quarta-feira, janeiro 31, 2018

Parte Catarinense do Caminho de Compostela


Mais do que uma viagem, um projeto de vida. Assim o definem o que significou para muitos peregrinos percorrer o Caminho de Santiago, rota de peregrinação com mais de doze séculos que chega até a cidade de Santiago de Compostela, na Espanha, e é considerado Patrimônio da Humanidade.
Mas você se engana se pensa que o caminho pode ser percorrido apenas na Europa.
A Associação Catarinense dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, em parceria com a Prefeitura Municipal de Florianópolis inauguraram em junho de 2017, o "Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela".
As repórteres Manuella Mariani e Luiza Morfim aceitaram o desafio e caminharam por 21km. Veja no quadro "Vem com o TJ". 


Diário de bordo - Eurotrip - Dia 12 - Paris - Deixando Paris

                Acordamos mega atrasados e eu ainda precisava arrumar minha mala. Alvarino correu na esquina para comprar uma mala nova, pois a dele desde que perdeu a rodinha havia se tornado um transtorno.
                Arrumamos o apartamento, tudo com muita rapidez, mesmo assim atrasamos mais de uma hora. Deixamos o lixo todo dentro de sacos, a mala velha do Alvarino e um pedido gentil para que nossa anfitriã colocasse no lixo – depois pelo comentário que ela fez no AirBnb descobrimos que ela ficou muito puta conosco por causa disso. Pena que não podíamos mudar nossa avaliação, que gentilmente não citava o fato de em nenhum dia ter água quente para todos tomarem banho.

                Seguimos de metro até o hotel de Eberth, deixamos as malas e de Uber – com o dele, pois os nossos ainda apareciam com dívida ativa – e fomos até o Louvre.
                O museu é gigantesco. Merece o posto de maior do mundo.
Inaugurado a finais do século XVIII, o Museu do Louvre é o museu mais importante da França e um dos mais visitados do mundo. Atualmente recebe mais de oito milhões de visitantes a cada ano.

Formado a partir das coleções da monarquia francesa e das espoliações realizadas durante o Império Napoleônico, o Museu do Louvre abriu as suas portas em 1793 mostrando um novo modelo de museu, que passava das mãos das classes dirigentes ao desfrute do público geral.
O Museu do Louvre está instalado no Palácio do Louvre, uma fortaleza do século XII que foi ampliada e reformada em diversas ocasiões. Antes de que se tornasse um museu, alguns monarcas como Carlos V e Felipe II utilizaram o palácio como residência real onde acumulavam suas coleções artísticas.
                Depois da transferência da residência real ao Palácio de Versalhes, o impressionante edifício de 160.000 metros quadrados deu início ao seu processo de transformação em museu.

A coleção do Louvre compreende cerca de 300.000 obras anteriores a 1948, das quais são expostas aproximadamente 35.000.
A imensa coleção está organizada de forma temática em diferentes áreas: antiguidades orientais, antiguidades egípcias, antiguidades gregas, romanas e etruscas, história do Louvre e o Louvre medieval, pintura, escultura, objetos de arte, artes gráficas e arte do Islã.
                Entre as pinturas mais importantes do museu vale a pena destacar as seguintes:

- Monalisa de Leonardo da Vinci.
- A Liberdade Guiando o Povo de Delacroix.
- As Bodas de Caná de Veronese.
Entre as esculturas, as obras mais destacadas são:
- Vênus de Milo da Antiga Grécia.
- O escriba sentado do Antigo Egito.
- Vitória de Samotrácia do período Helenístico da Antiga Grécia.

O Louvre é enorme e os amantes da arte podem passar vários dias passeando por ele. Para ter uma ideia geral e ver as obras mais destacadas, é necessário dedicar pelo menos uma manhã completa para percorrer o museu.
                Não tínhamos a manhã inteira, pois por conta do nosso atraso já estávamos quase na metade da tarde e precisávamos desesperadamente ir até o Campo de Marte e ver a Torre com a luz do dia.
                Então nossa meta dentro do Louvre era encontrar a Monalisa, mas na saga de procura por ela, conseguimos ver muitas coisas. Coisas impressionantes que certamente ficaram para sempre em minha memória.

