domingo, fevereiro 23, 2014

2013 - Gramado

Eu já conhecia Gramado, mas ir com o João Marcelo, foi uma experiência a parte. Ele nunca tinha saído do estado e de fato ele ficou maravilhado em vários momentos da viagem, o que me foi muito recompensador.
Viajamos no dia 29 de novembro e voltamos no dia 1 de dezembro. Fomos junto com alguns professores e os segundos anos da escola – os mesmos que foram os meus primeiros alunos quando fizeram parte do ensino médio inovador em 2012 – junto com eles estava Felipe, logo, eu estava com dois irmãos na viagem.
Saímos da frente do colégio, com mais de uma hora de atraso, mas a viagem foi muito tranquila e foi divertido ver a ansiedade de João Marcelo, até finalmente ser vencido pelo sono.
Eu estava muito cansada, pois tinha trabalhado até às 22:00, quando acabou a aula. Nossa primeira parada foi em uma estação de trem, e devo confessar que foi com muito custo que levantei, desci do ônibus e fui mostrar o trem ao Bebê, nossa foto transparece a alegria que só um sábado em que eu acordei antes das 7:00 da manhã pode ter.
A segunda parada da viagem foi na vinícola Aurora – o que aposto dinheiro, deve ter deixado o meu viajante mirim bastante decepcionado. No coração de Bento Gonçalves, a Vinícola Aurora é a maior do Brasil. Fizemos uma visita guiada com direito a degustação e depois ainda passamos pela loja, onde diversos tipos de vinhos e sucos estão à venda. Não sei se foi a empolgação da visita guiada com um saxofonista fazendo a trilha sonora ou minha pré disposição ao alcoolismo, só sei que acabei comprando algumas garrafas de vinhos e espumantes.
Depois seguimos até o parque Aldeia do imigrante, que fica em Nova Petrópolis e o passeio começou a ficar mais atrativo para o João Marcelo. Primeiro almoçamos em um restaurante de comida alemã e quase deixei um dos alunos sem ar quando disse algumas palavras em alemão – que minha vó me ensinou – e ameacei dize-las ao garçom – digamos que ele não ia gostar muito, mas ficou somente entre eu e Sérgio, o aluno, pois os outros não entenderam nada. Era comida que não acabava mais, feita no fogão a lenha e com aquele gostinho de comida de colônia alemã. Para completar tinha ainda um cardápio repleto de deliciosas sobremesas aguardando os mais gulosos.
Após o almoço pudemos prestigiar uma corrida de pedalinhos, onde Ganso – também conhecido como o meu irmão Luís Felipe – foi o grande vencedor, me deixando cheia de orgulho – e ele visivelmente envergonhado quando de propósito banquei a mãe incentivadora e fiquei berrando da beira do lado algumas palavras de incentivo. Depois disso fomos procurar um daqueles fotógrafos que tiram fotos com roupas de época – em Minas Gerais morri de vontade de tirar uma dessas fotos e como acabei não tirando essa vontade permaneceu comigo durante anos, até que tive outra oportunidade. Fomos em grupo e foi uma farra. Estávamos basicamente entre professores e seus respectivos cônjuges, além de eu, Ana Maura – que éramos as moças solteiras - Dona Rosemari -  a tia viúva - e o Bebê, que ficou uma graça com suspensório. Fizemos várias poses e nossa foto parece autentica da década 
de 10. Depois seguimos até o centro de Nova Petrópolis, que estava lindo, todo enfeitado para o natal. No centro de Nova Petrópolis existe aquele labirinto e apesar do cansaço foi divertidíssimo – ainda mais do que da primeira vez, se é que é possível. Corremos muito e em um desespero que contagiava a todos, no final chegamos ao centro, mas achar a saída novamente nos fez literalmente suar a camisa e conquistar muitos olhares e até mesmo alguns aplausos quando a encontramos.
Chegando ao hotel fomos nos acomodar. Dona Rosemari foi nossa companheira de quarto e meu corpo dava sinais de que sucumbiria a qualquer momento, porém ainda tínhamos uma programação noturna. Fomos jantar no shopping e depois conversar no jardim do hotel. Resolveram brincar de gato mia e pagamos o maior micão quando nos escondemos tão bem que a brincadeira acabou e ninguém nos achou. #mósemgraça.
O dia seguinte tinha a programação mais importante. Lojas de chocolate, Natal luz e o tal parque com neve. Começamos o dia com o lado consumista aflorado, já que passamos parte da manhã em um outlet. Depois chegamos a um parque ecológico, com pedalinhos, visita a uma mina, passeios de trator, à cavalos, entre outros atrativos. O almoço novamente compensava qualquer coisa, pois mais uma vez era delicioso. Após o almoço fomos andar de pedalinho e foi muito divertido, apostamos corrida e quase perdemos o pescoço do nosso cisne ao passar por baixo de uma ponte e ficar enganchado, ninguém conseguia superar nossa velocidade, nosso cisne planava sob a águas. Hahahaha Depois fomos conhecer a mina e lá tinha até mesmo um fóssil de  ovo de dinossauro – e eu consegui ficar muito mais empolgada do que João Marcelo. Ainda andamos de trator antes de irmos até o centro de Gramado. Lá chegando fomos direto para uma loja de chocolates. Acabamos demorando um pouco mais do que o esperado no parque onde almoçamos e como nem todos tinham interesse de ir ao parque onde tinha a neve, o grupo se dividiu e enquanto eu, João Marcelo, Catarini e Ana Maura fomos para o Snowland os outros permaneceram em Gramado conhecendo a cidade.


