmente o local de onde vinham os gritos e sons da madrugada anterior. Realmente, dá vontade de gritar e cantar - ou foi o ambiente ou foram as várias Stellas.  O fato é que nunca é uma boa ideia descer para os pubs antes do primeiro dia de aula, sério, é uma dica importante para você que não pretende morrer de sono – para não dizer outra coisa – na primeira manhã de la maestria. 

Diário de Bordo UY - 13\01

Hora de estudar!
Logo cedo quando acordei quase morri de medo de ir até o banheiro na penumbra da madrugada – sim, acordar as 6 e meia é meio madrugada ainda – e como eu tenho medo de ghosts foi meio tenso entrar no banho.
O mestrado está cumprindo minhas expectativas e minha professora – de hoje e amanhã - é encantadora. Ela é uruguaia e as aulas, de acordo com o esperado, são em espanhol. Estava com um pouco de medo de meu espanhol me deixar na mão, mas não tive dificuldade – pelo menos não hoje.
Acabamos nos dividindo, viemos em 5 para cá e como abriram 3 turmas, nos separando. Eu, Diego e Paula ficamos na turma A e Dona Michelle e Luciana ficaram cada uma em uma sala diferente. Assim como no encontro dos professores do Brasil, achei muito bacana a troca de vivencias entre os professores de diversos estados, já fizemos amizades com algumas colegas e hoje realizamos nossa primeira atividade avaliativa – com um texto desgraçado de um uruguaio que remou, remou e suponho que tenha morrido na praia.
A aula é das 8 até as 12 e depois das 14 até as 18 horas. A universidade fica a 10 minutos a pé daqui do hostel.
Tenho que confessar que não foram fáceis as primeiras horas das aulas da manhã, por conta daquele meu incidente com Stellas ontem, por isso hoje depois da aula vim para o hostel e aqui estou até agora.
Por preguiça de descer para jantar eu e Diego criamos “Lo pacotito de linguiça e queijo” que consiste em uma rodelinha de linguiça, coberta com maionese e embrulhada em uma fatia de queijo branco. Uma delícia, sqn. Quem foi que disse que vida de estudante é fácil? 

Diário de Bordo UY - 16\01

Algunos apuntes para poner en la carpeta...

Essa foi sem dúvida a frase mais ouvida nos últimos dois dias.
Como podem perceber não tenho tido tempo de escrever meu diário de bordo, a aula me ocupa todo o tempo e ao contrário do que alguns de meus amigos tem pensado eu não estou vivendo uma vida de boêmia no Uruguay.
Como relatei nossa primeira professora foi um amor, realmente encantadora, falava pausadamente e tinha muita preocupação em se fazer entender e, em nos entender. Tivemos aula com ela na segunda e na terça. Na aula de terça ela nos levou para visitar O Museu Pedagógico José Pedro Varela, que é um antigo internato comandado pela igreja católica onde as moças que tinha a intenção de serem professoras ficavam estudando e aprendendo o oficio. O lugar é bem interessante e traz um vasto acervo de materiais que ajudavam no ensino das ciências humanas e naturais nos séculos passados. Gostei da visita e pudemos até mesmo escrever com um caneta tinteiro.
Minha turma se mostra bastante unida, nos preocupando uns com os outros e colaborando com nossos colegas sempre que possível, acho que temos um certo espírito de cumplicidade, provavelmente por estarmos todos longe de casa.
Na quarta-feira o bicho pegou. Acostumados com a cordialidade de Karina, quase morremos quando nos deparamos com Doutora Diva. Eu e Diego já havíamos percebido na apresentação dos docentes que a senhorinha seria osso duro de roer, porém nas primeiras horas da aula pensei que seria impossível roer aquele osso. Brava e com um espanhol incompreensível, Diva quase me fez chorar de desespero. Bradava sem parar: poner en la carpeta, poner en la carpeta, poner en la carpeta!!! Onde está reflexão? La reflexión? Donde esta la reflexión? Enfim, foi terrível, nos passou mil trabalhos e ontem fiquei até a meia noite passando meus “apuntes” a limpo para entregar na segunda, lendo e fazendo um trabalho. Diva me parecia uma megera, até que em algum momento da aula de hoje meu conceito sobre ela mudou, acho que foi depois de ver ela rindo ou saltitando, na dinâmica proposta por uma das equipes que apresentaram o trabalho e, o que seria o previsto aconteceu, me encantei pela velhinha e queria abraça-la.
Acho que ela pouco me entendia, mas em alguns momento só eu que compreendia o que ela falava e repassava para a turma. No final das contas parece que ela foi com a minha cara. Doutora Diva tem coração.
Não sei se foi a situação de ontem, onde me senti um pouco perdida na aula ou se é a saudade que estou sentindo de casa, o fato que estou muito carente – pode ser a TPM também – e com vontade de chorar, não estou conseguindo falar com ninguém lá de casa, a única pessoa que me responde esporadicamente é Henrique e acha que quero falar com a mãe porque preciso de dinheiro. =S
Amanhã temos professor novo, vamos ficar na torcida para que ela não nos deixe em desespero.
A única coisa turística que fiz nesses últimos dias além de ir ao Museu foi descer até a rambla e ter a linda vista do imenso Rio de La Plata. 


