terça-feira, março 29, 2016

Garopaba Parte IV


Bom, Garopaba é uma daquelas cidades que quando mais você visita, mais você se apaixona, é incrível, a cada viagem temos nossa nova “melhor viagem pra Garopaba” e a deste ano não poderia ser diferente.
Mais uma vez escolhemos o feriado de Páscoa para visitar a capital catarinense do Surf. Algumas diferenças pontuam essa edição da viagem, a mais triste delas é que pela primeira vez não tivemos escondidinho, mas a falta do escondidinho foi compensada pela presença de Flávio e Fim, amigos de Paula e Aline que tive o prazer de conhecer nesse feriado.
Na quinta-feira à tarde fui para Floripa e lá encontrei Flávio e Fim – que eu ainda não conhecia – e juntos fomos para Garopaba. Eu estava bem apreensiva pelo encontro, pois já tinha ouvido falar muito no Flávio e mesmo sem o conhecer sabia que ele era uma pessoa legal, então fiquei com medo da minha maldição – das pessoas não gostarem de mim no primeiro contato – se concretizar.
Chegando em Garopaba fomos fazer compras e depois comer algo e tomar algumas cervejas para aguardar as gurias. Paramos no Bar Cabocla e lá ficamos papeando e as aguardando. É muito fácil encontrar assunto com pessoas que se mostram parecidas com você, que gostam de viajar, que curtem a natureza e tal, então tivemos muitos assuntos e o tempo – e as cervejas – passaram muito rápido e logo as meninas chegaram, para continuar o assunto – e a birita. Quando elas chegaram falamos sobre viagens, Fake Beckett, sobre o primeiro homem que foi grosso com a Paula, trocamos de mesa, de assuntos, de cervejas e foi então que a luz acabou. Antes de sermos praticamente expulsos do bar um homem ainda recusou nossa cerveja e parou de fazer barulho – pois me desculpe, não era música – com seu tambor perto de nós. Não lembro ao certo quantas cerveja tomamos no total, só sei que prometemos a dona do bar devolver os dois cascos que levamos para viagem. A volta para casa foi feita pela beira do mar. Paula e Flávio ficaram de papo com um português e o sereno novamente me fez muito mal. Ao chegarmos em casa fui dormir, enquanto os outros continuaram acordados até as 10 horas da manhã. Não é surpresa pensar em como foi o dia seguinte.


“Não sei se foi o whisky ou o coração partido, mas aquele foi um dos piores dias da minha vida” (PEREIRA Carol, 2016)

O dia seguinte foi tenso. Um daqueles dias em que juramos nunca mais colocar uma gota de álcool na boca. Minha cabeça parecia que havia sido atingida por uma bigorna e praticamente criei raízes no sofá da sala. Paula estava em pior estado, mas eu era a que mais reclamava, não só pela fome ou pelas bananas, mas pela dor que sentia em minha cabeça, ainda mais quando começamos a relembrar outras ressacas e eu lembrei daquela de 2010 e fui obrigada a criar a frase “Não sei se foi o whisky ou o coração partido, mas aquele foi um dos piores dias da minha vida”.
Como tínhamos acordado às 17 horas, fomos almoçar/jantar, depois das 20 horas. Apesar de ter sido um dia morto e no qual de fato choveram os 85 milímetros previstos pelo Clima Tempo, foi um daqueles dias em que pensamos que quando estamos com pessoas que realmente gostamos podemos ficar sem fazer nada e mesmo assim teremos bons momentos.
Momentos eternizados pelas piadas do Flávio ou pelas perguntas de Paula:
Qual seria o seu superpoder?
O que você faria se fosse louco?
Se pudesse ressuscitar uma pessoa, quem seria?
De qual momento da história você participaria?
Qual seria o seu decreto presidencial?
E também por algumas respostas, uma delas sendo a Princesa Isabel, que nos acompanhou durante todo o resto do feriadão – ela, Gloria Pires, Daniel Galera e Cate Blanchett.
Era dia de jogo do Brasil – PS: eu ainda não superei o 7x1 – e Flávio torceria para o Uruguay, eu e Fim, estavamos assistindo o jogo que começou com pinta de goleada, mas logo não passou de um empate, para a alegria dos uruguaios e simpatizantes.