DEMAIS. Simplesmente demais aquele parque. Ao chegarmos recebemos uma roupa para o frio – que é de -5 dentro do parque – e ao entrarmos nos deparamos com montanhas de neve, com pistas para descer de snowboard, de ski ou airboard que foi a modalidade que aderimos. Muitos tombos, muita euforia e os olhos do João Marcelo que não paravam de brilhar em meio a toda aquela neve. Além da montanha ainda tem um passeio por cavernas de neve com réplicas de animais que vivem no frio como: pinguins, ursos polares, mamutes etc. Após a parte das montamos fomos até o vilarejo Alpino onde tem uma imensa pista de patinação e eu pude mostrar minhas habilidade com os patins, mesmo estando de saia. Não cai nenhuma vez, mas minhas companheiras não conseguiam para em pé. Mais uma vez nesse texto terei que escrever, muito divertido.


Após o Snowland fomos finalmente ao natal luz. A edição de número 27 do famoso Natal Luz de Gramado foi um sucesso completo, já que dessa vez estávamos lá! As ruas da cidade ficaram tomadas pelos turistas, que estavam prestigiando os desfiles e eventos relacionados ao natal! Realmente encantador. Voltamos para casa com os corações inundados pela magia do natal e João Marcelo passou no teste e poderá realizar o sonho de conhecer o Rio de Janeiro! 



sexta-feira, fevereiro 14, 2014

2013 - Rio de Janeiro

No calendário o ano de 2002, a nossa matéria preferida já era história, mas em janeiro estreou uma minissérie que para nossa surpresa nos encantou tanto quanto A Muralha. Um herói surgiu  permanecendo em nossa vida para sempre e decidimos que visitaríamos juntas todos aqueles lugares que a trama retratava. Parecia um sonho distante para as garotas de 14 da pequena cidade, mas sabíamos que um dia iriamos realiza-lo.
Os anos passaram, conhecemos o Rio de Janeiro separadas, visitamos os tais locais, mas o sonho ainda não tinha morrido e 11 anos depois o realizamos. Quem embarcou nessa aventura conosco foram Marina e Hilmara que não são tão fãs de história quanto a gente mas curtiram todos os passeios históricos em virtude de nossa amizade. =P

