quarta-feira, novembro 30, 2016

Resultado


Resultado da votação popular:

Eva Schneider em: A inesperada enchente = 125
Eva Schneider em: As cavernas = 9
Eva Schneider em: A armadilha da floresta = 190 
Eva Schneider em: O Mistério do Nego San = 9
Eva Schneider em: A cachoeira perdida = 18
Eva Schneider em: O imprevisto do Navio = 6
Eva Schneider em: A casa assombrada = 0
Eva Schneider em: A grande saudade = 78

Vale lembrar que o resultado da votação popular vale 50 pontos para o 1º colocado, os outros pontos virão do voto direto dos professores envolvidos no projeto e também de avaliadores convidados, que irão analisar a criatividade e a pertinência dentro do contexto dos outros contos de Eva Schneider. 


terça-feira, novembro 29, 2016

Teste seus conhecimentos


segunda-feira, novembro 28, 2016

Eva Schneider em: Lembranças de uma tarde chuvosa


Fazia mais de uma semana que não parava de chover. Chovendo, todos ficavam a maioria do tempo dentro de casa. Tia Matilda estava ensinando Eva e Ceci a bordar, mas Eva não levava muito jeito com as agulhas. Tio Albert e Sabú estavam construindo uma carrocinha de madeira, para o menino brincar. Eva resolveu ir para o seu quarto, pegou seu livro em branco com a capa marrom e começou a escrever.

