quarta-feira, abril 30, 2014

Augusto Jochem

Por Alexsandro Ricardo da Rosa

Data de Nascimento: 11 de fevereiro de 1921
Data de Falecimento: 08 de fevereiro de 2011                                                    

 Augusto Jochem nasceu dia 11 de fevereiro de 1921 na localidade de Cerro Negro em Ituporanga. Era filho de agricultores, João Jochem e Verônica Schell Jochem. Nos primeiros anos de vida mudou-se, juntamente com sua família, para Águas Negras, município de Ituporanga, onde frequentou a escola particular daquela localidade.
          Aos dez anos de idade foi para o Seminário dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Corupá, norte de Santa Catarina, onde permaneceu por três anos e meio cursando o ginasial. Lá estudou latim, francês, alemão e Italiano. Ele teve que retornar para casa, devido a um jogo de futebol que causou uma ferida enorme na perna. Depois disso ele nunca mais praticou o esporte.
        Aos dezenove anos de idade, em 1940, segundo o costume da época, recebeu o aviso de que foi “sorteado” para apresentar-se na junta de serviço militar na cidade de Bom Retiro, onde recebeu o Certificado de Apresentação. Alguns meses após recebeu a intimação para a prestação do serviço militar no 14º BC – Batalhão de Caçadores, localizado no bairro Estreito, em Florianópolis. Lá, permaneceu durante oito meses, e depois de “passar” na inspeção física foi julgado apto para o “serviço de guerra” sendo transferido para Taubaté – SP e, depois para a Vila Militar no Rio de Janeiro onde, após oito meses de instruções de guerra, foi incorporado na Força Expedicionária Brasileira – FEB. (treinadas nos moldes norte-americanos, pois haveriam de operar em conjunto com unidades do Exército dos E.U.A.)
         Em agosto de 1942 houve a declaração de guerra do Brasil aos países Alemanha, Itália e Japão e depois que vários navios mercantes foram afundados em nosso litoral ,em 22 de setembro de 1944, Augusto embarcou com o Primeiro Regimento Sampaio, composto por 3 Batalhões. A Marinha de Guerra brasileira forneceu o cruzador "Rio Grande do Sul" para participar da escolta, cuja viagem foi feita com navios da Marinha norte-americana e, após ingressar no Mediterrâneo, também foram escoltados, desta vez, com navios da Marinha Real britânica. Chegou ao porto de Nápoles em 06 de outubro e de lá, a bordo de outro navio em uma viagem muito desconfortável, com quase toda a tropa sofrendo de enjôo, foi até Livorno, nas imediações da cidade de Pisa, onde a tropa ficou estacionada. Na Europa como nevava, eles se camuflavam de branco e faziam um buraco na neve para se esconderem.
     Ao chegar à Itália, passou a fazer parte do 5º exercito  dos E.U.A., comandado pelo General Mark Wayne Clark. Juntamente com o VIII Exército britânico, comandado pelo General Leese, compunha o XV Grupo de Exércitos - composto por brasileiros, britânicos, canadenses, indianos, norte-americanos, poloneses e sul-africanos - sob o comando do Marechal-de-Campo britânico Alexander..
      Ao todo o efetivo da FEB na Segunda Guerra Mundial consistiu em 25.335 membros, dos quais 451 faleceram em operações de guerra e estão sepultados no Monumento aos Pracinhas Brasileiros, em Pistóia, Itália. Augusto Jochem permaneceu por onze meses na Itália em operações de guerra e atuou em diversas localidades nas imediações de Nápoli. Participou da conquista do Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945, até então linha de defesa das tropas alemãs. A guerra terminou em 08 de maio de 1945 com a rendição da Alemanha às forças aliadas. Em 22 de agosto de 1945, após o término de Segunda Guerra Mundial, embarcou no porto de Nápoli e regressou ao Brasil desembarcando no Rio de Janeiro em setembro do mesmo ano. Lá, juntamente com a dispersão dos membros da FEB, foi dispensado do serviço ativo do exército, recebendo o Certificado de Reservista e a Medalha de Campanha conferida aos militares da ativa, da reserva e assemelhados que participaram de operações de guerra sem nota desabonadora. Após a chegada cada tropa desfilava no Rio de Janeiro, sendo recepcionada calorosamente pela população em reconhecimento ao seu valor demonstrado nos campos de batalha da Itália.
           Augusto Jochem retornou sem ferimentos. A cidade catarinense de Águas Negras, onde moravam seus pais. Em 31 de dezembro de 1946 casou-se com Leopoldina Tenfen, filha de Bernardo Tenfen Sobrinho e Elisabete Roecker, que recém havia migrado de Rio Fortuna . Eles se encontravam todos os domingos nas domingueiras. Logo depois de casado se mudou com a esposa para Atalanta. Aos quarenta anos de idade recebeu um serviço nos correios de Ituporanga  como recompensa por ter participado da FEB, sendo-lhe oferecido o cargo de carteiro.Ele levava as correspondências a pé ate Rio Engano em Alfredo Wagner. Em função da atuação como carteiro mudou-se com a família para Ituporanga. Trabalhou, também, por dois anos e meio como Agente Postal dos Correios em Imbuia. Depois, em 1980, foi transferido para assumir a Agência Postal Telegráfica de Alfredo Wagner para onde mudou-se com sua família. Se  aposentou pelo Exército Brasileiro. Faltavam 3 dias para completar 90 anos quando faleceu, em 08 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, abril 28, 2014