                Conseguimos tirar nossa foto com a Gioconda e digo, ela é maior do que eu pensei que seria. Sempre escutamos todo mundo dizendo que o quadro é minúsculo, então fui para lá quase pensando encontrar uma foto 10x15, logo, não a achei tão pequena.
                Saindo de lá, seguimos de ônibus para Torre. Ao descer do ônibus pegamos uma grande chuva com vento – não sabíamos, mas era a tempestade Eleanor. Nos molhamos completamente e nossas fotos ficaram ridículas, sorte que quando já estávamos nos arrumando para ir embora, com os pés dentro de grandes lamaçais, o céu começou a abrir e a paisagem ficou fantástica. Conseguimos nossas belas fotos com a torre. 
Tínhamos que correr para a rodoviária, mas antes ainda tínhamos que passar no hotel e pegar nossas malas. Ainda bem que podíamos contar com o Uber do Eberth, que dessa vez ainda viria em grande estilo, com uma BMW top. Deu até vergonha de entrar nela com os pés cobertos de lama.    
                Do hotel para a rodoviária, onde o Alvas ainda tentou encontrar alguns souvenires de Paris, mas não achou nada que valesse a pena. Ainda bem que retornou trazendo dois sanduiches do Subway, que bocada em bocada dividimos os 3, muito felizes, pois não havíamos comido nada o dia inteiro. Engraçado, lembro dessa cena com muito carinho, pois via uma moça nos olhando e ela tava achando aquilo tudo um máximo.

                Pegamos um engarrafamento gigantesco na saída de Paris e aproveitamos para dormir.

                Paris não foi minha cidade favorita, tampouco é fácil gostar da soberba dos parisienses, mas por causa da relevância histórica, da beleza de suas construções, a Torre e o Louvre, não tem como não ficar encantada pela cidade. A cidade luz talvez reserve outras facetas para quem tem mais dinheiro e mais tempo na cidade, porém, mesmo assim eu a amei e também quero um bis. 

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terça-feira, janeiro 30, 2018

Diário de bordo - Eurotrip - Dia 11 - Paris - Basílica de Sacré Cœur E Île de La Cité