Depois do jogo fomos aos jogos, - pois ir a Garopaba e não jogar também não faz sentido - iniciando pelos de cartas, que estavam demasiadamente difíceis para minha cabeça – eram extremamente complexos, tipo... pife. Depois passamos ao Perfil e um outro jogo de respostas, que era nível Nerd Extremo – e eu adorei. Terminamos a jogatina com STOP, onde eu pude zoar Aline e Paula, que passaram a tarde inteira em um árduo debate para combinar qual das duas ressuscitaria Elis Regina e não lembraram dela em cantor ou cantora quando a letra do Stop era E. Pior que isso foi só eu deixar cantor e cantora em branco quando a letra foi P.


“Adios Sol”

Acordamos cedo e fomos às compras, pois estávamos sem mantimentos. Após nosso café da manhã reforçado – que foi totalmente utilizado para falamos de beijos lindos de novelas e sobre Queridos Amigos - aproveitamos o dia maravilhoso que fazia em Garopaba para dar um giro entre algumas praias.

Iniciamos dando uma olhadinha na praia do Siriú, infelizmente não foi possível ir até a cachoeira ou às piscinas naturais, mas certamente elas estão em nossos planos para nossa próxima viagem. Fomos novamente até aquele mirante – visita da Raíssa Feelings – com as escadarias de madeira. A vista é sempre magnifica, mas infelizmente foi lá que o chapéu de Fim se foi. Ele acabou sendo levado pelo vento e apesar de nossas tentativas de resgate, ele lá permaneceu. O jeito foi superar e continuar o passeio. Passamos pela praia principal e fomos até o centro histórico.

O centro histórico é um capitulo único da rica história de Garopaba. As casinhas dos pescadores retratam que tudo começou por essa área da cidade – nossa eterna incógnita continua sendo em qual delas a personagem de Galera morou, no livro Barba Ensopada de Sangue. No centro histórico podemos ver os pescadores que como na grande maioria das cidades históricas do litoral catarinense, são pessoas trabalhadoras, que extraem do mar a riqueza do pescado, acordando antes do sol raiar, saindo nas embarcações que pintam o mar fazendo com que ele fique mais colorido do que o arco íris no céu.

Quem vê esta gente indo e vindo ao mar – dia após dia – sabe o valor deste trabalho e este cenário é tão simples e ao mesmo tempo tão enriquecedor que quem o presencia é levado a refletir sobre a vida e seus desdobramentos cotidianos. Ficamos um bom tempo sentados na escadaria da igreja apreciando o movimento tranquilo do centro histórico, alguns apenas aproveitando a brisa, outro se imaginando como pescadores, executando aquelas funções e desfrutando daquela tranquilidade todos os dias. Imagine isto acontecendo diariamente nesta parte da cidade: pescadores que consertam suas redes, retocam as cores vivas de suas embarcações e depois alegremente lançam-se ao mar. Emocionante. Garopaba oferece um cartão postal vivo e em cores, muitas cores, cotidianamente.

Em meio a esse cenário surge mais uma pergunta “a la” Paula, porém elaborada por Flávio “E se você tivesse um barco, qual seria o nome?”, resposta fácil, o meu seria: Carol Khaleesi.
Dali fomos até a prainha e enquanto Paula, Fim e Flávio foram até uma galeria de arte, eu e Aline fomos para a beira do mar... foi difícil encontrar um local para sentar, a maré estava muito cheia e quase não sobrava espaço nenhum na faixa de areia. A ideia era ver o pôr do sol dali com os outros, mas como ainda levaria algum tempo e porque não estávamos em lugar muito confortável por causa da maré, resolvemos seguir e ver o pôr do sol do alto da colina da igreja, mas não sem antes os meninos darem um mergulho e falarmos um pouco sobre nosso mapa astral.

A ideia do pôr do Sol foi sensacional. Agora tenho em minha memória mais algumas cenas lindas que levarei comigo por muitos anos.

