terça-feira, fevereiro 16, 2016

Eu não conhecia a pobreza


“Imagine um lugar onde a distância entre o pobre e o rico seja realmente muito pequena, e a população tem acesso à saúde, à educação e a um emprego”, diz a chamada do Globo Repórter dessa sexta-feira. Imagine crescer em um lugar assim? Parece sonho, mas a verdade é que foi onde eu cresci, no chamado Vale Europeu, aqui em Santa Catarina. É claro que passei por limitações, mas nem perto das verdadeiras limitações e privações existentes no mundo.

Já visitei lugares onde a discrepância entre ricos e pobres era maior, se via nitidamente a diferença de classes, mas nunca vi tanta pobreza quanto em minha última viagem, principalmente na Bolívia.

A pobreza deste país tem nome, respira, sorri e pede esmolas, usa cerca de 10 saias, uma por cima da outra, carrega uma criança nas costas ao usar um pano colorido e anda com sandálias negras de solado de borracha. Nas mãos, leva sacolas de tecido com seus pertences e, muitas vezes carrega essas mesmas sacolas coloridas nas costas, um peso descomunal. Essas são as cholas, aquelas mulheres bolivianas que figuram no imaginário popular de todos nós.

Mas além delas, essa pobreza também está estampada nos homens e nas crianças, que tomam seus banhos frios quando os tomam , têm a pele castigada pela combinação de altitude, vento e sol de montanha e são excluídos da globalização, da internet e dos estudos. Sofrem um grande preconceito por sua origem, apesar de serem maioria absoluta no país.

Podem ficar isolados por dias, caso uma barreira bloqueie a estrada, que, na grande maioria das vezes é de chão batido e muito precária. Quando isso acontece, pessoas morrem em povoados isolados por falta de medicamento e de comida.

São pessoas sem as mínimas condições básicas de higiene, que não têm onde fazer suas necessidades mais básicas – fazendo xixi no meio da rua –, nem água encanada, tampouco rede de esgoto. São lugares onde ainda hoje, depois de todo o crescimento da Era Evo, 18% da população ainda vive abaixo da linha da pobreza.

Uma pobreza que pode ser vista no olhar de submissão, de séculos de privações, humilhações e descaso. Um olhar de quem aceitou tudo isso e se vê como inferior. Eu não conhecia uma pobreza como essa.

Um país com uma cultura tão rica, com tantos recursos e de um povo tão batalhador, de mulheres tão fortes, tão marcantes e ao mesmo tempo tão pobre. Uma pobreza que impressionou e que me fará refletir para sempre.


Diante de tudo isso só consigo pensar no quanto sou sortuda por ter nascido aqui e ter tido tantas oportunidades, o que desperta cada vez mais a vontade e a necessidade de fazer mais por pessoas que realmente precisam de ajuda. 


sábado, fevereiro 13, 2016

Lima - Mochilão América do Sul

Todos me avisaram para ter muito cuidado em Lima, cuidado com os táxis, com os roubos, com as minhas malas, acabou que fiquei morrendo de medo de andar pelas ruas da capital peruana.
No avião de Cusco para lá tudo correu bem, fiz amizade com uma senhora de Lima que adorou saber todos os detalhes do meu mochilão, depois desci no aeroporto e tentei encontrar Tamara que também chegaria em Lima mais ou menos pela mesma hora que eu, infelizmente como eu estava sem celular não a encontrei. Deixei de encontrar também com Mily, que conheci nas ilhas Flutuantes de Uros e que tinha combinado de me mostrar Lima e Felipe que também ficaria no aeroporto aguardando voo para o Brasil. Enfim, eu estava no aeroporto, sozinha e com poucos Soles, afinal, não queria trocar mais dinheiro e voltar para o Brasil sem reais. Como o meu voo era só as 12:50 do dia seguinte resolvi que acharia um hotel, descansaria e aguardaria meu retorno no sossego de um quarto com internet.
Conversei com um taxista, pechinchei o valor de táxi e ele me levou por 10 soles até o Hotel Caribe, que fica próximo ao aeroporto.
No quarto aproveitei para assistir à novela que tinha acabado no Brasil a duas semanas, mas como estava o dia todo só com o sanduíche do avião resolvei descer para comer algo e logo voltar.
Ao descer vi que a vizinhança do hotel não era das melhores e que todos, absolutamente todos os homens que andavam na rua eram tarados – não estou me achando, acho que por eu ser loira, mesmo se eu não tivesse os dois dentes da frente eles mexeriam comigo – eu não encontrava nada aberto, a não ser uma birosca, onde um senhora atendia de portas fechadas, pela janela cheia de grades, como não tinha nada pronto para comprar resolvi que compraria uma Inka Cola – pois também não tinha água – e comeria o Cup Noodles que a Ju tinha me dado em Cabo Polônio e ocupava espaço na minha mala desde então para uma eventual necessidade – a necessidade tinha chegado!
Na volta um homem me deu "Hola" e eu em um ato involuntário respondi – afinal estava acostumada a cumprimentar outros mochileiros, outros turistas, é comum eu responder a uma saudação – e isso bastou pra ele ficar gritando sabe-se lá o que por um tempo, eu apertei o passo, estava nervosa. Umas duas quadras para a frente uma pessoa falando do meu lado dizendo que era coincidência ele estar indo pro mesmo lado que eu, quando me dou conta é o mesmo cara do Hola, meu coração para e volta a bater, eu tremia, fiquei morrendo de medo e continuei andando, ele falou em espanhol eu não respondi, perguntou se eu falava inglês e eu não respondi, até que ele perguntou onde eu estava hospedada e eu percebi que estava perdida, nunca tinha visto aquela rua. EU ESTAVA PERDIDA E ACOMPANHADA POR UM TARADO. Acho que cheguei a ficar tonta, me deu vontade de chorar, foi então que pedi ajuda ao tarado e ele me mostrou o caminho do meu hotel. Foi até bem gentil e depois de perguntar onde estava meu namorado e eu mentir que estava me aguardando no hotel me deu um beijo no rosto e seguiu seu caminho. Entrei no hotel em desespero e jurei que só sairia dali para pegar meu avião.
Desci a recepção para perguntar onde eu poderia esquentar uma água e eles me falaram que o hotel não tinha cozinha, resumo da noite: Comi o resto do choclo que comprei nas salineiras, o resto do salgadinho que comprei em Cusco e o Cup noodles cru que a Ju me deu.
Para dormir o medo era tanto que coloquei a cadeira e a mesa do quarto contra a porta, para que se alguém tentasse entrar e roubar minhas coisas eu estivesse acordada para defende-las – ok, até parece.
Eu estava com medo, mas muito feliz por estar voltando para casa.
“Viajar é sempre muito bom, é enriquecedor, faz bem ao espirito... mas voltar para casa também é muito maravilhoso!
“Coisa que gosto é poder partir sem ter planos, melhor ainda é poder voltar quando quero!”
Estou terminando meu mochilão, o primeiro da minha vida. Foram 4 países, 21 dias e muitas histórias para contar.
Me despeço desse mochilão com grande satisfação, foi demais, apesar de alguns transtornos e erros de marinheiro de primeira viagem.
Como já disse, viajar é ótimo, mas voltar pra casa é melhor ainda. Brasil, to voltando... Vó cozinha um feijão que eu to cheia de fome.”