Saímos de casa com as malas de Gui e Ana que voltariam para Amsterdam sem ter como voltar para casa nos dirigimos para a basílica de Sacré Cœur. Uma linda igreja de Paris que fica no alto de uma colina. Sim, subir todas as escadarias com as malas não foi a parte mais legal do passeio, mas ao chegar lá em cima a vista compensou. 
Na subida ainda nos livramos dos golpistas das pulseirinhas. 
A Basílica de Sacré Cœur, ou do Sagrado Coração, está localizada no alto do bairro de Monte Martre, o ponto mais alto da cidade. A ideia de construí-la surgiu após uma guerra em 1870. A igreja ficou pronta apenas em 1914.
É de suas escadas que se tem uma das vistas mais incríveis de Paris. Só por isso já valeria a pena, mas a arquitetura da igreja também é bastante bonita. Da vontade de sentar em suas escadas e ficar vendo os artistas, o movimento de pessoas, as mais variadas línguas que lá são faladas e tudo isso tendo Paris como cenário, vista bem do alto.
O bairro Monte Martre é repleto de lojinhas de souvenires, e ficamos algum tempo por lá, entrando e saindo de lojas. Lá procurei meu chapéu – sempre que me imaginava em fotos com a torre ao fundo, me via com chapéu, então, eu precisava de um – mas não o encontrei.
Saindo de lá, fomos até a Galeria Lafaiete – meu coração estava em pedacinhos, o sol brilhando lá fora e eu lá, dentro de uma loja onde eu não tinha dinheiro para comprar nada hahaha. Saindo da galeria fomos comer em um restaurante bom e barato, que serviu uma massa em quantidade generosíssima e suculenta. O nosso sonho era que o menu do dia anterior também tivesse vindo naquela quantidade. Lá eu saciei minha vontade de me esbaldar tomando coca em um almoço. Ganhei várias latas pela metade de meus amigos – eu sei, deveria ter vergonha de escrever isso. Lá Eberth se juntou ao grupo, ele estava chegando de Londres.
Nosso próximo destino seria, A Île de la Cité. Que como o próprio nome já diz, é uma de duas ilhas no rio Sena - a outra é a Île Saint-Louis - é o centro da capital francesa e foi onde a cidade medieval de Paris foi fundada. Quando estivemos lá, a gente não tinha noção que o lugar tinha tanta importância e nem que aquele era o local mencionado na série Vikings – se você assiste, deve saber do que eu estou falando. Nosso objetivo lá era ver a Catedral de Notre-Dame. 
Uma das mais famosas igrejas em Paris está localizada na Praça Parvis. A catedral de Notre-Dame começou a ser construída em 1163 e faz parte da história da França, tendo sido cenário de momentos importantes, como a coroação de Napoleão e a Revolução Francesa, além do clássico livro e filme “O Corcunda de Notre-Dame”. Quem nunca se comoveu vendo o Quasímodo? Nossa, passei horas da minha infância assistindo esse filme, sei todas as músicas e ainda lembro de muitas falas. Pode parecer bobo, mas para mim estar lá foi mais uma daquelas experiências surreais, e olha que eu nem sabia da total importância  do local. 
Óbvio que eu tinha que tirar uma foto, me fazendo de a corcunda de Notre-Dame. A ideia não foi original, confesso que copiei de uma amiga, a Paula, que já havia sendo clicada também daquela maneira, mas foi divertido e marcou minha estada lá. 
Saindo da igreja nossa intenção era ir até os Jardins de Luxemburgo, mas antes passamos em uma loja de Comics, onde ficamos um certo tempo e chegamos ao jardim, perto da hora de fechar – 17:00h –  nem nos deixaram entrar. O jeito foi achar um lugar para nos esquentarmos e tomarmos o último chopp de Gui e Ana na França. Os dois seguiram para casa e nós para a casa do PSG.
O Paris Saint-Germain é inseparável de seu lendário estádio, o Parc des Princes, onde está escrita a história dos Rouge et Bleu. O estádio que agora é casa do Neymar. Valeu a visita. 
Fomos para casa e Eberth nos acompanhou. Fomos até a Pizzaria do dia em que chegamos, compramos pizzas, levamos para casa, juntamente com algumas garrafas de Leff, nossa cerveja preferida de toda a viagem. Obs: a de rolha, pois a outra para mim não tem o mesmo sabor.
No outro dia deixaríamos Paris e como tínhamos mais malas do que Gui e Ana seria inviável permanecermos com as malas, então Eberth disse que poderíamos deixar as malas lá antes de irmos ao Louvre – dessa vez para entrar. 
Ficamos acordados até muito tarde e quando finalmente consegui dormir, comecei a sentir uma cólica horrível. Ano passado descobri que tinha endometriose, então fiz um tratamento e acreditei que estava curada, mas pelo que pude perceber não estou. Quase morri de dor e tudo o que eu queria era minha mãe para me dar um remédio. Pois, não levei remédio, já que não tinha mais o problema e nem chance de ter cólicas durante a viagem. Enfim, vomitei de dor e tive que ir até o quarto de Alvarino e Bárbara, praticamente rastejando pedir por remédio.
Me deram um para dor no rim, de intensidade média. Mas a dor não passou e eu vomitei novamente. É uma dor muito horrível, daquelas que vai te dando um desespero, eu não sabia mais o que fazer. Alvarino tem pedras no rim, então tinha mais um remédio, segundo ele muito forte, que ele toma quando tem alguma crise. Tomei.
Ele demorou para fazer efeito, mas quando fez dormi. O problema é que o efeito dele se estendeu por muito tempo ainda, durante o dia seguinte. Resumindo... fiquei muito chapada, mas a dor passou. 

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domingo, janeiro 28, 2018

Diário de bordo - Eurotrip - Dia 10 - Paris - Tirando a má impressão de Paris


Paris estava disposta a nos sacanear, mas eu estava disposta a dar um desconto e permitir que a cidade conquistasse o meu coração. Mas a capital francesa estava tão inóspita quanto seus habitantes e amanheceu chuvosa.