Quando assisto a lindos pores do sol, acompanhada de pessoas amadas é impossível não lembrar do poema de Villaró. Sempre em silêncio, recito algumas partes dele, entre elas minha favorita “Chau Sol…! Gracias por provocarnos una lágrima, al pensar que iluminaste también la vida de nuestros abuelos, de nuestros padres y la de todos los seres queridos que ya no están junto a nosotros, pero que te siguen disfrutando desde otra altura”.
Ainda ficamos mais um tempo por lá jogando a nossa versão de Qual É A Música e cantando algumas músicas lado B do Kid Abelha. Depois voltamos para casa para nos arrumarmos para ir até o Setentaesete, nosso restaurante preferido em Garopaba. Meu vinho favorito estava em falta, mas provei outro que ainda estou em dúvidas se ocupará o cargo – de novo vinho favorito – ou não. Jantei um salmão maravilhoso e entre as conversas tivemos até mesmo um momento de Laura Muller.

Em casa ficamos na rede conversando, até eu não aguentar mais e ir dormir na sala – já que fiquei com medo de subir, por causa do Anjo das peras, que me assusta desde a Páscoa passada – quando Aline subiu me chamou e juntas subimos.


Num domingo qualquer, qualquer hora, ventania em qualquer direção

Não acordamos tão cedo quando gostaríamos, mas o dia foi memorável. Almoçamos e fomos ao Mirante das Antenas. O lugar é perfeito para quem quer ter uma visão ampla de toda a cidade de Garopaba. Lá de cima temos a visão de um perfeito cartão-postal, pode-se ver tanto a parte central quanto a parte do Siriú, que é a praia mais extensa de Garopaba. Dotada de uma beleza ímpar, tem em sua geografia rios, dunas, lagoas, praias e vegetação nativa da Mata Atlântida brasileira. Lá de cima tiramos lindas fotografias e passamos um bom tempo apenas desfrutando da paisagem.

Do Morro das Antenas seguimos até a Silveira que é o point dos surfistas e dos apreciadores dos esportes ligados ao mar, lugar que também é de uma beleza inigualável. Lá resolvemos praticar Ioga – ou pelo menos tentar. Quem olhasse de longe poderia ter a impressão de que eu estava tentando entrar de cabeça na areia, mas na verdade estava sendo apenas uma aluna aplicada fazendo o que Paula ensinou. Não deu muito certo.

Para finalizar tiramos uma bela foto e Paula ficou literalmente encantada!
Fomos para casa na maior correria, pois ainda tínhamos que arrumar tudo antes de sair. Acabamos nos atrasando e um congestionamento, devido a um buraco imenso no asfalto provavelmente formado pelos 85 milímetros de sexta, acabaram fazendo com que eu perdesse o ônibus e os meninos tiveram que me levar em uma perseguição desenfreada ao ônibus da Reunidas até Rancho Queimado. No final deu tudo certo, graças a eles.


Mais uma vez Garopaba me encantou. Mais uma vez renovei minhas energias e vi o quanto somos tão parecidos, apesar de nossas diferenças tão evidentes. Mais uma vez, aguardo ansiosa nosso próximo encontro. 

Ps: Combinamos de cada um escrever um conto envolvendo Garopaba, em breve serão divulgado! 

segunda-feira, março 28, 2016

Tapas Espanhóis


Para diversificar o conteúdo do meu blog, convidei meu amigo Hugo - que também tem um blog http://brasischland.blogspot.com.br/ e escreve muito bem - para escrever um relato sobre sua semana na Espanha, onde ele reencontrou o sol, encantou os mendigos e levou tapas de realidade. Ele prontamente aceitou e o resultado e você pode conferir...

Depois de 6 meses sem sol no norte da Alemanha, João, meu amigo brasileiro, e eu resolvemos procurar algumas passagens com destino a lugares ensolarados. Espanha foi a opção mais em conta de acordo com as ofertas da Ryanair. 40 euros ida e volta? Não tinha como deixar passar.

Saímos de Bremen numa quinta-feira com destino a Madri. Março é o fim do inverno aqui na Europa, mas pra mim, que sou Rio, parece que o inverno nunca acaba. A primeira grande diferença que eu notei  ao chegar na Espanha é a falta de gente loira que nós vemos o tempo todo na Alemanha e como todo mundo falava muito alto comparado com os nórdicos. Latinos, né? Eu já estava me sentindo em casa. Compramos o ticket do metrô e fomos  para o albergue no centro de Madri. Depois de atravessar umas 20 estações em três linhas do metrô, chegamos ao nosso destino. Do quarto eu ouvia uma eterna falação na rua, quase aos gritos. Coloquei a cabeça pra fora para ver o que estava acontencendo. Nada estava acontencendo, os espanhóis estavam apenas conversando normalmente (bem alto), como sempre fazem.