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sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Cusco - Mochilão América do Sul


Cusco é a cidade mais linda do Peru, da viagem e quem sabe até das Américas. Um lugar ímpar, que conseguiu mesclar de forma harmoniosa em sua arquitetura e cultura as influência do conquistador espanhol e da civilização Inca. Em quéchua, a palavra qosqo significa “umbigo do mundo”, e os incas não foram nada pretenciosos. Antes dos espanhóis chegarem, Cusco, era o centro do império Inca e, não por acaso, foi uma das cidades mais importantes do período na época colonial.

Caminhar pelas ruas da cidade é como voltar ao passado e sentir a presença e história dos incas, seja nos museus, na fisionomia dos índios ou nas belas construções feitas pelo perfeito encaixe entre pedras. Os traços fortes desta cultura ancestral marcam a estadia na cidade. Toda esta riqueza cultural, religiosa e arqueológica é o que torna Cusco um famoso destino turístico internacional.

Minha chegada a Cusco foi tensa, eu não tinha feito cambio antes de sair de Puno, cheguei na cidade muito tarde, quase meia noite, tinha 12,50 soles e não tinha reserva em nenhum hotel. Um taxista me abordou perguntando se eu precisava de táxi, perguntei se tinha algum lugar para cambio pois eu não tinha nem dinheiro para o hotel e ele disse que isso não era problema, qualquer hotel me aceitaria, para que eu pagasse no outro dia e que ele me levaria pelo dinheiro que eu tinha (12,50 soles). No primeiro hotel que paramos não tinha vaga, nem no segundo, nem no terceiro. Nesse ponto eu já estava sentada no banco da frente, para facilitar a descida e o negociação para ver se tinha vaga, foi quando o taxista perguntou de onde eu era, quando eu disse que era do Brasil ele se admirou, por eu ser loira, e perguntou em um tom de ironia: “Pero Brasil tiene solo negro!” e eu respondi que o Brasil é imenso e tem de tudo, foi então que ele passou a mão na minha perna e disse que eu poderia dormir no carro dele se não encontrasse alguma vaga! Eu morri por um momento, se abriu um buraco negro de vácuo em minha vida e eu não acreditava que aquilo tava acontecendo comigo, por um momento não sabia o que fazer, foi quando respondi rispidamente: “Pode parar o carro que vou descer e ficar aqui nessa rua”, ele se assustou pelo tom e acho que ficou com vergonha pois disse que na esquina tinha outro hotel e que certamente teria vaga, e tinha. Nem me despedi dele, entrei No Puma Kiru – que ficava a 5 minutos a pé da Plaza de Armas – e fiz dele meu refúgio, eu ficaria só aquela noite lá, mas resolvi estender minha estadia, pois o local era seguro, limpo e agradável. Tive uma noite tranquila.

No dia seguinte eu tinha que resolver algumas questões, ir a um banco, pegar meus tickets do PeruRail, comprar um pau de selfie novo – era bem estranho tentar pedir um pau de selfie, pois eles não entendiam direito o que eu queria - e para isso fiz uso de um mapa e as instruções do recepcionista do meu hotel, eu achei que nunca conseguiria chegar aos locais que precisava, mas as informações foram precisas e deu tudo certinho.