O Barracão e a Revolução de 30

Carol Pereira

Podemos dizer que seu Quirino é o alfredense com uma das memórias mais privilegiadas de nosso município. Com 70 anos de idade, foi espectador de muitas das mudanças que ocorreram no desenvolvimento de nossa cidade. Um amante da história, ao longo de sua vida foi um bom ouvinte e hoje relata em detalhes como a comunidade do antigo Barracão viveu e participou da revolução de 30.
A revolução de 30 foi um movimento de revolta armado ocorrido no Brasil em 1930, que tirou do poder, através de um Golpe de Estado, o presidente Washington Luiz. Com o apoio de chefes militares, Getúlio Vargas chegou à presidência da República.
Os soldados que porventura chegavam na Localidade de Barracão ocupavam sempre o correio e a delegacia.
Os dois lados distintos – Forças do Governo e o lado dos Revoltosos – no Barracão eram formados por: a favor do governo; Quirino Kretzer, Alberto Schweitzer, Miguel D’avila e outros e a favor de Getúlio; Paulo Almeida, Evaldo Iung, Genésio dos Santos e Jorge Franz entre outros.
Primeiro o Barracão recebeu a visita das forças do governo, que ficaram estabelecidas na casa de Quirino Kretzer. Quem era contra o governo não se manifestava com medo das represarias.
 Poucos dias após a partida das forças do governo chegaram os revoltosos, vindos do Rio Grande do Sul e da região de Lages. Embora os revoltoso também contassem com a presença de militares contra o governo, eles também tinham a fama de arruaceiros, desordeiros e violentos, até mesmo matando quem fosse contra Getúlio Vargas no poder.  Chegaram na cidade pela Catuíra e se dirigiram para a Ponte Emilio Kuntz. Conta-se que os amigos Evaldo Iung, Paulo Almeida e Genésio dos Santos assim que souberam de sua chegada partiram da Águas Frias em direção ao Sombrio. Ao avistarem a ponte, perceberam que os revoltosos estavam na ponte e de guardas, já tinham colocado dinamite nos quatro pontos dela, para - dependendo qual fosse a reação da cidade, faria explodir. Assim que os 3 se aproximaram um deles gritou: “Viva Getúlio!” E os revoltosos responderam com um forte “VIVAA!”, desistindo assim da ideia de dinamitar a ponte.
Por conhecerem a fama dos revoltosos, muitas pessoas que eram a favor do governo fugiram da cidade com sua chegada. Montaram no lombo de seus cavalos e andaram quilômetros, buscando se proteger. Ficaram escondidos em suas terras e até mesmo mulheres grávidas tiveram que fugir, tendo de ter seus filhos no meio do caminho.
Os revoltosos ficaram por algum tempo na cidade e também montaram o seu QG na casa de Dona Olga Kretzer – seu marido Quirino havia fugido com medo de ser morto pelos revoltosos. Dona Tercilia que trabalhava no correio não fugiu, mas como tinha seu emprego vinculado ao governo não precisou nem declarar de que lado estava, seu marido se escondeu em um terreno a poucos quilômetros dali. Os revoltosos acabaram ficando sabendo de seu paradeiro, mas como já conviviam a algum tempo com a família de Alberto – pois ele possuía um hotel, onde muitos dos revoltosos almoçavam, atendidos por seus filhos – já sabiam que ele era uma pessoa de bem e avisaram que ele poderia voltar para casa sem medo. Meio ressabiado Alberto e Quirino Kretzer voltaram. Algum tempo depois os revoltosos deixaram o Barracão com destino a Florianópolis, onde os revolucionários ou revoltosos – como eram chamados no Barracão – souberam da vitória de Getúlio Vargas.
Com o Golpe de 1930 terminou o domínio das oligarquias no poder. Getúlio Vargas governou o Brasil de forma provisória entre 1930 e 1934 (governo provisório). Em 1934, foi eleito pela Assembleia Constituinte como presidente constitucional do Brasil, com mandato até 1937. Porém, através de um golpe com apoio de setores militares, permaneceu no poder até 1945, período conhecido como Estado Novo.

domingo, abril 27, 2014

Lauro Comichelo Cechetto


Por Daniela Bunn
Data de nascimento: 20 de dezembro de 1929
Data de falecimento: 06 de agosto de 2001

Lauro Comichelo Cechetto nasceu em Orleans, em 20 de dezembro de 1929. É filho de Sebastião Cechetto e Antônia Moro Cechetto. De família pobre e humilde, teve como língua materna o italiano. Seu pai era cego e tocava gaita, instrumento com o qual sustentou a família. O sobrenome Comichelo é uma homenagem ao seu padrinho de batismo, Jucelino Kubitschek, que deu de presente uma quantia em dinheiro, revertida em uma vaquinha de leite que contribuiu durante anos na renda familiar.
Lauro mudou-se ainda pequeno para Alfredo Wagner onde cursou dois anos de escola. Mecânico de profissão, casou-se com Laurentina Mariotti (in memoriam), costureira, que teve um AVC muito nova. Lauro dedicou-se intensamente a cuidar de sua esposa e filhos. Muitos alfredenses podem se lembrar da imagem de seu Lauro, conduzindo dona Laurinha (como era chamada) pelo braço que, embora toda a dificuldade para caminhar, não faltava uma missa no fim de semana. Seu Lauro era um marido atencioso, todas as noites, após seu joguinho de baralho ou dominó,  trazia para sua esposa acamada um agrado: um chocolate, uma bala, uma cocada. Gesto que demonstrava todo seu carinho e atenção. E isso aconteceu durante anos e anos. Foi pai, avô e esposo extremamente dedicado. O casal deixou três filhos, seis netos e uma bisneta.
Era um grande contador de causos, de histórias de pescadores e caçadores, era bom de trova e adorava um verso de improviso. 
Seu Lauro participou da vida religiosa e política de nossa cidade. Doou para a Igreja Matriz de Alfredo Wagner a imagem do Cristo Morto, participou da construção do Hospital e prestou trabalhos comunitários como Vereador, numa época em que vereador não recebia salário.
Morreu de infarto, em 2001, aos 71 anos, após quarenta dias internado no Hospital de Caridade, em Florianópolis, devido a um câncer.


