segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Fronteira entre Argentina e Bolívia - Mochilão América do Sul

O ônibus para La Quiaca era bom, pudemos descansar e passei pouco frio. Chegamos em La Quiaca por volta das 5 da manhã e a rodoviária parecia uma rodoviária de cidade fantasma, com algumas pessoas largadas pelo chão dormindo, muitos cachorros e um banheiro que cobrava dois pesos argentinos para ser usado, o que não pudemos fazer pois não tínhamos nada.
Ao nosso lado estavam duas mulheres com mochilas e assim que pude perguntei a elas como se fazia para chegar a fronteira, prontamente elas nos convidaram a seguirmos juntas, assim que o dia começasse a amanhecer e assim o fizemos. Andamos cerca de 2 km – os mais longos de minha vida – e chegamos até a imigração. Na fila da imigração eu quase desmaiei por duas vezes, um pouco por causa da altitude, outro pouco por estar a dois dias sem comer praticamente nada. Eu estava um pouco desesperada, achei que fosse desmaiar, morrer, todos estavam com muito frio e eu estava só de regata de tão agoniada que me sentia.

Ao passar a imigração chegamos em Villazon, já na Bolívia, subimos uma ladeira sem fim, trocamos dinheiro e fomos até a estação de ônibus. Outro local surreal, Denise foi ao banheiro e me alertou a não fazer o mesmo, comprou as passagens e encontrou um local onde me obrigou a comer. Lá eu tomei um dos melhores cafés da minha vida, era um local muito simples, mas as pessoas eram tão simpáticas que fiquei encantada. Ao terminar de comer – o café e um pedaço de queijo – quase vomitei, o que deixou Denise bastante irritada. Fomos para a fila do ônibus e lá, sentada, dormi em cima da minha mochila. Enquanto eu dormia, Denise foi procurar folhas de coca para aliviar os efeitos da altitude – esse é um ponto que preciso ressaltar, eu não senti nenhum efeito e odiei as folhas de coca, fiquei com nojo e não posso nem sentir o cheiro daquilo.
O nosso ônibus era super alto e sem escadas, Denise me guinchou, quase não podia com o peso da mochila, nos acomodamos e por mais pitoresco que pareça, dentro daquele ônibus minha saúde começou a se recuperar.


Os ônibus são mesmo um caos, velhos e sem banheiros. O nosso estava pronto para ir para um museu, estava lotado e assim que começou a andar minha bexiga parecia que ia explodir. Na primeira parada na cidade de Tupiza, assim que o ônibus parou eu saltei em direção de um baño, que estava imundo e fedido, mas eu nem dei bola. A partir dali não tínhamos mais nenhuma parada em rodoviárias, como as viagens são quase sempre longas por causa da precariedade das estradas, muitas vezes os ônibus param na beira da estrada, todos descem e procuram um matinho para fazer as necessidades, sim, eu também fiz isso e por duas vezes. Parecia que nunca chegaríamos... mas eis que no horizonte aponta a pequena cidade de Uyuni.  

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