segunda-feira, março 30, 2015

Marcelino de Jesus Martins - o Martinho Bugreiro

Marinho Bugreiro ganhou a vida expulsando e exterminando xoklengs das frentes de colonização em Santa Catarina. Os bugreiros eram pessoas sanguinárias, perigosas e matadoras que, a mando de particulares ou do governo, ganhavam a vida expulsando e exterminando os índios. Estes "batedores do mato" agiram da metade do século passado até por volta da década de 30, nesse século, principalmente ao longo do vale do rio Itajaí.
A tribo xokleng, também chamado de bugres - indígenas de diversos grupos do Brasil por serem considerados não cristãos e arredios pelos europeus - viveu durante séculos como nômade nas vastas florestas que cobriam os vales litorâneos, subindo pelo leito dos rios até as bordas do planalto serrano. Formavam pequenos bandos independentes e hostis entre si, que perambulavam por toda a extensão de seu território, vivendo da caça e da coleta. A mata atlântica e os pinheirais provinham-lhes tudo de que necessitavam para sobreviver: animais e aves, mel, frutos e raízes silvestres. Acuados pela ocupação branca por todos os lados, os índios concentraram-se na região serrana catarinense, onde travaram a última e fatídica batalha com os bugreiros. O fim dos xoklengs começou na segunda metade do século passado, quando levas de alemães, italianos e eslavos imigrados passaram a ocupar suas terras inclusive onde hoje se encontra a cidade de Alfredo Wagner. A manutenção da mata virgem era fundamental para a sobrevivência dos indígenas e sua derrubada era justamente a primeira providência dos colonos uma vez instalados; o resultado desse conflito de interesses foi o choque e o extermínio dos índios. Para defenderem suas matas, os xokleng faziam ataques esporádicos, pilhando e matando alguns colonos. Em represália, o grupo inteiro era perseguido e exterminado pelos bugreiros que, em bandos armados, adentravam ao mato em "expedições de vinganças", para perseguir e dar cabo dos índios. Assim, à força de arma, a colonização se fez.

O processo de colonização das terras localizadas entre o litoral e o planalto catarinense não levou em consideração a presença de povos indígenas. Estas áreas consideradas desabitadas foram sendo loteadas e ocupadas por imigrantes europeus. Os novos camponeses ocupavam seu lote no meio da mata, onde permaneciam isolados com sua família, a mercê de ataques. Ilhados, desprotegidos e com pouco ou nenhum conhecimento a respeito dos índios com os quais manteriam contato, eles se armavam para receber as "feras" á bala, o que só aumentava as animosidades. A aproximação dos silvícolas, no mais das vezes, não se consumava em ataque, permaneciam na floresta donde vigiavam todos os passos do homem branco. São muitos os relatos de descendentes dos primeiros moradores de comunidades como Caeté ou Pedra Branca que contam sobre esses contatos com os índigenas. Enquanto os colonos trabalhavam os índios espiavam do mato, ou à noite muitas vezes, eram vistos espiando pelas frestas da casa; apesar de muitas vezes não oferecem perigo, inspiravam terror nos colonos por estarem armados de flechas e tacapes,