Diário de Bordo UY - 17\01

T.G.I.F
Graças a Deus hoje é sexta feira. Hoje tivemos um novo professor, que só trabalha com variáveis, a princípio fiquei um pouco perdida, pois ele é chileno e acho que no chile se fala mais rápido, mas depois tudo fez sentido e ter feito exatas me privilegiou.
Depois da aula eu e Dona Michelle resolvemos dar umas voltas pela cidade, fomos até la Fuente de los Candalos. Antes que vir eu assisti um programa indicado por Aline: “O mundo segundo os brasileiro” que falava sobre Montevideo e peguei várias dicas de locais para conhecer aqui, entre elas a dica da fontes e, realmente, achei o local interessante ... Depois da fonte resolvemos ir até o rio para assistir ao pôr do Sol, o problema foi que seguir o lógico não deu muito certo. A lógica seria, seguir da 18 e Julio, passar pela San Jose e pela Soriano... depois desceríamos mais umas 3 quadras e chegaríamos a rambla, o problema foi que depois da Soriano, na altura da 18 em que estávamos, ao cruzar a San Jose e a Soriano saímos em uma favela, isso mesmo, uma espécie de conjunto habitacional, uma região bem pobre. Todo mundo está com muito medo de ser assaltado aqui, nos últimos dias temos ouvido muitos relatos de alunos do mestrado que tem sido assaltados ou presenciado assaltos, então eu estava morrendo de medo de perder meu celular e minha câmera (que não é uma coisa muito fácil de esconder) por aquelas bandas. Em meio a apreensão resolvemos pedir ajuda, já que andávamos, andávamos e nunca chegávamos ao rio, uma senhora my simpática e sem alguns dentes, nos disse que estávamos perto (eu tive vontade de abraçar ela, super disposta a ajudar e para esconder a falta dos dentes ela colocava a mão na frente da boca, me deu pena), seguimos a direção indicada e conseguimos, com algum custo, chegar ao rio.
Lo poner del sol é um espetáculo! Valeu a pena o medo que passamos!
Agora estamos aqui na cozinha do hostel, saboreando mais uma cerveja uruguaia, hoje é o dia de saborear a Pilsen, afinal é sexta feira e amanhã não temos aula, a propósito, amanhã eu e Dona Michelle devemos ir a Punta então terei um relato especial sobre a cidade. Beijo a todos! =P

