sexta-feira, abril 06, 2018

23 horas em Paris



Uma conexão longa em Paris.
Paris, que não foi minha cidade mais amada da Eurotrip.
Paris, de gente grosseira, sem vontade nenhuma de ajudar.
Paris com sujeira e cheiro de xixi.

Seria minha primeira vez sozinha na Europa e é óbvio que eu estava morrendo de medo. Eu queria sair do aeroporto e ver um pouco mais da cidade que, apesar de sua gente mal-educada e seu cheiro, é maravilhosa e tem uma história incrível que é claro que chamou minha atenção. Mas eu teria coragem de sair do Charles de Gaulle sozinha e dar uma volta pelos boulevards de Paris? Era uma pergunta que eu me fazia durante a viagem.

Chegando lá eu ainda não havia decidido, mas logo no ônibus, saindo do avião até o aeroporto, eu conheci Fernanda e Fabrini, brasileiras que também estavam por lá. Não conheciam a Torre e queriam vê-la de perto. Fabrini me acompanharia, ela é de Tijucas, aqui pertinho de Alfredo e, além disso, depois descobrimos que viemos na mesma fileira de bancos, junto com o fedido – um homem muito fedorento que fez eu vir a viagem toda com a cara virada para o corredor para tentar fugir da carniça dele – e o morto da fome – que veio comendo uma pizza (sério!), uma pizza grande, com a caixa e tudo. Bem porcalhão, limpando os dedos na tampa da caixa. Sim, eu me admiraria se meus colegas de banco fossem normais, pois esse tipo de coisa sempre acontece comigo.

Chegando em Paris, era a hora da verdade. Eu conseguiria me comunicar com os franceses?
Para minha surpresa consegui e de quebra ainda tirei a má impressão da capital francesa. Em dois meses será que eles ficaram mais educados?
É claro que essa é uma pergunta que não pode ser respondida, mas as pessoas que encontrei pelo caminho foram gentis e me ajudaram quando preciso.

Sair do aeroporto foi fácil - quando aprendemos a falar ERE B – mas, um pouco inseguras, entramos no metro e seguimos até o Trocadero. Eu me senti muito adulta conseguindo chegar até lá.
Ver a torre novamente foi impressionante. Eu lembrava da reação que tive ao contemplá-la, então prestei atenção em Fabbrini e foi muito legal ver a reação dela ao colocar os olhos na torre pela primeira vez. Realmente impressionante, eu deveria ter filmado.
Meus amigos que me desculpem, mas Paris, mesmo com todos os seus defeitos, não é uma cidade que pode ser ignorada. A atmosfera, o estado de espírito, tudo contribui para que qualquer tempo na cidade se torne uma experiência única. Passeamos pelo trocadero e pelo Campo de Marte, o clima estava agradável, não tinha como não desfrutar do passeio. Paris é elegante, imponente e apaixonante. A má impressão se foi – nossa, ando muito fácil.
Agora sim, vi a torre – que faz aniversário junto comigo e Eva Schneider – por todos os ângulos possíveis e posso afirmar que ela exerce um enorme fascínio sobre mim.
Ela é o símbolo maior de Paris que se transformou no símbolo da França inteira, onipresente na paisagem parisiense, a Torre Eiffel foi repudiada pelos parisienses, desde a sua construção até meados do século XX. Considerada como um objeto estranho que esmagava os outros monumentos pela sua altura e corpulência metálica, ela só escapou da destruição porque foi defendida pelos militares e cientistas. Ela serviu às primeiras experiências do telégrafo sem fio, foi posto de observação militar durante a 1° Guerra Mundial, captava as mensagens e vigiava os aviões durante manobras militares, resistiu à Hitler - falando em Hitler, você já deve ter visto uma foto dele no Trocadero, ostentando a dominação da cidade -  e participou das festas da libertação de Paris da ocupação alemã se transformando temporariamente em bordel militar para os soldados americanos. A torre é muito mais do que um belo monumento, ela é também testemunha da recente história de Paris.
Na volta, uma parada para admirar o rio mais charmoso do mundo. O Sena é um dos grandes protagonistas de Paris! Aliás, sabia que Paris só existe por causa do rio?! Ok, vou contar a história! Uma tribo celta que se chamava Parisi estava navegando pelo rio e encontraram uma ilha. Lá eles se instalaram e fundaram a cidade chamada Lutécia. Daí vieram os romanos, conquistaram a ilha e começou a expansão de Paris, que é assim chamada por causa da tribo! A ilha é hoje onde fica a catedral de Notre Dame.

Voltamos para o aero sem maiores problemas. Passei umas 15 horas por lá, em companhia de Fabrini e depois com Ana Terra e Bolivar – estava lendo O tempo e o vento. Meu voo era apenas as 7 da manhã do outro dia e confesso que tive uma noite bastante desagradável no aeroporto. Não teve nada daquilo de ir para o bar do aeroporto e um gato se oferecer para pagar um drink enquanto vocês riem e conversam sobre aventuras ao redor do mundo. O negócio foi dormir meio escondidinha, no chão frio e sujo do aero, enquanto mais gente tentava fazer o mesmo. Graças a Deus, os raios de sol chegaram e eu finalmente embarquei para Roma.
Voltar a Paris em menos de 3 meses nem nos meus sonhos mais delirantes parecia real. Mas aconteceu, 23 horas serviram para eu deixar os ressentimentos para lá, ver a cidade com outros olhos e declarar meu amor por aquela torre.



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