sexta-feira, maio 31, 2013

2013 - Urubici

Urubici em dose tripla

Bom, Urubici está em meu roteiro de viagem desde quando eu era muito pequena. Minha tia é urubicience e enquanto morava aqui ia periodicamente visitar seus pais que viviam lá, vez ou outra eu a acompanhava. O que tinha de mais marcante nas viagens era que certamente eu ficaria enjoada descendo a Serra do Panelão. Eu gostava da cidade, era diferente de Alfredo, não só pelo clima, por ter aquela avenida imensa, ou aquela Catedral linda - na qual me perdi aos 3 anos de idade no casamento de meus tios - mas também pelo sotaque do povo e até mesmo pela aparência, morenos com a bochechinhas vermelhas. A família da minha tia morava – e ainda mora, hoje em dia até mesmo ela mora lá – na esquina, um dos mais famosos bairros de Urubici. Seu pai tinha uma lanchonete e nas paredes existiam algumas fotos da época em que ele era caminhoneiro e uma delas era da Serra do Corvo Branco e ela sempre me chamou muito a atenção. Nessa época eu ouvi inúmeras histórias não só sobre essa serra mas também sobre o Morro da Igreja e as abundantes neves que já caíram na região, porém nunca tinha visitado esses locais. Isso só foi acontecer bem mais tarde, no ano de 2010.
Eu estava na Argentina e vi no noticiário que estava nevando aos montes na Serra Catarinense, lamentei. Eu nunca tinha visto neve e justo agora que ela estava caindo praticamente no quintal de minha casa eu estava muito longe e certamente ela não duraria tanto a ponto de eu ainda poder vê-la. A sorte foi que eu me enganei. Na mesma semana que eu voltará da Argentina voltou a nevar, na sexta-feira da semana que voltei era feriado, e após conversar com uns amigos de Urubici fiquei sabendo que apesar da neve já ter caído a três dias, ela ainda permanecia acumulada. Por mensagem no meio da madrugada combinei com Joice
– uma amiga que trabalhava como professora no Silva Jardim – para subirmos a serra no dia seguinte.
Acordei meio sem saber se a minha conversa por SMS no meio da madrugada tinha vingado e para minha surpresa Dona Joice chegou na hora marcada e sem demora estavamos na BR – 282, com destino ao Morro da Igreja. Já na subida pudemos ver que os campos no alto do morro ainda estavam branquinhos, mas mesmo diante dessa visão não pensamos que encontraríamos tanta neve lá em cima – já que ela já havia caído a alguns dias. O local estava cheio de turistas e a reação, independentemente da idade ou classe social era a mesma... todos pareciam bobões. Uns rolavam na neve, outros a jogavam pra cima para tirar fotos como se ela estivesse caindo e alguns queriam até comer a neve. Nós, para não destoar fazíamos o mesmo.


Lá de cima, a paisagem parecia de algum filme norte americano ou europeu. Aos 23 anos, foi a primeira vez que vi neve e apesar de ser uma neve tupiniquim, neve é neve em qualquer lugar, não é mesmo? A água estava congelada, o frio era intenso, mas maior que o frio só a euforia que todo mundo estava sentindo.
Pisei em um buraco e molhei meu pé em um água que beirava o congelamento, mas continuei a andar pela neve, como se estivesse vivenciando a primeira neve do inverno de Star Hollow. Em minhas andanças pela neve encontrei uma câmera que era tão igual à que eu tinha que não por mero acaso chegava a ser a minha – perdi minha câmera e a encontrei antes mesmo de perceber que tinha perdido. Lá em cima fizemos até um boneco de neve, chamado Mandarim.


Após conseguirmos praticar o desapego e nos separarmos da neve fomos até a Serra do Corvo Branco.
Meus pés estavam começando a encarangar, já que a temperatura estava muito baixa e eles estavam molhados. Nossa passagem foi breve, mas o tempo foi suficiente para conhecermos um pouco da exuberância do lugar. O local só foi melhor explorado esse ano, em nova visita a cidade e acompanhada por meus alunos e tendo como guia meu amigo Reginaldo – professor de geografia do Silva Jardim.
Vale a pena ressaltar que um dos acessos até a serra ocorre pela cidade de Urubici, porém a Serra do Corvo Branco fica dentro dos limites do município de Grão-Pará. A Serra é um emaranhado de escarpas e montanhas por onde passa
a estrada. No ponto mais alto, a estrada cruza dois paredões de 90m, o maior corte vertical feito em rocha no Brasil. O que vem depois são sinuosas e perigosas curvas com 5 km de descidas íngremes e precipícios. Do alto da Serra consegue-se avistar boa parte da planície catarinense e várias formações de cânions e vales profundos. O local recebe este nome devido a uma ave de rara beleza, conhecida como Urubu-rei. Esta ave, de plumagem branca e alguns detalhes coloridos, desconhecida pelos habitantes locais, foi apelidada erroneamente de corvo, originando o nome Corvo Branco. Finalmente em 2013 pude constatar a grandeza da fotos de Seu Alcione – pai de minha tia – que certamente merecia o troféu “volante de ouro” por passar com um caminhão a décadas atrás por um trajeto tão sinuoso. Lá de cima podemos ver o quão complicado o caminho se faz para os caminhoneiros.

Ainda abro espaço para comentar sobre minha nova visita ao Morro da Igreja. Em um dia de não rara beleza pude avistar a Pedra furada e imortaliza-la em minhas fotografias. A história da Pedra Furada tem como fundamento diversas lendas a tornando um mistério para muitos, porém para nosso professor a origem do furo nada mais é do que uma forma de “erosão”, causada pelos ventos – notem as aspas na palavra erosão, tenho certeza que não foi essa a palavra usada na explicação, mas através dela vocês conseguem entender o que eu quero dizer né? – O buraco visto de longe parece pequeno, mas possui mais de 30 metros
de circunferência. E segundo nosso “guia” pode-se chegar até ele por uma trilha. Fiquei interessada neste passeio, se de fato essa trilha existir eu gostaria de faze-la. Fora a visita em ocasião da nevasca de 2010, eu tinha estado no alto do morro mais uma vez, no ano de 2011. Nunca em minha vida tinha passado tanto frio. O termômetro marcava -5,7 graus, porém a sensação térmica era de – 17 graus. O vento era lancinante e se manter de pé fora do carro dispendia de um esforço descomunal.
Voltando ao ano de 2013, do alto do morro a vista é maravilhosa, para qualquer lado que se olhe a paisagem é exuberante. Para completar 60 metros de altura, suas águas geladas descem por paredão de basalto cercada de mata nativa, infelizmente por causa da baixa quantidade de chuva o volume de água era muito pequeno, o mesmo ocorreu quando visitamos a Cascata do Avencal, que é uma queda livre de quase 100 metros (88 para ser precisa) ótima para os adeptos de rapel. Seu nome deriva de avenca, vegetação comum na região.
nosso tour por Urubici nosso último destino foi a Cascata Véu de noiva. No Aparados da Serra Geral, está a Cascata Véu da Noiva, uma cachoeira sobre o rochedo ondulado. Esta cascata tem o formato de um véu, o que deu origem ao seu nome. Com aproximadamente

