sábado, março 09, 2013

Maio de 1985


Estava procurando um livro para ler, folheei alguns, depois com os olhos localizei o escolhido, dei uma breve folheada neste também e em seu interior encontrei duas fotos, eram fotos do casamento de meus pais... Maio de 1985. Ao me deparar com as fotos, provavelmente as duas únicas sobreviventes após a desastrosa noite, depois da separação, quando meu pai rasgou e pintou o rosto de minha mãe em todas as fotos.
Ao vê-las foi impossível não embarcar em um navio de suposições... E se meus pais nunca tivessem se separado? E se meu pai ainda fosse vivo? E se tivéssemos sido uma daquelas famílias de comerciais de margarina? Como seria nossa vida?
Já sou filha desta nova geração, em que as famílias vêm cada vez mais tendo uma nova estrutura, não deixa de ser família, não deixa de ter amor, mas morrerei sem saber como é ter uma daquelas famílias tradicionais, todos juntos nos cafés da manhã, programas de domingo, janeiros na praia.
É claro que vida segue o seu fluxo e que ganhei coisas de que não abria mão, mas é impossível não me questionar. Quase quinze anos já se passaram...
Somos uma jovem família, feliz, com um futuro cheio de alegrias e conquistas pela frente, mas me dói muito pensar no que fui privada.
Talvez escrever seja minha válvula de escape, e por isso estou deixando aqui essas palavras. Espero que nenhum psicólogo leia e queira me vender seu peixe, sugerindo que eu marque sessões, mas preciso escrever isso... Acho que sempre terei isso comigo, relembrarei dos domingos, quando eu assistia o Pequenas Empresas grades negócios no quarto dos meus pais e pensarei na gente, em um tempo inexistente, onde seriamos felizes, unidos, tendo uns aos outros. Me enche de tristeza pensar nisso. Talvez eu até precise de um psicólogo, me canso tentando organizar os pensamentos dentro de minha cabeça, depois tentando os acomodar dentro de meu coração, quando na verdade eles aos turbilhões querem saltar de dentro de mim, como em uma explosão.  
Maldita hora que peguei esse livro e a imagem da extinta família Mello Pereira ressurgiu em minha vida.

Um comentário:

  1. talvez a vida fosse diferente, mas e dai? você não pode mudar o passado... nossos passados nos moldaram, ninguém viveu o que você viveu, por isso somos únicos... entendo que você queria que tudo fosse diferente, mas se realmente fosse diferente, você não seria quem é hoje.

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