Diário de Bordo UY - 19\01

Candombe
No dia 19, um domingo de sol, eu estava sentenciada a ficar no hostel fazendo a “carpeta” de Diva. Acordei por volta das 10 horas e já fui encaminhando o trabalho. Resolvemos cozinhar no domingo – a bem da verdade, quem cozinhou foi Luciana e falo cozinharmos apenas para ficar mais bonito – para isso, fomos até o mercado. O almoço só saiu por volta das 16:00 horas, enquanto Lu cozinhava eu fazia meu trabalho – conclui as 18:30.
Eu e Diego combinamos com Denise de procurar o Bairro Palermo para assistirmos ao Candombe – indicação de Vicente, nosso guia de Punta. Andamos pela 18 e depois descemos até a Isla das Flores e logo começamos a ouvir o barulho dos tambores. Assistir ao candombe – que é um ritmo de origem africana que lembra em alguns aspectos o Candomblé e até mesmo o Olodum -  foi uma experiência, diria até antropológica incrível.
Segundo a história o Candombe teria surgido no Uruguay, ainda no século XVIII, a partir da mistura dos ritmos africanos trazidos ao Rio da Prata pelos escravos.
O Candombe na atualidade é executado por 3 tipos distintos de tambores – Piano, Chico e Repique – que são denominados em conjunto, como cuerda. No carnaval uruguaio, formam-se agrupamentos musicais chamados de comparsas, que saem as ruas acompanhados por multidões de dançarinos e populares. O Cortejo é conduzido pelo Escobero, em geral um jovem que tem a função de arauto; o mestre dos tambores é conhecido como Gramillero, sempre acompanhado de sua mama veija – uma mulher vestida de trajes coloridos e com um leque na mão.
Na capital uruguaia, os bairros “Sur” e “Palermo” são conhecidos como berços do Candombe, cada um com seu ritmo característico, chamados de ritmos “Cuareim” no  e “Ansina” para Palermo.
Em Palermo estavam todos muito felizes e orgulhosos por sua tradição, aplaudimos muito as coreografias e os músicos. Foi emocionante ver a reação do povo do bairro, com os olhos brilhando e a alegria estampada não apenas no olhar mas em todo o corpo que sacudia ao som dos tambores. Homens, mulheres, crianças e idosos, todos tocando e dançando juntos. Ter a oportunidade de participar de uma manifestação sociocultural destas foi incrível. Confesso que me emocionei. Viva o Candombe!

Créditos da montagem: Murilo Azevedo.


Diário de Bordo UY - 20\01

Montevideo, 20 de Janeiro de 2014

Dia de cão.
Como se não bastasse toda a pressão das aulas com conteúdo difíceis ministrados em espanhol, meu olho ainda resolveu me pregar uma peça. Ontem tive uma dor forte e depois ele ficou todo vermelho. Tive uma pequena hemorragia ou, um derrame no olho, como é popularmente conhecido.
Fui para aula, mas não estava dando para aguentar, então o professor me falou que a UDE tem um convenio com um serviço de atendimento médico e disse para eu procurar a secretaria acadêmica para ser atendida. O médico me examinou e confirmou as suspeitas da hemorragia e me pediu para repousar, sem lente - detalhe importante, a hemorragia foi no único olho que funciona, no outro nem uso lente pois tenho fratura na retina – o professor me liberou, porém, amanhã eu tenho prova, então me senti obrigada a colocar a lente de novo.
Minha imunidade está muito baixa e como sou muito nervosa e preocupada acabou acontecendo isso com meu olho – semana passada eu já tive um bolha na boca, pelo mesmo motivo. Tenho muitos trabalhos para fazer, estou morrendo de saudade de casa e em um lugar que querendo ou não, é diferente do meu lugar habitual, além de que, está acontecendo uma onda de assaltos por aqui, várias pessoas do mestrado já foram assaltadas. Tenho sorte por ter total apoio da minha turma e de meus amigos que hoje demonstraram grande preocupação. Obrigada.
Finalmente consegui falar pelo Skype com minha mãe e descobri também que meus irmãos – JM e LF - foram os grandes responsáveis por nossos desencontros, aproveito para agradecer ao Henrique, que foi o único que se preocupou e me ajudou como pode. Obrigada <3 o:p="">