Bom é isso, um pouquinho sobre Urubici, uma pérola na Serra Catarinense, cidade das hortaliças onde apesar do clima ameno o calor do coração dos nativos aquece os turistas e o turismo da região serrana. 

quarta-feira, maio 29, 2013

Viagem de estudos Serra Geral


No dia 24 de Maio os alunos do 1º e 2º ano do Ensino Médio Inovador da Escola de Educação Básica Silva Jardim realizaram uma viagem de estudos com destino a Serra Geral.
Realmente podemos dizer que o Brasil é abençoado por Deus e bonito por natureza, pois, apesar de ser um país tropical, também apresenta a ocorrência de neves. No estado de Santa Catarina, esse fenômeno ocorre na Serra Geral, uma área de 49.300 hectares e abrange os municípios como Urubici, Bom Jardim da Serra, Urupema e São Joaquim. Essa região é dominada pela Floresta Ombrófila Mista (mata 
com araucárias), uma das formações mais ameaçadas do país. Parte do bioma da Mata Atlântica, esse ecossistema possui atualmente menos de 5% de sua cobertura original, devido a intensa exploração pela atividade madeireira.
A Serra Geral é composta por lindas e intrigantes paisagens que despertam não somente nosso olhar turístico mas também científico. Nessa paisagem estão presentes cascatas, cânions, vales profundos, formações rochosas cobertas ou não por vegetação, além de possuir nascentes de vários rios como o Canoas, um dos formadores do Rio
Uruguai.
O clima temperado da região é influenciado diretamente pela região litorânea do estado. A massa de ar úmida formada sobre o Oceano Atlântico desloca-se sobre o continente e ao cair, sob forma de chuva, favorece o desenvolvimento da Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica). A temperatura média anual varia entre 12 e 14ºC.
Na vegetação se alternam os Campos Gerais, as Matas de Araucárias - que se desenvolvem entre 500 e 1.200 metros de altitude -, a Floresta Pluvial Subtropical que ocupa o fundo dos vales. Nas bordas da Serra, acima dos 1.200 metros, a vegetação recebe o nome de mata nebular, devido à ocorrência de névoas e apresenta espécies endêmicas. A espécie mais comumente observada é o Pinheiro-do-Paraná (Araucária) que é símbolo da Floresta Ombrófila Mista. Todas essas características contribuíram para a escolha do destino, fazendo-se assim perfeito para uma aula de geografia sobre a geologia, diversificação vegetal e história da região.


Após passarmos pela Serra do Panelão e suas inúmeras curvas chegamos até a cidade de Urubici, onde tomamos café da manhã e de lá seguimos até a Serra do Rio do Rastro que é patrimônio do município de Lauro Muller, contornando um "Cânion" profundo de 1.460 metros em relação ao nível do mar. Na divisa com o município de Bom Jardim da Serra, no alto da serra, há um mirante onde, em dias de sol, se vislumbram até as águas do Oceano Atlântico. A Serra do Rio do Rastro é um dos mais belos marcos geológicos do planeta, a subida da serra permite ao espectador vislumbrar a história geológica da Terra com vegetação exuberante e abundância de cachoeiras.
Antiga trilha de tropeiros nos anos 20, a Serra era o caminho mais próximo entre a Região Serrana e o Litoral, onde o intercâmbio comercial era feito em lombo de mulas, a construção da rodovia se deu seguindo o caminho das trilhas das mulas e este é um dos motivos pelo seu trajeto ser tão sinuoso, outro motivo, ainda mais determinante foi o relevo da região.
Do alto do mirante o professor Reginaldo ministrou uma aula de geografia espetacular usando a paisagem como base, e isso aconteceu ao longo do dia, em cada um dos locais que visitamos. Os alunos acompanharam a tudo com bastante interesse, se distraindo apenas por um momento, quando um quati roubou a bolsa de uma das alunas.
Da serra seguimos até a Parque Eólico. O Parque Eólico de Bom Jardim da Serra na verdade é formado por quatro parques eólicos denominados de Bom Jardim, Rio do Ouro, Púlpito e Santo Antônio, sendo que os três primeiros possuem 20 torres cada um e o último, duas torres.
As 62 torres da usina com 140 metros de altura, cada uma, distribuídas pelos 4 parques ocupam uma área de 5 mil hectares e têm 93 MW de potência instalada. O aproveitamento, porém, é de 32% desta potência e, pode iluminar um município com cerca de 200 mil habitantes.
A energia eólica é considerada limpa, pois o impacto ambiental da mesma é bastante pequeno se, por exemplo, for comparado ao impacto gerado pelas usinas hidroelétricas. No parque tivemos mais uma aula de Geografia e de lá seguimos até a Cascata do Avencal.
Uma queda livre de quase 100 metros (88 para ser preciso) ótima para os adeptos de rapel, a cascata do avencal é um modelador das escarpas da serra geral. Seu nome deriva de avenca, vegetação comum na região. Maravilhosa. Infelizmente devido a grande estiagem o volume d’agua era pequeno e não podemos ver sua real dimensão. Mesmo assim já foi uma visão encantadora.
Nosso almoço foi na cidade de Urubici. No restaurante ficamos sabendo que um ônibus com alunos que também tinham ido até o Morro da Igreja em viagem de estudo tinha sofrido um acidente, inclusive com mortos. Como as notícias poderiam ter chegado desencontradas até Alfredo resolvemos ligar para casa e para a escola e avisar que estávamos bem, mesmo assim alguns pais ainda ficaram muito preocupados, achando que o acidente poderia ter acontecido com nosso ônibus. Após o almoço seguimos até a Serra do Corvo Branco.
Com mais de 1470 metros de altitude a Serra do Corvo Branco, localizada em Grão-Pará é um emaranhado de escarpas e montanhas por onde passa a estrada. No ponto mais alto, a estrada cruza dois paredões de 90m, o maior corte vertical feito em rocha no Brasil. O que vem depois são sinuosas e perigosas curvas que alguém pode ver em uma estrada, 5 km de descidas íngremes, precipícios. Em volta a mais imponente criação da natureza: a serra. Do alto da Serra consegue-se avistar boa parte da planície catarinense e várias formações de cânions e vales profundos.
Da serra do Corvo Branco fomos até o alto do Morro da Igreja. O Morro da Igreja é uma montanha pertencente ao Parque Nacional de São Joaquim, localizada na divisa entre os municípios catarinenses de Bom Jardim da Serra, Orleans e Urubici.
Em 17 de novembro de 2011, a Secretaria de Estado do Planejamento emitiu um parecer técnico no qual confirma exatamente isso: A base da Aeronáutica (CINDACTA II), onde é feito o controle do tráfego aéreo do RS e SC e a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) - área onde os turistas contemplam a paisagem estão em Bom Jardim da Serra. A misteriosa Pedra Furada, alvo das fotografias pertence ao município de Orleans. E o principal acesso ao Morro da Igreja continua sendo por Urubici, Mas, vale lembrar que como já foi mencionado, o Morro da Igreja é do Parque Nacional de São Joaquim, patrimônio da região.