“De meu avô lembro da careca, que eu costumava beijar, do carinho com minha avó, ao trazer todas as noites um agradinho, das verduras que plantava, dos sustos que adorava dar nas pessoas. Era um grande contador de causos e adorava polenta. No seu carro sempre tocava Pena Branca e Chavantinho ou Tonico e Tinoco. Aprendi com ele a ter paciência e a cuidar das pessoas com muita dedicação e carinho.” (Daniela Bunn, primeira neta)

sábado, abril 26, 2014

2013 - Brasília - PPB

Viagem surreal.
Eu poderia terminar meu texto com apenas essa linha, pois assim eu já teria definido minha viagem.
Em 2013 eu realizei um projeto na escola onde eu trabalho chamado “Conhecendo Alfredo Wagner”. Visitamos comunidades, realizamos entrevistas e pesquisas históricas. Enfim, foi um trabalho muito prazeroso e bem sucedido. Sendo assim, no segundo semestre do ano passado resolvemos escrevê-lo em um concurso do Ministério da Educação (MEC) chamado “Prêmio Professores do Brasil”. Em dezembro recebi um e-mail dizendo que meu projeto estava entre os cinco finalistas e que eu estava sendo convidada a passar quatro dias na Capital Federal para premiação e oficinas.
No dia 11 de dezembro embarquei para Brasília, acompanhada por dona Nazaré, diretora da escola. Nosso voo era cedinho, com aquela escala básica em São Paulo, mas logo no inicio da tarde já estávamos no destino. No aeroporto uma moça nos esperava, ela era a responsável por reunir todos os participantes do prêmio e levar-nos até o hotel. Enquanto esperávamos os outros fui ao banheiro. Lá uma outra professora me perguntou se eu também estava participando do prêmio e eu disse que sim, descobrimos que pertencíamos a mesma categoria e a conversa acabou. Isso mesmo, quando eu disse a minha categoria “Integral e integrada” ela me deu uma olhada de cima abaixo, uma analisada, um sorrisinho meio de lado e virou as costas. Eu permaneci estática, ainda com a boca entreaberta e, não restando mais nada a fazer, também deixei o banheiro.  
Ficamos hospedados no Hotel St Peter, que fica no setor hoteleiro Sul. Ao chegarmos fomos nos acomodar, descansar um pouco e depois saímos para conhecer as imediações do hotel, fomos até o shopping e retornamos para eu me arrumar para os compromissos noturnos. A agenda oficial do evento estava vazia, mas eu havia sido convidada para a festa do PT, para finalizar as atividades do partido no ano. Apesar do hotel ser bom, quando fui tomar banho a luz do nosso 
apartamento acabou e permanecemos por quase uma hora no escuro.
Eu tinha grandes expectativas quanto a essa festa, pois Rafael me disse que era uma festa de renome, de gente de classe. Bom, a festa realmente foi muito boa, tocava de tudo – inclusive muitos funks – porém vivem acontecendo festas no mesmo estilo nos finais de semana nas comunidades rurais aqui de Alfredo, logo não cobriu minhas expectativas, mas as companhias foram ótimas.


Dia 12 – Big Day

                Iniciei o dia cedinho e a agenda estava lotadíssima. Após o café da manhã fomos direto para o Centro de Convenções e Eventos Brasil 21. Lá nos sentimos verdadeiras estrelas, pois éramos os astros principais daquele espetáculo. Eram fotos, entrevistas, apertos de mão e isso tudo ao som de uma orquestra e saboreando um delicioso coquetel. Fomos convidados para nos dirigirmos até o anfiteatro, onde as premiações iriam acontecer. Nesse momento meu coração já queria pular do peito aos saltos. As categorias iam sendo anunciadas e eu quase morria.
                As premiações aconteciam da seguinte maneira: Um por vez os finalistas eram chamados até o palco para receber o troféu e a premiação que se recebia por estar na final. Todos os finalistas e diretores permaneciam no palco e então acontecia o momento “The Oscar goes to...”. Era de tremer só observando os colegas das outras categorias e nesse momento eu tinha certeza de que não seria a grande vencedora e já estava treinando o meu sorriso – falso – de felicidade, pelo vencedor, foi então que anunciou-se a minha categoria.

                Fui a primeira da categoria a ser convidada a subir ao palco e a partir desse momento eu passei a flutuar. Recordo da apresentadora Bárbara Pereira ter feito alguma brincadeira com o fato de termos o mesmo sobrenome, fora isso coloquei meu melhor sorriso – um tanto quando acanhado – e fui agradecendo, apertando mãos e abraçando quem olhasse para mim. Passada essa primeira etapa esperei os outros quatro finalistas se colocarem ao meu lado e então prendi a respiração, sorri – aquele que ensaiei – e esperei o nome do grande vencedor ecoar pelo salão. Após a apresentadora terminar de falar o nome eu pensei: Caroline? Caroline? CAROLINE SOU EU!!! MEU DEUS! MEEEEEEEEEEU DEUS! - Eu juro que eu não esperava e depois, em nenhum momento em que por devaneio cogitei meu nome ser anunciado eu pensei que não falariam Carol. Depois disso eu não sabia o que fazer, todos me olhavam – a mulher do banheiro do aeroporto me olhou e

 sorriu da mesma maneira falsa que eu tinha treinado sorrir – a felicidade não cabia dentro de mim.
                Todo mundo que me conhece sabe o quanto me dediquei a esse projeto e o quanto trabalhei com amor para que ele saísse o mais perfeito que eu pudesse fazer. O prêmio serviu para elevar minha autoestima, para mostrar que posso muito, que nem sempre o jeito com que os outros realizam os seus projetos é o único modo correto de se fazer. Serviu também para me empurrar para um futuro de glórias na educação, pois é sonhando que as coisas acontecem.
                Para não decepcionar meus leitores vou comentar que houve sim um momento Carol Pereira e aconteceu quando eu estava descendo do palco, quando um pouco tonta de emoção pisei em cima da barra do meu vestido longo – ou do vestido que estava usando depois de esquecer meu traje de gala em casa – e desequilibrada quase cai no colo de uma senhorinha, que aproveitando a deixa me deu um abraço pela vitória! #carolices
                A partir desse momento só festa! Voltei para meu lugar na plateia e, quase nem acreditando, tratei de bombardear meus amigos com torpedos anunciando a vitória e de anunciá-la nas redes sociais. Depois disso minha agenda ficou cheia: de entrevistas, gravações de programas, sessões de fotos. Eu realmente parecia uma celebridade – morrendo de vergonha, quase colocando o coração pela boca em cada entrevista, falando mais rápido do que de costume e me segurando para não roubar o microfone da mão do repórter. Sim, eu tenho vontade de fazer isso sempre.  Cumprido todos os compromissos após ter recebido o Oscar, digo o prêmio, retornei ao hotel em uma bolha de sabão – a bem da verdade voltei dento de uma Van apertada, mas mesmo assim ainda me sentia dentro da bolha.
                Almoçamos no restaurante do hotel e a tarde estava reservada para apresentarmos os projetos, para confraternizarmos com nossos colegas de outros locais e para palestras e debates sobre educação. Tínhamos 5 minutos para apresentarmos o projeto e os meus 5 minutos voaram – eu falei ainda mais rápido do que de costume, mesmo assim não consegui expor nem 25% do projeto. Essa foi uma oportunidade bem bacana de conhecer outras realidades e outras metodologias que contribuem para que o processo de ensino e aprendizagem aconteça de maneira mais interessante e eficiente.
                  Só deixamos o salão nobre do hotel para nos preparamos para o jantar de comemoração que aconteceu no restaurante BierFass Lago, no Pontão do Lago Sul. Lá além de prestigiar a alta culinária da Capital Federal ainda recebi pessoalmente parabéns pelo prêmio.