Palácio Cibeles: sede da prefeitura de Madri
Logo depois fomos à Puerta del Sol encontrar o Ale, um outro amigo brasileiro que mora em Madri. A Puerta del sol é o ponto mais central da cidade. Com o Ale nós fomos num bar/restaurante de tapas onde eu comi o croquete de queijo mais delicioso da minha vida com uma cerveja muito boa. No dia seguinte, fomos ainda de manhã para a Plaza Mayor nos encontrar com a nossa guia espanhola para um tour gratuito pela áreas históricas do centro da cidade. O tour foi longo, cerca de 3 horas e muito interessante. Aprendemos bastante sobre  a história da Espanha e os pontos mais interessantes da capital, como o Palácio Real e o restaurante mais antigo do mundo. Apesar do tour ser gratuito, no fim todo mundo dá uma gorjeta. Eu dei apenas 5 euros, porque era o que estava ao alcance do meu orçamento de estudante, mas todo o grupo sempre tem uma família de japoneses que compensam os demais com suas gorjetas generosas. Durante o passeio também compramos ingressos para um tour de tapas no dia seguinte.

Plaza Mayor e Palácio Real 
A noite fomos à casa do Ale, onde a mãe dele fez um delicioso jantar pra gente. Foi muito divertido e a comida estava ótima. Fazia muito tempo que eu não comia bacalhau! No fim, cada um tomou uma garrafa de vinho enquanto conversávamos e ouviámos música brasileira dos anos 80. De lá partimos para a Chueca, o bairro boêmio de Madri, parando em alguns bares no meio do caminho. No dia seguinte, uma leve ressaca, mas nada crítico. Saímos para comer os churros espanhóis deliciosos e visitar o Museu do Prado, um dos mais importantes da Espanha, e ver um pouco mais da cidade. 

Puerta de Alcalá e Museu do Prado 
Madri é uma cidade realmente linda. Ao visitar a capital a gente consegue ter uma idéia de quão rico foi o império espanhol. Apesar do inverno, todos os dias estavam ensolarados, o que tornou tudo mais agradável. No fim do dia fomos ao tour de tapas. No começo achamos muito barato o valor do evento:  12 euros para visitar três bares de tapas com bebida e tapas a vontade. Claro que estava barato demais. O nosso guia era um super picareta e os bares bem fuleiros. Os tapas e as bebidas nao eram realmente bons, mas foi engracado ver a cara de todo o grupo de turistas meio “putz” hahaha. No fim, foi divertido e conhecemos gente de vários lugares do mundo, Argentina, Portugal EUA, Nova Zelândia, Chile…
Domingo foi o dia de ir para a rodoviária e pegar a estrada rumo a Barcelona. A paisagem da Espanha é bem mais montanhosa do que o norte da Alemanha e muito mais seca. Ainda havia neve em alguns lugares. Uma parade em Zaragoza para o almoço e continuamos a jornada. De repente, o espanhol (castelhano) é substituído pelo catalão (uma mistura de francês com espanhol) e as bandeiras da Espanha davam lugar as flânulas da Catalunha. Estávamos chegando. Primeira parada, Albergue Sant Jordi Hostel Rock Place, sem dúvida o melhor hostel que eu já fiquei na minha vida. Ambiente super organizado e limpo, atendimento excelente e barato. 
Inverno é sempre baixa temporada em cidades litorâneas como Barcelona. Não deu pra ver tudo que a cidade pode oferecer, mas mesmo assim deu pra perceber que é um lugar incrível. Assim que chegamos, fomos comer uma paella. Apesar do dono do restaurante ser indiano, estava muito boa. No dia seguinte fomos a mais um tour gratuito e aprendemos bastante sobre a história de Barcelona e da Catalunha, e entedemos também um pouco esse sentimento separatista dos Catalães. Era engraçado como o catalão parece até a língua do Mussum: sucos = sucs, verduras = verdures, frutas = fruites.