Quando finalmente cheguei a Plaza de Armas constatei que tudo o que tinha ouvido e lido sobre o local era verdade, é mesmo encantador e mágico. Tudo é muito bonito, tudo tem um aspecto meio enigmático, não consigo nem explicar.
Na plaza muitas mulheres ofereciam um passeio em um ônibus panorâmico a algumas ruínas que ficavam perto da cidade, resolvi então que comeria algo e a tarde faria o passeio.
Fui ao hostel, deixei algumas coisas e na volta parei em um restaurante para almoçar. Almocei em ótimo restaurante na Calle Santa Catalina e finalmente provei o Choclo – o famoso milho do Peru. No restaurante tinha música ao vivo, com uma banda típica do Peru – e eu tive que pagar 10 soles pela música, além do almoço que não foi dos mais baratos... lamento até hoje.

No city tour conheci 3 amigos – Elizabeth do Peru e Tamara e Gaston da Argentina, de Salta, uma cidade que conheci no início do mochilão. O trajeto do passeio envolvia as ruínas da fortaleza de Sacsayhuamán, alguns túneis próximos a Q'enqo – dizem que os túneis interligava toda a cidade de Cusco, já foram descobertos túneis com mais de 2 km de comprimento e antigamente eles eram abertos, mas houve um episódio onde 3 crianças peruanas que brincavam pelas redondezas se perderam nos túneis, dois dias depois apenas uma delas retornou, ela trazia uma espiga de milho de ouro que hoje se encontra exposta no museu Inca, até hoje não se tem notícia das outras duas crianças, por conta disso os túneis agora ficam fechados, apenas uma pequena parte pode ser explorada. Depois dos túneis seguimos para uma feira de artesanato com preços impraticáveis e foi na frente dessas lojinhas que tirei a minha foto com a Lhama que quis comer meu cabelo. O último atrativo do passeio foi o Cristo Blanco – que com uma certa dose de generosidade, lembra o cristo redentor –ok, lembra por ficar no alto, ser um cristo e tal – a estatua foi presente da comunidade palestina, uma forma de agradecimento por a cidade ter os acolhidos.

O passeio foi interessante, mas o mais legal foi os amigos que fiz. Combinamos que mais tarde nos encontraríamos na plaza e sairíamos para jantar.
A noite fomos jantar na Recoleta, um bairro próximo a plaza e ao meu hotel, é um lugar com uma rua bem estreita, apenas de uma mão e várias casas coloniais, particularmente achei um charme, fiquei encantada com o lugar. Meus amigos escolheram comer pizza – é, no primeiro encontro eu nunca digo que não como pizza, as pessoas podem me achar estranha, quererem desfazer a amizade, afinal, quem não como pizza? Então comi, afinal... eu não ia morrer – foi nessa noite também que tomei a primeira cerveja da viagem, uma Cusquenã... nada demais, mas valeu para experimentar. A pizza até que não estava das piores, pois tinha a massa bem fininha. Conversamos e rimos muito, foi uma janta bem divertida, tive que desenvolver muito meu espanhol para poder participar ativamente das conversas.

Depois da pizza, Elizabth sugeriu que deveríamos ir até o Mama África, pois ninguém vai a Cusco e deixa de conhecer o lugar. Para você entender, o Mama África está para Cusco assim como o Pony esta para Montevideo! O lugar toca basicamente música latina, muita, muita Salsa, com um pessoal que dança mega bem. Foi lá que tive uma grande desilusão, eu já tinha ouvido dos meus amigos chilenos que o axé tinha entrado no mercado musical da América do Sul, mas constatei isso com meus próprios olhos – e diga-se de passagem, ouvidos - quando todo mundo dançou e cantou a plenos pulmões a “Dança da Manivela”, tristeza para os brasileiros! Mais uma vez todos esperavam muita dança vinda de meus pés, porém mais uma vez decepcionei. Como sou daquelas turistas que tem que fazer algumas coisas clichês eu não poderia ir ao Peru sem tomar Pisco Sour, uma bebida à base de cachaça e com uma espécie de cobertura de clara de ovo que é a mais tradicional do país. Tomei e não gostei, achei mega forte, mas o que vale é participar da cultura local. Chegamos super cedo e fomos embora cedo também, afinal, apesar do lugar ser animado tínhamos muitas coisas para explorar no dia seguinte.



Elizabeth não estava mais conosco no outro dia, ela seguiu para outra cidade, pois trabalha em uma mina de carvão – achei muito jogos vorazes. Gaston, Tamara e eu tivemos um maravilhoso almoço em um dos balcões dos restaurantes da Plaza de Armas, além da comida estar muito boa, contemplar aquela vista da praça era um deleite, eu até ia comer a sobremesa somente para ficar mais tempo com aquilo as vistas dos meus olhos, mas estávamos atrasados para seguir até as Salineiras.
As Salineras de Maras são ainda mais especiais do que as fotos. Lá as famílias locais produzem desde a época dos Incas, o sal de Maras. A área é dívida em cerca de 4 mil “piscinas de sal” e cada família cuida de até 40 canteiros diferentes.