                A garoa fina, se transformou em uma chuvinha bem “molhadeira” quando chegamos ao Louvre. Não iriamos entrar aquele dia, apenas conhecer o espaço e tirar algumas fotos. Tivemos que comprar uns guarda chuvas, caros, mas assim que compramos a chuva cessou. Ok, pelos menos parou de chover.
                Tiramos fotos clássicas em frente as pirâmides do Louvre. A Pirâmide do Louvre é construída em vidro e metal, rodeada por três pirâmides menores, no pátio principal do Palácio do Louvre. A Grande Pirâmide serve de entrada principal do Museu. Concluída em 1989, tornou-se um ponto de referência para a cidade de Paris.

A estrutura, que foi construído inteiramente com segmentos de vidro, atinge uma altura de 20,6 m, a sua base quadrada tem cerca de 35 m de lado. No filme The Da Vinci Code, em 2006, do livro best-seller de Dan Brown, a Pirâmide aparece, nas cenas do início e no fim do filme, cenas essas protagonizadas pelo personagem, o Professor Robert Langdon, interpretado pelo ator estadunidense, Tom Hanks. Acredito que muita gente conheceu a Pirâmide, por intermédio desse filme.

Em seguida, fomos andando até o Arco do Triunfo do Carrossel, o Arco foi construído na era napoleônica, em 1809, celebrando a vitória dos exércitos franceses na Batalha de Austerlitz.
Saindo dali fomos para os Jardins das Tuileiries. Em 1564 começaram as obras de construção do Palácio de Tuileries, o qual, sob as caprichosas ordens de Catarina de Médici, iria acompanhado por belos e extensos jardins. Os jardins se tornaram um lugar de celebração de festas luxuosas nas quais os convidados desfrutavam entre espaços verdes, fontes e esculturas. Naquela época, os jardins estavam rodeados por altos muros que protegiam a privacidade da alta sociedade.
Atualmente, os jardins deixaram de ser o lugar que no passado era frequentado pelas classes altas que queriam ver e ser vistas, e passaram a ser um agradável passeio rodeado de jardins de caráter público onde centenas de parisienses e turistas podem fazer uma pausa da vida movimentada da cidade.

É um verdadeiro prazer desfrutar do passeio pelos Jardins de Tuileries percorrendo a avenida central repleta de árvores e esculturas, enquanto os típicos edifícios parisienses com telhados cinzas que a rodeiam nos lembram que estamos no centro de Paris.
Ao contrário da visita a outros jardins da cidade, que pode ser opcional, o Jardim de Tuileries é uma visita obrigatória graças à sua excelente localização no coração da cidade, unindo dois pontos tão importantes como o Museu do Louvre e a Praça Concorde.

                De lá seguimos para a Praça da Concorde. Tiramos belas fotos com o “Palito de Dente” de fundo, no caso a Torre Eiffel, que daquele ponto parecia pequenina.

                Saindo dali seguimos pela Champs-Élysées. Dizem que é a avenida mais charmosa do mundo. Eu não discordo, mas naquele momento a única coisa que eu queria era para em qualquer restaurante e comer algo. E foi por causa dessa vontade incontrolável, que abatia todos os membros do nosso grupo, que resolvemos esquecer o espirito econômico e almoçar em um restaurante por ali mesmo. Não sabíamos, mas ao decidir isso estávamos prestes a comer uma das melhores comidas de toda a viagem, na verdade, a melhor.
                O restaurante escolhido foi o Le Madrigal, lugar aconchegante, apesar de ter uma aparência de boate de streap tease, mas com os atendentes super simpáticos. Os preços eram dignos do local, mas valeu a pena cada centavo. Eu comi um salmão com purê de batatas, mas provei o ravióli das meninas e estava igualmente delicioso. Típica culinária francesa, pequenas porções, para te deixar com vontade de comer mais e mais.

