quinta-feira, agosto 02, 2012

2008 - Porto Alegre

Porto Alegre é demais.
Minha vida pode ser dividida em ANTES e DEPOIS dessa viagem.


Paula Toller anunciou que gravaria o seu DVD em Porto Alegre e o furor tomou conta de todos os seus fãs. Como perderíamos isso? Jamais. Então fiz das tripas coração, vendi uma rifa do ônibus, que eu jamais venderia (verdade seja dita, tenho que agradecer a Luciana, pois na quem vendeu a rifa praticamente inteira foi ela) pra juntar o dinheiro e no sufoco poder ir viajar. Eu não conhecia ninguém pessoalmente e a pessoa que eu tinha mais contado era a Mila, que estava vindo de São Paulo, junto com Vanessa, que estava vindo do Rio. Além delas tinha uma tal de Raíssa, que viria de uma cidade de Minas, aquela lá de onde o pai da Glória Pires na escolinha do professor Raimundo sempre falava que era, Barbacena. O Luciano iria de Tubarão e eu ficaria na casa da tia dele. Também estaria lá a Aline, aquela baixinha de óculos maldita que tinha ganhado a promoção do show da Paula Toller em Porto Alegre, e a Paula, uma abusada que tinha o olho maravilhoso e que fez durante muito tempo eu ter ciúmes dela por causa do Rafael.
Nesta época eu era super sem dinheiro. Morava em Lages, porque minha faculdade ficava lá, então de ônibus eu embarquei nessa aventura. Lembro que quando estava saindo da rodoviária liguei para a tal de Aline pra confirmar se elas me buscariam na rodoviária, liguei pra casa dela e minha voz quase não saiu. Eu odeio falar ao telefone, ainda mais com quem mal conheço. Eu havia colocado um monte de roupa, pra não passar frio durante a viagem e só porque comigo as coisas tem que ser difíceis, o motorista ligou o ar quente, quase sapequei dentro daquela calça de lã. Além disso, fui sentada do lado de um cara que dormia com a boca aberta e caia por cima de mim, ele era grande e quase ocupava metade do meu banco. Durante a viajem não pude ir ao banheiro, porque quando ele dormiu ficou impossível sair de onde eu estava. Pra completar, antes dele finalmente dormir, ele tentou me seduzir com seu papo de construtor civil, pelo menos era engraçado pensar da onde ele achava que falando aquelas coisas eu teria vontade de sei lá, ficar com ele. Enfim, seis horas depois cheguei a Capital Gaúcha.
Quando desci do ônibus a rodoviária parecia imensa e eu estava morrendo de medo de me esquecerem lá, acho que esperei uns 40 minutos até elas estabelecerem contato, eu disse mais ou menos onde eu estava e por fim me encontraram. Assim que nos vimos, eu e Mila nos abraçamos e um abraço digno de encontro de filme. Afinal de contas, já nos conhecíamos a anos pela internet, eu naquela época tinha uma relação bastante próxima com a Mila e acho que ambas já tinham idealizado aquele encontro centenas de vezes. A Mila foi a minha primeira amiga virtual e no início de nossa amizade falávamos pelo telefone quase todos os dias, ela me esperava voltar da faculdade, que era por volta da meia noite, para conversarmos no MSN, éramos como unha e carne. Eu adorava aquela guriazinha e ter finalmente a oportunidade de conhecê-la, parecia um sonho. No momento em que nos abraçamos a Raíssa tirou uma foto. A foto do nosso primeiro abraço. Se um dia eu tiver um álbum da minha vida, certamente esta foto se fará presente nele.
Após o momento cinematográfico chegou a hora das apresentações, eu não conhecia ninguém e mal tinha contato por internet com muitas daquelas pessoas. Lembro que no momento da apresentação eu não entendi os nomes direito e pareceu que eu tinha ouvido duas vezes o nome Vanessa, como aquilo não podia ser normal resolvi que não chamaria ninguém de Vanessa aquele dia. Depois descobri que realmente existiam duas Vanessas, uma que era a do Rio e a outra era cunhada da Aline. Conheci naquele dia também a Tia Márcia e Tia Penha, mães respectivamente de Raíssa e de Vanessa (a do Rio).
Saindo da rodoviária, passando em um feirinha onde a Raíssa comprou luvas, ela estava muito triste por ter perdido seu celular. Perdeu no ônibus indo pra rodoviária me pegar. No dia me senti meio culpada,
afinal elas foram pra rodoviária por minha causa.
Nesse momento foi também a primeira vez que ouvi falar no Iago, o irmão dela que estava na oitava série. =p ela tinha ligado pra casa, pra pedir o numero serial do aparelho, para que bloqueassem. Depois disso andamos pelo centro. Tiramos várias fotos em alguns monumentos, não sei bem do que se trata aquele monumento, mas achei aquele cachorro muito fofo, impossível não tirar fotos com ele uhahuauha. Entramos na Catedral Metropolitana e eu lembro até os pedidos que fiz lá. O centro apresenta construções bonitas, imponentes, de classe, é um lugar muito lindo e encantador. Passamos pelo Mercado Público, Palácio Piratini, Theatro São Pedro, Igreja Nossa
Senhora das Dores, Casa de Cultura Mário Quintana, entre outros locais até chegar a delegacia. Mila tinha perdido as passagens de volta, então Tia Penha, ela e Vanessa tinham que registar um B.O. Lá descobri que Vanessa fazia doutorado, eu quase não entendi, pois ela aparentava ser muito novinha.