Diário de Bordo UY - 24, 25 e 26\01

Querido Diário...
=p
Semana passada foi uma semana muito tumultuada, as aulas não foram tão boas quanto as da primeira semana, não tivemos dificuldades mas como não apresentavam muitas coisas novas, eu tinha que lutar contra o sono todo dia - foi um período difícil onde o espanhol me parecia canção de ninar. 
Meu olho foi melhorando e já não dá nem de perceber que tive aquela hemorragia.
Na semana passada fui da cama pra universidade e da universidade para a cama, não fiz nada de diferente, a não ser ir um dia até o Parque Rodó, sozinha e a pé. Fiz as contas no google mapas e andei cerca de 8,5 km, até corri pela rambla, o que de certa forma me deixou mais aliviada e até menos cansada.
Na sexta feira marcamos de sair à noite – com a turma do mestrado. Marcamos no El Pony pisador e como tínhamos aula no sábado pela manhã sabíamos que não poderíamos demorar muito. Marcamos as 9 e assim que ficamos prontos descemos, o pessoal começou a chegar e a diversão começou.
Vieram a principio, o pessoal da nossa sala e como alguns não entram em bares, nos revezamos para fazer companhia a eles na rua. Eu busquei um cobertor para eles se cobrirem nas mesas da rua, pois aquele dia especialmente, fazia muito frio aqui na cidade velha - que nesta parte em que estamos lembra muito a Lapa. Lá dentro encontramos com o pessoal da Bahia, que são da outra turma e depois de mais um pouco de tempo chegaram os que estavam na despedida de um colega. Metade do Pony era da turma do mestrado.
Tenho que comentar aqui que o vocalista da banda disse que eu me parecia muito com Nicole Kidman – deficiente visual ou não, admito que gostei daquele senhor huahuauha.
A primeira parte do show era de músicas brasileiras, depois rumba e quando o DJ entrou começou a tocar um misto de Salsa, Rumba, reggaetón e até É o Tchan. Dançamos muito e foi muito engraçado, pois estava muito cheio e com exceção de uns dois ou três, ninguém sabe dançar salsa ou qualquer um desses ritmos. Já temos nossa música preferida no estilo Reggaetón, que se chama Sentimiento e quando toca – ninguém fica parado – é o auge.
Como teríamos aula no sábado de manhã eu parei no primeiro caneco de Chopp, mas mesmo assim acabei indo dormir muito tarde e a aula com o general no outro dia pela manhã foi tensa, mas como toda a sala estava ou com ressaca ou com muito sono, estávamos todos no mesmo barco.
Sábado depois da aula todos fomos dormir, para recuperarmos as energias para o carnaval.
A noite nos encontramos para assistirmos juntos a abertura do desfile - que já havia sido adiada duas vezes devido a chuva. Sem dúvidas sábado à noite foi a noite mais divertida que passamos aqui em Montevideo. Minhas impressões sobre o carnaval daqui merecem um post a parte, mas vou contar um pouco de nossa noitada. (Se quiser saber mais sobre o carnaval acesse o link)
Nos encontramos em frente à praça do tango – como chamamos carinhosamente a plaza del entrevero, pois nos finais de semana sempre tem alguns velhinhos dançando tango – e ficamos lá até o desfile acabar, comprando cervejas de um litro, as tomando no gargalo – mamãe, morra de orgulho – e fazendo amizade com senhoras que provavelmente aos domingos dançam tango na tal praça.