As salinas vêm de uma fonte natural que foi canalizada pelos incas para distribuir a água entre as piscinas, a água desce da montanha quentinha. As diferentes cores representam o estágio do sal, que colhido em três etapas diferentes, a primeira para consumo humano, a segunda para consumo animal e a terceira para cosméticos.

Um dos desafios desse passeio é passear pelas salineiras sem cair nelas, basta um escorregão para você ganhar um dos banhos menos agradáveis da sua vida, para mim o desafio era ainda maior devido a minha deficiência visual e a dificuldade que tenho em identificar a profundidade dos obstáculos do chão, além disso eu tinha que segurar meu chapéu e minhas câmeras, foi tenso, mas valeu a pena. Nas Salineiras comprei uma espécie de Choclo torrado, um aperitivo vendido aos turistas, parecia milho de pipoca não estourado, mas era bom.
Na volta nosso taxista nos fez a proposta de aumentar o valor cobrado e nos levar até Moray, um outro sítio arqueológico das redondezas.  

Moray é formado por terraços circulares, o lugar é espetacular, a princípio não entendíamos bem a sua finalidade, era magnifico, mas meio sem explicação, depois perguntamos ao nosso motorista e segundo ele, os arqueólogos, ainda divergem em suas explicações acerca da finalidade. Para alguns, o lugar era um anfiteatro, ou um centro de devoção – inclusive até hoje é centro de peregrinação para devotos de cultos andinos antigos. Assim como na Grécia antiga, parece que os incas também entendiam um pouco da acústica que esse tipo de desenho proporcionava. Para outros, o lugar era agrícola mesmo. Talvez um que não recomendamos a ninguém, pois a comida estava ruim e me fez mal no dia seguinte. Comemos Ceviche de entrada, uma carne de porco e a sobremesa – única que se salvava.

Fui para o hotel mas resolvi que precisava gastar mais dinheiro, tinha que comprar algumas lembrancinhas para trazer para minha família e meus amigos, então fui dar minha última volta na Plaza de Armas, sentir pela última vez aquela atmosfera antes de realizar lugar para fazer testes entre diferentes variedades de tubérculos e cereais, para otimizar a produtividade, para adaptar as sementes a diferentes altitudes, enfim, fora a explicação formal o lugar é incrível. Quando chegamos o local já estava fechado e não tinha ninguém fiscalizando, então, acredito que meio sem querer podemos ter passado por algum lugar que não era necessariamente permitido. Mas tudo, ok.

Durante toda a nossa tarde vimos montanhas nevadas em uma paisagem estonteante, além também de ter que parar o carro para dar passagem de rebanho de ovelhas, foi uma tarde maravilhosa em companhia de duas pessoas queridíssimas.
Ao retornar para Cusco ainda jantamos juntos em um restaurante que não recomendamos a ninguém, pois a comida estava ruim e me fez mal no dia seguinte. Comemos Ceviche de entrada, uma carne de porco e a sobremesa – única que se salvava.


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quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Puno - Mochilão América do Sul


A viagem sem si não é longa, entre Copacabana e Puno, o que a deixou longa foi a falta de luz na parte boliviana da imigração. Fui tratada mal por lá também, única vez em todo o território boliviano.
A cidade de Puno não é muito bonita, mas é imensa – confesso que com toda a expectativa de chegar ao Peru, me deparar com Puno que lembrava La Paz pelas construções -  tipo favelão - foi meio decepcionante. Encontramos um hotel, fizemos cambio de dinheiro e não tivemos nem forças para encontrar algo para comer, comi uma Pringles e uma Inka Cola – amor à primeira vista, digo, no primeiro gole, nem sei quantos litros desse refrigerante bebi nessa viagem.

No dia seguinte fomos conhecer as Ilhas Flutuantes de Uros, que são habitadas por uma das comunidades mais antigas do lago. Os índios Uros já habitavam a região do Titicaca antes dos incas. São cerca de dois mil índios que vivem em 40 ilhas flutuantes, feitas de junco e totora, um material leve, flexível e resistente com que constroem suas casas e barcos.

O caule dessa planta, que serve também de alimentação tem que se substituído de tempos em tempos para manter as ilhas sobre o lago; isso não significa que elas sejam fixas, pois as mesmas se movem de acordo com os ventos. As casas são leves e fáceis de mudar de lugar – quando os membros de uma família brigam, é comum pegar a casa e carrega-la para outro canto da ilha. Assim como, quando se casam, é fácil construir um novo lar.

Fizemos a viagem de barco é claro, e com um guia super divertido, que nos explicou tudo sobre as ilhas. Eles vivem basicamente do turismo, então, são muito simpáticos com os turistas esperando que comprem o máximo possível de artesanatos. Na ilha é possível se vestir como os nativos – fiquei linda, só que ao contrário, vestida como eles. Conhecemos duas ilhas, uma mais familiar onde o seu presidente – toda ilha tem um – explicou tudo acerca da ilha e era também onde tinha o artesanato para comprar. Nessa ilha a gente deu uma volta no Titicaca em um barco feito de totora. Foi nesse passeio que tirei uma das fotos mais lindas de toda a viagem – aquela com a indiazinha peruana. Nesse barco que conheci também um casal formado por um boliviano e uma peruana que vivem em Berlin, combinamos de nos reencontar em Cusco ou Lima, porém uma série de incidentes – que contarei nas próximas páginas - acabaram dificultando a ação.