Para dar cabo dos grupos indígenas que eram descobertos nas frentes de colonização, eram contratados bugreiros profissionais. Estes perseguiam e matavam os índios e aprisionavam mulheres e crianças, uma prática que não somente ficava impune como era estimulada, louvada e, muitas vezes, paga com verbas governamentais. Martinho Bugreiro foi o maior deles, agiu em Bom Retiro, sua terra natal; Alfredo Wagner onde viveu por muitos anos; Ituporanga, Anitápolis, Esteves Júnior, Angelina e Brusque.
Martinho nasceu por volta do ano de 1876, no município de Bom Retiro e muitas histórias e lendas cercam a personalidade do maior matador de índios de nossa região. Segundo relatos, ele viveu os primeiros anos de sua vida em sua cidade natal e logo cedo, aos 18 anos já matava índios. Trabalhou em Taquaras, na fazendo Major Generoso de Oliveira – um ex militar e grande fazendeiro da região – após o casamento mudou-se para Alfredo Wagner. Primeiro morou com os sogros na Boa Vista e assim que conseguiu juntar algum dinheiro montou sua casa no Caeté; depois foi para Catuíra – antiga Colônia Militar Santa Tereza – para dar maior segurança aos colonos que ali se fixavam. Foi nomeado gerente da Cia. Colonizadora de Santa Catarina por seu diretor, coronel Carlos Poeta. Entre os anos de 1923 e 1928, Martinho esteve a serviço do agrimensor de terras, Carlos Miguel Koerich. Em 1932 participou da revolução constitucionalista e ficou aquartelado em Itacaré. No final de sua vida teria voltado para Bom Retiro. Além de bugreiro ele também foi um pequeno criador de gado.
Martinho era um homem de dons: perseguia bugres no meio do mato durante vários dias, guiando-se apenas pelos astros e nunca perdia a pista. Tinha astúcias de caçador, sabia como se acantonar, chegar direitinho, quieto, na hora certa de passar a bugrada na espada, sem lhe dar tempo de reação. O homem que tinha Jesus no nome parecia ter parte com o cão, tantos eram os ardis que possuía para derrubar índio. Além do mais era afamado caçador de tigres. Ninguém tinha tanta prática na lida com a bugrada; por isso Martinho ficou conhecido por toda região, por onde era convocado a "bater" índios que faziam malvadeza
Os motivos que o levaram à prática são caminhos que se bifurcam. Pode ser pelo dever de ofício, já que era inspetor de quarteirão e os índios eram considerados foras-da-lei. Mas há histórias lendárias em que tudo teria começado por vingança: quando criança, o menino Martinho teria sido raptado pelos bugres e vivido entre eles por alguns anos. Daí nasceu sua sanha e os conhecimentos que lhe seriam tão úteis no seu futuro ofício. Ironicamente, o que há de certo, é que sua mãe teria sido índia. Na condição de inspetor de quarteirão, uma de suas tarefas era "cuidador de baile". Como autoridade constituída, passava a noite no salão e apenas sua presença garantia o sossego.
Os bandos de bugreiros eram formados por grupos de 8 à 15 homens. Martinho tinha em seu bando dois irmãos, Manoel e Jacinto e, reza a lenda, os três estranharam-se algumas vezes para medir quem era o mais valente e o mais rápido no gatilho e facão, porém sempre Martinho se destacava. Contavam que ele era um líder nato.  
 O ataque aos índios pelo bando de Martinho seguia sempre um mesmo ritual. Perseguia-se o grupo a que se desejava dar cabo e depois de encontrá-lo os mateiros ficavam acantonados durante horas, sem conversar ou fumar, esperando o momento exato para surpreender os índios em um ataque fulminante. Era quando o dia estava para nascer. Enquanto os indígenas estão entregues a seu sono mais pesado, que se dava o assalto. Primeiro cortavam as cordas dos arcos, depois iniciavam a matança. Acordados a tiros e golpe de facão, os índios não tinham qualquer chance de defesa. O tipo de corte que matava os índios variava: degola, evisceramento, cortes transversais no peito, pontaços no coração, pois a carne é macia e a lâmina cega. Os bugreiros costumavam dizer que cortar carne de bugre era igual a cortar bananeira, pois ambas são macias. Após matar todos os adultos, as mulheres e crianças eram presas e levadas para a civilização. Cortava-se as orelhas dos mortos - pois a recompensa era paga por cada par de orelhas. Estas eram colocadas dentro de um pacote de couro com sal, pois tinham de ser apresentada aos órgãos do governo. O trabalho só terminava depois de derrubar as “ocas”, empilhar e colocar fogo em tudo. Para que queimasse melhor, a sola grossa dos pés dos índios era aberta a facão. Os despojos - arcos, flechas, artesanatos - eram divididos entre os homens, que depois vendiam.
Contam que Martinho mesmo que matasse por precisão, tinha muito gosto no que fazia. Às vezes, quando as crianças estavam dando muito trabalho, jogava o curumim pro alto e aparava na ponta da espada. Diante da exemplar crueldade, as mães tratavam logo de aquietar seus filhos e seguir viagem sem dar canseira aos adultos.
Ainda segundo contam as lendas a seu respeito ele teria sido morto por Sabú, um índio que ele teria levado para casa após ter dizimado sua tribo. O indiozinho teria sido criado por seu capataz Ingraço e sua mulher Naná, por quem Martinho nutria grande desejo. O bugrinho até mesmo teria participado de algumas caçadas a outros índios, pois era muito bom em “farejar” os rastros dos bugres, porém teria matado Martinho com uma facada no pescoço.
Lenda ou não, é uma grande ironia – ou castigo divino, como dizem os mais religiosos - esse grande matador ter morrido pelas mãos de um índio que foi criado dentro de seu próprio lar.
  

Texto escrito com base em memórias coletivas e nos seguintes documentos:
Martinho Bugreiro - O Matador de ìndios (Autor Joel Ventura)
Lendas de fatos de um matador de índios (Autor Joel Gehlen)





quinta-feira, março 19, 2015

Me faça feliz nesse aniversário, me dê um livro

Lançamento oficial da campanha “Me faça feliz nesse aniversário, me dê um livro”.

Eu ainda gosto de fazer aniversário – mas sei que viverei a crise dos 30 – e todo ano é a mesma coisa... as pessoas ficam se perguntando... “O que darei de aniversário para uma pessoa tão especial quanto a Carol?”  Para evitar esse tipo de preocupação, resolvi simplificar. Me dê um livro! Qualquer um, pode ser novo ou usado, de qualquer gênero – menos de autoajuda e de vampiros. Em contra partida me comprometo a ler todos os livros que eu ganhar até o final do ano.

