terça-feira, janeiro 16, 2018

Diário de bordo - Eurotrip - Dia 2 - Frankfurt

Finalmente chegamos na Europa, mais especificamente, na Alemanha. Terra que no século XIX meus antecedentes deixaram em busca de melhores condições de vida, se instalando na minha querida Alfredo Wagner e iniciando a nossa família.
                Eu sempre sonhei em um dia estar nesse país, conhecer melhor as tradições que tanto já estudei, ver com meus próprios olhos coisas sobre a imigração, marcas da guerra, conhecer a cultura que tanto influenciou a cultura da minha gente. A visita a Frankfurt seria rápida, mas tinha um ar de portão de entrada ao velho mundo.

                Estávamos meio perdidos a princípio, mas tínhamos lido um artigo falando o que fazer em conexões longas na cidade. Seguimos o tal artigo, para sair do aeroporto e ele realmente funcionou. Compramos tickets e em pouco tempo estávamos no centro da cidade.
                Da um medinho quando a gente se dá conta de que todo mundo fala alemão – e o seu alemão se baseia apenas em palavrões e nomes de comidas - para mim foi impossível não associar a “falação” com o Caeté ou com o bar do Miro – alfredenses entenderão. No nosso olhar dava para ver o pânico quando todos as orientações vinham na língua do Hitler.

                Foi aí que sofremos nossa primeira baixa. Eu sempre viajo com uma mala grande e uma mochila, mas dessa vez resolvi trocar a mochila por uma mala de mão, que logo nessa primeira etapa quebrou. Eu tinha colocado bastante peso nela, para não deixar minha bagagem muito pesada, ou seja, fiquei andando pelas ruas de Frankfurt como uma burra de carga.
                Não sabíamos muito sobre a cidade, exceto que lá tinha nascido Anne Frank e que ficava a cerca de 100km de Heidelberg, cidade natal de nossa querida Eva Schneider. Em poucas horas a gente não pode conhecer muito, mas o que vimos, nos encantou. Fomos para o Hauptwache, que é o coração da cidade. Passeamos pela Zeil que é a principal rua de comércio. Andamos e vimos algumas construções que já nos impressionavam, afinal, aquilo era tudo o que conhecíamos da Europa.

                Logo saindo da estação paramos na Gutenberg-Denkmal ou Gutenburg memorial que é uma escultura muito bonita. Ele está no meio de uma pequena praça rodeada por arranha-céus e faz referência a Gutenberg. Gutenberg foi o inventor da prensa tipográfica e tem seu trabalho ligado a cidade de Frankfut, bom, a invenção da prensa tem uma grande relevância para o desenvolvimento de toda a sociedade moderna, então tive um carinho especial pela tal estatua.  

                Almoçamos em um restaurante, aparentemente árabe, de comida alemã. Preços normais, comunicação de baixa para mínima, mas conseguimos pegar a informação de para qual lado ficava a praça que queríamos visitar. Pelo caminho tiramos algumas fotos, incluindo aquela com o símbolo do Euro, a icônica escultura do Euro situada em frente ao antigo prédio do Banco Central Europeu (BCE), que tem 14 metros de altura e pesa 50 toneladas. Ela representa a moeda, usada hoje por 19 países europeus.
Dali seguimos para a Romerberg.

A Praça Romerberg, fica no Altstadt – que é como se chama os centros antigos, as cidades velhas na Alemanha -, é a parte mais antiga da cidade e dizem que era o maior e mais bonito centro histórico de toda a Alemanha, antes de ser quase totalmente destruído durante a 2ª Guerra. A Altstadt contém muitos dos mais importantes pontos turísticos de Frankfurt, como a famosa Rathaus e muitos outros edifícios, na maioria reconstruções. A praça é caracterizada pela arquitetura germânica e data o século XII.

O Rathaus – o complexo de casas medievais é o local de trabalho oficial do prefeito da cidade, em toda cidade alemã tem o Rathaus, que é a prefeitura. No hall dos imperadores (kaisersall) eram onde os grandes banquetes eram realizados. No centro da praça fica a Gerechtigkeitsbrunnen – sim, baita palavrão cheio de consoantes -, a fonte da justiça, construída em 1543. No lado oposto a prefeitura está o Ostzeile, o casario de madeira, originalmente construído durante os séculos XIV e XV, que foi reconstruído após a 2ª guerra.
Lá fizemos nossos primeiros amigos da viagem – que até agora não sabemos se eram um casal ou mãe e filho – e também tomamos a primeira cerveja da Eurotrip – a primeira de muitas, vocês vão ver.

Saindo de lá fomos até a catedral da cidade e depois até a Eiserne steg - ponte de ferro -, uma ponte para pedestres, construída em 1869, presente do governo grego. A visita valeu muito a pena e proporcionou várias fotos legais. Nosso tempo era curto e não queríamos arriscar perder nosso avião para Londres, então depois da ponte seguimos para a estação de trem e depois nos dirigimos novamente para o aeroporto.


                Na fila para o check-in recebemos a notícia terrível, que nos abalaria durante boa parte da viagem. O sobrinho do Alvarino, que havia sofrido o acidente de moto no dia anterior, teve morte cerebral. Eu não sabia o que dizer, qual conselho dar a ele. A volta para o Brasil, acabou se tornando inviável, por vários fatores, entre eles indisponibilidade de passagens que tivessem um tempo viável e os valores das passagens disponível para o retorno ao Brasil, que eram absurdos. Decidimos continuar, mas antes disso choramos durante muito tempo em uma das salas de espera do aeroporto de Frankfurt.

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2 comentários:

  1. Que triste a história da morte do sobrinho. Que legal os detalhes da viagem.

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  2. Linda viagem, belas fotos, gorros fundamentais. Frio aí?

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