“Hoje faz um ano que cheguei ao Brasil.
Eu saí de casa em uma manhã chuvosa, chuvosa como essa que estou revivendo hoje. Meu pai havia acabado de ser enterrado. No enterro estavam apenas alguns amigos mais íntimos, Senhor Leopold, que era nosso vizinho e o comandante Hans Voss, que era o responsável por me trazer em segurança até o Brasil. Eu não consegui chorar.
Eu mal conhecia o Comandante Hans, mas meu pai me disse que eram amigos de longa data, o comandante tinha lhe acompanhado em várias viagens ao redor do mundo e com ele eu estaria em boas mãos. Meu pai tinha enviado uma carta a meus tios no Brasil, dizendo que estava doente e para irem se preparando pois se acontecesse o pior eu iria morar com eles, na carta meu pai também falava sobre finanças, que não me deixaria desamparada, estava abrindo uma poupança em meu nome com uma quantia significativa que eu só poderia sacar quando fosse maior de idade e o restante mandaria junto comigo, para minhas eventuais despesas. Ele dizia na carta que eu estaria bem amparada, embora desde que eu cheguei aqui nunca tenham mexido em meu dinheiro, meu tio colocou no banco e disse que por enquanto não precisamos dele.
Acompanhei o Comandante até a cidade de Hamburgo, onde pegamos um Navio chamado Cap. Norte até o Brasil. Ao sair de Heidelberg olhei para a cidade com água nos olhos, eu não sei se um dia voltarei a colocar meus pés novamente naquele chão.
O navio fez várias paradas: em Vigo na Espanha, Lisboa em Portugal, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, onde eu desci, mas até chegar lá foram sete semanas no mar, passando por todo tipo de coisas. Eu fiquei acomodada em um camarote ao lado do camarote do capitão. Embarcamos nesse veleiro por ele ser o primeiro a sair após a morte de meu pai, ele não era dos melhores, mas comandante Hans tinha pressa de vir, muitos outros imigrantes fizeram a viagem comigo.
Tive muita sorte, meu barco não demorou tanto, tinha gente que demorava de três a quatro meses para cruzar o grande oceano. A mortalidade à bordo era enorme, Tia Matilda e Tio Alberto contam que na viagem que trouxe eles para o Brasil cerca de 10% dos imigrantes morreram. Era tudo muito triste! Eles eram jogados ao mar sem nem ao menos a benção de um padre. As razões para as mortes eram inúmeras mas entre elas estavam principalmente o alto número de passageiros e também as condições de higiene, que eram péssimas, as pessoas não tinham onde fazer suas necessidades, o fedor era imenso, bem como a propagação de algumas doenças. Eu não viajei em condições assim, mas bem sei que os imigrantes não tinham todas as regalias que eu tive.
A princípio fiquei trancada no meu quarto, com as poucas coisas que trouxe comigo, algumas roupas, o chapéu de papai e seus inúmeros livros. Eu não conseguia entender como minha vida tinha mudado tanto em apenas alguns meses. Um dia eu estava feliz, fazendo experiências nas aulas de química na escola, no outro eu estava em alto mar, indo para uma terra onde muitos livros diziam que ainda existiam homens selvagens e animais que comiam pessoas.
Meu enjoo demorou uns três dias para passar, mas teve gente que adoeceu por não conseguir comer de tão nauseada que estava.
Como de costume o tédio foi me vencendo e resolvi andar pelo navio. O comandante Hans Voss era digno, mas não era homem de muitas palavras. Resolvi descer para o convés que estava atulhado de gente. Haviam famílias inteiras a bordo, crianças recém-nascidas, velhinhos já à beira da morte. Fiquei muito impressionada quando vi o corpo de um homem que morreu sendo jogado ao mar, ele tinha quatro filhos pequenos e sua mulher chorava enquanto dizia sem parar “como vou começar a vida em um lugar estranho sem meu Jacob?”. Achei aquilo muito triste.
O navio era enorme e quase não balançava, exceto uma vez onde a noite praticamente virou dia por causa dos muitos relâmpagos e não demorou muito para o mar enfurecer e tentar engolir nossa embarcação. O Comandante mandou eu ir para meu camarote, mas as ondas batiam com tanta violência na janela que fiquei com medo dela quebrar, desci para junto dos outros imigrantes. Alguns rezavam, as crianças berravam em um desespero sem fim, a tripulação estava em polvorosa. Eu não sabia bem o que fazer, me sentei ao lado de uma senhora e ela vendo minha aflição me deu a mão. Foi um gesto simples, mas me confortou, fiquei ali, sentada naquele beliche ao lado dela, ambas se equilibrando, esperando a tempestade passar e, ela passou. Assim que o navio parou de pinotear debaixo de meus pés eu corri novamente para o meu camarote.
No dia seguinte os boatos eram muitos, falaram que um dos marinheiros caiu no mar, tragado por uma onda e que a violência delas tinha quebrado um dos mastros.
Antes do almoço o Comandante veio falar comigo e disse que não gostou de eu ter descido para junto dos outros imigrantes, disse que lá era perigoso e que eu poderia ficar doente. Fiquei mais de uma semana sem descer, mas eu enlouqueceria se ficasse presa naquele quarto, então acabei descendo novamente.
Parecia que a comida e a água tinham começado a ser racionadas, porque durante a tempestade alguns mantimentos se molharam e a água salgada se misturou à água potável. Estávamos enfrentando problemas! A partir desse dia passei a dividir minhas refeições com aquela senhora que me deu a mão durante a tempestade e ela por sua vez, dividia sua porção com um netinho, que parecia estar fraco, pois aparentemente não conseguia se alimentar, vomitava o tempo inteiro. A nossa comida era diferente, era comida, diferente daquilo que era servido para o restante das pessoas.
Comecei a perceber que quando chovia todos armazenavam o máximo de água que podiam, pois em muitos dias passavam sede. A comida servida a eles era horrível: água com café –aquilo mais parecia uma água suja – batatas apodrecidas, um pouco de carne salgada, pão velho... era servido no almoço, uma espécie de sopa com minúsculos pedacinhos de carne ou cabeça de peixe salgada. Isso foi servido todos os dias, durante toda a viagem, eles não aguentavam mais.
Um dia aconteceu um motim, os homens se reuniram em frente à porta do capitão e exigiram comida. As pessoas estavam morrendo de fome, os doentes não conseguiam se recuperar pois estavam muito fracos. O capitão prometeu uma solução, ele disse que no dia seguinte aportaríamos.
Assim que chegamos a um lugar chamado Pernambuco os mantimentos e água foram reabastecidos e parecia que todos chegariam sãos e salvos, porém o calor que fazia por essas bandas acabou deixando muita gente doente, além de uma epidemia de desinteira que começou depois que alguns marinheiros subiram para seguir conosco até o último destino. Tivemos mais algumas mortes, entre elas o netinho de dona Heidi, a amiga com quem dividia as refeições. Mais uma vez demos as mãos e em silêncio consolamos uma a outra, eu a consolava por sua perda e ela mesmo sem saber me consolava pela minha vida que parecia estar fadada ao sofrimento.
Foi então que em um amanhecer eu vi uma das coisas mais lindas que meus olhos já avistaram. Era uma praia com uma pedra muito grande ao fundo, muitos pássaros coloridos voando, um céu azul sem igual; me falaram que eu tinha chegado ao Rio de Janeiro.
A descida foi tumultuada, lamento até hoje por não ter encontrado Dona Heidi, nem sei onde ela foi parar.
Eu fiquei três dias no Rio de Janeiro e aquele local me pareceu incrível, diferente de tudo o que eu tinha visto até então, aquela natureza exuberante, montanhas com formatos diferentes e praias, nas quais o comandante não me deixou ficar por muito tempo, pois ele disse que eu poderia queimar minha pele.
O comandante Hans tinha um veleiro e foi com ele que viemos até Santa Catarina. Era um veleiro pequeno e seguimos apenas em 6 pessoas: O comandante, o capitão, três tripulantes e eu. Aparentemente o comandante Hans perdeu a língua depois que chegamos ao seu veleiro, ele passou a maior parte do tempo dentro da cabine do capitão e eu em meu camarote, lendo e esperando o tempo passar. Parecia que eu tinha passado anos presa naquele veleiro, mas na verdade a viagem durou apenas 6 dias. Logo chegamos ao porto de Santa Catarina.
Eu imaginava tio Albert diferente e não posso negar que me espantei quando vi ele, trajado como um simples camponês. Vi ele de longe, enrolando seus bigodes e quando ele nos avistou veio meio sem jeito ao nosso encontro. Eu estava com vergonha, pensei que poderia estar sendo um peso para eles. Oras, de uma hora para outra eles foram obrigados a criar uma criança.
Me despedi do senhor comandante e pegamos uma estrada até o Barracão. Foram mais 4 dias de viagem. Nunca tinha visto uma estrada como aquela na Europa. A carroça atolava sempre e quando descíamos nos atolávamos a cada passo com barro até os joelhos. Em alguns trechos o mato invadia a estrada e chegava a rasgar a roupa.
Na primeira noite não consegui dormir, nos atrasamos e não conseguimos chegar a uma hospedaria ou rancho de tropeiros antes do anoitecer, então tivemos que improvisar um acampamento junto a carroça. Os barulhos vindos da escuridão me matavam de medo, mas decidi que dali para a frente eu não queria mais sentir aquilo, que ia enfrentar meus anseios e encarar tudo o que a vida me reservasse.
Eu não sabia para onde estava indo e à medida que avançávamos parecia que estávamos indo cada vez mais para o meio da selva.
Quando finalmente chegamos ao Barracão a primeira pessoa que conheci foi o frei. Eu estava exausta, imunda e faminta. Ele me serviu um almoço, ofereceu a casa para um banho e enquanto meu tio arrumava uma das rodas da carroça, que tinha estragado alguns kms antes de chegarmos ficamos conversando; foi a primeira vez que alguém parecia realmente se importar comigo. Tio Albert se importava, eu sei, mas também não era um homem de muitas palavras, assim como o comandante.
Quando cheguei em casa e vi tia Matilda pela primeira vez, foi como se já nos conhecêssemos há anos. Ela abriu os braços e disse:
- Minha filha, eu estava te esperando!
Foi espontâneo, eu a abracei e chorei. Chorei pela morte do meu pai, pela travessia sem fim do oceano, pela fome dos outros imigrantes, pelas mortes no navio, por meus medos, pelo cansaço e pela incerteza, porém em um só abraço voltei a ter chão para meus pés, vi que não estava sozinha no mundo e que aquela seria a mãe que um dia perdi.
Depois lembrei de algumas coisas que o Frei me disse:
- Minha filha, eu sei que vir parar aqui pode te parecer um castigo, sua vida mudou drasticamente em pouco tempo, mas em tudo na vida precisamos procurar um lado bom. Essa é uma cidade abençoada, de gente boa, trabalhadora, com uma natureza farta. Certamente essa terra, assim como a família de seu tio te acolherão como uma filha e neste solo você vai encontrar a força e a sabedoria para se tornar uma grande mulher.
De alguma maneira as palavras do Frei tocaram-me profundamente. Demorou algum tempo para eu reconhecer tudo isso como minha nova vida, mas reconheci.
Aprendi a viver desse jeito simples e a ter uma família numerosa. Aprendi que tudo na vida merece um segundo olhar e que às vezes Deus realmente escreve certo por linhas tortas. Morro de saudade do meu pai, mas hoje imagino como minha vida ainda seria triste se eu nunca tivesse me mudado para o Barracão.
Em tardes chuvosas ainda lembro de tudo isso com tristeza, mas na grande maioria do tempo eu tenho a felicidade como grande companheira. ”