Eu e Manu conhecemos Jeannette, que mora em Pocitos e ficou conosco o resto da noite, conheci também as Glades, duas senhorinhas encantadoras que ficaram entusiasmadas ao poder tocar a bunda de Diego. Hahahaha .
Em um momento acho que o público prestou mais a atenção na gente do que no desfile, pois andamos cerca de uma quadra cantando e dançando “La Bomba” com direito a coreografia sincronizada. Foi muito divertido.
Assim que acabou o desfile viemos para o El Pony Pisador. Nesse momento eu já falava apenas em espanhol, para praticar - dizem que o problema é que eu só falava em espanhol, até mesmo com quem falava português.
O Pony neste dia estava especial. A princípio tinha uma banda de rock, que só tocava música boa. Eu e Manu parecíamos as maiores tietes do grupo e dançamos muito. Foi durante o show dessa banda que inovamos com um passo de dança moderna, sensacional – invejosos vão falar que a moça caiu e foi levantada, porém eu afirmo que ela estava tentando inovar.
Estava todo mundo muito animado e nossa amiga Jeannette ia até o chão com Diego – all the time. As meninas tinham um amigo que sabia dançar salsa muito bem, mas não tinha um dente, tadinho, isso chamou muito a minha atenção e fiquei com muita dó de ver alguém jovem e banguela. Novamente o auge da festa foi quando tocou Sentimiento.
Para encerrar a noite ainda fomos com Juan – um amigo que conhecemos no primeiro dia – a um PUB aqui perto do hostel, onde tocava Rock Uruguaio – ainda não formei minha opinião sobre o local.
Domingo.
Domingo é dia de parque e praia e, assim fizemos. Combinamos de depois do almoço ir até o Parque Rodó. Fomos pela rambla caminhando e conversando, foi incrível perceber como esse nosso confinamento acabou fazendo com que todos ficássemos muito próximos – e em alguns momentos com vontade de mandar alguns para o paredão.
O parque é um charme e passamos boa parte da tarde lá, fazendo um pseudo piquenique, onde eu comi Pancho e dessa vez não foi “reinando” como na Argentina. Saindo do parque fomos a praia que fica logo em frente e, para não retornar para casa sem ter entrado no Rio da Prata, resolvemos nos molhar – depois ficamos nos questionando sobre aquela praia ser limpa ou não. Dessa praia fomos até Pocitos.
Desde que cheguei eu tinha vontade de conhecer Pocitos e ver se ela realmente lembrava Copacabana da década de 20. Como eu não conhecia Copa nessa época devo dizer que parece lembrar – huahuauha. A praia é bem bonita, mas assim que chegamos lá começou uma ventania sem fim e logo ficamos com frio, resolvemos voltar e nos encontrar depois para jantar e assistir novamente ao desfile de carnaval que no domingo seria realizado por escolas de samba aqui do Uruguay – para saber mais acesse o link.
Jantamos no La Pasiva e assisti algumas escolas. Não é Brasil, mas foi bem legal. Eu estava muito cansada e acabei vindo embora sozinha para descansar, afinal nosso final de semana foi bastante exaustivo, porém excelente, como não poderia deixar de ser o último final de semana no Uruguay, bom, pelo menos nosso último até dia 5 de julho que é quando retornamos. =P