O Morro da Igreja é considerado um dos pontos mais alto do sul do Brasil com 1.822 metros de altitude. Neste pico, há grande possibilidade de ocorrência de neve no inverno. Em 1996 foi registrada a temperatura mínima recorde no Brasil, de 17,8 ºC negativos no termômetro e 40ºC negativos na sensação térmica. Em dias claros, torna-se um ótimo mirante para as escarpas da Serra Geral e até para o litoral, a mais de 60 quilômetros de distância.
Do topo é possível avistar e admirar a Pedra Furada, uma intrigante obra da natureza, uma formação rochosa como uma escultura natural em forma de janela medindo aproximadamente 30 metros de circunferência.
A vista é maravilhosa, para qualquer lado que se olhe a paisagem é exuberante. Para completar nosso tour pela Serra Geral nosso último destino foi a Cascata Véu de noiva. No Aparados da Serra Geral, está a Cascata Véu da Noiva, uma cachoeira sobre o rochedo ondulado. Esta cascata tem o formato de um véu, o que deu origem ao seu nome. Com aproximadamente 60 metros de altura, suas águas geladas descem por paredão de basalto cercada de mata nativa, infelizmente por causa da baixa quantidade de chuva o volume de água também era muito pequeno. Após o lanche voltamos para casa.
Com a prática da saída de campo, espera-se que os alunos busquem no contato com a realidade uma relação mais aprofundada e contundente daquilo que se estuda, visando conscientizá-los das transformações e apropriação do espaço pela presença e atuação do homem, que mesmo no quadro natural, transforma e influencia o espaço.
As saídas de campo são ótimas estratégias de ensino/aprendizagem, pois despertam o interesse dos alunos e levam à sua ativa participação, permitindo uma observação direta do ambiente e uma relação com a realidade.









Logo do Projeto Conhecendo Alfredo Wagner

E ai pessoal, vamos curtir a logo do Projeto Conhecendo Alfredo Wagner?
A logo foi criada por Renato Rizzaro da Reserva Rio Das Furnas e ilustra perfeitamente a ideia de nosso projeto! 


Com: Rosemari MeloAline Dias BernardesAna Paula KretzerAna Paula de Souza,Reginaldo SilveiraIliana GambaMichelle JordaoDiego Steinheuser, Luiz e os alunos: Giovana Truppel, Illana Bondavali, Tatiana Heiderscheidt, Marcos Gabriel Magalhães Boll, Hugo Seemann, Saulo Nanom Iung, Ataline Steinheiser, Alexsandro da Rosa, Elâine Schaffer e Maria Luiza da Silva . 

quarta-feira, maio 22, 2013

Quiz – Projeto Conhecendo Alfredo Wagner

Vamos testar nossos conhecimentos sobre as viagens de estudo realizadas por nosso município?
  1. Quantos anos a antiga colônia militarcompletará no ano de 2013?
  2. Antes dos militares seestabelecerem no local onde hoje se encontra a Catuíra eles se estabeleceram emum outro local, porém não foi impossível permanecer lá. Por qual motivo? Qual onome desse primeiro local onde eles se estabeleceram?
  3. Explique a origem do nome Catuíra.
  4. Qual a padroeira da igreja daCatuíra? Explique o motivo.
  5. De qual ano data o início dacolonização da Lomba Alta?
  6. Segundo o folder, qual era atradição da comunidade de Lomba Alta para quando o moço completasse 18 anos?
  7. A colonização da comunidade emsua maioria foi realizada por quais imigrantes?
  8. Ele foi o idealizador dos museuse arquiteto da igreja da comunidade de Lomba Alta, de quem estamos falando?
  9. Cite algumas das frutassilvestres encontradas no passeio pelo bosque que fica atrás do museu.
  10. Explique a origem do nome Caeté.
  11. Segundo a história contada peloSenhor Leopoldo, de qual família eram os primeiros moradores da comunidade?Como chegaram até lá? Onde se estabeleceram?
  12. A comunidade do Caeté abriga amais distante nascente de qual importante rio de Santa Catarina?
  13. Qual o estilo de muitos doscasarões antigos encontrados na comunidade? Explique a origem e a utilidadedeste tipo de arquitetura.
  14. De acordo com o folder, além deRancho Queimado, quais foram as outras cidades das quais vieram muitosimigrantes e no Caeté se estabeleceram?
  15. Qual tradição faz parte da vidados Alfredenses e envolve a comunidade do Caeté?
  16. De forma breve comente como era avida antigamente na comunidade do Caeté. (Levando em consideração os relatos concedidospelo Senhor Leopoldo, em entrevista)
  17. Qual o antigo nome da comunidadede São Leonardo, explique o motivo desse nome.
  18. Cite um personagem marcante dacomunidade de São Leonardo no passado. Qual era sua profissão?
  19. Foram dois os principais motivospara a estagnação econômica da comunidade de São Leonardo, quais foram essesmotivos? Explique.
  20. Das comunidades visitadas, SãoLeonardo é a mais preparada para receber os turistas. De que forma essesturistas são recebidos e quais os atrativos da comunidade?
  21. Quantas espécies de aves já foramidentificadas na Reserva Rio das Furnas?
  22. Muitas árvores nativas foramvistas na reserva. Cite pelo menos o nome de 5 árvores lá encontradas.
  23. Desde que ano a RPPN existe?
  24. O que significa RPPN?
  25. Cite 5 mamíferos encontrados nareserva.
  26. Nos conte de forma breve, ahistória da casa da Reserva.
  27. O distrito de Arnópolis é a nossa“Comunidade Fantasma”, já foi grande, porém hoje permanece apenas na memóriadas pessoas que por lá viveram. Como essa comunidade desapareceu?
  28. Qual era o nome da comunidadeantes de se tornar Arnópolis?
  29. De acordo com a entrevistarealizada com Dona Julita, como era a vida na comunidade? Quais as formas de lazer?
  30. Por que o nome Arnópolis?
  31. Cite algumas famílias que viviamna Barra da Jararaca.
  32. Qual a origem do nome Rio Engano?
  33. Quais imigrantes vieram colonizaro Rio Engano e como essa descendência pode ser constatada?
  34. De acordo com o levantamentohistórico de Santa Bárbara, explique o porquê do nome.
  35. Quem foi o primeiro morador dacomunidade de Santa Bárbara? Como ele chegou até lá?
  36. Em que década ocorreu um grande êxodorural na comunidade de Santa Bárbara? Qual a explicação dada pela autora?
  37. Quais os dois costumes presentesna vida dos moradores da Santa Bárbara do passado? Explique-os.
  38. Em nossas visitas, conhecemosvários locais belíssimos, destaque alguns deles.
  39. Em cinco linhas, tente vender turisticamentenossa cidade.
  40. Quantos distritos nosso municípiotem?
  41. Realizamos inúmeras entrevistas,mas para você, quem mais valeu a pena entrevistar? Por quê?
  42. De acordo com nossas visitas,qual a religião predominante? Como isso pode ser evidenciado?
  43. De acordo com nossas visitas,qual o produto mais cultivado? Quais outros produtos também são cultivados emnosso município?
  44. De acordo com os dados quecolhemos até agora faça um apanhado histórico de Alfredo Wagner.
  45. Quantas comunidades visitamos?
  46. De todas as comunidades qual maislhe chamou a atenção? Por que?
  47. Quais os pontos altos dasviagens?
  48. Quais suas críticas quanto asviagens de estudo?
  49. Qual comunidade você acha quemerecia ter sido visitada pelos projeto? Por quê?
  50. O que você sabe sobre acomunidade de Soldadinho? 