Mirante do Parque Güell

Museu de arte da Catalunha
Visitamos ainda a cidade olímpica, construída para os jogos olímpicos de 1992, o Museu de Arte da Catalunha, a Sagrada Família (em eterna construção), o mirante no parque Güell (com a melhor vista da cidade) e algumas outras obras de Gaudí que estão espalhadas por toda a cidade, um charme extra para Barcelona. Após alguns dias de severo controle de gastos, João e eu resolvemos relaxar um pouco e, como ele bem colocou, ter uma noite de ricos. Decidimos comer um verdadeiro menu de tapas num autêntico restaurante espanhol. Nossa noite de ricos comecou tendo que andar três quilômetros até o restaurante para poupar tickets do metrô, no caminho vimos um bar com cerveja a dois euros e resolvemos passar lá depois do jantar. No restaurante pedimos o menu mais barato, mas com direito a uma sangria (eike riqueza). Depois voltamos no bar e descobrimos como já estava muito tarde, a cerveja agora custava 4 euros e bebemos apenas metade do que pretendiamos. No fim, voltando para o albergue, eu tive uma crise de riso no metrô por causa de uma piada do João e as pessoas a nossa volta começaram a rir a também, mesmo sem entender o que estava acontecendo, inclusive um mendigo que nos ofereceu vinho, em inglês, é claro. Em resumo, nossa noite de ricos foi uma forma da vida mostrar que não devemos tentar ser ricos se não temos dinheiro pra isso. Saímos para comer tapas e levamos um tapa de realidade.


Sagrada Familia
No último dia ainda conseguimos ver a praia, comer mais uns tapas e tomar sangria. Depois de uma semana de sol, voamos de volta para a Alemanha determinados a voltar a Barcelona no verão. Foi uma viagem bem divertida.



terça-feira, março 22, 2016

Trekking Costão do Frade + Calçada de Pedra


Nesse último domingo tive como destino o Morro do Costão do Frade que fica a 1422 metros de altitude, uma imponente “montanha” que fica no limiar da serra e do alto vale catarinense. A subida pode ser realizada pelo Pinguirito – Alfredo Wagner – e também por Bom Retiro, distante 24 km de Alfredo e foi essa a rota escolhida no Trekking organizado por Dario Lins.  Esse é o mesmo morro que em agosto do ano passado, não pude ir com meu grupo por causa de uma pós e lamentava até então.