Já tinha anoitecido e tia Matilda bateu a porta para chamar Eva para o jantar.









quinta-feira, novembro 24, 2016

Participe da votação!



O projeto “As aventuras de Eva Schneider” vem sendo desenvolvido com os alunos do 2º, 3º, 4º e 5º ano dos anos iniciais e tem como intuito ensinar a história de nossa cidade e alguns conceitos de informática de uma maneira diferente, usando a literatura e uma heroína que vive em Alfredo Wagner, Eva Schneider.
Os alunos do 4º e 5º ano foram convidados a escreverem contos e participarem como coautores de algumas histórias postadas no blog, sendo assim contamos com sua cooperação para escolher a aventura vencedora.
O vencedor receberá um prêmio simbólico e terá seu conto adaptado para participar da coletânea oficial “As aventuras de Eva Schneider”.

Regras:
Cada professor ou segundo professor envolvido no projeto tem um voto equivalente a 10 pontos.
Cada avaliador convidado – pessoas que acompanham a criação da coletânea “As aventuras de Eva Schneider” e já leram todos os contos produzidos – tem um voto equivalente a 10 pontos.
O conto vencedor da enquete de votação popular, realizada aqui no blog recebe 50 pontos.

Obs: O link para votação está no final da página, para ler os contos basta clicar nas imagens.
A votação vai até o dia 30/11.











Vote aqui!




Finalista - Eva Schneider em: A inesperada enchente


Numa manhã fria de inverno Eva acordou e ouviu uma conversa que vinha da cozinha, era Tia Matilde conversando com Ceci e Sabú. Ela contava que havia nevado na Serra do Campo dos Padres. Eva ficou surpresa, pois falaram que era raro nevar no Barracão. Tomaram café e foram lá ver a neve. Sabú nunca tinha visto a neve e Ceci já viu, mas não conseguiu aproveitar. Os dois ficaram encantados, porém desta vez Tia Matilde mandou eles irem bem agasalhados. Eles brincaram muito de jogar bolas de neve um no outro, depois voltaram para casa, tomaram um banho quente e foram dormir.
Nesta noite, choveu muito que derreteu a neve, quando eles acordaram, Tio Albert gritou apavorado:
- O rio está transbordando! Eu vou avisar as outras pessoas!
- Crianças, ajudem a arrumar as coisas para a água não levar! - Diz Tia Matilde.
- Ceci você pega as roupas e coloque-as em cima do armário e Sabú pegue as panelas de barro e coloque-as na prateleira, enquanto eu vou amarrar nossos bancos e camas no pé da mesa. -Diz Eva.
-Está bem Eva! - Falaram Ceci e Sabú
Ao terminar de arrumar tudo, Tio Albert chegou apavorado e disse:
- A água está perto da estradinha, vamos ajudar os vizinhos e rápido!
Eles foram de carroção até a casa do Seu Evaldo, que tinha uma venda no sombrio. Era uma venda que vendia de tudo, como alimentos, tecidos, sapatos e armas. Eva começou a ajudar recolhendo alguns livros e documentos colocando-os em cima das prateleiras da loja, mas um caiu em sua cabeça, e ela muito curiosa abriu e viu que era uma bíblia escrita em Alemão, colocou em cima da prateleira para mais tarde poder pegá-lo para ler. Continuou ajudando a esposa do Seu Evaldo, Dona Alvina, a arrumar os tecidos no sótão para não molhar, assim como todas as outras mercadorias da loja.
Eva ficou encantada pelo sótão, imaginando quantas coisas teriam ali em cima e para que eles usavam o sótão.
Eva saiu para perguntar a Tia Matilde como estava o nível do rio, ela disse que estava chegando na venda, todos foram para o sótão. Eva foi numa janela e viu uma família muito preocupada. Lá tinha uma ponte de madeira e do outro lado tinha uma criança, viu que estava chorando muito e sozinha.
Eva achou um par de botas de couro, saiu da loja e atravessou a ponte, chegando do outro lado viu uma bomba d'água no rio e derrubou um pedaço da ponte. Ceci e Sabú jogaram uma corda, para ajudá-la. Eva pegou a criança no colo e ficou se equilibrando na corda, pedindo a Deus para não subir o nível do rio, quando passou pela corda, ela olhou para o lado e percebeu outra bomba d'água vindo, ela correu e todos foram para a loja, chegando lá a bomba d'água tinha passado.
A mãe da criança já vinha ao encontro de Eva, que devolveu a criança e chamou a família da criança para subir no sótão da loja e ficarem protegidos.
Após salvar a criança, todos ficaram aliviados.