Dia 26 de outubro – o dia da realização do sonho

Saímos cedinho de Alfredo para pegar o avião em Floripa com conexão em Viracopos e chegamos ao Rio pouco depois do almoço. Já na chegada, quando fomos pegar nossas malas uma garota fez questão de me molhar inteira com sua coca-cola, foi muito bom para refrescar, sqn.
Ficamos hospedadas na Glória, no hotel Diamond, que tem uma vista maravilhosa para o Aterro do Flamengo e da Bahia de Guanabara, assim que nos estabelecemos iniciamos nosso tour pelo centro da cidade e todos os destinos históricos que ela pudesse oferecer em um sábado à tarde.
Da Glória até o centro é um pulinho a pé e, foi o que fizemos! No caminho passamos por várias igrejas, pela ALERJ, pela praça XV e levamos as gurias para conhecer o lugar onde se compram os tickets para as balsas, de lá tivemos uma bonita vista da Ilha Fiscal. 
Nossa primeira parada oficial foi nele, nosso ícone histórico, o Paço municipal.
O Paço municipal foi o centro administrativo e também moradia da Família Real durante um bom tempo e é claro que lá dentro nossos corações estavam aos saltos. Andamos por tudo, pelas salas, gabinetes e até mesmo entramos por engano em um banheiro masculino huahuauh. É difícil descrever o que sinto cada vez que cruzo aquela porta, é como se de alguma maneira eu estabelecesse uma ligação com o passado e fizesse parte da história – tudo bem, reconheço que viajei.
Depois do Paço continuamos nossa caminha a pé pelo centro, passamos pelo Arco de Teles e andar por esse arco, em frente à Praça XV, é como voltar à época do Brasil Imperial. Da calçada da rua Travessa do Comércio, você é levado por um caminho sinuoso, que passa por bares e restaurantes maravilhosamente preservados, apesar do edifício datar do século 18.  O nome do lugar vem da família Teles de Menezes. A área entre o arco e a Avenida Presidente Vargas oferece um passeio glorioso entre os museus, cafés, bares do tipo pé-sujo e livrarias. Essa área já apareceu em inúmeras novelas e minisséries da TV brasileira. Como no local existem inúmeros bares, restaurantes e lanchonetes, com música ao vivo, até animamos de almoçar em um desses locais, mas os mais interessantes estavam lotados ou demorariam muito para nos servir, decidimos manter nossos planos originais e almoçar na Confeitaria Colombo.
Fundada em 1894, a Confeitaria Colombo chega aos dias de hoje conservando a imagem de esplendor da alta sociedade carioca do final do séc. XIX. Na Confeitaria Colombo você pode contemplar a sua imagem refletida em gigantescos espelhos belgas de requintada beleza, descansar em suas cômodas cadeiras ou simplesmente apreciar o belo estilo art nouveau de sua arquitetura e o magnífico mobiliário em jacarandá, típicos da belle époque carioca.
Esse restaurante é uma verdadeira referência gastronômica do Rio de Janeiro, oferecendo a possibilidade de degustar excelentes receitas tradicionais em um local que foi declarado Patrimônio Cultural e Artístico da Cidade, com toda essa fama difícil foi enfrentar a fila para conseguir uma mesa, desistimos da mesa e decidimos que comeríamos nas mesas próximas ao balcão. O prato escolhido foi camarão empanado – que custou os olhos da cara, mas valeu cada centavo. Mesmo desistindo da mesa pudemos subir e conhecer o segundo piso, onde funciona o restaurante e de fato o lugar é belíssimo.
Para noite tínhamos a sagração da primavera no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Nada mal, não é mesmo?
A sagração da primavera estava completando 100 anos de sua criação, Ana Maria Botafogo participou de um ato e as músicas foram tocadas pela orquestra municipal. Assistimos da galeria, penamos para conseguir nossos ingressos, mas sem dúvidas valeu a pena. Foi simplesmente maravilhoso, me peguei várias vezes boquiaberta envolvida pelos movimentos e pela música.
Após o teatro hora de fechar a noite na Lapa. Estávamos na fila do Rio Scenarium e quando finalmente íamos entrar as duas gênias também conhecidas como Marina e Carol se deram conta que não tinha suas identidades a mão e foram impedidas de entrar no bar. Um pouco chateadas resolvemos ficar pelas imediações e jantar em um dos outros bares da Lapa. Lá o Hugo foi me encontrar para consolidamos nosso único encontro do ano de 2013 e colocarmos o papo em dia.