Na segunda ilha assim como acontecia na parte boliviana do Titicaca podíamos comer a famosa truta, então aproveitei para almoçar. Retornamos para Puno para de lá eu seguir para Cusco e Male para Lima. Mais uma vez eu seguiria sozinha.


Tivemos que sair meio apressadas do hostel e estava com poucos Soles, não existiam muitos horários disponíveis para a tarde e eu acabei comprando uma passagem por 15 Soles – a média era entre 30 e 50, sendo assim não existiam turistas no meu ônibus, apenas muitas famílias de peruanos com suas crianças. Foi uma viagem longa, e metade dela passei com Michelle dormindo em cima de mim – uma garotinha peruana de 7 anos que estava com seus pais, sentou do meu lado e parecia o burro falante do Sherek perguntando de minuto em minuto se já estávamos chegando, isso é claro antes de dormir e cair no meu colo.

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segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Copacabana - Mochilão América do Sul


Chegar a essa cidadezinha dá a impressão de que o nome da Capital Boliviana foi trocado, pois a paz está de fato lá. Copacabana é uma cidade pequena, tranquila, de gente simpática e que cativa os viajantes. A principal atração para os mochileiros é a localização que fica às margens do Lago Titicaca, maior lago navegável do mundo, local sagrado para os incas e uma das mais belas paisagens da América do Sul. Funciona como base para quem deseja visitar a Isla del Sol e a Isla de la Luna. Reza a lenda que o primeiro Inca nasceu no Titicaca, quando Deus Sol, ao observar que os seres humanos viviam como animais selvagens, enviou dois de seus filhos, Manco Capac e Mama Ocllo, para que difundissem a inteligência e as leis sábias entre os homens.

Para os bolivianos, a cidade se destaca como centro religioso, destino de milhares de peregrinos em busca da imagem da famosa Virgem de Copacabana. A imagem da Santa foi talhada pelo índio Tito Yupanqui e possui traços indígenas em suas feições, o que aumenta a devoção da população local.
No ônibus conheci Male, uma argentina de Santa Fé, professora de história e especialista nos povos primitivos. Como ela também estava sozinha, logo de cara resolvemos que ficaríamos juntas em nossa estadia por ali. Quando chegamos, ambas não tinham onde ficar e fomos juntas atrás de hospedagem. Encontramos um hostel apelo valor de 50 bolivianos a noite, com quarto e banheiro privado.

Quando saímos para jantar fomos até um restaurante lindo, que fazia parte de um hotel, chamado La Cademia, ao ver os quartos – muito melhores que os nossos – resolvemos que no dia seguinte dividiríamos um quarto nele.
Em Copacabana comi a famosa sopa de quinua e a truta do Lago Titicaca – e não teve como não lembrar do Aldas rindo do Vale das Trutas Lageano.

O dia seguinte amanheceu com uma tempestade. Acordei muito cedo, pois durante todo o mochilão meu relógio biológico continuou no fuso horário brasileiro. Então, para passar o tempo, escrevi. Depois fui encontrar algum lugar para tomar café e onde eu pudesse acessar internet. Eu tinha marcado com Male de irmos para a Isla del Sol a uma hora da tarde. Assim que ela acordou trocamos de hostel, por lá mesmo almoçamos – repeti o menu da noite anterior – e depois fomos até o Porto do Titicaca pegar nosso barco para a Isla.
Não existe palavra para descrever o azul intenso do lago e a carga de história que ele nos passa em pouco tempo de contemplação. Sentar à beira do Titicaca e apreciar as ruínas Incas é como reviver a história do Povo Andino.
A Isla del Sol foi palco de sacrifícios humanos em honra da Mãe-Terra (Pachamama), do Deus Sol e da Deus Lua. Na ilha é possível encontrar a mesa de sacrifícios das virgens e a pedra de onde, segundo os Incas, teria nascido o Sol.

Ao chegarmos na ilha contratamos o serviço de um guia, que nos levaria a um tour pela ilha e também até as ruínas Incas.
O dia estava bastante quente e demoramos para realizar o percurso. Nosso guia transmitia bastante informações e foi um passeio bem proveito. Não dormimos na Isla, apesar de todos recomendarem, fica para próxima.

Retornamos para Copacabana – achei o retorno muito cansativo pois fiquei em uma parte muito desconfortável do barco. No caminho de volta, Male fez amizade com uma família de Argentinos que estava percorrendo Bolívia e Peru de carro. Antes de voltarmos para o hostel, passamos na Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, para conhecer a famosa Santa. Tirei uma foto dela e só depois li o aviso de que não era permitido fotografar. Nessa noite, no hostel, fiz uso do meu secador de cabelo – sim eu levei um secador de cabelo e uma chapinha para o meu mochilão, além do meu computador, é claro.