Essa foi mais uma das aventuras de

Eva Schneider

Finalista - Eva Schneider em: As cavernas

Em uma manhã de domingo, Eva, Ceci e Sabú estavam brincando no quintal de casa. Eva sempre quis conhecer um pouco mais as redondezas do Barracão, pois fazia apenas nove meses que tinha chegado de sua cidade Hildenberg (Alemanha). Ceci e Sabú como eram bugres e conheciam bem todos os cantinhos da floresta do Barracão, iam com Eva , que sempre gostou de uma boa aventura. Tiveram a ideia de ir em busca de cavernas. Pediram para o tio Albert que estava com seu amigo Valdoni tomando um chimarrão. Eva muito educada cumprimentou seu Valdoni:
- Olá seu Valdoni! Como vai o senhor?
Seu Valdoni responde:
- Eu estou muito bem Eva! Mas ouvi falar que vocês querem se aventurar procurando as cavernas?
- Sim, sim! Adoraríamos nos aventurar hoje!
- Pois, eu conheço muito bem essas redondezas, eu posso ser um guia de vocês até chegar lá nas cavernas!
- Claro! Só falta o tio Albert deixar agente ir!
- Então Albert, vai deixar as crianças irem comigo em busca das cavernas?
- Está bem! Mas tomem cuidado! Já que sua tia não está, eu vou falar por ela, levem um casaco e uma mochila com água e comida!
E assim foram, por longas horas ficaram andando, até que chegaram em uma porteira seu Valdoni que sempre andou por aquelas bandas ia lhes explicando tudo, como eram as cavernas e que eles precisariam subir um peral.
Eva, Ceci e Sabú não se espantaram, porque já estão bem acostumados com esse tipo de aventura. Passaram por uma casa construída em estilo enxaimel, caminharam por mais um tempo até que chegaram em um carreiro, seu Valdoni vai primeiro, Eva vai atrás, Ceci vai depois e Sabú fica por último.
Seu Valdoni já alerta:
- Crianças, cuidem onde vocês irão pisar e também cuidem que mais para cima terá muitos espinhos!
- Sim seu Valdoni, teremos cuidado!
Assim então Eva, seu Valdoni, Ceci e Sabú começaram a andar pelo mato.
Seu Valdoni com seu facão vai abrindo caminho para eles passarem. Até que chegaram em uma estradinha de chão e pararam para descansar um pouco, jogaram uma água no rosto, pois estavam perto de um córrego, andaram mais um pouco pela estradinha de chão que já estava começando a ter uns matinhos no caminho. Andaram, andaram, chegaram novamente em um carreirinho, entraram e começaram a subir o peral, a mata ficava cada vez mais densa e cheia de espinhos, mas mesmo assim continuaram subindo. Até que seu Valdoni avista uma das cavernas e logo grita:
 - Crianças, estamos chegando!
Eva, Ceci e Sabú ficaram super felizes, porque estavam muito cansados. Chegando, seu Valdoni entrou primeiro com uma tocha acesa, deu a mão para Eva subir, depois Ceci e Sabú subiram e logo avistaram os morcegos. Seu Valdoni explicou toda a história da caverna, subiram na caverna de cima e logo já desceram, voltaram e desceram o perau de volta para casa. Logo que chegaram no córrego pararam para tomar água, e depois de algumas horas estavam em casa, seu Valdoni logo disse:

- Essas crianças são bem aventureiras! Bem já vou indo, tchau pra vocês! Então seu Valdoni pega sua carroça e sai, Eva, Ceci e Sabú contam toda a aventra o tio Albert tomam banho, jantam e logo vão dormir. 

Finalista - Eva Schneider em: O imprevisto do navio


No dia 30 de setembro Eva acordou com os berros de tia Matilde:
- O que foi tia?
Quando Eva olhou para as mãos de tia Matilde, viu que ela segurava uma carta com um selo da Alemanha.
-Tia Matilde quem mandou esta carta?
Sua tia toda emocionada, com lágrimas nos olhos diz:
- É do seu pai Eva, ele está vindo nos visitar!
Eva muito feliz foi contar para Ceci e Sabú.
- Ceci Sabú!
- O que foi Eva?
- Meu pai está vindo nos visitar!
- Que legal, quando ele chega?
- Não sei, não perguntei.
Quando Eva foi perguntar para Tia Matilde, ela ouviu um bater na porta, quando ela abriu já pensando que era seu pai. Ela se decepcionou, era o Frei que queria falar com seu Tio Albert.
- Eva seu tio está?
- Sim vou...
- Ei, que cara triste é essa Eva?
- É que eu estava esperando outra pessoa Frei.
- Uhum e eu posso saber quem Eva?
- Ah, claro eu estava esperando meu pai!
  O Frei que achou estranha a resposta de Eva, falou:
- Eva querida seu pai está na Alemanha!
- Não ele está vindo me visitar aqui no Barracão!
O Frei sem entender pede para que Eva chame seu tio.
- Sim Frei, vou chamá-lo
Depois de chamar seu tio e de perguntar à tia Matilde que horas seu pai ia chegar, Eva saiu para avisar a Ceci e Sabú, que seu pai chegaria no dia seguinte ao 12:30.