 Dia 27 de outubro – Domingo é dia de Parque

Beuatiful, a palavra do dia... Não é mesmo meninas?
Quinta da Boa Vista! Assim como o Paço, a Quinta era outro dos locais que estavam em nossa lista do ano de 2001. A residência oficial da Família Real. Onde Dom Pedro morou durante anos, onde ele teve seus filhos e suas mulheres. Estar lá também tem muito significado para a gente.
Como já comentei aqui nesse blog lá funciona um museu, bastante interessante, a bem da verdade um pouco misturado, mas cheio de setores massas. Tem até dinossauros! =P
Após o museu fomos ao Zoológico. O que mais lembro de lá é do cheiro. Não preciso mais falar muita coisa, não é mesmo? Tava muito quente e a combinação do calor, mais o odor definitivamente não me cativou.
Almoçamos em Ipanema, no Posto 9, por indicação de um taxista, aliás preciso ressaltar a participação dos taxistas nessa viagem, sempre com dica valiosas. O dia estava lindooo e quando saímos do restaurante foi tal como tivéssemos desembarcado em outro lugar, o vento beirava os 80 km\h, eu mesmo com 6 kg a mais tinha que me firmar com força no chão para não ser levada – exagerei, ok, mas estava ventando demais. Foi-se nossos planos de entrar no mar, o que nos restou foi seguir até o arpoador, levando aquelas famosas surras de areia. É claro que todo mundo pensava que éramos estrangeiras e todo mundo vinha falar conosco em inglês – oferecendo passeios e afins – no final das contas nem aproveitamos o Arpoador, pois de fato o vento estava muito constante e forte.
Hugo foi me encontrar e decidimos ir para o shopping do Leblon, com o intuito de encontrar algum famoso – sim, nessa viagem estávamos tietes.
Dica importante, nunca em hipótese alguma acredite no senso de distância do Hugo.
Não pegamos táxi, pois ele nos disse que era super do ladinho, o shopping. Andamos, andamos, andamos e andamos mais um pouco, em meio aquele vento, até chegar ao shopping, quando chegamos já tivemos que retornar para o hotel, pois já estava tarde. Era muito longe!
A noite novamente nosso destino foi a Lapa. A gastronomia daquele bairro conquista qualquer um.

Dia 28 de outro – turista.com

O dia mais tipicamente turístico da viagem. Dessa vez contratamos uma vam para realizar os passeios turísticos que incluíam: Catedral, Sambódromo, Maracanã, Pão de açúcar, Cristo Redentor e o almoço em uma churrascaria de Copa de tinha até Sushi.
Nosso guia falava 3 idiomas ao mesmo tempo, isso mesmo... ao mesmo tempo. Ele começava uma frase em inglês, mesclava com algumas palavras em português e terminava falando em espanhol com algumas palavras de inglês no meio. Era uma louca! Dava trabalho entender o que ele queria dizer e suspeito que em alguns momentos nem ele saiba o que estava falando. Mesmo assim foi divertido.
No final do passeio ficamos em Copa, compramos biquínis – usamos um daqueles banheiros subterramos para nos trocar – e fomos até o Mirante do Leblon – Me chama de Helena que eu estou no Leblon. Esperávamos encontrar até mesmo o Manoel Carlos por lá, só que não rolou.
Momento íntimo: Foi nessa viagem que percebi que precisava tomar uma atitude urgente quanto a minha barriga. Huahuahuauha Sei que ninguém ta interessado em ler isso, mas foi bastante difícil pra mim tirar foto de biquíni e não ter onde esconde-la, desde então emagreci 6 kg e pude voltar a sorrir! #desabafo
A noite Shopping da Gávea. Seguindo as dicas de nosso taxista - e por esse noite motorista particular - fomos até a Gávea para encontrar algum famoso – lembrem-se, tietes – seguimos a dica mas não esperávamos encontrar tanta gente. Logo na entrada a gente deu de cara com um cara que fazia a novela das 7 – até hoje não sei o nome dele – depois quase o perseguimos na escola rolante – mentira, sqn – e continuamos andando pelo shopping, que mais parecia o Projac, foi então que em um corredor a gente deu de cara com nada mais, nada menos do que com o Vlad, digo... Cornélio, digo... NEY LATORACA! Quase não acreditei e morreria de vergonha se tivesse que pedir pra tirar uma foto, a sorte foi que ele se ofereceu. Isso mesmo, primeiro ele disse que éramos todas lindas depois perguntou se íamos querer tirar uma foto! Hauauh É claro que aceitamos! Conversamos um pouco e continuamos caminhando. Meu coração quase não aguentou tantos encontros: Leticia Sabatela, Beth Farias, Xuxa Lopez, Maria Padilha e mais algumas pessoas que fomos obrigados a ignorar. Huahuahu Não tiramos mais foto com ninguém, mas de fato foi um passeio surreal.
Jantamos no baixo Gávea e lá como não poderia deixar de ser, encontramos mais uma famoso, ou nem tão famosa assim pois só a Suzanne a reconheceu, depois nós até tivemos uma vaga lembrança de quem ela era. Com essa tiramos foto, para alegrar o dia dela e elevar o ego!