                Saindo dali fomos em direção ao Arco do Triunfo – real/oficial – aquele que aparece nas imagens quando se fala da capital francesa e onde o pessoal se reuniu para comemorar o título da copa de 1998, aquela em que o Ronaldo botou tudo a perder. Enfim, o Arco do Triunfo é um dos símbolos mais famosos de Paris e representa as vitórias do exército francês sob as ordens de Napoleão, que ordenou sua construção. O arco foi testemunha de inumeráveis momentos históricos, entre os quais poderíamos destacar: a passagem dos restos mortais de Napoleão em 15 de dezembro de 1840 e os desfiles militares das duas guerras mundiais, em 1919 e 1944.

                Nos quatro pilares do arco estão gravados os nomes das batalhas vencidas pelos exércitos napoleônicos e os de 558 generais franceses, alguns dos quais morreram em combate e seus nomes estão grifados.
                A garoa fina fazia a sensação de frio aumentar, então resolvemos para e tomar uma xícara de café – não, não foi na casa de Dona Florinda. “l'addition s'il vous plait”!

                De lá seguimos para o local onde pegaríamos o barco para o cruzeiro pelo Rio Sena, no caminho paramos para algumas fotos no carrossel, depois nos dirigimos para a margem errada do rio, mas em pouco tempo encontramos nosso caminho, encontramos Eberth e entramos no barco.
                Realizamos o passeio pela empresa Bateaux-Mouches e ele superou totalmente nossas expectativas. A gente já esperava encontrar lindas paisagens, uma vista noturna da cidade que todos dizem ser arrebatadora, mas não esperamos encontrar tanta história. O rio Sena se tornou uma grande avenida, por onde passávamos e através dos microfones, em vários idiomas ouvíamos a história da cidade, seus edifícios, pontes, praças, tudo foi revelado a nós. Foi incrível poder passar por baixo das pontes, ver as construções feitas as margens do rio e imaginar como aquela cidade fantástica era a séculos atrás. Recomendo fortemente a atração.

                Na ida para casa, baixou o Tatau na gente, e começamos a cantar os maiores hits do Araketu dentro do metrô. É claro que a gente cantava em um volume bem mais baixo do que os caras com o rosto dos 40 ladrões do Aladim, mas a cantoria não agradou nada ao Gui, que visivelmente estava morrendo de vergonha de seus amigos.
                Em casa tomamos o champanhe e os vinhos que estavam reservados para a noite anterior mais não foram consumidos. Tomamos também as cervejas. Foi uma noite alegre, onde cantamos, dançamos, assistimos muitos vídeos engraçados e fomos dormir odiando um pouco menos Paris.

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sábado, janeiro 27, 2018

Diário de bordo - Eurotrip - Dia 9 - Paris - Comemorando o ano novo em Paris


A chegada em Paris não poderia ser pior. A rodoviária era imunda, fedia muito a xixi, não existiam bancos para que a gente ficasse sentados, já que eram 5:30 da manhã e o nosso apartamento só ficaria disponível à partir das 11:30. Como não tínhamos para onde ir com as malas resolvemos que ficaríamos por ali até perto da hora de nos dirigirmos para casa. Foram horas horríveis. Sentamos no chão e para nos protegermos do frio pegamos casacos de dentro das malas para nos taparmos. Fizemos uma barricada de malas e amontoados dormimos por alguns minutos. 
Existiam muitas pombas por lá, que nos acordavam. Para finalizar resolvi pôr o meu diário de bordo em dia, mais ou menos no momento que um cara pediu para ficarmos de olho na mala dele. Sim, caímos nessa.... Perigo de ter drogas lá dentro e a polícia nos prender, achando que era nossa, mas isso não aconteceu. Foi nessa rodoviária que tivemos uma boa surpresa, pois foi ali que recebemos a notícia de que nossas multas das bicicletas seriam estornadas do cartão. Estávamos 164 libras menos pobres! Eu e Bárbara estávamos dormindo, quando Alvas gritou “Não vão nos cobrar as bicicletas”, eu meio dormindo pensei: “O que esse guri quer com mais bicicletas”, mas logo entendi que era a notícia que tanto aguardávamos. Foi lindo. 
                Quando deu a hora pegamos um táxi até nosso apartamento – taxista muito grosseiro, dissemos obrigada e ele virou as costas e saiu. Encontramos uma pracinha super acolhedora e um lugar onde vendia pizza e outros lanches. Comemos lá, apesar de não conseguir entender direito os sabores das pizzas. Depois ainda ganhamos um chazinho árabe, já que o dono do estabelecimento era mulçumano.