Enquanto isso:
- Senhor Schneider como vai?
- Muito bem Capitã Carolaine.
Estou indo ver minha filha.
- Uhum, ela deve estar muito feliz...
A conversa foi interrompida pelo barulho do alarme e das pessoas gritando de medo. Quando se deram conta, a metade do navio estava em baixo d’água.
Todas as pessoas que ainda estavam no navio buscaram se proteger. A Capitã sem entender o que aconteceu falou para todos entrarem nos botes. Todos estavam muito assustados, tanto que nem ouviram o mandado da Capitã. O pai de Eva que estava nervoso pegou uma pistola e deu um tiro para cima, para que todos se acalmarem. Ele estava com medo de não sobreviver antes de ver Eva.
De 3 mil passageiros restou apenas mil. Os botes foram em direções diferentes.
O pai sobreviveu e chegaram em uma floresta.
Na casa de Eva todos estavam preocupado com o pai dela. Quando chegou uma carta na casa de Eva, tia Matilde leu e começou a chorar e deu à notícia.
- O navio do seu pai, afundou.
Eva chorando caiu no chão, se afogando em lágrimas, logo se levanta e corre para seu quarto. Ceci e Sabú que chegaram naquele instante falaram para tio Albert que iria ter uma tempestade naquela noite.
No meio de uma floresta o pai de Eva e outras pessoas que sobreviveram encontraram uma caverna na qual eles se abrigaram. O pai de Eva, que segurava um lampião reconheceu a floresta onde estavam ele também lembrou que ainda estava com a pistola que usou no navio, então pegou-a e deu um tiro para cima, Eva que ainda estava acordada ouviu um barulho de tiro. Ela imaginou que ninguém estaria caçando naquela chuva e correu para avisar seu tio, que também achou que ninguém estaria caçando. Então Eva, pegou Artigas e saiu em disparada, enquanto seu tio pegava a carroça, eles continuaram a cavalgar seguindo os barulhos de tiro até que chegaram na entrada de uma caverna e viram várias pessoas lá dentro, quando Eva olhou atentamente, viu seu pai! Muito feliz correu para os braços dele e perguntou:
- O que aconteceu? Ele explicou tudo e tio Albert hospedou todos em sua casa até eles acharem um lugar fixo para morar.
O pai de Eva conversa com a Família dizendo que ele teria que ir embora. Todos ficaram tristes principalmente Eva mas ela disse:
- Estou triste porque você vai embora, mas eu sei que você vai deixar outras pessoas felizes, então também estou feliz.
De repente ela acorda:

-Foi bom vê-lo novamente papai, mesmo num sonho.

Finalista - Eva Schneider em: A armadilha da floresta



Depois de muito tempo que Eva, Ceci e Sabú não viam Katze, Eva vai para a cozinha, chega perto da janela, olha para a mata e fala para si própria:
- Devo voltar para a minha cama, mas onde Katze deve estar?
Tia Matilde ouve Eva, vai para a cozinha e fala:
- Eva! O que você está fazendo aqui a esta hora da madrugada?!
Eva assustada e preocupada com Katze, abraça a tia e começa a chorar, Tia Matilde diz:
- Se acalme Eva, também estou triste por Katze não estar aqui.
Tio Albert, Ceci e Sabú ouvem o choro de Eva, correm para a cozinha e falam:
- Eva? O que aconteceu? Por que você está chorando?
Tia Matilde Acalmando Eva e fala:
- Eva sente falta de Katze...
Ceci, Sabú e Eva não conseguem dormir, pois estão com saudades de Katze.
Na manhã seguinte, todos estavam tomando café, quando Ceci ouve um rugido, coloca sua xicara na mesa, abre a porta, e corre para o pasto. Eva fala:
-Sabú! O que aconteceu???
Sabú também não sabia o que havia acontecido, quando ouvem Ceci gritando:
-Katze! Katze! Katze!
Todos felizes correm para o pasto junto com Ceci e abraçam Katze,todos dão gargalhadas e choram ao mesmo tempo.
Ceci,Sabú, Eva e Tia Matilde voltam para dentro de casa, logo se passaram alguns minutos. E Tio Albert chega assustado falando:
- Estão caçando Katze!!!
Eva, Tio Albert e Sabú vão atrás do caçador, Tio Albert com sua espingarda, Sabú com sua Lança e Eva com Artigas.
Tia Matilde e Ceci ficaram em casa, pois nenhum caçador ou ladrão poderia entrar lá.
Eva, com Artigas no meio da floresta, ouvem o rugido de Katze, e faz com que Artigas cavalgue mais rápido, quando chegam, Eva vê Katze preso numa jaula de Bambu.
Foi então que Eva teve uma ideia:
Eva foi atrás de Tio Albert e Sabú, quando os encontrou falou:
- Encontrei Katze! E já tenho um plano para libertá-lo!

- E que plano é esse Eva?
Dizem Tio Albert e Sabú...
Eva fala:
- Tio Albert! Você vai distrair o caçador com o barulho da sua espingarda! Sabú! Você vai fazer uma armadilha para pegar aquele caçador de vez! E eu, vou tirar Katze daquela jaula!!!
Sabú pegou cipós de árvores e foi fazendo sua armadilha, Tio Albert ficou escondido na mata com sua espingarda e Eva foi em direção da jaula onde Katze estava preso.
Tio Albert atira para cima, fazendo barulho e chamando a atenção do caçador. O caçador fala: -Quem está aí?
Eva tenta desamarrar a jaula para libertar Katze.
O caçador vê Eva e atira em sua direção acertando Katze.
Sabú furioso pula da árvore em cima do caçador com sua lança.
O caçador assustado corre em direção à armadilha que Sabú havia feito anteriormente, e fica preso na armadilha.
Eva solta Katze da jaula e com ajuda de Sabú e Tio Albert, coloca Katze em cima de Artigas.
Eva e Sabú vão para a casa, para tratar do ferimento de Katze.
Enquanto isso, Tio Albert foi avisar ao Intendente que haviam caçadores na mata.
Quando Eva e Sabú chegam em casa, Tia Matilde já estava preocupada, Ceci fez uma receita indígena para curar Katze.
Katze se recupera, o caçador é preso e nunca mais voltará para aquela mata.