Foi em Copacabana que recebi um e-mail me avisando que minhas passagens da PeruRail haviam sido canceladas – quando tentei cancelá-las e não consegui em Uyuni, na verdade, consegui, sou muito eficiente, mas eles só avisaram 4 dias depois e como eu estava sem internet, ainda demorei mais algum tempo até ver o e-mail, o que me causou um enorme transtorno que graças a meus amigos consegui resolver.
Em nosso segundo dia em Copacabana fomos conhecer as Ilhas Flutuantes do Lado Boliviano. São pequenas – bem menores do que as do lado peruano - mas encantadoras. Lá se pode comer a famosa Truta do Titicada pescada na hora: o visitante escolhe a truta em um tanque, ela é preparada e servida na ilha. Eu achei as ilhas maravilhosas, sem contar que o local transmitia uma paz, eu poderia ficar horas lá sentada contemplando a paisagem.

De Copacabana pegamos um ônibus até Puno.

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sexta-feira, fevereiro 05, 2016

La Paz - Mochilão América do Sul

La Paz é uma capital polêmica – e fria. Sua construção junto a um cânion em meio a Cordilheira dos Andes faz com que as casas e prédios sejam erguidos nas encostas de morros, o que faz com que a cidade pareça uma grande favela. La Paz, que já foi oficialmente dividida entre brancos e índios (separados por um rio), hoje é palco da rica cultura aimará, presente nas ruas, nas feiras e na fisionomia das pessoas.

Chegamos na rodoviária de madrugada e parecia que morreríamos de frio naquele lugar. Se me concentro ainda posso ouvir a voz das mulheres oferecendo passagens aos berros para ORURURURURURUROOOO, COCHABAMBA AMIGAAAAAAAAAAAAAAAA. Parecia um coral desafinado. Ficamos na rodoviária até umas oito horas. Eu e Denise nos separaríamos a partir dali, ela seguiria para o Brasil de ônibus e eu para Copacabana. Depois de comprarmos nossas passagens fomos conhecer a cidade. Nosso primeiro destino foi a Plaza Murilo. Lá encontramos uma igreja e para nos proteger do frio e também por curiosidade resolvemos assistir a uma missa na catedral da cidade. A missa segue o mesmo roteiro das nossas, porém o padre estava muito bravo com a comunidade, que não se oferecia para ler os textos bíblicos. Devo confessar que a paz que senti era tão grande dentro da igreja que quase dormi.
Da igreja fomos até a Plaza onde encontramos milhões de pombos e todo mundo os alimentando. Depois resolvemos procurar alguma feira de artesanato para comprar souvenirs. Andamos muito, muita gente vendendo roupas, depois, de posse de nosso mapa encontramos a área de restaurantes. Optamos por comida mexicana e sinto minha boca arder até hoje de tanta pimenta que tinha em nossa comida. Fiquei impressionada com a loucura que é a cidade e também pela quantidade de Chollas que encontramos na capital. São mulheres, a maioria com certa idade, mas também há jovens, geralmente cheinhas, com a pele curtida pelo sol, enérgicas no trabalho, falando lentamente os complexos idiomas aimará e quéchua,  caminhando apressadas com suas sapatilhas antigas sobre as meias brancas, remexendo as saias rodadas, os braços cobertos por chales de cores sóbrias ou com coloridíssimos desenhos andinos, os longos cabelos negros organizados em tranças feitas com minúcias e, para finalizar o visual, no topo da cabeça usam uma curiosas cartola que impõe respeito e severidade a estas mulheres que exalam uma dignidade nada banal. Elas foram apelidadas de cholas e são, sem pestanejar, as personagens mais marcantes das terras andinas, os homens tornam-se figurantes nas paisagens dos vilarejos ou nas confusas cidades.

A origem da denominação vem de um vocabulário chulo e preconceituoso, mas a designação foi reapropriada e ressignificadas pelos povos indígenas. Assim, com o aumento da resistência indígena na Bolívia e dos movimentos sociais que lutam por seus direitos e pela soberania das culturas tradicionais, estes trajes tradicionais que são uma curiosa mistura de vestimenta hispânica e indígena-andina passaram a ser, cada vez mais,  uma representação do orgulho que estas mulheres sentem por seu modo de ser e de viver. Há relatos, quase lendas, que conferem a origem do uso da cartola a uma super-importação destes adereços no século XIX, o que gerou uma moda.

Os trajes das cholas não são os mesmos em todas as ocasiões. Em ocasiões de desfiles e festas, as roupas são muito mais cintilantes e bordadas, eu não sabia mas teria o prazer de ver uma manifestação dessas mais tarde, na rua próxima a rodoviária.
Depois do almoço passeamos mais um pouco pela cidade e depois retornamos para a estação de ônibus.

Mofamos na rodoviária. Notei que o SBT seria o canal de maior sucesso por lá, pois eles só assistem pegadinhas, como não tínhamos nada para fazer, nem onde ir, ficamos por lá assistindo TV também.
Enquanto esperávamos ouvimos uma banda passando na rua e fui conferir. Era uma homenagem aos mortos de um cemitério que fica ali por perto, o ritmo era uma espécie de Morenada. Achei lindo, cheguei a me emocionar, é muito legal poder assistir a uma manifestação popular assim.