Dia 29 e outro – Last day in Rio


Para fechar a viagem, o passeio que faltava. Lagoa Rodrigo de Freitas... passamos a manhã andando por lá, que é sem dúvidas um lugar ímpar, para não deixar dúvidas sobre o quanto a viagem foi deliciosa em todos os sentidos ainda almoçamos no bar Garota de Ipanema, que tem esse nome por ter sido lá que o celebre Vinícius escreveu uma das mais famosas músicas da Bossa Nova. Depois o jeito foi se despedir da cidade maravilhosa e voltar para a casa, já sonhando com o retorno. 

sábado, fevereiro 08, 2014

Diário de Bordo UY - Carnaval

Em Montevideo é celebrado o carnaval mais longo do mundo: são 40 dias de desfiles, concursos e candombe que fazem do Carnaval a celebração mais importante do país.
Tivemos a sorte de estar lá exatamente na época em que o Carnaval iniciou, a bem da verdade demorou um bocado para finalmente acontecer o tal Desfile Inaugural, pois a princípio estava marcado para quarta-feira, mas como choveu muito, acabou sendo adiado para sábado.
Então, no sábado dia 23, finalmente aconteceu a abertura e preciso tentar colocar “no papel” o que é o carnaval no Uruguay.
O carnaval de Montevideo ao mesmo tempo que é muito diferente do nosso também se parece muito.
Quando pensamos em carnaval geralmente imaginamos todo mundo dançando, interagindo e lá não é bem assim que acontece, pelo menos não no desfile inaugural. Nos dois dias que fomos assistir aos desfiles que aconteceram na 18 de Julio eles se pareciam com os desfiles da Sapucaí, porém, com uma participação mínima do público e nem 1\3 do glamour.
No sábado aconteceu o típico carnaval Uruguaio com desfiles de alguns blocos – que aparentavam ser blocos institucionais. Se eu for estabelecer uma relação entre o que vi e o que conheço do Brasil eu diria que se parece mais com desfiles de 7 de setembro do que com desfiles de carnaval, sem dúvidas o ponto alto foi quando passavam as cuerdas de Candombe, foi quando finalmente o público cogitou deixar a apatia de lado e participar mais integralmente do evento – porém, apenas cogitou.
Meus comentários sobre o carnaval não são críticas até porque fiquei encantada pela reação do povo – que apesar de apático – lotou as ruas e sobretudo a reação dos idosos, que saíram de casa em um dia de frio para assistir aos desfiles que já tem uma tradição de quase 150 anos na cidade. Eu li que a tradição do “desfile inaugural” remete ao ano de 1873 e que durante todos os anos que correram desde então, a tradição acabou perdendo a força, mas que vem retomando a grandeza nos últimos anos e cada vez mais atraindo gente para assistir ao desfile que dá início ao maior carnaval do mundo - em período de duração. 
Outro fato que chama a atenção de todos é que tanto as passistas quanto as outras mulheres que desfilaram não tem que ter necessariamente um corpo sarado e siliconado e sim ter "buena onda" e saber divertir o público, assim se via muitas mulheres que para muitos seriam acima do peso em lugares de destaque, o que eu achei muito bacana. 
No domingo a coisa foi diferente, aconteceu um desfiles nos moldes brasileiros, com direito até mesmo a escola de samba brazuca. Várias escolas cruzaram a avenida e algumas delas estavam maravilhosas, sempre com muitos idosos participando e dando espaço para a participação de pessoas com deficiência. Também se notava um numero absurdo de travestis, que deixavam muitas mulheres "no chinelo" quando o assunto era "samba". 
Além desses dois dias de desfiles ainda existem as Murgas e as Llamadas – que dizem ser a parte mais divertida e animada de todo o carnaval.
As Llamadas derivam do chamado que faziam os negros quando começavam a se reunir, seja para atividades festivas quanto para discorrer alguns assuntos sociais. Era costume que um par de tambores de cada agrupamento saír e percorrer as ruas tocando candombe. As Llamadas carnavalescas começam no ano 1956 e a partir desse momento viraram um clássico da cidade de Montevideo. Trata-se de um desfile no qual participam homens, mulheres e crianças de todas as idades e que, com o ritmo do candombe e dos tambores, percorrem milhares de metros em companhia do público vivaz, que dança no ritmo dos ancestrais africanos.
A murga é mais teatralizada, é interpretada por um coro acompanhado de instrumentos musicais e é comum que as canções tenham como tema questionamentos políticos e sociais.
As apresentações acontecem em teatros ou arenas armadas em vários pontos da cidade. Todo fim de semana de verão tem espetáculos no Teatro Verano próximo ao Parque Rodo. E todo ano elege-se um grupo campeão de murga e candombe.
As Llamadas ocorreram nos dias 6 e 7 de fevereiro, não pude prestigiar, mas certamente teria sido um prazer e nos proporcionaria muita diversão. 




domingo, fevereiro 02, 2014

Diário de Bordo UY - 31\01

Última Semana no Uruguay
O que dizer dessa última semana?