Finalista - Eva Schneider em: A cachoeira perdida


Eva, Ceci e Sabú passaram por trás de uma igreja e começaram a ouvir uma pessoa chorando.
– Vamos ver o que está acontecendo – Disse Eva.
Ao chegar lá todos surpresos veem o Frei chorando.
- O que aconteceu Frei? – Diz Eva.
Eles querem fechar a igreja se não pagarmos uma quantia enorme que devemos.
- Podemos ajudá-lo Frei? – Pergunta Eva.
- Bom, eu ganhei um mapa que dizem que tem uma cachoeira com variados tipos de joias. – Disse o Frei.
- Então já temos mais aventura – Disse Sabú.
Ao amanhecer foram seguindo o mapa e foram parar numa floresta até encontrar um índio atrás dele numa passagem.
- Só quem tiver os 5 dons passará, vamos começar com o garoto – Disse o velho índio.
Ninguém sabia o que estava acontecendo, o Índio tocou a testa de Sabú e pensou, concluiu e disse:
- Você tem o dom da sobrevivência e o dom de caça! Agora você menininha – apontando para Ceci.
- Você tem o dom da sobrevivência e o dom de convivência com os animais, e menina do chapéu – se referindo a Eva.
Eva sabia que teria que tentar passar então o velho índio tocou Eva e disse:
- O dom de olhar, o dom de ouvir, dom da sabedoria, dom de acreditar e o dom da esperança, parabéns Eva, você pode passar a cachoeira!

Ao entrar na cachoeira Eva tira seu chapéu e abre seus bolsos, enche os bolsos com rubis e seu chapéu de ouro, quando chegaram novamente ao Barracão o Frei pula de alegria, eles dão tudo a ele e correm para casa sabendo que tudo estava bem.

Finalista - Eva Schneider em: A casa assombrada


Eva acordou pela manhã sentou na mesa junto com tio Albert e tia Matilde para tomar café, quando Eva se retirou foi brincar com Sabú e Ceci. Enquanto brincavam eles ouviram duas pessoas falando:
- Ei você, já soube daquela velha casa assombrada?
- Sim, dizem que aquela casa é assombrada!
E então Sabú, Ceci e Eva foram correndo avisar a Tia Matilde e Tio Abert. Sabú, Eva e Ceci foram novamente brincar e enquanto brincavam Eva teve uma ideia e disse:
- Que tal nós irmos explorar aquela casa? – Disse Eva.
- Eu topo e você Ceci? – Disse Sabú.
- Eu também topo! – Respondeu Ceci.
Então Eva, Sabú e Ceci entram. Eles ouvem barulhos no teto e portas se fechando sozinhas. Eva, Ceci e Sabú ficam explorando a casa, mas não acham nada.
Depois de algumas horas Eva descobre o porquê daqueles barulhos e fala!
O barulho no teto são pequenos ratos e as portas se fechando são as janelas que estavam um pouco abertas.

Então eles contam para tio Albert e tia Matilde e no dia seguinte os dois vão limpar a casa, para que alguém possa morar lá. 

Finalista - Eva Schneider em: O Mistério do Nego San


Eva, Ceci e Sabú acordam com um grito de dor, eles saem correndo para a cozinha e encontram Tia Matilda e Tio Albert e perguntam: Que barulho foi esse? Albert responde:
- Foi o Nego San que findou com a vida de mais uma pessoa.
Sabú pergunta:
 - Mas quem é esse tal de Nego San?
Matilde responde:
 - Nego San mora aqui no Barracão ele é um sujeito fora da lei que vive arrumando confusão.
Eva diz:
 - Hum! Então é esse o Nego San que as pessoas estavam falando para tomar cuidado?! Logo Sabú já anuncia que está vindo uma carroça . Sabú, Ceci e Eva correm para o quarto para se arrumar. Albert diz:
  -É o mensageiro!!!
As crianças saem, correm do quarto para ver o que o mensageiro queria dizer:
Ás 6:00h desta tarde vamos nos reunir na Igreja do Frei para se unir e achar o Nego San. As 6:00h, como tinha dito, todos estavam lá. 6:30 saíram  em busca do sujeito e tanto fez que o acharam .A prisão foi o seu destino .Depois de muito tempo o meliante fugiu sem deixar rastros .Rumores aqui e acolá alertavam que o salafrário estava escondido por essas bandas. O medo rondava .Eva responde:
- Iria ele se vingar? Todos ficaram com cara de preocupados. Dois dias depois começou a sumir: galinhas, ovos e até um porco do Tio Albert, plantas das hortas de Tia Matilde.
Um dia, andando pelas roças, Eva, Ceci e Sabú acharam uma caverna. Caminhando pelo seu interior, espreitaram uma abertura bem pequena. Passando por ela, viram que podiam ficar de pé. Lá encontraram restos de comida.
Sabú diz:
  -Isso é sinal de sobrevivência! Não tiveram dúvidas.
Ceci diz:
  - É o esconderijo do nego San!
Correram para casa para avisar os tios, mas os tios não acreditaram. Então levaram eles para ver, chegando lá viram que era verdade. Albert diz:
  - É verdade!!!
Enrolando seus bigodes, volta para casa pega sua carroça e vai avisando todos.
Todos se reuniram com: paus, enxadas, armas de fogo e foram para caçar o foragido. Porém, chegando lá a caverna estava vazia, visível e ao seu lado, um toco de vela. Todos foram para casa. Depois de alguns dias estavam dizendo que o infame assou um porco inteiro com apenas um toco de vela!!! O local ficou conhecido como a caverna do Nego San.
Eva diz:
  -Então o malfeitor teve um final feliz ???
Albert diz:
  -Não Eva, ele foi para o sul do Brasil e se envolveu em outra briga feia e dessa vez quem morreu foi o Nego San.
Ceci diz:

  -Ufa. Finalmente ele não vai mais fazer mal para ninguém!

