sábado, setembro 07, 2019

Ontem eu me formei em história!



Quando eu era pequena eu queria ser jornalista ou professora. Se eu fosse professora, queria ser professora de história, para poder falar sobre antigas civilizações, falar sobre as revoluções, sobre os movimentos sociais, sobre como o passado influencia nosso futuro. Mas – sempre tem um mas -, minha mãe era professora e ela não tinha uma vida muito fácil, quase não tinha tempo para ficar com a gente, passava mais tempo com os filhos dos outros do que com os dela, enfim, eu não queria isso para minha vida.

Com 17 anos eu tive que escolher que faculdade cursar. Fiquei entre jornalismo, história e Sistemas de Informação, a timidez e a certeza de que eu não queria ser professora me fizeram escolher a terceira opção.

Depois de formada voltei para a Alfredo e comecei a trabalhar. Onde? Em uma escola. Em uma escola não... na minha escola, o Silva Jardim. Obvio que me apaixonei pela profissão, inclusive, a considero a melhor do mundo! Eu me encontrei como professora, é o que eu amo fazer. Saber que você pode fazer a diferença na vida de alguém, que você pode ser uma referência, um ombro amigo, alguém em que seu aluno pode confiar é uma grande responsabilidade e sem dúvidas algo muito gratificante.

Eu fiz outra faculdade, de Licenciatura em Informática. Todos os meus projetos mesclavam tecnologia e história então, 10 anos depois de eu ter iniciado minha primeira faculdade eu finalmente resolvi que iria cursar história, eu precisava fazer isso, pois era uma de minhas grandes paixões.

Ontem foi o final desse ciclo.

Me graduei em história.

Hoje posso estufar o peito e falar orgulhosa que eu sou uma professora de história.

Eu não estou na foto junto com os outros formandos, não pude ir para a minha formatura, pois estou estudando longe do Brasil, mas eu não poderia deixar de celebrar esse dia. O dia em que eu me tornei mais um pouco do que eu sempre sonhei para a minha vida!

Parabéns para nós, novos professores de história!

domingo, setembro 01, 2019

Um mês longe de casa




Hoje eu completo um mês fora de casa.

Os primeiros sintomas de saudades já começaram a se manifestar e eles aparecem com mais força nos finais de semana. Saudades da comidinha da minha vó, da mãe, dos meus irmãos – insuportáveis -, do meu Biloca, da minha família e dos meus tantos amigos. Me sinto muito privilegiada em ter tanta gente para sentir saudade. Aliás, não escrevi isso antes, mas eu tive aproximadamente 10 festas/encontros de despedidas, algumas delas foram festas surpresas e eu pensei que fosse desidratar de tanto que chorei me despedindo de cada uma dessas pessoas que eu tanto amo.

Eu já me pego cantando “Ninguém compreende a grande dor que sente, um filho ausente a suspirar por ti”, sentindo saudades de Alfredo Wagner. Saudades da minha gente, de dar bom dia pela rua, passar pela Praça da Bandeira, abraçar os conhecidos, ouvir as novidades, conversar sobre banalidades na Rua Anitápolis...

O tempo é muito relativo, 30 dias não é muita coisa, diante de todo o tempo que ainda ficarei aqui, mas olhando para trás, parece que já vivi tanto. É outra vida. Já aprendi muito e já sou alguém em muitos aspectos diferente da pessoa que chegou aqui. Meu aprendizado está indo muito além dos conteúdos acadêmicos ou do próprio idioma, estou aprendendo muito sobre quem sou e sobre quem quero ser no futuro.

Aqui eu descobri que sim, sou mimada... não tenho mais idade para ser, mas definitivamente sou. Descobri também que preciso me ver com os olhos que vejo meus alunos, eu vibro com as pequenas evoluções deles, preciso vibrar mais com as minhas. Descobri que por mais que seja difícil viver longe de tudo o que é cômodo e familiar, eu consigo.

Ainda preciso descobrir algumas coisas, tipo como farei passar um ano comendo ovo e pão ou a entender esse tempo maluco que faz sol e um minuto depois faz chuva, mas para isso ainda tenho tempo.

Nesse um mês aqui, já conheci muitas coisas: castelos, cachoeiras, muitas igrejas, praias e muitos, muitos Pubs - mas como na Irlanda tem aproximadamente 7 mil pubs, ainda temos uma longa estrada pela frente. Já fomos recebidos na sala do reitor e no gabinete do prefeito. Já conhecemos mexicanos, portugueses, italianos, indianos, alemães, poloneses, americanos e muitos irlandeses, que só reforçam a convicção de que esse é mesmo um dos povos mais receptivos, amigáveis e gentis do globo terrestre.

Já formamos uma família aqui dentro, com direito a mãe carinhosa, atenciosa e inteligente, irmãos implicantes, tias loucas, madrinhas relapsas e aquela prima super cool, que aparece de vez em quando, cheia de novidades. Nossa família irlandesa adora passear nos finais de semana e com certeza faz a nossa estadia aqui ficar mais leve e cheia de histórias para contar. 
Temos também muitas histórias de nossas aulas, pois a turma da 6th grade, como todo 6º ano é muito animada e nesse caso especifico, sortuda, pois a professora que nos dá mais aulas é simplesmente, perfeita! A melhor professora que já tive na vida, sem exagero!

Limerick já é a minha cidade e enquanto eu não volto para casa, tratarei de fazer amigos pela O'Connell Ave, de ver o pôr-do-sol refletindo nas águas do Shannon, ficar boquiaberta com a arquitetura de alguns prédios históricos da cidade e não me cansarei de toda vez que eu passar pelo majestoso prédio da Mary Immaculate College, falar: “Gente, eu estudo aqui ó!”, não só pelo prédio ser lindo, mas por tudo o que significa para mim estar aqui, onde a educação está realmente em primeiro lugar.