                

Dia 13 – Turismo na capital

                Na manhã do dia 13 tivemos uma oficina de produção de vídeos, era bem interessante. Contudo, devido a minha formação, foi uma pouco cansativa, para mim aquilo era chover no molhado. Após as oficinas partimos para o turismo. Visitamos todos aqueles locais de praxe, como a esplanada, o Museu JK – voltaria lá mais 10 vezes – a casa da Dilma, Praça dos 3 poderes e todos aqueles lugares politicamente históricos.
              À noite fui ao shopping com Marlon, um grande amigo que conheci por meio daquela comunidade do Kid Abelha no Orkut, aquela mesmo que já me deu mil amigos. Foi muito bom encontrar com ele, pois Marlon sempre foi muito querido e me remete a uma época maravilhosa de minha vida. Além disso, apesar da distância, ele já acompanhou várias etapas de minha vida assim como eu acompanhei as etapas da vida dele.


            Dia 14 – Retorno

Antes de retornar, fizemos um pequeno tour por uma parte da cidade que ainda não conhecia, nem do dia anterior nem mesmo de minha viagem de maio de 2013. Estava acompanhada por meu guia oficial da Capital Federal Rafael Pezenti. Fomos até a Ermida Dom Bosco, até a torre de TV digital e finalizamos o encontro no Sushi. Rafael sempre me mostra a melhor parte de Brasília. Do sushi direto para o aero e do aero para casa, com direito a festa surpresa e foguetório na entrada da cidade! Teve até mesmo a presença do prefeito. Ok, apesar de ser tudo verdade as informações acima estão um tanto quanto exageradas.
Bom, quanto a essa viagem, eu realmente vivi um sonho, um daqueles que nem em minha vida paralela – aquela que idealizo todo dia antes de dormir – eu tinha realizado. Ainda colho os frutos desse prêmio. Quando retornei de Brasília fui convidada a tomar um café com o Governador – não que eu goste dele. Nesse encontro ele e o Secretário da Educação do Estado de Santa Catarina se propuseram a financiar meu livro, que contém todo o material, fruto de muitas andanças, muitas entrevistas, elaborados por meus alunos, por mim com e com o auxilio de minha grande amiga Ana Paula Kretzer, pessoa que sem dúvidas contribuiu muito para esse premio acontecer. Além disso as entrevistas gravadas em Brasília foram destaque na TV Escola e Futura durante algumas semanas.