Diário de Bordo UY - 28\01

Eu sei que vai parecer engraçado, mas essas esse é o TOP 3 do El Pony Pisador!
E sim, eu danço!
E descobri que minha musica preferida "Sentimiento" na verdade se chama "Es um secreto" e não fala em sentimiento e sim presentimiento! Oh Vida!







Diário de Bordo UY - Carnaval

Em Montevideo é celebrado o carnaval mais longo do mundo: são 40 dias de desfiles, concursos e candombe que fazem do Carnaval a celebração mais importante do país.
Tivemos a sorte de estar lá exatamente na época em que o Carnaval iniciou, a bem da verdade demorou um bocado para finalmente acontecer o tal Desfile Inaugural, pois a princípio estava marcado para quarta-feira, mas como choveu muito, acabou sendo adiado para sábado.
Então, no sábado dia 23, finalmente aconteceu a abertura e preciso tentar colocar “no papel” o que é o carnaval no Uruguay.
O carnaval de Montevideo ao mesmo tempo que é muito diferente do nosso também se parece muito.
Quando pensamos em carnaval geralmente imaginamos todo mundo dançando, interagindo e lá não é bem assim que acontece, pelo menos não no desfile inaugural. Nos dois dias que fomos assistir aos desfiles que aconteceram na 18 de Julio eles se pareciam com os desfiles da Sapucaí, porém, com uma participação mínima do público e nem 1\3 do glamour.
No sábado aconteceu o típico carnaval Uruguaio com desfiles de alguns blocos – que aparentavam ser blocos institucionais. Se eu for estabelecer uma relação entre o que vi e o que conheço do Brasil eu diria que se parece mais com desfiles de 7 de setembro do que com desfiles de carnaval, sem dúvidas o ponto alto foi quando passavam as cuerdas de Candombe, foi quando finalmente o público cogitou deixar a apatia de lado e participar mais integralmente do evento – porém, apenas cogitou.
Meus comentários sobre o carnaval não são críticas até porque fiquei encantada pela reação do povo – que apesar de apático – lotou as ruas e sobretudo a reação dos idosos, que saíram de casa em um dia de frio para assistir aos desfiles que já tem uma tradição de quase 150 anos na cidade. Eu li que a tradição do “desfile inaugural” remete ao ano de 1873 e que durante todos os anos que correram desde então, a tradição acabou perdendo a força, mas que vem retomando a grandeza nos últimos anos e cada vez mais atraindo gente para assistir ao desfile que dá início ao maior carnaval do mundo - em período de duração. 
Outro fato que chama a atenção de todos é que tanto as passistas quanto as outras mulheres que desfilaram não tem que ter necessariamente um corpo sarado e siliconado e sim ter "buena onda" e saber divertir o público, assim se via muitas mulheres que para muitos seriam acima do peso em lugares de destaque, o que eu achei muito bacana. 
No domingo a coisa foi diferente, aconteceu um desfiles nos moldes brasileiros, com direito até mesmo a escola de samba brazuca. Várias escolas cruzaram a avenida e algumas delas estavam maravilhosas, sempre com muitos idosos participando e dando espaço para a participação de pessoas com deficiência. Também se notava um numero absurdo de travestis, que deixavam muitas mulheres "no chinelo" quando o assunto era "samba". 
Além desses dois dias de desfiles ainda existem as Murgas e as Llamadas – que dizem ser a parte mais divertida e animada de todo o carnaval.
As Llamadas derivam do chamado que faziam os negros quando começavam a se reunir, seja para atividades festivas quanto para discorrer alguns assuntos sociais. Era costume que um par de tambores de cada agrupamento saír e percorrer as ruas tocando candombe. As Llamadas carnavalescas começam no ano 1956 e a partir desse momento viraram um clássico da cidade de Montevideo. Trata-se de um desfile no qual participam homens, mulheres e crianças de todas as idades e que, com o ritmo do candombe e dos tambores, percorrem milhares de metros em companhia do público vivaz, que dança no ritmo dos ancestrais africanos.
A murga é mais teatralizada, é interpretada por um coro acompanhado de instrumentos musicais e é comum que as canções tenham como tema questionamentos políticos e sociais.
As apresentações acontecem em teatros ou arenas armadas em vários pontos da cidade. Todo fim de semana de verão tem espetáculos no Teatro Verano próximo ao Parque Rodo. E todo ano elege-se um grupo campeão de murga e candombe.
As Llamadas ocorreram nos dias 6 e 7 de fevereiro, não pude prestigiar, mas certamente teria sido um prazer e nos proporcionaria muita diversão. 

Diário de Bordo UY - 31\01

Última Semana no Uruguay
O que dizer dessa última semana?