Projeto Conhecendo Alfredo Wagner: Personagens Históricos


PERSONAGENS HISTÓRICOS DE ALFREDO WAGNER
I-                   JOÃO CONORATO
Por Juliano Norberto Wagner

Instado a falar sobre personagens marcantes de nosso Município, imediatamente veio-me o nome de um dos pioneiros: o velho Conorato, figura legendária, tema central das rodas de conversa tanto em vida quanto – e principalmente – após sua morte.
Seu nome, na verdade, era João Conrado Schmidt, e seus pais eram os alemães Konrad Schmidt e Clara Jakobs, que se instalaram na vila de Barracão entre os anos de 1891 e 1892. A morada destes pioneiros era no Piquete, mais precisamente onde por muitos anos residiu o Senhor Valdemiro Förster – de saudosa memória. Konrad e Clara tinham poucos filhos, para a época. Eram apenas João Conrado e mais umas duas, três meninas: Catharina Conrada, Clara Conrada e Anna Conrada... Pela abundância e repetição do nome “Conrado” entre os Schmidt, cuja pronúncia em alemão soa algo como Côn-rat, apelidou-se toda a família de “os Conoratos”.
Um fato bastante trágico abalou toda a família, tão logo haviam se instalado nestas paragens: em um dia de chuva, a jovem Catharina Conrada, moça bonita e graciosa, desapareceu. Seus pais puseram-se a procurá-la, repletos de angústia. Depois de algum tempo, foram localizados seus tamancos na beira de um pequeno perau, que margeava um profundo poço no Rio Itajaí (ainda hoje visto da SC 302). Catharina estava morta, afogada. Nunca seus familiares puderam concluir se foi um acidente ou se ela se suicidou – pois a jovem estava tendo problemas com o namorado... Estaria grávida? São dúvidas que as águas barrentas daquele trágico dia chuvoso de fins do século XIX imergiram. 
Quando contava uns 20 anos, João Conorato conheceu uma moça muito bonita, meiga, de bons modos, que estudara em um colégio de freiras. Seu nome era Cristina Francisca, e ela morava com seus pais, Jan Andersen, dinamarquês, e Allidia Hoegen, holandesa, na Colônia Militar de Santa Thereza. O casal e seus 14 filhos habitavam uma casa de barro, de pau a pique, onde mantinham uma pequena bodega. Jan – cujo nome foi abrasileirado para João – de profissão negociante, vivia da compra e venda de mercadorias. Detalhe: sua venda não dispunha de balcão, gavetas nem prateleiras. As mercadorias eram dispostas sobre caixotes de madeira, e ali mesmo eram comercializadas. De suas origens escandinavas, Jan mantinha apenas o sobrenome, o sotaque carregado e um relógio de parede, de madeira, que lhe mostrara as horas desde a longínqua Dinamarca, também durante os três longos meses de travessia do Atlântico, até sua morte, ocorrida aos 56 anos, de “doença do peito”. Certamente, seu peito carregava a saudade do reino distante, da neve abundante, da vida à beira do Mar Báltico, das aventuras de seus ancestrais vikings...
João Conrado e Cristina se conheceram em uma domingueira, na Colônia Militar, se enamoraram, e apenas a morte os separaria. Casaram-se, e passaram a morar na vila de Barracão, no lugarejo posteriormente denominado Estreito. João, sempre afeito ao trabalho e à expansão de seu patrimônio, labutou incansavelmente durante toda a sua vida. Plantava feijão, mandioca, cana-de-açúcar e tabaco. Ele e seus filhos cultivavam tabaco, em galpão, tendo sido provavelmente os primeiros fumicultores da história do Município. Foi também industrial, mantendo simultaneamente engenho de açúcar e de farinha.
Suas filhas, que durante a semana cortavam os braços nas roças de cana, causavam sensação nos bailes que eram promovidos na vila de Barracão. Egídia (Gidinha), Erondina, Donatília (Dona), Santília (Santinha) e Santolina (Nini) intercalavam-se como rainhas dos carnavais e outras festividades.
A casa de João Conorato era muito bonita: cercada por um bem cuidado jardim, onde havia flores, chorões e coqueiros plantados, que ornavam o caminho por onde passava o carro de molas – espécie de carruagem. A casa era construída em estilo enxaimel germânico, de cuja área se podiam apanhar e degustar uvas e outras frutas, cultivadas zelosamente pela família. As salas eram decoradas com pinturas murais e papeis de parede e, em datas importantes, sediavam festas e faustosos banquetes.
Trabalhador e econômico, João Conrado Schmidt alcançou patrimônio admirável: a maior parte do centro de Alfredo Wagner lhe pertencia, bem como o bairro Estreito, desde a cabeceira da Ponte Eng° Emílio Kuntze até a ponte do Saltinho (Ponte Preta), além da região do Rio Caeté acima, pelo menos até a altura da primeira subida para o Morro Redondo, e a Serra do Campo dos Padres.
Antes mesmo da virada do século XIX para o XX, Conorato construiu um galpão para abrigar tropeiros e viajantes. Cedia-lhes também o potreiro, onde podiam deixar suas tropas. Praticamente todos os colonizadores do município passaram por seu barracão, principalmente os da região de Caeté e Santa Bárbara. Era Conorato quem os encaminhava para suas novas moradas.
Conorato era baixo, magro, mantinha bigode avantajado e semblante grave. Andava a cavalo, trajando botas, guaiaca, chapéu, um colete – no bolso do qual carregava um relógio de ouro, donde pendia uma correntinha do mesmo metal que era alçada ao botão. Suas palavras eram poucas e seus costumes ortodoxos: casa, igreja, trabalho. Sua tez morena, mesmo sendo filho de alemães, indicava a provável etnia de sua mãe: judaica. Recebia amistosamente as visitas – hábito muito difundido na época, mas, tão logo se saciava de suas refeições, pedia-lhes licença e se dirigia aos intermináveis afazeres. Numa época em que os botecos eram atopetados de homens a comentar sobre o clima e os acontecimentos corriqueiros, Conorato não perdia tempo: seu lema era produzir.