quinta-feira, abril 24, 2014

Barracão/ Sombrio

Carol Pereira

Alfredo Wagner antigamente era conhecida como Barracão. A origem deste nome se deu devido aos “barracões” que eram montados para servir de descanso para os tropeiros que faziam a rota litoral-serra. O seu povoamento começou no final do século XIX. Dizem que o primeiro morador da região, que hoje conhecemos como o centro de Alfredo Wagner, teria sido o Senhor Augusto Lima, porém não se sabe muito além do nome e do ano em que ele por aqui se estabeleceu, 1890.
A Seguir se estabeleceram Cazuza Rosar, João Conrado Schmidt, João Hoffmann, Alberto Schweitzer, Sebastião Pereira, Quirino Kretzer e Jorge Franz. Essas famílias eram, em sua maioria, praticantes da agricultura; com o passar do tempo e o grande fluxo de tropeiros e viajantes pelo local estes primeiros moradores ingressaram no comércio. Nesta época, outras pessoas também foram atraídas pelo forte potencial do comércio nessa região e vieram de Florianópolis para se estabelecer aqui (Famílias Beling, Sardá, Heiderscheidt).
De acordo com documentos, a ponte Emilio Kuntz, teria sido concluída no ano de 1910; antes dela a travessia era realizada em pontos em que as águas eram mais rasas.
Na década de 1920 o Barracão já tinha mais de uma dezena de casas de comércio, as chamadas “vendas”, elas se dividiram entre as estabelecidas no Barracão – próximas a igreja – e as do Sombrio – área em que hoje conhecemos como o centro da cidade – embora o “forte” do comércio fosse mesmo no Barracão. Era no Barracão que se localizava o correio – telégrafo (onde dona Tercilia Schweitzer era funcionária agente), a delegacia, a cadeia, a primeira escola com os professores Iracema Pinho, Manoel de Souza e Maria Veronica da Silva, as alfaiatarias de Zezinho Durieux, de Wilson Schweitzer e de João Fernandes, vendas como as de Júlio Gerber e esposa Maria Gerber. Quirino Kretzer e esposa Olga tinham uma venda, um açougue e a salga – local onde o couro era colocado após ser retirado e salgado para se conservar por mais tempo até ser vendido. Alberto Schweitzer e esposa Tercilia Schweitzer tinham um hotel. Barbeiros: sr Norberto, João Francisco, Santino Franz, Neide kalckmann, Célio Aniceti.
Em 1933 foi fundada a primeira associação do município, o “Peri Futebol Clube”, fundado por Roberto Belling; posteriormente no ano de 1937, João Bruno Hoffmann funda o “União Futebol Clube” , que fez história na cidade. Houve entendimento “união” entre Roberto, João Bruno e outros para jogar aos domingos em campo de futebol alugado nos pastos na periferia da localidade. O clube social de bailes e domingueiras era no salão particular do Sr. Talico no centro ao lado da ponte, neste local os moços e moças se encontravam aos domingos para paquerar.
Após Sr. Talico encerrar as atividades do salão de baile, este passou a funcionar no prédio do antigo cinema. Como a Sociedade União Clube não possuía sede social própria, várias pessoas que se dedicavam ao bem estar da comunidade se reuniram e em 1955 tiveram a doação de área (360m) no centro ao lado do planejado jardim, para construção  da primeira sede social. O benfeitor foi o Sr. José de Campos e sua esposa Maria Zita Campos. Após muito trabalho e dificuldades financeiras, em julho de 1958, foi fundadea  a Sociedade União Clube.
Com o passar dos anos outros comércios foram surgindo como a farmácia do alemão João Bruno Hoffmann, Farmácia Ivandel Macedo, a sapataria de Evaldo Iung – que era grande e possuída 9 funcionários - , as vendas de Doia, Tolda, Nicolau Almeida, Carlos Gainete, Leopoldo Santos, Evaldo Iung (1943), Jordelino Fernandes, Miguel D’avila, a padaria Seu Joaquim de Dona Beleza, oficina e loja de peças para caminhões de Adelino Luckmann – o primeiro a possuir um automóvel na cidade -, a marcenaria de José Petrosky, os hotéis de Rodolfo Beppler, Maria Gerber, Orlindo Espíndola, Claudino dos Santos, Nelson Ferreira, Fernando Figueiredo.
Todos os produtos da terra eram produzidos pelos colonos da cidade de diversas comunidade; destacando-se: Caeté, pela grande produção de suínos (banha e carne), milho, feijão e iniciava-se a cebola; Pedra Branca, pela qualidade e quantidade do feijão produzido, milho e batata, produzia suínos também; Rio Caixão, pela farinha de mandioca e Picadas pela produção de batata. As comunidades de Catuíra, Limeira, Barro Branco, Barra da Jararaca bem como as outras comunidades “rio abaixo” comercializavam seus produtos nas vendas de Catuíra (comerciante José Ibagy e Azizo Ibagy) e da Barra da Jararaca(Fridolino Thiesen, Alberto Probst, Maneca Machado, Alfredo Muniz, Alcebíades Andersen e Nesio Kloppel).
Com a monopolização das terras do Barracão por algumas famílias que não tinham intenção de se desfazerem delas, quem quisesse instalar um novo comércio se viu obrigado a começar a se deslocar, o que acabou contribuindo para que alguns anos mais tarde o centro comercial viesse a se mudar do Barracão para o Sombrio.
A primeira bomba de gasolina da cidade era de propriedade de Evaldo Iung em sociedade com Jordelino Fernandes; se encaixava manualmente na bomba um tambor de 200 litros. Posteriormente Adelino Luckmann adquiriu uma bomba mais moderna e passou a ser o fornecedor de gasolina para moradores e viajantes que passassem pelo Barracão. Ambas eram eram tocadas manual. A segunda bomba, do Sr. Geronimo Luckmann, era em frente a Casa Iung.
Na década de 40 começou a funcionar uma linha de ônibus entre Lages e Florianópolis e os ônibus paravam na rodoviária, propriedade de seu Talico, que além da rodoviária também possuía um bar e um famoso salão de bailes.
Começaram a surgir ferrarias como a de Carlinhos Seemann que funcionava na Água Fria, rua que passou a ter um grande desenvolvimento nessa época com serrarias, curtume de Paulo Bunn e Leonardo Bunn, Atafona de João Zilli e ferraria de Paulo Almeida. Outros comércios também surgiram no Sombrio nessa época, como o açougue de Jango Schweitzer, Jorge Franz e Paulo Bunn (1948).
Um outro fato que contribuiu para que o centro comercial mudasse para o Sombrio foi a troca de terrenos entre Evaldo Iung e José de Campos. José trocou sua casa comercial por um terreno de grande extensão o qual ele loteou e vendeu – o terreno abrange com exceção da rua do comércio cerca de 70% do centro da cidade.
Em 1948 surge a primeira grande indústria que era propriedade do Sr. Luiz Batistoti e seus sócios Olibio Wagner e Manoel Seemann que foi diretor por muitos anos até a década de 70, chamava-se Companhia Laminadora S.A. Nesta época a economia da cidade teve um grande impulso, pois vieram muitas famílias residir aqui.
A escola desdobrada do Barracão veio para o Sombio no ano de 1953 funcionando até 1956 - no local onde hoje se encontra a casa do seu Santo Luca. Já o Grupo Escolar Silva Jardim teve sua construção iniciada a partir do ano de 1954 em terreno doado pelo senhor José de Campos - fundação datada em 14 de maio de 1954 - e foi inaugurado no inicio de 1957 no local onde até hoje funciona. 
No ano de 1954, o governo do estado Dr. Irineu Bornauser criou aqui o Posto Fiscal, permanente com 2 funcionários, um deles Sr Odilio schweitzer no Barracão onde tinha uma “cancela” que bloqueava o trânsito.
Foi criado em 1958 o Distrito de Barracão, desmembrado de Catuíra.  Neste ano também foi a construção da casa Paroquial Católica.  Assim passou a ter o cartório, com o 1º Escrivão, Olíbio Ferreira da Cunha; A Delegacia de Polícia (cadeia); Coletoria Estadual com 1º coletor, Olibio Zilli.
            Barracão se emancipou de Bom Retiro e passou a se chamar Alfredo Wagner. A década também é marcada pela construção da nova igreja – no mesmo local das antigas -, construção do hospital e do Grupo Escolar Silva Jardim. Na Água Fria Seu José Onofre abriu uma venda, mais algumas serrarias foram abertas como as de Vili Claudino, Noé Vieira de Souza, a de Germano Stoff e a de Arthemio Rosa Farias. Foi nessa época que o óleo de sassafrás começou a ser explorado - o óleo de sassafrás ou safrol, é de grande importância para as indústrias química, alimentícia e farmacêutica. No Barracão, milhares de árvores foram abatidas, picadas e transformadas em óleo num processo a vapor, entre os anos de 1940 e 1980, nas famosas fábricas de óleo de sassafrás. A maioria da produção era exportada, inclusive para a NASA, por ser um óleo que só congela a temperaturas menores que 18 graus centígrados negativos. Os sócios Izidoro Cechetto e Paulo Bunn possuíam uma fábrica deste óleo em Águas Frias e uma outra fábrica era de propriedade Germano Stoff, no Barracão.
As fábricas funcionavam tocadas à água e para isso o Rio Águas Frias era represado e canalizado em dois pontos, uma para tocar a fábrica de Sassafrás e outra para tocar a fecularia – fábrica de farinha mandioca – de Zezé Altoff e Lindolfo Schweitzer.
No ano de 1966 foi inaugurada a Igreja Matriz Católica (1ª Igreja Católica foi construída de madeira coberta de tábuas, 2ª Igreja construída de Alvenaria, foi demolida em 1960, 3ª Atual igreja Matriz -todas no mesmo lugar).
Com o governo de Dr. Ivo Silveira veio a energia elétrica da CELESC, depois a CASAN e a TELESC telefonia.
A década de 80 é marcado pelo início das atividades das máquinas de cebola na cidade, até então a produção de cebola era vendida restiada – em réstias, tranças. A década também foi marcada por uma diversificação no comércio da cidade, as vendas caracterizadas por realizarem o comércio de diversos seguimentos no mesmo local começam a dar lugar a mercados, lojas apenas de roupas, apenas de calçados ou de tecidos, diversificando o comércio de cidade.
O grande crescimento da economia de Alfredo Wagner aconteceu na década de 80, com dois fatos muito importantes: A vinda da Camargo Correia para a cidade em virtude da construção da BR 282 e a criação da agência do Banco do Brasil. A população teve aumento de mais de 1000 pessoas, os aluguéis aumentaram pois como a população aumentou muito em pouco tempo, alugava-se qualquer lugar até mesmo porões, e muitas pessoas começaram a construir casas e prédios para alugar. Basicamente todo o salário dos funcionários da Camargo Correia ficava no comércio da cidade o que ocasionou grandes lucros para todo o município, com isso ocorreu um grande êxodo rural com pessoas do campo buscando tentar a vida no centro da cidade.
Nesta época foi transferida a Paróquia Evangélica Luterana da Comunidade do Rio Adaga para o centro, e posteriormente construída a Igreja.
A década de 90 não foi das melhores para a Alfredo Wagner. Com o final da construção da BR 282 muitos funcionários da Camargo Correia e das subempreiteiras Pater e ASA deixaram o município. Além disso no ano de 1993 uma terrível enchente arrasou a cidade. Deixando o centro debaixo d’agua, os comerciantes perderam seus estoques, pontes e casas não resistiram a força das águas e foram levadas, na zona rural produções inteiras foram perdidas, rebanhos e casa se perderam.
Depois desta catástrofe muitas pessoas deixaram a cidade buscando recomeçar em outros locais. Com isso a economia ficou muito abalada e coube a administração pública tentar reverter a situação.
Uma das soluções encontradas foi fazer com que proprietários de madeireiras viessem de outras cidade se estabelecer em Alfredo Wagner. Foi assim que a madeiras Neuhaus se estabeleceu em nossa cidade gerando empregos e ajudando a reerguer a economia.