                Foi quando comecei a falar tudo em: “Bla blo bli bluuu”, ridículo, mas eu achava muito engraçado, esse meu fake francês.
                Uma amiga da anfitriã nos apresentou o flat e ele parecia bem bom, amplo e limpo e com camas que pareciam maravilhosas. Decidimos que íamos dormir um pouquinho até Gui e Ana chegarem. Deitei em uns 2 minutos estava em um sono profundo. Mais dois minutos e eles mandaram uma mensagem avisando que haviam chegado.

                O Gui e a Ana são nossos amigos de longa data, desde o tempo da faculdade. Gui estudava comigo e com o Alvarino e agora está morando em Amsterdam – pois alguém tinha que se dar bem na vida. Aproveitando a proximidade chamamos eles para passarem o ano novo com a gente em Paris. Eles foram.

                Era dia 31 de dezembro e logo precisamos nos arrumar para ir até a Torre, local que ansiávamos conhecer e o escolhido para a chegada de 2018. Antes fomos até o mercado comprar alguns mantimentos e bebidas, para nossa estadia na capital francesa. O Gui como um agora “praticamente” europeu, escolheu as melhores cervejas para que provássemos, levamos também vinho e champenhes e ele pagou a conta, já que ganha em euros. Hahaha
                Tomamos banho – alguns com água quente, não todos – e fomos rumo a torre. Ao sair da estação, o maps do Alvarino nos mandou para a direita, fomos, olhávamos para o céu em busca da torre, mas nem sinal dela. Resolvemos ir para o lado oposto e quando nos deparamos com aquele enorme monumento, foi um momento que será inesquecível.
                A torre é absolutamente linda, imponente, soberana, elegante... poderia ficar aqui mais algum tempo enumerando adjetivos e nem assim conseguiria demonstrar o quanto a torre me impressionou naquele momento.

                Ficamos ali no Trocadero – onde Hitler tem uma foto, observando suas tropas -, tiramos muitas fotos, algumas delas bem “blogueirinhas” e todas elas lindas, pois a luminosidade da torre dava um toque especial nas fotos. Descemos para tirar mais fotos. Comemos um daqueles tradicionais creps, cheios de nutella – deliciosos – e voltamos para o Trocadero. Como o tempo parecia estar parado, faltavam mais de duas horas para a meia noite. Encontramos um barzinho para esperar dar a hora, tomamos uns chopps, fomos ao banheiro e mais perto do momento da virada, voltamos para junto da torre.
                A meia noite a torre piscou – como faz a cada hora – e, FIM. Nenhum foguetinho, nada. A gente deveria ter ido ver o filme do Pelé. Foi muito decepcionante. Dizem que os fogos foram cancelados por ameaçada de atentado terrorista, enfim, o jeito foi voltar para casa. Mas quem disse que seria fácil.

                Era 00:03 quando todo mundo resolvemos que iria voltar para casa, de metrô. Fomos na estação de qual saímos e estava fechada. A próxima também. Na rua um tumulto generalizado, gente chutando carros, se empurrando, polícia passando com sirenes ligadas, ambulâncias, policiais, cavalos, cachorros, uma loucura. E nós ali no meio, sem saber direito o que estava acontecendo.
                Não comentamos na hora, mas enquanto esperávamos, cada um discretamente procurou nos sites de notícias, sobre atentados que poderiam ter acontecido em Paris naquele momento. Existia essa tensão no ar, mas graças a Deus, não aconteceu nada disso. Era apenas aquele tumulto básico, semelhante ao que passei no Rio na virada de 2012.

                Quando finalmente conseguimos entrar no metrô, mais de uma hora e meia depois, ainda levei um mega esporro de uma mulher que trabalhava lá. Eu não entendi o que ela falou, ela achou que eu estava reclamando e falou algo que também não entendemos, aos berros, quase me batendo, ao que respondi “I don't understand you”, e quase chorei.
                Dentro do metrô ficamos no mesmo vagão que uma turma estranha, com cara dos 40 ladrões do filme do Aladin. Que estavam bebendo, dançando e derrubando cerveja. Tentaram mexer comigo, mas não dei muita trela. Porém estava com medo de estourar uma briga e eu ficar no meio dela. Quando trocamos de metrô tínhamos como companheiro de viagem um mendigo, deitado nos bancos, que também concorria pelo recorde de dias sem banho e carniça.