Quando tinha pouco mais de 50 anos, numa madrugada de primavera, teve uma triste surpresa: sua amada esposa falecera. Descontrolado, pôs-se a caminhar ininterruptamente pela casa, cruzando as salas, copa, cozinha, área do forno... aos prantos e suspiros. Nunca mais veria sua fiel companheira! Despiu seus trajes cotidianos e vestiu o luto, como rezava a tradição. Recomendou o mesmo a seus filhos, inclusive a Florinho, com 13 anos, e o pequeno Lourival, que contava apenas 10 anos. No momento em que, sobre uma carroça, o féretro de Dona Cristina seguia, a casa, antes tão alegre, agora era envolta por dor e sofrimento. Voltaram do cemitério de Barracão o viúvo, o primogênito Dôia, as filhas moças e seus dois meninos: Florinho e Lourival. A ausência da mãe amorosa tornou o lar lúgubre e vazio. Até as pombinhas que habitavam a moradia voaram, para nunca mais voltar... era 1° de outubro de 1922.
Dona Cristina era estimada por todos. Era a mãe dos pobres. Sempre que os mais necessitados a acorriam, ela dizia: “Espere o João ir pra roça, que eu vou lhes ajudar!” e, assim que o marido – muitas vezes demasiadamente zeloso com os bens materiais – saía, ela ia ao paiol e provia de alimentos e roupas andarilhos e miseráveis, que se despediam, a abençoando. Cristina também ajudava suas irmãs, mais pobres, vestindo-as com trajes melhores e mais quentes.
Um ano após a perda da matriarca, os Schmidt viram que cada um deveria procurar dar segmento às suas vidas. As filhas Santília e Santolina (Nini) casaram-se, em dias seguidos. Esta, na sexta-feira, com Algenério Santos(Godo); aquela, no sábado, com Olíbio Leandro Wagner(Lili). Sem as filhas em casa, Conorato procurou a cunhada Clarinda, irmã de Cristina, também viúva, com quem contraiu núpcias. O novo casal deixou a velha morada, e se instalou no Sombrio (centro da vila de Barracão), onde adquiriu uma casa.
Conorato era um pai atencioso e avô amoroso. Sentia prazer em se ver rodeado pelos filhos e netos, com quem fazia inocentes brincadeiras. Certa vez, mesa posta, após a oração, o velho interpelou seu neto primogênito e predileto, Evaldo Franz: “Valdinho, você come carne de galinha morta?”. O menino ficou enojado e pensativo, mas ao deparar-se com a risada gostosa do avô, percebeu que ele estava caçoando.
Criador de gado, Conorato e descendentes encilhavam os cavalos e levavam, pelo Caeté, Santa Bárbara, Pedra Branca, tropas de gado, tocadas. Pousavam no lugar chamado Campo Chato que, pela constante presença do Pioneiro, se tornou um lugar até hoje repleto de histórias.
Na medida em que foi envelhecendo, o velho Schmidt foi ficando com a saúde fragilizada. Como não pode mais trabalhar, calçava os chinelos e ia à vargem (rio acima, no viaduto do Estreito) ver a filha Gidinha trabalhar. Lá, ela colocava um banquinho, donde o pai a podia observar.
Como os filhos de sua segunda esposa eram pobres, Conorato, já idoso, permitia que os enteados – avessos ao labor – levassem de seus paióis carroças cheias de mantimentos: batata, mandioca, milho, charque...
Acamado e débil, Conorato recebeu a visita da filha Santinha, que trouxe seus 7 filhos, numa carroça, para se despedirem. Vendo que uma netinha fitava para uma penca de bananas que havia no aposento, o atencioso avô disse: “Dê banana para a menina!”.
Como era bastante abastado e, na época, não havia bancos nas proximidades, boatos não faltavam de que Conorato estava enterrando sua fortuna. Seus filhos não acreditavam nisso, pois sabiam que o pai guardava seu dinheiro em meias, embaixo do colchão. Mas muitas pessoas discorriam sobre onde e quando o velho depositara seus pertences mais valiosos.
Um menino que morava na direção do Caeté – hoje um senhor quase octogenário – relata que vinha diariamente à aula, no Barracão Velho, e passava na frente da casa do Seu Conorato (onde atualmente é o Supermercado Beppler). Ao alcançar a morada, via o ancião sentado, na área, fitando-lhe seriamente, como que a lhe querer revelar algo. Alguns meses depois, João Conrado falecia... Por três noites seguidas, o rapazinho teve o mesmo sonho: passava em frente à casa do velho que, desta vez, lhe chamava e contava ter enterrado um tesouro próximo a um pinheiro, num morro do Estreito, incumbindo-o de desenterrá-lo.
Esta é apenas uma de dezenas de histórias que por muito tempo povoaram nossa comuna: pessoas que sonhavam com o Pioneiro, outras que sabiam de alguém que encontrara um guardado deixado por ele, ou até mesmo aparições de sua alma no velho barracão dos tropeiros ou no lendário Campo Chato. Muitos, inclusive seus netos, puseram-se a cavoucar em pontos estratégicos, onde imaginavam encontrar as supostas preciosidades.
Na década de 1950 (provavelmente no ano de 1956), o cemitério, que antes se situava ao lado da capela, no Barracão, foi transferido para sua atual localização. Os que tinham parentes no antigo campo santo trataram de desenterrá-los para sepultarem-nos no novo local. Quando souberam que iriam mexer na tumba do velho Schmidt, morto há quase 20 anos, grande foi a sensação, pois havia duas lendas acerca do cadáver: primeiro, a de que seu corpo estivesse incorrupto, pelo fato de ele ter nascido no dia de natal (25/12/1864) e ter adoecido numa 6ª feira santa; depois, pelo comentário de que sua fidelíssima segunda esposa, Clarinda, tivesse depositado o ouro dentro do esquife, sob o corpo – conforme suposta recomendação feita por Conorato assim que percebeu a morte dele se aproximar. Crianças, dentre elas Quirino Iung, foram acompanhar a exumação do corpo, feita pelo coveiro Leriano, e por Florinho, Valdinho e Vava, respectivamente filho, neto e bisneto do falecido. Retiraram a terra até alcançarem o ataúde e, ao abrirem-no, depararam-se com a ossada envolta no belo terno marrom de lã de caxemira, este sim, praticamente intacto. Sob o travesseiro, procuraram, em vão, alguma moeda ou joia. Tratava-se de mais um mito acerca do Pioneiro.
Tendo deixado ou não panelas cheias de ouro escondidas, uma coisa é certa: não há como ignorar aquele que era o dono de praticamente todas as terras que hoje abrigam o centro da cidade e o bairro Estreito. João Conrado Schmidt, agricultor, pecuarista, industrial, hospedeiro de tropeiros, foi figura exemplar e marcante em nossa história.