            Informação transmitidas por Quirino Iung.



quarta-feira, abril 23, 2014

Viagem de Estudo Balneário Camboriú

No último dia 16 de Abril os alunos do Ensino Médio Inovador da Escola de Educação Básica Silva Jardim realizaram uma viagem de estudo até a cidade de Balneário Camboriú. O itinerário contava com visita ao zoológico Cyro Gevaerd e ao Parque Unipraias, com intuito de conhecer, estudar e explorar a fauna e a flora da Mata Atlântica.
Partindo às seis horas da manhã da praça central da cidade, tivemos uma parada para o café e chegamos ao balneário mais conhecido do Estado pouco antes das dez horas da manhã. Ao chegarmos, nosso primeiro destino foi o zoológico. Lá conhecemos um pouco mais sobre a Anta, o animal que por sofrer muito preconceito diante da sociedade, estava em destaque no Zoo esse mês, assim recebemos o material intitulado “Minha amiga é uma Anta” com várias informações sobre o mamífero.
Após conhecermos o animal, os alunos se dividiram para dar início a sua pesquisa de campo. Eles puderam fotografar os animais e por meio das placas informativas obtiveram as informações necessárias para elaborarem suas fichas, material que posteriormente ficará disponível na biblioteca da escola para futuras pesquisas.
De lá seguimos até o complexo do parque Unipraias, almoçamos no restaurante “Vikigns”, que fica na estação Barra Sul de frente para o mar, dali podemos apreciar o vai e vem dos bondinhos. Após o almoço enquanto aguardávamos a hora de subir até a estação Mata Atlântica passeamos pelo molhe. O molhe da Barra é um atrativo de 452 metros de comprimento pavimentado em madeira. A forma de animais marinhos da região estampados no piso faz do molhe da Barra um lindo lugar. Além disso, ainda há um moderno sistema de paisagismo e uma vista maravilhosa de toda a orla e da cidade de Balneário.
As 14:00 horas embarcamos no bondinho. Muitos estavam apreensivos, com um certo receio de subir devido a altura, porém bastou contemplar a vista para o medo passar - na verdade na foi bem assim com minha amiga Charlene que passou todo o trajeto em um dilema entre mandar eu não falar nada e informar em que ponto estávamos, foi realmente muito difícil sabe o que fazer. Durante o trajeto, é possível ter vista panorâmica da Praia Central da cidade e da Praia de Laranjeiras, dois dos locais mais visitados por turistas, além disso, do bondinho é possível ter toda a vista da Mata pela qual o parque é rodeado, uma Reserva Particular de Patrimônio Natural, RPPN e que conta com uma área de 202 mil metros quadrados. O local, antes da instalação do parque, em 1999, era utilizado para a exploração de pedras. Ao todo, 47 bondinhos percorrem cerca de três quilômetros sobre a mata. No topo do Morro, na Estação Mata Atlântica, os alunos e professores puderam percorrer trilhas, guiados por duas Biólogas e também conhecer os mirantes.
No Parque Ambiental é possível também observar animais e árvores típicos de Mata Atlântica. Durante todo o passeio orientado pelas Guias, em paradas estratégicas, recebemos informações e orientações sobre todo o ecossistema da Mata Atlântica. Ao todo, são 500 metros de passarelas e trilhas em meio à mata. Entre as atrações do parque estão o Arvorismo, o Youhooo! e o Zip Rider, aventuras  radicais que alguns alunos, após o café da tarde resolveram encarar.Enquanto isso outro grupo permaneceu no mirante contemplando a paisagem. Antes de retornarmos, visitamos a estação laranjeiras e após algum tempo na fila conversando com alguns turistas uruguaios nos dirigimos ao ônibus para voltarmos para Alfredo Wagner.
Os alunos foram acompanhados pelas orientadoras de leitura e convivência, pelos professores de Biologia, Informática, Educação Física e Inglês e ao longo dessa semana estarão finalizando os trabalhos referentes à saída de campo.  Vale a pena registrar que conheci o lado cantora de Dona Eliziane que em minha vida também é conhecida como a mãe de minhas melhores amigas e nessa viagem pude perceber o quanto elas puxaram a ela, pois nos divertimos muitos, mostando inclusive o quanto somos poliglotas. =P