Chegou a hora de me despedir de Denise. Ela mandou eu me divertir e eu acatei a ordem. De ônibus segui para Copacabana. Eu estava muito nervosa, estava sozinha na Bolivia! Ia sozinha para o Peru! Na verdade, não era nervosismo, era medo! Eu repetia quase um mantra “vaidartudocertovaidartudocertovaidartudocertovaidartudocertovaidartudocertovaidartudocerto”... E deu!

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terça-feira, fevereiro 02, 2016

Salar de Uyuni - Mochilão América do Sul

Uyuni




Como uma natureza morta aos pés dos andes, incrível e surreal encontra-se Uyuni, no sudoeste da Bolívia, a cidade fui fundada por conta de uma estação ferroviária, no final do século XIX, mas com o declínio da atividade ferroviária ela mais parecia uma cidade morta, parada no tempo, até cerca de duas décadas atrás quando o turismo começou a ser explorado e deu nova vida a cidade. Todos os anos cerca de 80 mil pessoas visitam Uyuni, a imensa maioria desses visitantes buscam conhecer o Salar de Uyuni. O maior deserto de Sal do mundo que fica a uma altitude de 3.600 metros e era exatamente esse deserto que estávamos buscando na cidade.

Descemos meio desnorteadas em Uyuni - depois das 9 horas de viagem - e pegamos um táxi até  nosso hostel, que tínhamos reservado, mas ao chegarmos descobrimos que nossa reserva estava de pé somente até as 12 horas, depois disso teríamos que reservar novamente, enfim, antes de fazermos um escândalo saímos em busca de um novo hostel – Hostel Piedra Blanca, nunca reservem – encontramos alguns metros à frente o hostel 6 de fevereiro, com água caliente, Wifi e um quarto para duas pessoas. Foi como um sonho. Deixamos nossas coisas e fomos encontrar algum lugar para comer. Denise comeu um prato típico da Bolívia e eu um  caldo de frango, que me fez um bem danado.

Quando retornamos ao hostel decidimos que não faríamos o tour no dia seguinte, que esperaríamos mais um dia para eu ver se me recuperava ou se voltava para casa.
No dia seguinte decidi que minha viagem acabaria em La Paz, que de lá eu pegaria um avião para o Brasil, mas que faríamos o tour de 3 dias pelo salar. Aproveitamos o dia livre para descansar e conhecer um pouco da cidade. Avisei a todos que eu voltaria para casa, compramos nosso pacote para o salar – pagamos 700 bolivianos ou 100 dólares -, tentei cancelar minhas passagens, tudo sem sucesso e ao tentar encontrar passagens para o Brasil nos deparamos com preços absurdos, tipo 4.600 e 3.800 reais, antes de dormir decidi que eu iria para o Peru, afinal, lá eu tinha todas as passagens já compradas e por fim, eu já estava me sentindo mais forte – quem não gostou nada da notícia foi minha mãe, que já me esperava para a próxima segunda.

No dia seguinte acordei curada – não sei se por estar completando 8 dias que tomei a vacina ou se pelo valor das passagens de volta ao Brasil. Comi um omelete de verduras e seguimos até a agencia que nos levaria ao salar.
Ainda na agencia conhecemos Pamela e Rodrigo, Chilenos com os quais tivemos grande afinidade durante o tour, além deles três bolivianos completavam o carro.
Seguimos em 7 mais o motorista, senhor Melardo. O tour inicia com um passeio até o cemitério de trens. Os trens são os mesmo do início das atividades ferroviárias em Uyuni, do final do século XIX, eles foram abandonados nesse local quando os novos motores a disel foram lançados. Consumidos pelo óxido eles rendem belas fotos e o cemitério se transformou em uma grande atração turística, parada obrigatória para os tours que partem de uyuni. Sacamos algumas fotos e fomos até um vilarejo com muito artesanato, aproveitei para comprar um suéter andino, para se por acaso fizesse frio, apesar de ser verão.

A próxima parada foi em uma parte do Salar, a mais clarinha dele, para tirarmos aquelas fotos típicas, pulando, dentro de objetos ou sendo atacado por animais pitorescos. De lá seguimos até o hotel de Sal onde o seu Melardo nos serviu o almoço – de alguma maneira o motorista lembrava meu pai, não sei se pela simplicidade ou pelo porte físico, enfim, simpatizei com ele logo de cara. Gente, eu estava no paraíso, fazia dias que eu não comia tão bem, era uma comida simples e gelada, mas comi com muito gosto e ali vi que de fato eu me recuperaria.

Dali seguimos até a Ilha do Pescados, ou Incahuassi, Casa dos Incas, como os habitantes locais a chamam. Parece filme de ficção: uma ilha no meio do deserto, como se fosse em um mar. E já foi. Há 40 mil anos o Salar ficava no fundo de um mar interno que cobria uma superfície muito maior. Esse mar secou e o sal ficou depositado lá. Sob nossos pés, cem metros de camadas de águas e de sal sobrepostas. A ilha era uma elevação no fundo desse mar extinto. Um pedaço de chão com ambiente único. Só aqui cresce um cacto gigante, muito parecido com o da Baixa Califórnia no México. Esse cacto cresce um centímetro por ano. Andar por lá é passear entre algumas das criaturas mais velhas do planeta. Apesar da ilha ter o nome de Casa dos Incas, é lugar de cerimonias dos aimarás. Todos os anos eles vão até o ponto mais alto da ilha, em meio a essa aridez, e entregam oferendas a Pachamama, a Mãe Terra, Deus da fertilidade.  Na ilha existe um mirante, no alto de um morro imenso para subir por meio as pedras, lá de cima tinha-se uma vista linda de todo o salar. Denise teve alguns problemas com a altitude, mas valeu a pena. Na volta paramos para uma coca e um cerveja -  ambas quentes – e voltamos ao nosso carro para seguir até o nosso hotel de sal.