João Conrado Schmidt
Nasceu provavelmente na Colônia Santa Isabel (hoje próximo a Águas Mornas) em 25/12/1864
Faleceu em Barracão (hoje Alfredo Wagner) em 06/10/1938


Informações transmitidas, ao longo dos anos, por:
Alceste Franz Althoff – in memoriam
Balcino Matias Wagner
Edite Wagner Dorigon
Evaldo Franz – in memoriam
Francisco Valdemar Heiderscheidt (Quixa)
Iracy Wagner Cardoso
Lígia Kalbusch – in memoriam
Nelito João Franz – in memoriam
Olga Franz
Oscar Maria Althoff – in memoriam
Quirino Iung
Zenira Nunes Teixeira Gandin

terça-feira, maio 14, 2013

A VILA (Barra da Jararaca)


Quando estávamos realizando o levantamento histórico da comunidade da Barra da Jararaca – Arnópolis – entrei em contato com a senhora Alciria Helena da Cunha Kirst para colher algumas informações, ela prontamente se dispôs a ajudar e me enviou um material riquíssimo que faz com que possamos ter noção de como era a comunidade da Barra da Jararaca.
Os textos de autoria de Dona Alcíria são ricos em detalhes e fazem você você viajar até a extinta comunidade. 


Passo agora a relatar alguns fatos que tenho gravado em minha memória sobre a nossa saudosa Barra da Jararaca. A estrada que saía de Florianópolis e ia até Rio do Sul cortava a vila ao meio, sendo que havia casas dos dois lados da estrada.
Na Barra (como era chamada a Vila) não havia eletricidade. Somente no casarão da Sociedade Colonizadora Catarinense, que ficava a 200 metros da Vila e também na residência do seu Chico Machado, um comerciante que morava a dois quilômetros distantes da Vila em um local chamado Rio Engano. A maioria dos moradores possuía lampião e lamparina, que funcionavam com querosene, mas as velas ainda eram muito usadas.
Não existia água encanada; a água era retirada de olhos d´águas, nascentes que corriam das montanhas abaixo. Até a água do rio era utilizada na época, pois não existia poluição. A água era armazenada em grandes vasilhames para uso diário. As roupas eram lavadas diretamente no rio; com isso se tornava muito difícil para realizar as tarefas diárias, principalmente no inverno e com os dias chuvosos. Era um vilarejo muito bonito, com suas casas todas construídas em madeira e muitas em estilo colonial. A maioria das residências possuía belos jardins floridos com os mais diversos tipos de flores, sendo os mais usados na região devido ao clima propício: amor-perfeito, cravo, margaridas brancas, camélia e copo de leite, tornando assim nosso vilarejo muito bonito e alegre.
Era comum também cada residência possuir sua horta e seu belo pomar de frutas para o próprio consumo. As frutas mais cultivadas eram: laranja, bergamota, pêra, pêssego, limão, etc.
Na agricultura eram cultivados: a batatinha inglesa, o feijão, o milho, a abóbora e o arroz. O arroz e o milho eram levados ao moinho rural do Sr. Frederico Rolla que ficava no Rio Engano, para que fossem beneficiados. Muitas vezes o pagamento era feito com troca de mercadorias.
Como não havia energia elétrica costumava-se fazer lingüiça e charque quando um animal era abatido; parte do animal era vendida para os vizinhos.
Os meios de transporte da comunidade eram: charretes, carroças, carruagem ou “carro de molas”, carro de boi, cavalos e bicicletas. Com tudo isso, se tornava bem difícil na hora em que surgia uma doença ou um acidente no trabalho ou no lar. Lembro que eu mesma, com meus seis anos, sofri um acidente ao cair do carro de mola e bati a cabeça na roda da carroça que estava parada ao lado. Socorro só tínhamos na localidade de Rio Bonito, distante uns seis quilômetros. Na residência do Sr. Carlos Thisen havia um farmacêutico que atendia a todos os moradores da região. Ainda se fazia o uso dos produtos oferecidos pela natureza. Chás e homeopatias eram fornecidos pelo Sr. Paulo Schlichting que morava no casarão da Sociedade Colonizadora Catarinense. Tínhamos ainda na Vila o Armazém de propriedade do seu Alberto Probst, onde se comprava farinha de trigo, açúcar refinado, sal, querosene para iluminação, alguns tecidos, meias, caramelos, lápis, borracha, um ou outro perfume, ratoeiras, arame farpado, penicos, louças, panelas, talheres, velas, etc.
Havia também o dormitório do seu Benjamin Andersen e um Cemitério que ficava numa elevação ao lado esquerdo no final da Vila, em direção a Alfredo Wagner; barbearia, alfaiataria, um salão para festas, casas de pequeno comércio, e a escola. Esta comunidade era habitada por homens e mulheres trabalhadores, honestos e dignos.  Na época todo negócio era feito verbalmente e o compromisso era cumprido a risca. 

Vamos conhecer mais sobre a comunidade?



Obs: Todas as fotos que aparecem nos textos pertencem ao acervo pessoal da família de Dona Alcíria. 







Sobre a autora


Alciria Helena da Cunha Kirst, nascida em 12/09/1953, na Barra da Jararaca, filha de Guilherme Germano da Cunha (conhecido como o Topógrafo Guilhermino) e de Nelba Schlichting da Cunha que  era costureira e Agente Postal. É a quarta  dos seis filhos do casal, sendo que cinco foram nascidos na Jararaca.
Meus avós paternos foram: Valeriano Ferreira da Cunha (conhecido como seu Candola) e Laura Althoff da Cunha, residiam no Passo da Limeira. Ele de origem portuguesa e ela de origem alemã.
Meus avós maternos foram: Rodolfo Carlos Schlichting (conhecido como Tula).  Era Funcionário Público na área do Ministério da Agricultura – Divisão de Águas.  Mais tarde exerceu a função de Topógrafo. Natália Deucher Schlichting era costureira e Agente Postal. Ambos de origem alemã.
De 1953 a 1962, morei na Jararaca e final de 1962 até 1970 morei em Bom Retiro, cidade que adotei de coração.
Casada com Udo Harry Kirst, tendo três filhas: Débora da Cunha Kirst Meyer, Andréa da Cunha Kirst da Conceição e Daniela da Cunha Kirst Legas, sendo avó de Catarina Kirst Meyer.
Formou-se pela Universidade Federal de Santa Catarina em Estudos Socias no ano de 1976 e em História, em 1980. Hoje, aposentada pela Universidade Federal de Santa Catarina como Técnica em Assuntos Educacionais.