domingo, abril 20, 2014

2013 - São Francisco do Sul

Enquanto eu não tenho condições de visitar a Golden Gates o jeito é me conformar com uma visita a São Francisco do Sul! =)
No dia 25 de julho os alunos do Ensino Médio Inovador - acompanhados por eu e outros professores - viajaram até a cidade histórica de São Francisco do Sul, onde puderam mergulhar na história local, bem como conhecer o meio ambiente e algumas das principais fontes de renda da cidade – além de conhecer seu forte vento, que nos acompanhou durante todo o passeio. 
São Francisco do Sul com 500 anos de História, que marca suas ruas, casas, igrejas, sambaquis, ruelas e becos é formada por importante e conhecido patrimônio histórico, como a igreja Matriz Nossa Senhora da Graça, de 1699, construída por escravos, e pelo povo do lugar, com argamassa feita de uma mistura de cal, concha, areia e óleo de baleia. No interior da igreja está a imagem da padroeira, que data 1553 e foi deixada ali pelos espanhóis, que ergueram uma capela em homenagem a ela depois de serem salvos de um temporal. Também há estatuas barrocas dos séculos XVII e XVIII e um órgão trazido do Rio de Janeiro em 1823 e que utilizado até hoje. Há também no Museu Histórico, o Museu Nacional do Mar, que abriga exemplares e réplicas regionais de embarcações do litoral brasileiro, além de instrumentos, documentos, aparelhos de orientação naval, equipamentos, mapas, miniaturas, cenários. E.ainda o Mercado Público Municipal e o Forte Marechal Luz.
Nossa primeira parada foi o Museu Histórico que abriga um acervo preservado e que nos conta um pouco da evolução da cidade. Antigamente o museu abrigava um presido e os alunos foram convidados a entrar em uma das celas, que mais se parecia com as masmorras de filmes, ela foi usada pela última vez na época da ditadura, detendo presos políticos. Conta-se que naquela época em tempos de maré cheia o prisioneiro tinha que ir subindo conforme a subida da maré, pois a água do mar inundava a cela e quase matava os detentos por afogamento. O guia do Museu nos contou muitas histórias, com a 
riqueza de detalhes de quem viveu uma vida inteira naquela cidade e trabalhou boa parte dela no museu. Uma das histórias que mais chamou a atenção dos alunos foi a de Ferrinho, segundo o guia, ele foi a única pessoa que conseguiu fugir do presidio e por duas vezes. No museu histórico tive um daqueles momentos Carol Pereira, onde um de meus amigos me faz pagar um grande mico, dessa vez inventaram para o guia que eu sabia tocar piano e ele me convidou a tocar, como o guia havia ficado muito empolgado com a noticia eu resolvi que não iria desmentir e me fiz de envergonhada, dizendo que não queria tocar, por fim, me obrigaram a tocar minha versão de “Deus é tão bom”, a única coisa 
que tento tocar ao piano, o guia desiludido me lançou um olhar de desprezo. Is good!
Após o Museu Histórico seguimos para o Museu Nacional do Mar, fizemos o trajeto a pé e assim pudemos contemplar o beleza do centro histórico da cidade, andando as margens da Baía da Babitonga. No caminho paramos para algumas fotos em um trapiche, mas com o vento as fotos não renderam belas imagens. No caminho também aprendemos que a fonte do centro se chama Carioca e descobrimos o porquê. Ao chegarmos ao museu do mar fomos recepcionados por um casal de 
trovadores que por meio de suas trovas nos contaram um pouco da história das grandes navegações e de seus grandes navegadores. O museu do mar encantou a todos, com suas miniaturas e barcos praticamente em tamanho natural. Para fechar o tour mergulhamos no folclore do litoral catarinense, habitado por bruxas, assombrações e lendas. Assistimos a encenação de um dos contos de Franklin Cascaes, onde uma bruxa contava uma das tantas peças que os antigos moradores do nosso litoral acreditam que elas pregavam contra os pescadores. “Remem suas éguas, pois a cada remada é uma légua alcançada” – foi depois dessa viagem que passei a conhecer mais sobre 
a vida e a obra de Franklin Cascaes e resolvi trabalhar os contos dele em minhas aulas com as séries iniciais. 
Seguimos direto do Museu do Mar até o restaurante no qual almoçamos que fica perto do mercado municipal de São Francisco. No restaurante enquanto todos esperavam - e torciam - que eu derrubasse o café como de praxe, mas quem acabou deixando o café cair foi meu amigo Reginaldo que conquistou até mesmo antipatia de uma senhora que estava sentada perto da bandeja, de tanto que me atazanou tentando me fazer derramar - o castigo virou conta o feiticeiro. Após o almoço seguimos de Balsa até a Vila da Glória. 
A Vila da Glória é um mundo á parte da Ilha de São Francisco. Parte integrante da área continental do município, localizada no Distrito do Saí, esta pacata comunidade fica a 03 milhas náuticas do Centro Histórico da Ilha de São Francisco, tendo seu acesso por mar via Ferryboat. Durante nossa travessia pela Baia pudemos assistir a um balé de golfinhos que encantaram a todos com suas acrobacias. O frio estava cortante, mas nem ele conseguiu diminuir a euforia de nossos alunos a bordo do Ferryboat.
Ao chegarmos até a Vila seguimos direto para o CEPA – Centro de Estudo e Pesquisa Ambiental, que faz parte da Univille, Lá fizemos um passeio por dentro da mata e o guia - cultuador de Bob Marley - ia nos falando sobre as espécies encontradas, os biomas, o porquê da Baía ser considerada um estuário... o professor Reginaldo acompanhava o guia e fazia interlocuções fazendo com que os assuntos abordados pelo guia fizessem sentido dentro dos temas trabalhados em sala de aula. Após sairmos do CEPA fizemos uma breve parada no centro da vila da Glória e retornamos para Alfredo Wagner. 