Finalista - Eva Shneider em: Uma grande saudade


Num dia em que a nostalgia machucava seu coração, Eva saiu para cavalgar com seu fiel companheiro. Naquele dia os cascos de Artigas batiam forte nas pedras do estreito caminho que levava às montanhas do alto rio Caeté onde Eva esperava abrandar uma saudade pulsante do pai falecido e de uma mãe que sequer conheceu.
Quando já estava no alto, desceu do cavalo, à beira de uma linda cachoeira, para que pudessem beber água, ao se abaixar Eva escorrega e acaba caindo atrás da cascata da cachoeira, e desmaia. Algum tempo depois ela acorda e percebe que está em uma caverna, curiosa começa a percorrê-la. Eva vê uma forte luz ao fundo da caverna, motivada pela curiosidade e enfrentando o medo continua, quanto mais se aproximava mais forte a luz ficava, então Eva atravessa o enorme clarão e se depara com um lindo jardim, nele havia índios em harmonia com o homem branco, negros e judeus que pareciam ser orquestrados por uma belíssima jovem loira que emanava paz, quando Eva se aproximou a emoção tomou conta dela, a empatia entre elas foi tão grande que parecia de uma vida toda. Eterna, como disse que podia ser chamada, contou que aquele era um mundo onde todos eram tratados da mesma forma, não havia diferenças entre raças, religiões e classes sociais, a apresentou a todos, passaram várias horas juntas, mas Eva percebeu que precisava voltar para casa, caso o contrário seus tios ficariam preocupados.
Eva foi a caminho de Eterna e se despediu:
- Adeus  Eterna, nunca me esquecerei de você!
- Eva... Eu preciso lhe contar algo: eu sou...
- É o que Eterna?
- Eva eu sou sua mãe.
Eva chorava muito emocionada.
Então Eterna falou:
- Filha, sua missão nessa vida é...

E Eva acorda no meio de uma enorme caverna.  

quarta-feira, novembro 16, 2016

A Mota Gueta Scheidt Guckert nos conta um pouco de sua historia e casamento com o saudoso Aron Guckert

No dia 14 de novembro passei uma tarde agradável na companhia da família da Dona Gueta[1], mais conhecida como a Mota – não minha, mas de muita, muita gente. Durante a conversa, Dona Gueta me contou um pouco sobre a infância no Alto Rio Caeté, o casamento e como era a vida em outros tempos.
Geta Scheidt Guckert nasceu no dia 10 de outubro de 1936, filha de Evaldo Scheidt e Ana Heinz Scheidt. Ela era a mais velha de 6 filhos e muito cedo já teve a responsabilidade de ajudar no sustento da família. Quando tinha 13 anos seu pai faleceu e sua mãe estava grávida de seu irmão mais novo. Com a morte do pai, a mãe e aos filhos mais crescidos passaram a ser responsáveis de garantir o sustento da família.