Fauna e Flora


A Fauna e a Flora da Barra da Jararaca e das regiões próximas eram muito ricas, pois  nesta época a poluição e as agressões à Natureza eram bem menores que nos dias atuais.
Da fauna, herdamos nomes indígenas de aves, como o urubu, araponga, uru, tiriva, inhambu, chupim, jacu; mamíferos como o graxaim, gato-do-mato, a irara, tatu, anta, tamanduá, gambá, ouriço-do-mato, lagarto, macacos.
Da flora, inhame, taiá, anticum, peroba, imbuia, jerivá, samambaia, guabiroba, ingá, e muitos outros.
A relação dos antigos moradores da Jararaca com a fauna era, via de regra, muito difícil. Pássaros invadiam roças e causavam muitos estragos, diminuindo em muito a colheita; entre eles, gaviões atacavam os pintos; mamíferos atacavam as galinhas e filhotes de ovelhas; répteis eram predadores de pintos e comiam os ovos antes que fosse feita a colheita diária.
Tínhamos ainda: o Sabiá, Quero-quero, João de Barro, Massanico do Banhado, Papagaios, Periquitos, Araras, Garças, Gralhas Azuis, Jacu e vários outros pássaros que faziam parte do equilíbrio total da Natureza na época.

O rio e as enchentes


O Rio Itajaí do Sul é um dos formadores do Itajaí-Açu, um dos mais importantes rios de Santa Catarina. O rio Lajeado que nasce em Alfredo Wagner é um dos formadores e principal nascente desse rio. O rio Itajaí do Sul recebe as águas do rio Adaga e  Caeté e entre outros menores, incluindo o rio Jararaca. Os vales formados por esses rios são profundos e sujeitos a enchentes vigorosas. Na maior parte do curso, os rios têm acentuado declive e, por isso, suas águas descem com grande velocidade. (Em outros trechos, o declive fica suave e dificulta um escoamento mais rápido.) Em conseqüência, há vários pontos sujeitos a grandes enchentes ao longo do curso do rio.
As enchentes são devastadoras, principalmente para quem morava abaixo da junção dos rios Jararaca e Itajaí do Sul, pois o volume de água e as correntezas ficavam mais fortes e iam destruindo tudo.
A cada enchente, o prejuízo era grande. Plantações eram destruídas, parcial ou totalmente, estradas precisavam de reparos, mantimentos eram levados embora, cercas arrastadas, animais morriam afogadas, galinheiros cheios de galinhas eram carregados também, enfim, as enchentes causavam muita destruição e eram frequentes.
Para tentar prevenir e diminuir as perdas com as enchentes, foi instalada na propriedade de Guilherme e Nelba Cunha uma estação pluviométrica. Havia um pluviômetro, um anemômetro, uma régua de controle de altura das águas do rio e um telefone de manivela, que ligava com Alfredo Wagner e, daí, com Florianópolis. A estação funcionou até o início da década de 1960.
Poucos anos depois, o Estado resolveu construir barragens de contenção nos três principais formadores do Itajaí-Açu (do Sul, d´Oeste e Norte). A intenção foi a de proteger as cidades de Ituporanga, Taió, Ibirama, Blumenau e todas as cidades menores abaixo das barragens. As populações acima das barragens tiveram de mudar-se. Foi assim que desapareceu o distrito de Arnópolis com cerca de uma centena de moradores e outros vilarejos (como: Rio enganos e algumas localidades do município de Ituporanga), alguns moradores ficaram isolados num trecho que abrange alguns quilômetros acima da Barragem Sul.
A demolição das casas, a extinção dos vilarejos, a descaracterização da paisagem, a perda dos contatos, mudança do traçado das estradas, o abandono de lavouras, pomares e todas as benfeitorias fizeram muitos se sentirem como sem pátria.
Assim, belo e preservado era o rio Itajaí do Sul, nas imediações da Barra do Jararaca. Água limpa e cristalina. Havia peixes em abundância. Era próprio para banho. Para atravessar de uma margem para outra, e nos pontos mais fundos, usava-se a canoa. À direita, percebe-se a estrada que levava aos moradores do lado direito do rio. A passagem neste ponto era de carroça e a cavalo. Quando o rio estava baixo, passava-se a pé. As margens do rio eram enfeitadas com grandes salseiros verdes. A natureza era totalmente preservada.


Lazer na comunidade


·         Visitar os vizinhos, ter um saudável bate papo, principalmente aos domingos à tarde;
·         Participar das domingueiras;
·         Participar das festas de igreja;
·         Festas de casamento, batizado e primeira comunhão;
·         Visitar os parentes. (Isto era muito comum na época);
·         Assistir a torneios de futebol e também jogar futebol;
·         Assistir a espetáculo de algum pequeno circo, que raramente passava pela região;
·         Tomar banho nos rios Jararaca e Itajaí do Sul;
·         A pescaria era muito praticada;
·         Andar de canoa pelo rio era pura diversão;
·         Colher frutas silvestres e comê-las embaixo do próprio pé;
·         Nos fins de semana, os homens jogavam canastra e dominó;
·         Aldemis, filho mais velha e Guilherme e Nelba, morava com a avó materna, Natália Schlichting, e seus tios em Florianópolis, e, em uma de suas férias, no ano de 1961, foi para a casa matar as saudades da família. Levou consigo uma (pipa) pandorga que havia aprendido a fazer na escola. Num domingo pela manhã, resolver soltar a pipa. O vento estava propício para levanta-la muito alto e foi o que aconteceu; tanto que as pessoas que vinham da missa realizada no Rio Engano pararam todas para observar o tal objeto que nunca tinham visto. Os moradores da vila ficaram assustados e vieram todos o mais rápido que podiam para ver o estranho objeto que estava no ar. Foi um acontecimento inédito para a comunidade.

Algumas casas


Esta era a residência da família de Guilherme e Nelba Cunha que ficava a um quilômetro de distância da Vila. Nela foi instalada uma estação pluviométrica e também um telefone a manivela. Funcionou até o início da década de 1960.




Residência da família de Rodolfo Carlos Schlichting (Seu Tula) e Natália Deucher Schlichting, onde foi instalada a fábrica de óleo de Sassafrás (produto extraído da madeira). Foi dirigida por Rodolfo Carlos Schlichting até pouco antes de seu falecimento, em 17/01/1957. Logo depois, assumiu a direção da fábrica seu genro, Guilherme Germano da Cunha.