Tivemos dois ótimos professores, que se juntassem todos os doutorados e pós docs, daria mais de 10. Eu sei que números não são sinônimos de conhecimento, mas nesse caso podia sim dar uma base. O professor de segunda e terça era bom, tinha vários livros lançados mas era extremamente realista e das exatas, logo, trabalhava como se fossemos todos números – professores, alunos, os estudos - já o professor do resto semana veio para lavar a alma dos apaixonados pela educação. Perez Lindo é certamente a pessoa com mais conhecimento com quem já tive o prazer de conviver, além de muito inteligente ele ainda tinha um senso de humor delicioso. Eu passaria dias só ouvindo as histórias dele. Ele foi foragido político, se refugiou no Brasil e aqui conheceu Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque, Paulo Freire e mais um monte de gente que marcou a história do nosso país. Ele é realmente um lindo e se pudesse escolher convidaria ele para ser meu orientador.
Essa semana o bordão mais usado foi o “Por Favor”, com sotaque Uruguaio e, era frase certa em nossos almoços no Cyro, que com sua simpatia conquistou nossos corações – estômagos e bolsos – e fez com que o TarTar se tornasse o nosso restaurante oficial. Almoçamos lá todos os dias e ontem tiramos foto com o Cyro e o Diego fez até uma trança no cabelo da mulher – a gente acha que seja – dele.
Durante todas essas semanas que almoçamos no Cyro, na mesa ao lado almoçava uma senhora, muito elegante – e um pouco retro -  que chamou nossa atenção por sua pontualidade e por ser metódica. Todos os dias nos perguntávamos quem era, qual a história de vida... Helen achava ela com cara de personagem de livro\filme e, que se chamava Diolinda. O nome descobrimos na terça, quando perguntei a Cyro, ela se chama Ximena e na sexta em nossa despedida finalmente superei minha timidez e fui falar com a senhora. Disse que ela era muito elegante, que eu achava ela Muy hermosa, e ela por cordialidade disse que eu também era, então a abracei e dei um beijo, ela ficou falando que tinha sido muito gentil de minha parte e ficou abraçada comigo, foi quando pedi para tirarmos uma foto, a princípio ela não entendeu o porquê, mas depois sorriu para a foto. Ximena é demais.
Na terça Fernando chegou a Montevideo com sua família e eu o encontrei rapidinho e o acompanhei até o porto, valeu a pena pois pudemos trocar um pouco de nossas experiências de viagens.
Na quinta fizemos nossa despedida no Pony, mas antes fizemos um tour por Punta Carretas com Estevão e passei pela frente do Centenário. É incrível como os Uruguaios tem esperanças de ver o time deles campeão, revivendo o mundial de 1950 – sonhar não custa nada. Falando em mundial, pelas minhas contas na final da copa estarei no Uruguay – chora.
Nossa despedida foi bem bacana, o Pony estava bem vazio, então ficamos nas mesas da rua conversando. Eu e Manu não poderíamos deixar o Uruguay sem dançar no Pony uma última vez a nossa música preferida “sentimiento” – que na verdade se chama Es un segredo e não fala em sentimento e sim em pressentimento – subimos e fomos pedir ao DJ para tocar, ele tocou em seguida e dançamos praticamente sozinhas na pista de dança. Foi sem dúvidas uma noite muito engraçada, com muitas conversas e Chops.
Na rua tava tocando Kid Abelha e Bárbara disse que também amava, falou inclusive que sua música preferida é “Gosto de ser cruel”, o que é no mínimo, peculiar. Adorei saber!
Na sexta ir para a aula depois de ter ido dormir perto das 4 horas não foi uma tarefa fácil, sem dúvidas ainda assim foi uma aula prazerosa, pois tínhamos Perez Lindo como maestro.
Como muita gente ia embora a tarde o professor resolveu fazer um tour até o Solis com quem restava. Graças ao seu prestigio tivemos um tratamento VIP no teatro e não tivemos que pagar nada.
A história do Solis é bastante interessante, pois a construção foi iniciativa do povo de Montevideo que queria um local para celebrar a cultura. A obra é imponente e cheia de requinte, é um dos teatros mais bonitos que já visitei. Nosso guia sabia muito do teatro – afinal é para isso que ele servia – e nos contou coisas bastante interessantes.
Depois do passeio fomos convidados pelo professor para ir até a lanchonete do teatro. Um lugar classudo, onde ficamos conversando um monte e sabendo de várias histórias engraçadas de nosso professor ao redor do mundo. Quem ainda não estava apaixonada – como eu já estava – certamente se apaixonou. O professor fez questão de nos oferecer os sucos, refrigerantes e cervejas, achei um gentileza sem tamanho ele pagar a conta. Coisas do Lindo. Na quinta realizamos o sorteio de dois livros dele, eu e Diego éramos os seus assistentes de palco e o professor quis até dançar CanCan com a gente.
Foram 25 dias fora de casa. A saudade bateu forte, principalmente de minha vó e do ingrato do João Marcelo. Foram 8 horas por dia sentada em uma cadeira desconfortável, tendo aulas em outro idioma, tenho toneladas de textos e livros para ler e muitas histórias para contar. Tenho certeza que o pouco que aprendi nesses dias já fará diferença em minha vida, é uma experiência única estudar em outro país, com gente de todo lugar, trocando experiências, fazendo amizades, conhecendo pessoas que pensam como você, que tem sonhos parecidos, que vivem realidades diferentes mas assim como você acreditam em um futuro de glória para a educação.
Espero encontrar todos em julho. Beijos Turma XVIII A.

BRASIL, MOSTRA A TUA CARA. 

Um comentário:

  1. Olá, carol ! Estou Pensando em fazer o mestrado na UDE. Você já está nos finalmentes , gostando ainda??? Conte para nós! Grata. Amei seus relatos.

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