Depois disso continuamos andando pelo centro, passamos por mais alguns locais e seguimos para Ipanema. Eu não sabia que em Porto Alegre tinha um bairro com esse nome. Achei chique.
Todo mundo estava comentando sobre as músicas do Osvaldir e Carlos Magrão, Tia Márcia havia se tornado fã, eu não conhecia nenhuma, mas estava louca pra aprender. Às vezes eu não entendia um ou outro comentário, porque elas já estavam juntas desde o dia anterior. Por exemplo: eu não sabia como que a Aline tinha aquele saquinho cheio de passes e não sabia também porque eu ganhava um, cada vez que entrava no ônibus, já que eu nem tinha pagado, mas como ela me oferecia, eu pegava.



Chegamos em Ipanema e lá é lindo. Lembro que o rio estava coberto por um nevoeiro, estava um dia nublado, fechado e eu precisava urgentemente tirar uma de minhas camadas de roupa, pois a calça de lã estava começando a coçar. Tiramos muitas fotos com o Guaiba de fundo, e depois disso tive uma ideia brilhante de subir em uma árvore pra tirar fotos. Fatídico. Fiquei encalhada na árvore, nem subia, nem conseguia descer. Me vi ali, pagando o maior mico na frente de pessoas que eu mal conhecia, mas acho que o episódio da árvore serviu pra quebrar o gelo e depois disso super me enturmei melhor com o pessoal. Andamos mais um pouco, paramos em um restaurante pra tirarmos um pouco de roupa. Minha mochila devia estar pesando quase 10 quilos, eu estava exausta e faminta. Andamos um pouco mais e fui obrigada a perguntar: “Aqui em
Porto Alegre vocês costumam comer?” caímos na risada e resolvemos ir até o shopping Praia de Belas, para almoçar. Meu prato era de encher os olhos, uma macarronada linda, e comi com muito gosto, pois a fome era algo que estava a me tomar. Quase cuspi tudo pra fora o que eu estava comendo quando ouvi uma palavra que Aline usa como gíria, não sei o que aconteceu que fez a Aline proferir a palavra BUCETA. Eu não sabia bem o que fazia, aqui isso é palavrão, lembro que olhei pra Rá e acho que até fiquei vermelha de  vergonha, porém ri muito. huuAUUHAhuAHauhAU
Coca do Lote 23739304232, essa eu não posso tomar.
Certas vezes eu tomo coca e a reação é eletrizante, e foi isso o que aconteceu depois que almocei e tomei uma latinha de coca desse lote. Fiquei possuída, parecia que tinham trocado minhas pilhas e colocado pilhas alcalinas no lugar das velhas. Eu cantava (mais mais mais mais, sempre mais mais mais mais), meu humor estava a mil e parecia que eu conhecia todas desde a infância. De fato acho que a sintonia de todas era a mesma, nos relacionamos muito bem, ganhei uma irmã, uma amiga que eu pentelho o tempo todo, mas que nem consigo explicar o tamanho do amor que sinto por ela, conheci uma pessoa que admiro demais e que se um dia eu chegar a ter a metade da inteligência dela serei uma pessoa muito feliz, conheci uma das pessoas que mais tive vontade de conhecer no mundo, a Mila, e mais tarde a noite conheci Paula, alguém que merece milhões de parabéns por suas ações. Nasceu nesse dia então as gurias Mps.

 O T7 tremeu quando estávamos voltando pra casa. Cantamos baba baby e inclusive o vendedor ambulante se retirou do ônibus ao perceber que competindo pela atenção do público conosco, ele não tinha a menor chance. Fomos nos arrumar para o show, que na verdade nem seria mais da gravação. Aline foi cortar o cabelo e eu tomar banho, morri de vergonha da Tia Ana (mãe da Aline), pois fiquei sozinha com ela, hoje eu a adoro, mas aquele dia eu não sabia nem onde colocava minhas mãos, estava muito nervosa por conta da vergonha.
Enquanto estávamos em casa, nos arrumando, eu era obrigada a entrar em contato com Ricardo. Rita, uma amiga minha de SP, tinha conseguido um ingresso de graça e eu tinha que falar com o Ricardo para conseguir pega-lo. Foi um auê, porque eu sou muito burra pra falar ao telefone com quem não conheço e entrar em contato com ele foi um martírio, mas no final deu tudo certo, só que meu lugar ficava lááááá longe do palco, na parte de cima do teatro, as outras meninas estavam todas na primeira fila, e eu estava lá, quase chorando, na solidão... de repente avistei um pequeno “ser” fazendo gestos para chamar minha atenção, era a Aline lá de baixo igual a doida me chamando, parecia que tinha sobrado um lugar e eu poderia descer.