A escola


A escola era chamada: Escola Isolada do Distrito da “Barra da Jararaca”. Situava-se num elevado que tinha um visual muito bonito. Era uma construção bem pequena. Ali estudavam alunos da 1ª a 4ª séries primárias. Todos eram orientados pela professora no mesmo momento. Os bancos eram de madeira maciça com espaço para dois alunos. Por esta escola passaram vários professores, sendo que uma delas se destacou e marcou: Profª. Petrônia Gerber Feslin. Ela era exigente e firme, não deixando passar nada despercebido; qualquer desleixo nas lições ou negligência na disciplina, ela sem hesitar, descia a régua de madeira na palma das mãos ou nas costas dos alunos. D. Petrônia era uma pessoa bonita, loira, de pele muito clara e limpa; vestia-se impecavelmente mas tinha sempre um olhar pesado para os alunos; causava medo.
O método usado para o ensino da Leitura era o da Soletração. Tínhamos ainda como professores:
            Prof. Fioravante Feolin
            Profª. Santulina Rautz Machado
            Profª. Ambiozena de Jesus.

O Casarão


Meus bisavós maternos, Cristiano e Raquel Schlemper Schlichting, residiam a 800 metros da casa de meus avós e de meus pais e a 400 metros do vilarejo cujo nome era bairro do Rio Jararaca. Entre árvores e flores, num belo recanto situava-se majestoso, o lindo casarão. Era um casarão de madeira construído com paredes duplas. Por fora, era de madeira de lei e por dentro era revestido de pinho. Construída em três planos, a parte inferior contava com 10 dependências amplas, bem iluminadas e arejadas. Já a segunda parte, contava com 5 dependências, e a terceira, mais 3 dependências. Essa construção foi executada por um exímio marceneiro de nacionalidade alemã, o senhor Schneider e planejada e dirigida pelo coronel Napoleão Carlos Poeta. O imóvel era uma construção de estilo colonial clássico, gigantesca para a época e levou vários meses para ser construída. Os últimos retoques aconteceram no ano de 1908, no início do século. Por volta do ano de 1921 o casarão foi vendido para o doutor Ernesto Primo, natural de Porto Alegre, um dos diretores proprietários da Sociedade Colonizadora Catarinense, da qual meu bisavô, Cristiano, foi associado. Anexo ao palacete, ficava o escritório da Sociedade. Era uma dependência independente. Esse escritório funcionava pelo trabalho de dois funcionários eficientes e responsáveis: Paulo Schlichting e Antonio Souza. Nos fundos do casarão havia uma piscina com dimensão quadrada, cercada de pedras e com água corrente que vinha da montanha. Naturalmente, era sempre limpa. A água usada em casa era canalizada também da que vinha da montanha. Muito pura e cristalina. Havia também no casarão um banheiro completo, inclusive com banheira, chuveiro, vaso sanitário e lavatório com instalações hidráulicas em perfeito funcionamento. Por volta do ano de 1942 foi adquirido um gerador de energia elétrica para atender as necessidades da casa. A casa também dispunha de telefone como meio de comunicação. Havia também para as necessidades do casarão um marceneiro permanente que cuidava da conservação do prédio e fazia móveis para a reposição. Era ele o senhor Manuel Senhorinha. Duas áreas enfeitavam o casarão; uma em frente, e outra ao lado. A da frente ficava dentro do jardim; era enfeitada por roseiras, trepadeiras cheias de cachos de rosas miúdas cor-de-rosa. Era nesse casarão que se hospedavam os diretores da Sociedade Colonizadora Catarinense quando vinham a serviço porque era precisamente no segundo plano da casa que havia acomodações adequadas para os hóspedes. Eram dormitórios completos. Ao lado direito do escritório da Colonizadora ficava a residência de Paulo Schlichting, funcionário do escritório. Atrás do casarão ficava a grande garagem, onde eram guardados o Trole e o Ford 1928 do senhor Cristiano Schlichting. Quem dirigia esse Ford era o senhor Alberto Schlichting, filho do senhor Cristiano. Esse casarão, pela sua importância, marcou a história da vila daquela época.


Alguns moradores da Barra da Jararaca


Antoninho e Iraci Souza
Filho: Lucio

Enio e Dinorá Freiberger
Filhos: Aldo, Luis Carlos, Solange, Sonia e Cacá

Arcendino e Dilma Schlichting da Silva
Filhos: Isabel, Paulo Cesar e Marineusa

Ivo e Lourdes Schmitz
Filhos: Lourena, Lunalva, Natal, Naudir e Ivo

Manuel (Maneca) e Santulina Reitz Machado
Filhas: Zenaide, Zenir e Zaira

João e Marieta Sehmann
Filha: Arlete

Júlia Inácio dos Santos
Filhos: Pracilino e Terezinha (Nega)

Evaldo e Maria (Maroca) Sá Schneider
Filhos: Wilson, Idalete, Vilma, Leonir e Vanda

Professores Fioravante e Petrônia Gerber Feolin
Filhas: Célia e Neli

Alberto e Hilda Probst
Filhas: Dulcema, Norma, Neide e Lena

Benjamin e Matilde Andersen
Filhos: Julita, Alcebíades (Pide), Adelar, Alda e Anélio

Paulo e Gunilda Schlichting
Filhos: Dilma e Nilton

Duca

Seu João e Dona Dinda
Filhos: Mário e Maria

João Pedro e Dona Maria
Filha: Nina

Rodolfo Carlos (Tula) e Natália Deucher Schlichting
Filhos: Nabor, Nelba, Nelta, Nilva, Nibar, Nelci, Neide, Nedi, Neuri e Nelson

Guilherme Germano e Nelba Schlichting da Cunha
Filhos: Aldemis, Alba, Abel, Alciria e Aron

Alberto e Betilda (Tiloca) Thiesen Schlichting
Filhos: Zelio e Iodégio

Iodégio (Dégio) e Arlete Schlichting
Filhos: Magali, Salete Genoveva, Beatriz, João Alberto, Abelardo, Maiquel e Sandro

João e Nadir Santos
Filhas: Lurdes e Maria

Leopoldo e Maricha Santos

Luis e Osni (Ni) Coelho
Filho: Dorico

Francisco da Silva e Sá e Francisca Correa da Silva
Filhos: Itamar, Diomar e Ana Maria

Nem e Valda Klöpell
Filha: Nega

Família de origem africana que moravam numa pequena vila no Chapadão da Jararaca:

Maria Goulart
Filho: Paulo

Manuel Senhorinha

Antonio, Isaura, Lurdes, Frederico, Cici, Tineca, Zé Frazão e muitos outros.