Tivemos dois ótimos professores, que se juntassem todos os doutorados e pós docs, daria mais de 10. Eu sei que números não são sinônimos de conhecimento, mas nesse caso podia sim dar uma base. O professor de segunda e terça era bom, tinha vários livros lançados mas era extremamente realista e das exatas, logo, trabalhava como se fossemos todos números – professores, alunos, os estudos - já o professor do resto semana veio para lavar a alma dos apaixonados pela educação. Perez Lindo é certamente a pessoa com mais conhecimento com quem já tive o prazer de conviver, além de muito inteligente ele ainda tinha um senso de humor delicioso. Eu passaria dias só ouvindo as histórias dele. Ele foi foragido político, se refugiou no Brasil e aqui conheceu Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque, Paulo Freire e mais um monte de gente que marcou a história do nosso país. Ele é realmente um lindo e se pudesse escolher convidaria ele para ser meu orientador.
Essa semana o bordão mais usado foi o “Por Favor”, com sotaque Uruguaio e, era frase certa em nossos almoços no Cyro, que com sua simpatia conquistou nossos corações – estômagos e bolsos – e fez com que o TarTar se tornasse o nosso restaurante oficial. Almoçamos lá todos os dias e ontem tiramos foto com o Cyro e o Diego fez até uma trança no cabelo da mulher – a gente acha que seja – dele.
Durante todas essas semanas que almoçamos no Cyro, na mesa ao lado almoçava uma senhora, muito elegante – e um pouco retro -  que chamou nossa atenção por sua pontualidade e por ser metódica. Todos os dias nos perguntávamos quem era, qual a história de vida... Helen achava ela com cara de personagem de livro\filme e, que se chamava Diolinda. O nome descobrimos na terça, quando perguntei a Cyro, ela se chama Ximena e na sexta em nossa despedida finalmente superei minha timidez e fui falar com a senhora. Disse que ela era muito elegante, que eu achava ela Muy hermosa, e ela por cordialidade disse que eu também era, então a abracei e dei um beijo, ela ficou falando que tinha sido muito gentil de minha parte e ficou abraçada comigo, foi quando pedi para tirarmos uma foto, a princípio ela não entendeu o porquê, mas depois sorriu para a foto. Ximena é demais.
Na terça Fernando chegou a Montevideo com sua família e eu o encontrei rapidinho e o acompanhei até o porto, valeu a pena pois pudemos trocar um pouco de nossas experiências de viagens.
Na quinta fizemos nossa despedida no Pony, mas antes fizemos um tour por Punta Carretas com Estevão e passei pela frente do Centenário. É incrível como os Uruguaios tem esperanças de ver o time deles campeão, revivendo o mundial de 1950 – sonhar não custa nada. Falando em mundial, pelas minhas contas na final da copa estarei no Uruguay – chora.