Nossa aventura começou logo cedinho, Lucas, Juliano, Alexsandra e Emelson vieram de Floripa, me apanharam em Alfredo e juntos seguimos até o portal turístico da cidade de Bom Retiro onde encontramos os outros 60 participantes e de ônibus fomos até a Fazenda da Serrinha, onde tomamos um delicioso café colonial – e onde reencontrei depois de muitos anos minha grande amiga dos tempos da UNIPLAC, Caro, aproveitamos para colocar o papo em dia e de lá seguimos até a Calçada de Pedra.
A Calçada de Pedra era um dos lugares históricos aqui da região que sempre sonhei em conhecer. Ela foi construída em 1792 sob o comando do Capitão Antonio Marques Arzão - o fundador de Bom Retiro e fazia parte da ligação entre Florianópolis e Lages. Pelo que tinha ouvido de pessoas que visitaram o local em anos anteriores até pensei que ela estivesse em pior estado, é bem verdade que o tempo e a falta de manutenção contribuíram para a deterioração do local, mas as marcas desse importante fato histórico ainda permanecem por lá. A calçada foi construída com o intuito de melhorar o tráfego no trajeto, por se tratar de um trecho úmido, de banhado, onde as mulas e carroças atolavam com frequência. A construção da calçada como já mencionei, foi realizada por escravos e ela tem uma extensão de 6km. No local pode-se até mesmo observar de onde algumas pedras foram retiradas – existem algumas rochas imensas de onde foram “cortadas” algumas das pedras que compõe a calçada.
Fato interessante: existe um projeto da UFSC que estuda a possibilidade da comunidade de Soldadinho – situada na cidade de Alfredo Wagner – ter tido origem como um Quilombo, onde os escravos cansados de trabalhar na construção da calçada e em partes da construção da estrada, acabaram fugindo e se estabelecendo no local hoje conhecido como Soldadinho.
Existem várias lendas acerca da Calçada, do Morro do Costão do Frade e também da Rocha em forma de Frade que dá o nome ao morro e até mesmo a uma comunidade da cidade de Bom Retiro. Quem mora pela região certamente já ouviu alguma história sobre os guardados, que seriam “tesouros” escondidos por padres jesuítas e tropeiros, que no intuito de salvar seus pertences valiosos de roubos realizados principalmente pelos índios que habitavam a região, os enterravam e alguns deles eventualmente permaneciam por ali “esquecidos”. Muito se conta sobre pessoas que já encontraram alguns desses guardados, porém não se sabe se se tratam apenas de lendas ou se de fato existiram, mas a verdade é que muitas pessoas ainda nos dias de hoje cavam no local tentando encontrá-los. Até mesmo no alto do morro encontramos vestígios recentes dos buracos cavados em busca desses guardados.
Curiosidade: O morro recebe esse nome por possuir uma pedra que lembra a silhueta de um frade jesuíta, sua formação é de arenito botucatu - uma testemunha da montanha que nos remete a um passado longínquo de mais de 200 milhões de anos quando o que existia era o deserto do continente Gondwana.
Passada a calçada chegamos ao sopé do Morro do Costão do Frade, o topo estava encoberto, mas mesmo assim se mostrava majestoso. Alguns escorregões e muitas risadas marcaram essa etapa, acabei até descobrindo que de fato existem pessoas que leem o meu blog e as visualizações não estão “bugadas” – fiquei super feliz.
Mais ou menos na metade do caminho tive uma queda de pressão, me senti mal, tonta e fraca, tive que parar para descansar duas vezes. Pedi para que meus amigos seguissem, pois além do que eu sentia fisicamente, também me sentia culpada em atrasá-los. Eles seguiram e eu fiquei, foi então que pensei que fosse desmaiar, mas acho que os amendoins fizeram efeito e depois de uns 20 minutos eu estava novinha em folha, e embora fosse a última dos que iriam subir, eu como uma fênix – ahuhuauhauha - segui o meu rumo em busca do cume.
Na subida encontrei Lazinho, um moço que ia saltar de parapente. Demais, fiquei com inveja dele, mas certamente, dessa vez minha vó não me perdoaria! 
Mais ou menos no ponto em que encontrei com o moço do parapente comecei a ouvir os gritos do pessoal que estava mais à frente. Existem duas trilhas que dão acesso ao topo, uma, que é uma subida mais perigosa por entre pedregulhos e onde o mato não havia sido aparado, e a outra onde a subida não deixa de ser forte, porém é mais branda e onde existem algumas cordas para auxiliar. Os gritos vinham da subida mais branda, quatro pessoas foram picadas por marimbondos e as outras que vinham atrás delas estavam se dirigindo até a pior das subidas, a fim de que não fossem as próximas vítimas dos tais marimbondos. Essa subida assustava um pouco, por ser bastante íngreme, estreita e ter peral nos dois lados, mas como eu tinha chegado até ali, não poderia desistir.
Foi sem dúvidas a pior parte para mim, não pela altura, pois não me assusta, mas sim pelo mato, que me cortou inteira, além de ter me dado uma coceira imensa. O menino que estava na minha frente, assim como todos nessa parte, estava com algumas dificuldades, pois o terreno era muito liso e fora os espinhos e os “matos cortantes” não tínhamos onde nos segurar, o jeito foi em um determinado momento colocar meu pé para ajudá-lo a se apoiar, no final, deu tudo certo e eu só caí de “cara” no chão duas vezes.
Quando cheguei ao topo o céu estava bem encoberto, mas passaram-se alguns minutos e as nuvens começaram a se dissipar. Só encontrei o pessoal que tinha ido comigo lá em cima, e enquanto alguns desciam eu fui até a pedra, em uma das partes mais bonitas da trilha.
Nessa parte a trilha acontece em meio às árvores e já se nota a mudança de temperatura, logo nos primeiros metros ela se torna mais amena, um clima muito agradável. O lugar é lindo e de uma paz imensa. Algumas pessoas – não do nosso grupo – resolveram deixar seu nome gravado na pedra e essas inscrições vêm sendo deixadas lá há décadas. Conta-se que antes dessas inscrições nada rupestres, a pedra havia sido marcada em Latim, pelos Jesuítas que por ali passavam. A pedra é espetacular e lá de cima é possível se ter uma vista maravilhosa. Do alto do Morro do Frade é possível se ter uma vista exuberante de parte da serra, bem como do Alto Vale do Itajaí.
Como eu havia ficado para trás, tinha ficado sem água e sem comida, minha sorte foi encontrar Flávia, que me salvou me dando uma barrinha de cereal, água e também me emprestando um moletom, para a descida, pois resolvemos ir pela parte dos marimbondos. Seu Popola – proprietário da fazenda Serrinha – desceu conosco e foi testemunha de todos os nossos tombos. A descida com a ajuda das cordas certamente se tornou bem mais fácil e a julgar pelo tanto que caímos na trilha mais “branda”, provavelmente não teríamos sobrevivido na mais “hard” – pouco exagero. No final descemos sem encontrar com os marimbondos.
Eu estava bastante cansada na volta, resultado de quase dois meses sem atividades físicas. Ao chegarmos até o ônibus, aguardamos o grupo estar completo e retornamos ao centro de Bom Retiro. Antes de retornamos para casa, almoçamos na Santa Clara.