Gueta, os irmãos, pais e avó materna

Dona Gueta recorda ainda que quando seu irmão mais novo tinha 8 meses, sua mãe precisou passar por uma cirurgia no útero. Esta cirurgia aconteceu em Ituporanga e durante o tempo que a mãe ficou hospitalizada, ela e o irmão de 12 anos cuidarem dos irmãos menores e ainda roçaram um pedaço de terra, por conta própria, para plantarem uma roça.
Todos na casa de Gueta falavam apenas Alemão, mas isso não era apenas na casa dos Scheidt, ela recorda que praticamente todo mundo no Caeté falava esse idioma, com exceção de algumas famílias, como era o caso da família do José Maria, seus vizinhos. Seu Evaldo falava um pouco de Português, mas como não teve tempo de ensinar aos filhos e quando estes entraram na escola tiveram um grande problema, pois eles só falavam em Alemão e a professora Dona Rute, apenas em Português. Mas esse era um problema comum, pois todo mundo entrava na escola sem nem conhecer o idioma da professora. Dona Gueta recorda que Rute passava a semana em sua casa e foi isso que ajudou ela e os irmãos a aprenderem mais rapidamente o Português.
O tempo na escola foi curto, apenas 1 ano, mas bastou para que ela aprendesse a fazer contas, ler e escrever, além de aprender a falar o Português. Ela teve que sair da escola para ajudar a mãe em casa.
Eles plantavam batata, milho, feijão, trigo, criavam algumas galinhas, porcos e gado leiteiro, faziam queijos, chimias... O trigo virava farinha na Tafona do Seu Guilherme Schaffer que morava ali próximo, os grãos de café também tinham que ser torrados, bater o feijão, o milho... a carne, na maioria das vezes de porco era frita e guardada dentro de uma lata de banha, não existia luz elétrica, os banhos eram tomados em gamelas ou no arroio que existia perto da casa, os fogões eram tocados a lenha e as noites iluminadas por lampiões a querosene,  era uma vida difícil, de muito trabalho e desde criança já se aprendia a arregaçar as mangas e trabalhar junto com os pais. No natal sempre tinha um pão de milho, bolachas, mas isso era apenas em datas especiais, no dia a dia o pão era feito de milho, carah e batata doce.
Gueta e Aron se conhecem
A vida ia passando e em uma das festas da igreja Dona Gueta conheceu Aron. Aron Guckert nasceu no dia 05 de outubro de 1933 e era filho de Pedro Guckert e Emila Berger Guckert, também morava no Caeté, próximo ao Morro Redondo. Logo que se conheceram, se gostaram e começaram a namorar. O namoro durou dois anos e no dia 28 de maio de 1954 eles se casaram. Do casamento nasceram 8 filhos e o início da vida a dois foi em uma casa construída com a madeira serrada a mão, direto da mata. A casa da família ficava próxima a casa da mãe de Gueta.
Dos 8 filhos do casal, 7 deles nasceram no Caeté e com ajuda de uma parteira. A parteira era dona Meta Schlemper, que morava no Rio Adaga. Quando Gueta via que a hora do parto estava chegando, Aron pegava um cavalo e ia “atoda” em busca da parteira. Eram momentos de agonia até que ele voltasse com a ajuda. Gueta lembra que o primeiro parto foi o mais difícil, pela dor e também pela expectativa de não saber direito como tudo acontecia.
Casamento de Gueta e Aron
Os filhos relembram que a gravidez naquela época não era anunciada como nos dias de hoje, muitas vezes eles só sabiam que teriam um irmãozinho ao desconfiarem, por terem que ir dormir na casa da Mota – Mota e Fata ou Mutter e Vater usando a grafia correta em Alemão, significa mãe e pai, porém comumente aqui em Alfredo Wagner se usa as expressões citadas para se referirem a avó e avô, que em Alemão são oma e opa.
A família trabalhou muito e prosperou, aumentando suas terras e adquirindo outras coisas, entre elas um Jeep. Foi o primeiro Jeep do Caeté e com ele seu Aron ajudava muita gente. Foram muito doentes e grávidas que seu Aron ajudou.
Os filhos e a esposa lembram que não importava se era noite ou dia, se chovia ou o que fosse, se alguém precisasse ele sempre ajudava. Como naquela época não existiam pontes, o Jeep tinha que atravessar algumas vezes o rio até chegar ao Barracão. Para atravessá-lo ele entrava de ré, para evitar que a água molhasse o motor. Nessas viagens, seu Aron acumulou algumas boas histórias, como a de uma vez que ficou preso no rio, com o carro encalhado e precisou de ajuda para retirá-lo. Tem também a história da grávida que quase teve o bebe dentro de seu carro. Ela precisava ir até Bom Retiro para ter o bebê, a viagem durava cerca de 1 hora e meia, e no meio do caminho – na Lomba Alta – a mulher entrou em trabalho de parto, fazendo com que seu Aron parasse em uma casa em busca de ajuda, a senhora teve o bebe ali mesmo, deixando seu Aron bastante nervoso.
Alguns dos filhos do casal
Nem sempre as pessoas tinham como pagar para Seu Aron leva-las até os locais e geralmente davam uma galinha, um porco, algo em troca. Os filhos riem, lembrando que o carro do pai mais parecia uma ambulância, levando todos que precisavam em busca de ajuda. Esse foi um dos motivos pelo grande número de afilhados, 19 no total, fora os inúmeros casamentos que Dona Gueta e Seu Aron foram padrinhos.
Em 1968 resolveram sair do Caeté, em busca de uma vida com mais conforto. Seu Aron tinha começado a sofrer do coração e queria se afastar um pouco do trabalho mais forçado, mas não conseguiu ficar longe da roça, que era uma de suas paixões, ele dizia que queria morrer na roça.
Vieram morar na Águas Frias e “tinha até luz elétrica, pena que a gente não tinha nada para colocar nas tomadas” (sic). A família ganhou um membro, essa nascida em um hospital e, então, os netos começaram a chegar.

Casal e os filhos nos anos 90

Seu Aron foi um grande fata, daqueles atenciosos, brincalhões, que gostava de dançar com os netos pequenos. Como fata ele conquistava o amor até de netos que não eram de sangue, era adorado por todos e por isso o dia 7 de janeiro de 1999 foi um dia muito triste para muita gente.
Seu Aron realizou sua vontade, aquela de morrer na roça. Um ataque do coração tirou sua vida, quando ele estava trabalhando na roça de um terreno que a família tinha adquirido no Rio Adaga.
Seu Aron se foi, mais deixou uma família linda, que guarda com orgulho os ensinamentos e as histórias deixadas pelo homem que os ensinou a trabalhar, a amar e a viver uma vida de bem.
A Mota Gueta continua forte, com uma memória de dar inveja a muitos e uma alegria de viver contagiante.
No mês passado ela completou 80 anos de vida e reuniu toda a família para uma grande comemoração: foram filhos, netos e bisnetos que se reuniram para comemorar a vida dessa grande mulher que desde cedo aprendeu a trabalhar e lutar pela família.





[1] Nome escrito conforme pronúncia em Português.

Mais algumas fotos de família:

Aron quando jovem
Aron, pais e irmão

Casamento da irmã de Gueta

Gueta e Aron

Gueta e Aron
Gueta e amigas

Casamento na casa de Gueta e Aron

Batizado de uma neta
Primeira comunhão

Casal Gueta e Aron em uma festa

Casal com um mais um neto

Aron com pais, irmãos e cunhados (as) e esposa

Foto de casamento na praça da cidade

Amigos da juventude

Filhos e netas
Dona Gueta no dia da comemoração de seus 80 anos
Mota Gueta com seus filhos

Mota Gueta com seus netos

Mota Gueta com seus bisnetos