quarta-feira, agosto 09, 2017

Tudo sobra a Ilha de Anhatomirim - localização, história, o que visitar, curiosidades e lenda


A ilha de Anhatomirim

A ilha de Anhatomirim ("pequena ilha do diabo" em língua tupi), está situada na baía norte da ilha de Santa Catarina, atual município de Governador Celso Ramos, no litoral do estado de Santa Catarina, no Brasil.
Nesta ilha rochosa foi construída, no século XVIII uma das mais imponentes fortalezas do sul do Brasil: a de Santa Cruz de Anhatomirim, que, restaurada, constitui-se hoje uma das mais expressivas atrações turísticas de Florianópolis.
A fauna marinha é rica, com ouriços, estrelas-do-mar e peixes variados. Uma das grandes atrações são os muitos golfinhos que nadam em suas águas. Três pequenas praias arenosas completam o seu litoral. Seu relevo é bastante modesto: a altitude máxima é de 31 metros acima do nível do mar e a vertente norte apresenta o mais forte declive. Entre a ilha e o continente a profundidade é inferior a 5 metros, sendo intenso o processo de sedimentação.
A Ilha de Anhatomirim está contida na Área de Proteção Ambiental (APA), e a exploração de seus recursos naturais é severamente limitada pelas leis municipais.


Turismo

A Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, é um monumento tombado como patrimônio histórico e artístico nacional, desde 1938. Foi restaurada na década de 1980, passando a sediar estações de aquicultura e oceanografia, exposições de artesanato e de arqueologia, ligados à Universidade Federal de Santa Catarina, e, nos últimos anos, tem sido incorporada a campanhas educativas e turísticas, visando a divulgação do aspecto histórico e cultural das construções militares do litoral sul brasileiro. Atualmente a expressiva visitação à Ilha, especialmente por meio de escunas, alcança a cifra de 123 mil pessoas por ano.

Localização:

A Fortaleza está localizada na Ilha de Anhatomirim, na entrada da Baía Norte, Município de Governador Celso Ramos, Santa Catarina. Pode-se chegar a esta Fortaleza através dos serviços de escunas que fazem passeios marítimos na região, partindo de diferentes pontos do centro de Florianópolis: próximo à Ponte Hercílio Luz, Trapiche da Beira Mar Norte e da Praia de Canasvieiras. Ainda é possível chegar ao local saindo da
BR-101, no km 185, Tijuquinhas, junto à ponte sobre o rio Camarão, e percorrendo cerca de 8 Km até a Praia do Antenor, onde há sempre algum barqueiro disponível para a travessia de aproximadamente 600 m até a Ilha de Anhatomirim.

História
Historicamente a ilha de Santa Catarina foi um dos primeiros locais do litoral sul do brasil a sofrer o processo de ocupação pelos europeus. A partir do século XVII passou a existir uma preocupação da Coroa Portuguesa que lhe atribuía grande importância estratégica, uma vez que Desterro (primitivo nome de Florianópolis) constituía-se num importante ponto de apoio no trânsito para a Região do Rio da Prata.
Projetada e construída pelo brigadeiro José da Silva Pais, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina (1739 — 1745), a Fortaleza de Anhatomirim foi o vértice inicial do triângulo defensivo da barra da baía norte da ilha, integrado pela Fortaleza de São José da Ponta Grossa e pela Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, iniciadas em 1740. Esse sistema defensivo foi completado pela Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, na barra da baía sul, iniciada em 1742. Juntas, tinham a função de proteger a ilha de Santa Catarina, consolidando a ocupação do sul do Brasil, e atuando como base estratégica para a manutenção do domínio português sobre a Colônia do Sacramento.
Sua construção teve início em 1739 e foi concluída cinco anos mais tarde. Sua arquitetura tem traços de influência renascentista. Fica em uma ilha com espessas muralhas e seus edifícios se distribuem de maneira esparsa em diferentes níveis. A maioria dos materiais utilizados na sua construção é da própria região com exceção feita aos elementos de cantaria e ao “lioz” – espécie de mármore português existente nas soleiras das portas, escadarias e algumas bases dos canhões.
A ilha de Anhatomirim era particularmente interessante pelo fato de possuir ancoradouro seguro para uma esquadra de navios de guerra, e o porto que a protege permite a entrada de navios com 300 toneladas.
A ilha de Anhatomirim e sua fortificação foi conquistada e ocupada durante a invasão espanhola da ilha de Santa Catarina, no início de 1777. A região somente voltou ao domínio português com o Tratado de Santo Ildefonso, em Outubro do mesmo ano.
Historicamente, a Fortaleza de Santa Cruz não foi utilizada do ponto de vista bélico nem mesmo durante a invasão espanhola de 1777. Após este episódio, o sistema entrou em descrédito e passou a ser progressivamente abandonada. Em 1884, durante a Revolução Federalista, serviu de prisão e base de fuzilamentos de revoltosos contra o governo de Floriano Peixoto. No ano de 1907 passou a pertencer ao Ministério da Marinha, voltou a ser utilizada como prisão em 1932 no desfecho da Revolução Constitucionalista. Funcionou como base até o final da Segunda Guerra Mundial quando apareceram novas tecnologias bélicas, tornando-a obsoleta como unidade militar. Foi desativada, mas a Marinha manteve vigilância até a década de 1960 e a partir desta data foi abandonada e depredada.
Em 1979, a Universidade Federal de Santa Catarina fez um convênio com o Ministério da Marinha e assumiu a guarda e tutela da Fortificação de Santa Cruz e começou o processo para restauração das ruínas históricas. Em 1984, foi possível a sua reabertura para visitação pública, mas somente em 1991 o “Projeto Fortalezas” conseguiu concretizar a restauração  completa da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim.
Caminhar pelos gramados que circundam a ilha , observar os detalhes das construções , saborear pratos típicos no restaurante é sem dúvida uma ótima opção de turismo, e que ainda possibilita um contato com a nossa história.
O canal entre Anhatomirim e o continente, chamado Baía dos Golfinhos, é o lar permanente de um grupo de 120 golfinhos-cinza que podem ser observados do barco, mas recomenda-se manter distância para não importuná-los, evitando assim , que migrem para outro local mais tranqüilo.