Voltei cansada, mas realizada por ter conhecido mais um lugar lindo e repleto de história que fica aqui, pertinho de mim!

segunda-feira, março 21, 2016

Praia Virada 2015/2016

O que teve?
Teve muito Wesley Safadão;
Teve ostentação com a nossa tenda;
Teve frustração com a nossa tenda;
Teve queijeiro;
Teve muita chuva;
Teve muito umaduziamenosdois pila;
Teve quardo do Bob, quarto do Ted e quarto dos espíritos;
Teve Exu sem tabu;
Teve banheiro mal-assombrado;
Teve Bibiana frita uma linguiça;
E teve muita diversão;

Como sempre, passar o final de ano com meus amigos do tempo da faculdade de Sistemas é muito divertido e não seria diferente dessa vez. Nosso destino nessa virada foi o Campeche e a chuva nos acompanhou o tempo inteiro.
Dessa vez o grupo da praia era composto por Alvas, Barbara, Marco Antonio, Daiane, Taty, Zé, Alds e eu.

Ao chegarmos na casa que alugamos pensamos que tínhamos levado um golpe, pois à primeira vista ela não era grandes coisas e estava bem suja, porém, passado o susto, deu tudo certo – continuava suja, mas não era tão ruim assim.
Os quartos eram temáticos, o nosso era do TED, pois tinha um urso imenso escondido em um canto perto do guarda roupa – super macabro, diga-se de passagem –, o quarto do Alvas era todo voltado à paz e ao amor, era um quarto mais natural, cheio de símbolos e desenhos que faziam apologia a maconha, logo, ganhou o nome de quarto do BOB. O quarto do Marco Antônio era o quarto dos espíritos, pois encontraram vários livros falando sobre esse tema. 
Nesse primeiro dia fomos para praia, mas não para a principal do Campeche pois nosso GPS nos levou para um lugar mais deserta, no lado oposto à “badalação”, mas tudo bem, a praia lá também era linda.
Chegamos, montamos nossa tenda – que era puro luxo, de uma grandiosidade ímpar – ligamos nossa música e mal deu tempo da Bárbara pular de cara na água em um salto que de ornamental não tinha nada, começou a chover e a ventar. Era quem mais podia recolher as coisas, guardar a tenda, proteger os Iphones e correr para o carro. Chegando em casa, frustrados pela chuva, resolvemos aproveitar para descansar e, à noite, colocar o papo em dia em um churrasco que preparamos. Até dei uma sugestão para o Alvas ter seu próprio sabre de luz, mas ele não aceitou bem.

Segundo dia. O que fazer na praia com chuva?
Ir para o shopping, é claro! Foi o que fizemos – eu simplesmente tenho pavor desse programa, shopping só se for para ir ao cinema, à livraria ou para comer – lá fizemos nada além de andar sem rumo, ver as roupas absurdamente caras com a estampa do Stars Wars e almoçar uma lasanha do Spoletto – e é claro queimar minha língua. À tarde ouvimos a notícia que lá fora tinha sol, saímos em disparada rumo aos Ingleses, os meninos iam encontrar com uns amigos. Passamos a tarde toda papeando em uma mesa de um daqueles barzinhos à beira mar. Compramos óculos e tomamos algumas dezenas de cervejas. Foi uma tarde ótima.
 