                Foi uma odisseia chegar em casa. Erramos a estação e também descobrimos de uma forma bem peculiar porque as ruas de Paris têm aquele cheiro de xixi.  Chegamos era quase 3 horas, não queríamos saber de nada mais, além de nossas camas.
                Nosso 2018 começou muito tumultuado.


quinta-feira, janeiro 25, 2018

Diário de bordo - Eurotrip - Dia 8 - Londres - Felicidade é inconcebível sem um bode violinista


Se você ficou confuso por causa da frase do título, ainda não deve ter assistido o filme “Um lugar chamado Notting Hill”. O filme  britânico de 1999 conta a história de Will que é dono de uma livraria especializada em guias de viagem, e recebe a inesperada visita de uma cliente muito especial, a estrela de cinema estadunidense Anna Scott. Dois ou três encontros mais tarde, Will e Anna iniciam um relacionamento terno, engraçado e cheio de idas e vindas. O filme é um dos meus favoritos na vida, não tinha como eu ir em Londres e não aproveitar para conhecer o local que aparece em muitas das cenas, Notting Hill.

Fomos em um sábado e nesse dia acontecia a Portobello Market, uma das feiras de rua mais famosas do mundo. Ao longo da rua, encontram-se brechós, restaurantes, barraquinhas de bugigangas, lojas de antiguidades e milhares de turistas. Fomos seguindo o fluxo e admirando a arquitetura do bairro. Passando pela frente da “Notting Hill Book Travel”, que no filme era a livraria do Will e também indo até a famosa porta de casa azul, onde Anna Scott dá aquele primeiro beijo em Will. Sim, tirei muitas fotos e andei pela rua cantando mentalmente “She” e muito, mais muito a “How Can You mend A Broken Heart”, aquela música que toca enquanto Will passa pela feira e o tempo vai passando.

Outro fato peculiar... quando a gente assiste ao filme não acha que existem mesmo pessoas tão bizarras quando o Spike e a própria Honey, mas lá, bem na esquina da casa do Will, vi um cara que dava de 10 a zero no Spike no quesito bizarrice e fiquei com aquela porcaria de música ridícula na cabeça: “Im rich and famous”.
Lá mesmo comemos um hambúrguer italiano delicioso e nós entregamos mais uma vez as compras. A verdade é que queríamos comprar um chapéu tipo o do Joye, bem turista, mas não conseguimos, então para não sair de mãos abanando compramos uns moletons escrito London e saímos os 3, como se estivéssemos com uniforme de excursão. Sim, era essa a intenção, escrever em nossa cara que éramos turistas. London, Baby!

Foi lá que vi uma daquelas plaquinhas dizendo quem morava na casa, que já comentei em outro relato do diário de bordo... De quem? De quem? George Orwell, um escritor genial. Fiquei lá, querendo ser contaminada pela criatividade dele.

                Saindo dali fomos até a primax e no caminho tiramos nossa foto com as famosas cabines telefônicas de Londres, pois gostamos também de fotos clichês.
                Não tínhamos muito tempo, eu até queria ir ao Big Ben, para vê-lo pela última vez antes de deixar a capital britânica, mas fiquei com medo de me atrasar, me perder, ou acontecer alguma coisa e eu acabar perdendo o ônibus para Paris. Então após as compras, passamos em um mercado, compramos algo para comer – para variar o meu estava cheio de pimenta – e saímos com nossas 300 malas, pelas ruas de Londres.

                No caminho, passamos pelo meio de uma briga, entre um mendigo e um outro cara. Uma das minhas malas trancou em um buraco e quase entrei no meio do fueiro. Alvarino gritava “saia dai” e eu tentando sair, mas não conseguindo. Nesse trajeto desenfreado a sola da minha bota descolou. Hilário eu tentando arrastar as malas, fugir dos drogados, tudo isso com a sola da bota pendurada.