 Muito rapidamente sai de onde eu estava e desci as escadas,
  e era isso mesmo. A moça que se sentaria naquela lugar tinha sido assaltada e o lugar estava livre, então me vi ali, na primeira fila, junto com as gurias maravilhosas que eu tinha conhecido pela manhã, certamente sem a Aline eu jamais teria assistido o show ali de pertinho, guria fantástica, ligada, além de ser uma ótima guia. O show foi maravilhoso e pude acompanhar tudo de pertinho e  em Fly me to the moon, ao levantarmos para dar a mão para Paula Toller não percebemos que nossos acentos ficavam inclinados assim que saiamos de cima deles e na volta não encontramos nada a não ser o chão, Paula, Mila e eu caímos de bunda no chão do Teatro, até a Paula Toller riu da gente e achamos lindo ela rir huauhauha.
A princípio, no final do show eu iria pra casa da tia do Luciano, mas minha mala tinha ficado na casa da Aline e então apesar de não saber se teria de fato lugar para mim na casa dela, a Aline me levou e dormimos na sala: Mila, ela e eu. Lembro que a Mila teve que cobrir todas as luzes dos eletroeletrônicos antes de dormir. Achei graça. Depois de revivermos todos os momentos do show, dormimos.

06/07 - Ao acordarmos tomamos café e ficamos esperando o táxi com as outras chegar, iríamos para o aeroporto, lá encontramos também a mãe e o pai da Paula, que são uns amores, nossa despedida foi cheia de choro, acho que todas compreendiam a que ligação que iniciamos naquela viagem seria algo que duraria uma vida. Ficamos ali de bobeira e provavelmente nossa Musa Paula Toller passou por nós e nem a vimos, depois ficamos sabendo que ela estava no mesmo avião que a Rá. Puta sortuda a Raíssa, depois Tia Márcia ainda diz que a rabuda sou eu.
Depois de deixarmos a Rá, ainda com lágrimas nos olhos, decidimos que iriamos na casa da Paula, para a Vanessa e a Mila tomarem pela primeira vez chimarrão, a cuia era bastante feia, mas deu pra elas encararem.
Depois disso fomos conhecer a redenção... amei aquele parque, lugar lindo, cheio de gente culta lendo, tomando chimarrão, única coisa que me deixa triste quando vou lá são aqueles indiozinhos, sério, eu sou chorona e ver eles lá de pé no chão, batendo o pezinho e cantando me corta o coração, ficamos lá até perto da hora de eu ir pegar meu ônibus de volta pra Lages.

Durante toda a minha vida vou me lembrar do dia 5 de julho como um dia especial, dia em que eu conheci pessoas que sempre vão estar presentes em minha vida. Hoje, escrevendo, percebo que muito tempo já se passou, muita coisa já mudou, mas nossa amizade só se fortalece e fica com raízes ainda mais profundas. Porto Alegre me fez muito alegre nestes dois dias que passei lá e me alegra todos os dias por meio das pessoas que lá conheci.










Carol Pereira

Um comentário:

  1. 1. Quem tirou a foto tua e da Mila fui eu e não a Raíssa, quero os créditos
    2. Nunca soube da confusão das Vanessas até hojeeeee, hahahahahahahahaha
    3. Os passes mágicos do ônibus HAHAHAHAHAHAHAH nem existe mais vale transporte, credo a gente tá velha. Imagina daqui uns anos contar sobre os VTs, vai todo mundo rir de nós.
    4. Me mijo de rir do lance da ~ buceta ~ acho que parei com isso (quem lê pensa que estou falando sobre me tornar hétero hahahaha)
    5. "única coisa que me deixa triste quando vou lá são aqueles indiozinhos, sério, eu sou chorona e ver eles lá de pé no chão, batendo o pezinho e cantando me corta o coração," IMAGINA SE FOSSEM ÍNDIOS VELHOS? AUHAUHAUHAUHAUHAUAHUAHHUAHAHU daí era maltratar o teu de fato :)

    6. " Também estaria lá a Aline, aquela baixinha de óculos maldita que tinha ganhado a promoção do show da Paula Toller em Porto Alegre" Ainda bem que esse pré-conceito básico se desfez ainda no primeiro dia né, hahahahaha! Hoje tamo aí pro que der e vier \o/ Não que eu não seja uma baixinha de óculos (não maldita) rabuda pra caralho por ter visto a Paula 3 dias seguidos, hahahahahaha! (Já contei que no último dia ela sabia até meu nome? Oh!)

    Ah o mais importante: queria que a Paula Toller pudesse ler isso e entender um pouquinho só o que ela foi capaz de unir.

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