Terceiro dia, o fatídico dia!
De todas as praias de Floripa talvez a Joaquina seja a que eu mais goste, ela é linda em todos os ângulos e além disso tem aquela aguinha clara e pessoas lindas – o que nem sempre é bom para quem não é tão lindo assim o.O – lugar perfeito para armarmos nossa tenda e pagarmos de patrões, e foi isso que o fizemos. O dia estava lindo, tudo estava perfeito, tínhamos cerveja gelada, sombra, um sol maravilhoso e uma brisa fresca soprando. Fomos almoçar enquanto Marquinhos, Daiane e Taty ficaram cuidando de nossas coisas, demoramos uma eternidade, mas a comida era ótima. Depois de sairmos do restaurante, Alvarino e Barbara foram a pé comprar gelo – cerca de 5 km sob um sol escaldante – e nós voltamos para a praia. Porém quando chegamos o cenário era estarrecedor, nossa tenda não passava de um monte de metal retorcido, amontoados em uma pilha, sucumbida às fortes rajadas de vento. Marquinhos e Day estavam no mar e Taty teve que pedir ajuda as pessoas da tenda ao lado para poder segura-la, antes de cair. Conta-se que Taty cenava para os dois no mar, porém eles acenavam de volta de forma festiva, achando que ela tava dando oi.


Foi triste ver que novamente não passávamos de pobres pessoas que alugam guarda sol. Para completar o dia ainda constatei que a bateria da minha GoPro estava vazia e não pudemos tirar fotos maravilhosas naquelas águas. Dia triste, porém, muito engraçado.
A noite foi o momento de encontrarmos Gui e recebermos dicas preciosas de como conseguirmos o que queríamos. O encontro seria no Guaca, mas como não tínhamos reserva e em alta temporada aquilo fica ainda mais lotado fomos até o Didge, um restaurante temático que também fica na beira mar, gastronomia australiana, uma delícia!



Quarto dia – O último dia do ano, alternava entre sol e pancadas violentas de chuva. Fomos para a praia do Campeche, dessa vez a certa. Entre uma pancada e outra de chuva pegávamos sol, nos escondíamos debaixo de guarda sol para nos proteger das gotas imensas de chuva, os meninos jogavam vôlei e as meninas conversa fora. Foi então que surgiu o famoso queijeiro e a dica do Gui funcionou. Fomos mandados para as dunas e de lá saímos prontos para eu cair dentro de um Rio/esgotinho que corta a praia. O Google nos ajudou e no final das contas deu tudo certo.
Resolvemos passar a virada na praia do Campeche mesmo – mas deveríamos ter ido ver o filme do Pelé – é legal, mas acho que na contramão da maioria das pessoas com juízo eu gosto de lugares badalados como BC, Copacabana e estava topando ir ver os fogos com a ponte Hercílio Luz de fundo. De qualquer forma brindamos, nos banhamos com champanhe e fizemos nossos votos para o ano de 2016. Em casa ainda celebramos mais um pouco e fomos dormir.

Quinto dia – Dia de churrasco no Jardim com mais amigos de SI, dessa vez Zóio foi nos visitar, levando sua esposa e sua filhinha; Gui e Ana também estavam lá. Ao som de Wesley Safadão (para terror dos roqueiros de plantão) passamos o dia, na paz e no amor. Mas a noite ainda consegui passar mal.

Sexto dia – Dia de ir ver a chuva na Barra da Lagoa e abandonar uma trilha antes de começar, devido ao barro. À noite comemos sushi, assistimos ao filme o Tempo e o Vento e Imortalizamos a frase “Bibiana frita uma linguiça”!

No dia seguinte retornamos para casa. Mais uma vez foram momento maravilhosos de muita diversão. É sempre bom passar esses momentos com os meus amigos de longa data, eu sei que rimos das mesmas piadas sempre, mas mesmo assim é legal. Poder relembrar nossos tempos de C.A, fazer alguma referência a F.R.I.E.N.D.S, ou simplesmente rir um do outro já torna nossos momentos especiais. Até final do ano, galera!

sábado, março 19, 2016

Viva a Ditadura?

Resolvi compartilhar um trabalho que meus alunos realizaram em 2012, é um jornal sobre a Ditadura Militar, para que alguns de meus amigos que não sabem bem o que a Ditadura Militar significou para nosso país e como foram maravilhosos os anos em que o Brasil viveu neste regime ficarem a par. O trabalho é simples, mas já da pra ter um noção.