Livros que gostaria de ganhar:

1822
A menina que roubava livros
As veias abertas da américa latina
Crônicas De Gelo E Fogo, V.5 - A Dança Dos Dragoes
Qualquer um dos 7 volumes de O tempo e o vento ou o box completo huahuahua
A Viagem do Descobrimento (1998)
Náufragos, Traficantes e Degredados (1998)
Capitães do Brasil (1999)
A Coroa, a Cruz e a Espada (2006)
A França Antártica (previsto para 2007)
O Castelo de Papel – Mary Del Priore
O pequeno príncipe
Divergente
Insurgente
Convergente
Antonio Carlos Jobim - uma biografia
Chega de saudade – Ruy Castro
Carmem – Ruy Castro
Elis Regina: Nada Será Como Antes
A revolução dos bichos
Capitães de Areia
Uma breve história do mundo
Trem-Bala – Martha Medeiros
Olga

Ps: Não se prenda a esses títulos, me ajude a diversificar meu estilo de leitura.

Ps2: O livro pode ser até usado, mas não abro mão da dedicatória. E tem mais, se você não puder me dar um livro me deixe um recado no face, tenho certeza que também me fará feliz! =)
Ps3: Se você não morar em Alfredo e quiser mandar seu presente pelo correio, pede o endereço que eu mando! =P


sexta-feira, março 06, 2015

Tecnologia e Sociedade

Diante de todos os avanços tecnológicos e midiáticos as redes sociais acabaram se inserindo no cotidiano contemporâneo da sociedade de forma que muitos crimes e abusos podem ocorrer por meio delas. São inúmeros os casos de preconceito, cyberbullying e outras agressões cometidas em redes sociais.
Um maior esforço por parte dos órgãos de segurança responsáveis se faz necessária, mas diversas vezes isso bate de frente com os defensores dos direitos de liberdade de expressão, aliás, do qual eu faço parte, pois acho que é de suma importância e mais do que isso, é um direito de todos ter liberdade e privacidade, porém uso dos meus direitos com bom senso e fazendo com que os meus direitos não firam os direitos dos próximos.
Em minha opinião o que se publica nas redes sociais torna-se público sim e está sujeito ao olhar do estado, por isso é necessário que os usuários tenham mais responsabilidade quanto aos conteúdos postados e arquem com as consequências de seus atos, sendo punidos na forma da lei quando for o caso.

quinta-feira, março 05, 2015

Tecnologia e Sociedade

Leitura:

Desregramento Tecnológico

O progresso e as inovações tecnológicas resultaram da necessidade do homem dinamizar-se através da diminuição das dimensões temporais e geográficas. Para tanto, o processo de globalização propiciou o surgimento de um mundo digital apto a disponibilizar toda a informação necessária ao progresso do homem. No entanto, a mesma tecnologia que informa, aliena; e, à medida que cresce a velocidade das mudanças, aumenta a massificação e dependência do mundo digital.
Embora a informação seja um direito defendido a todos, é pequeno o número de pessoas no mundo com total acesso às tecnologias provedoras de notícias e a sua compreensão. Isso porque o surgimento das novas tecnologias é um bem perpetuador do conhecimento àqueles que já a acessam e um fator de maior atraso àqueles sem o poder aquisitivo de acompanhar as inovações. Assim, o louvor incondicional às mudanças e a celebração da velocidade com que ocorrem, deveriam ser mais criticamente observados e acompanhados de reformas às tradicionais fontes.
Contudo, aos próprios com acesso á digitalização, confere-se outra problemática: o mal uso dos bens eletrônicos. A exemplo disso tem-se a massificação e a desinformação causada pela internet, decorrentes da propagandagem e de fontes imprecisas nela presentes. Nesse contexto, mesmo as boas iniciativas, como a disponibilização à Biblioteca Nacional Brasileira, são ofuscadas em meio ao excesso de informações, responsável por conduzir pesquisas à imprecisão e pessoas à crença incondicional pelos valores nela divulgados. Além da massificação, esse excesso digital
contemporâneo leva à questão do dia. Nesse sentido, a contemplação do progresso decorre também da necessidade de tornar a vida mais aprazível e desprovida de motivações e dificuldades na busca de um objetivo. Consequentemente, tem-se o tédio,como retratado na obra A cidade e as serras, de Eça de Queiroz, na qual o personagem Jacinto é retratado infeliz em meio ao progresso e somente reencontrou a felicidade ao valorizar apenas as poucas tecnologias necessárias à sobrevivência, como a instalação de rede telefônica na esquecida Tormes de Portugal.
Não há, pois, apenas que se comemorar o progresso do mundo digital, deve-se usá-lo com precisão e nele contemplar as possibilidades de ampliar o conhecimento sobre a humanidade. Assim, o questionamento de Drumond sobre “como vencer o oceano/ se é livre a navegação/mas proibido fazer barcos?” valida-se na era digital, pois não há como haver progresso no mundo digital se são tantos os manipulados e os sem acesso. Cabe regrar essa informalidade e tecnologia para que toda a humanidade possa dela ter proveito.”


Exercício: 

1 - Comente o texto "Desregramento Tecnológico".



Pesquisa:

1 - Qual a influência das tecnologias na educação?

2 - O que são as redes sociais e qual a influência delas na sociedade contemporânea?
 
3 - As redes sociais podem ser usadas na educação? De que maneira?

4 - O Blog é uma rede social? Para que servem os blogs? 

5- Faça uma analise comparativa entre o Blogger X Wordpress (vantagens, desvantagens e recursos desses recurso)