Nossa despedida foi bem bacana, o Pony estava bem vazio, então ficamos nas mesas da rua conversando. Eu e Manu não poderíamos deixar o Uruguay sem dançar no Pony uma última vez a nossa música preferida “sentimiento” – que na verdade se chama Es un segredo e não fala em sentimento e sim em pressentimento – subimos e fomos pedir ao DJ para tocar, ele tocou em seguida e dançamos praticamente sozinhas na pista de dança. Foi sem dúvidas uma noite muito engraçada, com muitas conversas e Chops.
Na rua tava tocando Kid Abelha e Bárbara disse que também amava, falou inclusive que sua música preferida é “Gosto de ser cruel”, o que é no mínimo, peculiar. Adorei saber!
Na sexta ir para a aula depois de ter ido dormir perto das 4 horas não foi uma tarefa fácil, sem dúvidas ainda assim foi uma aula prazerosa, pois tínhamos Perez Lindo como maestro.
Como muita gente ia embora a tarde o professor resolveu fazer um tour até o Solis com quem restava. Graças ao seu prestigio tivemos um tratamento VIP no teatro e não tivemos que pagar nada.
A história do Solis é bastante interessante, pois a construção foi iniciativa do povo de Montevideo que queria um local para celebrar a cultura. A obra é imponente e cheia de requinte, é um dos teatros mais bonitos que já visitei. Nosso guia sabia muito do teatro – afinal é para isso que ele servia – e nos contou coisas bastante interessantes.
Depois do passeio fomos convidados pelo professor para ir até a lanchonete do teatro. Um lugar classudo, onde ficamos conversando um monte e sabendo de várias histórias engraçadas de nosso professor ao redor do mundo. Quem ainda não estava apaixonada – como eu já estava – certamente se apaixonou. O professor fez questão de nos oferecer os sucos, refrigerantes e cervejas, achei um gentileza sem tamanho ele pagar a conta. Coisas do Lindo. Na quinta realizamos o sorteio de dois livros dele, eu e Diego éramos os seus assistentes de palco e o professor quis até dançar CanCan com a gente.
Foram 25 dias fora de casa. A saudade bateu forte, principalmente de minha vó e do ingrato do João Marcelo. Foram 8 horas por dia sentada em uma cadeira desconfortável, tendo aulas em outro idioma, tenho toneladas de textos e livros para ler e muitas histórias para contar. Tenho certeza que o pouco que aprendi nesses dias já fará diferença em minha vida, é uma experiência única estudar em outro país, com gente de todo lugar, trocando experiências, fazendo amizades, conhecendo pessoas que pensam como você, que tem sonhos parecidos, que vivem realidades diferentes mas assim como você acreditam em um futuro de glória para a educação.
Espero encontrar todos em julho. Beijos Turma XVIII A.

BRASIL, MOSTRA A TUA CARA.