Entre os edifícios mais significativos da fortaleza destacamos:


Portada – de influência oriental, cujo acesso se dá através de uma escada de lioz
Casa do Comandante – é do tipo câmara e cadeia, uma espécie de sobrado bastante comum nas casas da administração do Brasil Colônia. Esta casa foi a primeira sede do Governo de Santa Catarina, onde residiu Silva Paes.
Quartel da Tropa – uma construção de grande destaque que representa o auge da imponência das obras de Silva Paes. O estilo clássico, determinado por contornos retos, telhas coloniais e doze arcadas térreas apresentam tal apuro de proporções e detalhes, que raramente deixava de ser mencionada por viajantes europeus em seus diários.

O lado obscuro da fortaleza


Olhada com certo tabu pelos habitantes mais velhos de Florianópolis e região , por sua história sempre relacionada com a invasão espanhola em 1777, na qual não teve a menor utilidade defensiva, mesmo porque não houve resistência em nenhuma parte.
Todo o sistema de defesa montado para defender a Baía Norte não passou de um grande fracasso, um erro estratégico imperdoável. A distância entre os fortes era de 6 Km, enquanto o canhão de maior calibre tinha um alcance máximo de 2 Km. Em 1777, uma esquadra espanhola, adentrou o canal com 20 vasos de guerra, 97 navios mercantes, 674 canhões, 12 mil homens e mantimentos para 6 meses de cerco. Ocuparam a ilha e só foram embora no ano seguinte, após a assinatura do tratado de Santo Idelfonso, no qual Portugal sedeu a província de Sacramento (atual Uruguai) em troca de outras terras, entre elas a Ilha.
Mas o episódio que mais contribuiu para essa lembrança triste que se tem da ilha é o fato de ter servido como presídio político em 1894 , durante o governo republicano de Floriano Peixoto . Para lá foram mandados 185 cidadãos da vila do Desterro, como era chamada Florianópolis. Esses homens favoráveis à criação de uma federação dos estados brasileiros, foram fuzilados sem nenhuma chance de defesa judicial. Durante a revolução constitucionalista em 1930 , governo de Getúlio Vargas, a fortaleza voltou a servir como presídio político.

Curiosidades e lenda


·         Nenhum tiro foi disparado de qualquer um dos canhões da ilha
·         A árvore dos enforcados faz parte do Folclore da Ilha de Anhatomirim. A árvore é um araçazeiro, que segundo a lenda teria sido o local do enforcamento e fuzilamento de dezenas de prisioneiros no final da Revolução Federalista, em 1894, quando Anhatomirim transformou-se num verdadeiro presídio.
·         Muito embora existam dúvidas, o tema estimula o imaginário dos visitantes, bem como o dos guias da Fortaleza, com histórias sobre fantasmas e outras supertições.
·         Lenda do túnel – conta-se a lenda que quem passa pelo túnel da ilha muda de sexo.



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