terça-feira, outubro 18, 2016

Idioma, religião e a tradição alemã em Santa Catarina

Em uma gincana realizada no Silva Jardim como tarefa os alunos deveriam trazer para a escola um livro antigo. A aluna Marcela trouxe um livro publicado em 1850. Se tratava de uma bíblia, toda escrita em alemão. Junto com a bíblia, veio também um pequeno relato de como a religião, o idioma e as tradições marcaram a vida dos imigrantes alemães que aqui chegaram.
O texto é do senhor Quirino Iung e vale a pena conferir! 



“A colonização Alemã teve início na região de São Pedro de Alcântara, Teresópolis, Santa Izabel, na década de 1850, vieram imigrantes de várias regiões da Alemanha e a religião entre esses colonos era algo muito marcante, e vários templos – igrejas – foram erguidas para professar as Religiões Luteranas e Católicas.
Esta Bíblia de bolso é da Religião Luterana, datada em 1863 e escrita em alemão - visto que os imigrantes só falavam seu idioma nativo. As bíblias eram trazidas pelos pastores e pelas próprias famílias e eram usadas em cultos e em suas leituras diárias aqui no Brasil.
Este volume pertencia aos meus avós paternos Jacó e Catarina Guckert, que residiam em Rancho Queimado. Naquele tempo na igreja e escola o idioma falado e escrito era Alemão. O pastor além do serviço paroquial que fazia, tinha conhecimento medicinal, atendia os fiéis e a medicação mais comum era a Homeopatia além disso o pastor era também exercia a função de professor. A área atendida pelo pastor – de Rancho Queimado - era muito grande, além desta região ia também para o sul do estado para cidades como São Bonifácio e Anitápolis. O deslocamento era feito no lombo do cavalo, enfrentando chuvas, trovoadas, rios cheios e mais os índios.
As despesas eram mantidas pelo imperador Kaiser Guilherme II da Alemanha, até 1918 quando mudou a lei do ensino no Brasil. O meu pai Evaldo Iung estudou e falava apenas alemão, nunca teve aula em português, depois foi aprendendo o nosso idioma.
Era comum entres eles, uma religião frequentar aos amigos a igreja do outro. E faziam confraternização das famílias que se ajudavam entre si na construção de Igrejas dos que ainda não possuíam.
É fato verídico na localidade de Teresópolis (Hoje Queçaba) as igrejas não tem nem 300 metros de distância entre uma e outra, inclusive os cemitérios. E também na cidade Rancho Queimado o mesmo ocorre.
Por Quirino Iung"




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