A viagem de Londres para Paris, de ônibus foi bem tranquila. Tirando a parte de que do meu lado sentou um garoto que provavelmente estava lutando para conquistar o recorde mundial de dias sem tomar banho. Sério, ele fedia muito. Sovaco, chulé e outros cheiros horríveis. Ele vinha lendo com muito afinco, um livro grossão. Banho é mesmo uma questão cultural por lá.
                A catinga era tanta que eu não conseguia dormir e com isso acabei dando um baita susto na Bárbara – sem querer – quando ela foi ao banheiro. Riu muito até hoje, quando ela bradou dentro do ônibus, no bom e velho português alajeanado “Huuuuuuuuuuuuu guria do diabo” huauha.

                Antes de pegarmos a balsa para atravessarmos o canal da mancha, passamos pela imigração. O sotaque do motorista – diga-se de passagem, muito, mas muito grosseiro – era imenso, ele falava francês e o inglês dele continuava parecendo a língua de Napoleão, gente não conseguiu entender, mas ele disse algo como: “Fiquem atentos para ver se as malas de vocês são escolhidas para a revista”. Eu percebi que todo mundo estava olhando pela janela então também fui olhar, e lá vi minha mala, selecionada. Pensando que o sotaque de todos poderia ser parecido com o motorista eu chamei a Bárbara e o Alvarino para irem comigo, mas, ao chegarmos lá, as três malas selecionadas eram as nossas. Deu um friozinho na barriga - mais pelo medo de mexerem em minhas roupas sujas do que, de encontrarem algo ilegal – mas deu tudo certo. Alvarino foi mais revistado, pois a máquina apitou quando ele passou por ela com uma chave no bolso. Fomos liberados.

                Já na balsa cruzamos o canal da mancha. A balsa era bem legal, com sala de jogos, cassino, bar entre outras coisas que não vimos, pois, inicialmente caminhar com a balsa em movimento não se mostrou algo fácil. Tínhamos algumas libras ainda e resolvemos comprar um chopp, mas, mais uma vez o inglês com sotaque francês nos pregou uma peça e acabamos voltando para a nossa mesa com uma cerveja preta. Riamos, putos com nós mesmos. Ora, cerveja preta? Cerveja preta é bom para dar leite, não para gastar nossas últimas librinhas.

                A cidade do lado francês onde a balsa para é Pas-de-Calais. Quem gosta das histórias da Segunda Guerra, deve lembrar que a cidade de Pas-de-Calais e o papel que ela teve para o “golpe” dado nos nazis. Para confundir os alemães, criaram a Operação Fortitude, que consistia num falso desembarque em Pas-de-Calais, "comandado" pelo general Patton, foram criados barcos e tanques falsos de madeira, plástico ou lona a leste da Inglaterra para confundir aviões espiões alemães. Idosos reservistas ficavam o dia inteiro enviando mensagens falsas via rádio entre si. Hitler estava muito confiante de que o desembarque seria em Pas-de-Calais, por causa de seu espião Garbo que lhe forneceu informações falsas, já que era um agente duplo a serviço da Inglaterra. Rommel, renomado general alemão, acreditava que o desembarque seria na Normandia, mas como recebeu ordens de Hitler, não pode desobedecer, e teve que ir para Pas-de-Calais. Graças à Operação Fortitude, duas semanas após o desembarque, os alemães ainda esperavam o desembarque em Pas-de-Calais. Ou seja, os nazistas foram feitos de bobo e perderam a guerra. Beijos.

                Deixei Londres com a sensação de que vi pouca coisa, e de fato faltou muito para vermos. No início estávamos muito cansados e abalados, isso somado ao fuso, as poucas horas de sol disponíveis durante os dias e nossos erros de principiante na Europa, fizeram com que a gente perdesse algum tempo e a oportunidade de conhecer mais coisas. Fica para a próxima.
                Já sonho como minha próxima visita a Londres. A cidade conquistou nosso coração. É linda, organizada e cheia de cultura. Meu coração se enche de amor ao lembrar alguns momentos do que vivemos lá. Já sinto muita saudade.

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