quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Diário de bordo - Eurotrip - dia 21 - Zaanse Schang



Em nosso último dia em Amsterdam e também na Holanda, resolvemos fazer um programa um pouco diferente. Ir de bicicleta até a cidade vizinha, Zaanse Schans. Este local, pode-se dizer, é uma mistura de fazenda com parque temático e uma ótima pedida para se passar uma tarde. Fica na direção norte de Amsterdam. Lá você vai encontrar várias coisas típicas da Holanda, muitos moinhos para visitar, lojinhas vendendo todo tipo de produtos típicos, restaurantes servindo comida tradicional e muitos tamancos de madeira.
Foi para lá que logo cedo nos dirigimos. O tempo estava ameaçando chuva, então cometi o erro de colocar uma jaqueta de chuva, mas sem outra jaqueta por baixo, o que me fez passar um frio incrível durante todo o trajeto de ida.
Atravessamos de balsa e antes de pegar literalmente a estrada paramos para tirar uma foto no mural com o rosto da Anne Frank, criado pelo brasileiro cobra – gosto muito dos painéis dele, um mês antes tinha visto um na Oscar Freire, também muito bonito.
Pedalar na Holanda é uma maravilha, em um pedal como esse de mais de 50km, a altimetria não passou de 300 metros, enquanto aqui em Alfredo não consigo fazer um pedal de 30km com altimetria menor que mil. Esse é um daqueles passeios ciclísticos contemplativos, onde você nem sente os quilômetros serem alcançados – preciso ressaltar que eu estava praticamente morrendo de hipotermia, então eu tinha momentos de prazer, mas sofria também.

Fomos para Zaanse principalmente pelos moinhos e eles tem uma grande relevância para aquela terra. Os moinhos são uma vista comum em toda a Holanda e tem sido usados desde o século 14 para bombear água das terras abaixo do nível do mar, conquistar mais terreno mar adentro, permitindo aumentar o território da Holanda com a construção de novos diques, mas também para moer trigo, cacau, no preparo da cerâmica e em muitas outras atividades do dia a dia. Já existiram centenas em todo o país, mas infelizmente hoje o seu número é muito menor. Mas não era o caso da pequena cidadezinha, na qual chegamos um pouco depois da hora do almoço. No horizonte se viam inúmeros moinhos, deixando a paisagem encantadora.

A Ana levou sua câmera e o passeio gerou uma centena de belas fotos. O cenário bulcólico, aquele clima de fazenda, pequenos animais, a grama verde e os ângulos escolhidos pela fotógrafa, tudo contribuía para que as fotos ficassem um espetáculo à parte.
Almoçamos uma espécie de panqueca aberta, que dizem ser típica daquela região. Aprovamos.
Depois passeamos pela cidade, que aquele dia estava repleta de turistas japoneses. Valeu muito a pena a visita. Foi legal conhecer esse outro lado da Europa. Em nossa viagem ficamos mais concentrados nos centros urbanos, poder ter esse contato com o lado rural foi muito bacana. Ver como são as fazendas, a vida nesse lado europeu que nem sempre temos oportunidade de conhecer.

A volta para casa de bicicleta foi mais rápida, tínhamos que chegar na estação central, devolver as bikes, Alvarino e Bárbara tinham que pegar um tram, eu e Ana tínhamos que ir até em casa, deixar uma bike para o Gui, que chegaria depois e nos encontraria na Heineken onde o Thiagão – outro dos nossos amigos da faculdade de Sistemas que também está morando na Holanda, já nos esperava. Iriamos fazer o tour, na cervejaria mais popular da Holanda.
Foi uma loucura tentar fazer tudo isso a tempo e de fato não conseguimos. Quando eu e Ana chegamos em casa, fui correndo encontrar um casaco, pois não aguentava mais passar frio e nisso chegou o Gui. Ele não sabia se valeria a pena ainda ir ou não, mas depois resolveu ir. Então seguimos os 3 de bike para a cervejaria.

A visita a Heineken foi incrível. Bem interativa, cheia de atrações e no final, um bar mega animado para tomarmos nossos brindes. O lugar era super alto astral e a gente estava bem animado. Reencontrar o Thiagão e ter parte da nossa turma ali reunida foi massa, deu para relembrar um pouco os velhos tempos da Uniplac.

O bar da Heineken fechou bem cedo, então resolvemos ir para perto da praça Dam onde segundo o Gui e a Ana existia um bar de rock bem maneiro. Fomos para lá a pé, conversando pelas ruas de Amsterdam. O Water Hole é realmente fantástico. No dia em que estávamos lá, tinha uma banda tocando, poucas pessoas vão me entender, mas achei a banda a cara da The Flash, do filme Riki and The Flash, com a Meryl Streep. Apenas isso me bastaria para amar o lugar, mas foi Amsterdam não tinha limites quando o quesito era me seduzir... O local funcionava como uma espécie de Karaokê, apenas com clássicos do Rock tocados pela banda, e todos que subiam para cantar davam show. Ficamos lá as três – Bárbara, Ana e eu – feito as maiores groupies da banda. Foi engraçado. Cantamos e nos divertimos muito naquela noite.

Antes de ir para casa, eu comprei um bolo e eu suspeito que havia maconha dentro dele.
                Na volta para casa ainda andamos os 5 em duas bikes. Bárbara e Alvas em uma, Gui, Ana e eu em outra, morrendo de rir no Voldelpark.
                Chegando em casa ainda precisávamos arrumar nossas malas para no outro dia bem cedo ir para o aeroporto e iniciar nossa saga de volta para casa.
                Ainda hoje, quando penso em minha visita à capital da Holanda, continuo sem conseguir dizer onde reside exatamente o charme ou o encanto principal de Amsterdam, uma cidade que parece ter de tudo um pouco. Talvez a magia resida na capacidade de criar estados de espírito positivos, momentos inesquecíveis e a vontade de voltar. E nesse quesito, Amsterdam sabe, como poucas cidades, criar lembranças e sentimentos que acompanham a gente para sempre.





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