Ao chegar ao hotel, o lugar assustava um pouco, parecia super precário e frio, mas ao entrar ele tinha lá os seus encantos. Nos acomodamos e em companhia de Pamela e Rodrigo fomos dar uma volta, descobrimos que ela também é professora e ele é sociólogo, ambos muito inteligentes o que nos rendeu boas conversas sobre políticas públicas, educação e economia. Ao retornarmos, fomos jantar – muita comida, e na Bolívia sempre com uma entrada, alguma sopa. No banho que teria que durar apenas 5 minutos, como lavei o cabelo e demorei mais do que o pré-estabelecido levei um mega esporro da dona do hotel, mas como não entendi metade dos gritos, não dei muita bola. Carregamos nossos celulares e ficamos mais um pouco de papo, confraternizando também com os outro 3 bolivianos – uma médica e dois estudantes. Fomos dormir cedo e foi uma noite tranquila.
Cedinho nos preparamos para sair, seria o dia das Lagunas a Verde, Colorada, Honda, Hedionda e mais algumas delas. Passamos também por uma zona de vulcões, um deles ativo o Ollague - que tem 5.865 metros e sua última erupção foi há cerca de 150 anos, de longe dava para ver a fumaça que saía de sua imensa cratera. Sem dúvidas foi uma visão muito interessante. Bom, não preciso nem dizer que no meio do deserto também não tem banheiros, não é mesmo?

Mais uma vez o almoço estava muito bom e dessa vez tivemos a companhia de um lobo, que estava aguardando acabarmos para ver se sobrava algo para ele. A tarde fomos conhecer a floresta de pedra. Lá o efeito da lava solidificada e dos ventos formou peculiares estruturas rochosas, a mais famosa delas é a Árvore de Pedra, porém estava um frio tremendo e ventava muito, descemos, mas logo retornamos a nosso carro.

Nossa segunda noite dormindo no deserto seria em um hotel mais modesto que o do primeiro dia e sem água quente, ou seja, ou tomávamos um banho meio de gato, pegando água com garradas Pet, ou dormíamos sem tomar banho, optamos pela primeira opção. Dessa vez confraternizamos também com o pessoal do outro carro, da nossa mesma agencia, que eram todos do Chile. Eles falavam muitas piadas e usavam gírias, muitas vezes era difícil entender o que falavam e eu e Denise entendemos um pouco como Tesoun se sentia quando nos reuníamos no Splendido e ficávamos falando sem parar. Frase da noite “Concha de tu Madre”! Foi nesse dia que Rodrigo – nosso amigo chileno – perguntou se existia alguém no Brasil que não sabia sambar... sinto que o decepcionei falando que ele estava cara a cara com uma dessas pessoas... EU. 
A noite Denise atendendo aos apelos frenéticos sambou ao som de um coral formado por nossas vozes e levou nossos Hermanos a loucura, pois aparentemente todos são fascinados pelo samba brasileiro. Fomos dormir cedo pois no outro dia sairíamos cedo, as 4 da manhã para ver os gêiseres. A noite foi extremamente fria.

No outro dia quando levantamos a temperatura havia despencado, estávamos com cerca de -6 graus. Nossa primeira parada foi para ver os gêiseres e é algo realmente incrível – não tem como não lembrar das aulas do Regi – e apesar da temperatura, valia a pena passar frio para contempla-los. Depois dos gêiseres seguimos para as águas termais, porém como estava fazendo muito frio ninguém teve coragem de tirar toda a roupa para colocar uma roupa de banho, abamos nem entrando. Nosso almoço foi em um vilarejo chamado Malku Villa Mar, um lugar muito simples com um riacho lindo e uma criação de lhamas, um lugar que retratava muito bem o cenário andino. Foi nesse almoço que descobrimos que o senhor Helardo só comia se sobrasse alguma coisa do nosso almoço, foi muito triste, pois não sabíamos se tinha sobrado alguma coisa nos dias anterior, então tratamos de fazer sobrar nesse dia e até levamos a comida e o refrigerante no carro para ele, já que ele não aceitou o convite para comer conosco.
Para a tarde deveríamos fazer o caminho do volta para Uyuni, um caminho longo e com apenas uma parada no deserto de Dali. Um lugar com muitas pedras, dispostas surrealmente.

Ao chegarmos em Uyuni tratamos de encontrar um lugar para tomar banho, depois comemos em nosso restaurante favorito – um bem no calçadão central, com um wifi muito boa.

De ônibus seguimos para La Paz, foi uma noite ótima – sem ironia.

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