2014 - Montevideo

Terra do pampa que se estende sem fim. Do rio mais largo do mundo. De um litoral cheio de luxo e personalidade. Do assado na brasa. Do doce de leite. E do mate. Um lugar onde a gente não percebe pressa e nem o corre-corre – exceto no que diz respeito ao mestrado.
Ao desenhar o seu mapa, o Uruguai ajudou a definir parte de nossa fronteira, essas terras banhadas pelas águas doces do Rio da Prata e pelas praias da Costa Atlântica sempre fascinaram.
Montevidéu nem parece capital de um país. Tem mais jeito provinciano que cosmopolita. E olha que metade da população uruguaia vive nela. Entre as ruas sem engarrafamento e rodeadas por árvores, esta a Universidad de la Empresa, a responsável por eu passar quase um mês nessa cidade encantadora.
É la também que tem a ‘rambla’ que é um calçadão com 20 quilômetros que se debruça sobre o Rio da Prata e liga a cidade colonial à cidade moderna.
A capital uruguaia tem um ar de nostalgia espalhado pelos jardins, casarões e prédios que exibem na fachada estilos arquitetônicos dos últimos dois séculos. O Teatro Solis é uma das construções mais lindas da cidade.
O Palácio Salvo com suas torres que lembram o gótico e chegam a 70 metros já foi o mais alto da América do Sul. E há uma fonte mágica que diz a lenda, realiza apenas um desejo: amor. A ela não são dadas moedas, mas cadeados com nomes de apaixonados. Eles representam o desejo de amantes que sonham em ficar juntos para sempre. E muitos amantes já fizeram pedidos à fonte.
No meio do caminho há uma porta. Antiga, imponente. É a porta da cidadela - o que restou da muralha que protegia a Montevidéu colonial de 1714. É atrás dela que fica o Hostel Splendido, minha casa em Montevideo durante minha estadia na capital uruguaia.

Nas ruas, o que se vê é uma tranquilidade que impressiona. E o que se sente é um cheirinho de fumaça no ar. Sempre tem um fogo pronto para preparar o prato preferido de quem mora por lá: o assado. Eu comi assado todos os dias, no Tar Tar do Cyro! O assado é orgulho nacional que envolve tradição e técnica. Diferentemente ao que estamos acostumados no churrasco brasileiro, o assado uruguaio é feito com lenha e não com carvão e isso faz toda a diferença garantem os parrilleros, enfim, vou contar um pouco sobre minhas viagem para essa bela cidade através dos meus diários de bordo, vamos lá...

Diário de Bordo UY - 11\01

Bom, nossa viagem até aqui foi uma odisseia. Quase 12 horas para chegar em Porto Alegre não é coisa de Deus, mil paradas, desconforto, o que animou foi a ilustre presença de Iaroslava em nosso ônibus. A senhorinha já era uma sexagenária e reclamava de tudo, queria que ônibus parasse para ela fumar e falava muito alto, no final acostumamos com ela e percebemos o quão culta ela era, descobrimos até que ela era Tcheca. Carinhosamente nós a chamamos de Anita, devido a maneira terna que ela se despediu da cidade de Laguna.
Eucatur, nunca mais.
Em Porto Alegre tive um encontro the Flash com Aline, que foi até a rodoviária me entregar as passagens. Mesmo de forma rápida é sempre bom reencontrar minha grande amiga.
A viagem de POA até Montevideo ocorreu de forma bem tranquila, cheguei antes que os outros e fiquei aguardando o transfer para nos trazer até o Hostel.
Estamos hospedados no Hostel Splendido, que fica exatamente de fronte para o Solis, a vista é linda e da sacada podemos tirar várias fotos do famoso teatro. Nas duas laterais do prédio - que de alguma maneira lembro o Flatiron Building de New York - tem uns calçadões cheios de bares, restaurantes e danceterias. O prédio é bem antigo e todos os papos sobre espíritos que tive em Floripa – com  Júlia, Nado e Guiga – as vezes me fazem ter medo. Hahaha É uma construção bonita que merecia uma restauração e certamente tem um passado cheio de história. Eu particularmente gostei do hostel – menos da recepção que tem cheiro de incenso e trilha sonora indiana – achei um lugar bem alternativo.  Agora lá embaixo – na rua - ta rolando a maior festa, ouvimos as músicas aqui do quarto, mas nem animamos em descer, pois estamos exauridos.
Logo que chegamos nos acomodamos e fomos dar uma volta pela cidade, procurando um bom lugar para almoçar. Acabamos almoçando em um restaurante aqui perto do hostel, nos enrolamos um pouco com o cardápio todo em espanhol, mas no final concordamos com quem nos preveniu de que no Uruguay se come muito bem, pura verdade. Foi no almoço que quase me apaixonei pelo “Zorro Dançador”, mas quando ele tirou a máscara a magia da paixão acabou. =P
Quem quiser dar uma olhadinha no dançador, segue o link http://instagram.com/p/jCYmNHSBym/
O Clima tempo me enganou e por conta disso passarei frio. Está ventando demais, um vento gelado e eu não tenho roupa para isso, amanhã preciso dar o jeito de comprar uma blusa.
Turisticamente conhecemos pouco da cidade, ficamos mais pelas imediações do hostel, passeamos até o rio, passamos pela Puerta de la Ciudadela, retornamos e agora perto da noite passamos pela Plaza de la Independencia, pela Estátua em homenagem a Artigas, tudo más que se pode ver na tal Plaza e fomos jantar, saboreei o tal do Chivito e aprovei!  Amanhã após as energias serem renovadas desbravaremos Montevideo.


Diário de Bordo UY - 12\01

Como todos sabem a maconha está liberada aqui em Montevideo – não para estrangeiros – e é nisso que se baseia minha melhor história do dia de ontem.
Pedimos um mapa da cidade aqui na recepção do hostel, o recepcionista não encontrando, nos deu um daqueles livrinhos de viagem, que trazia um mapa com apenas metade da cidade, o jeito foi explorar só a parte mapeada mesmo.
O domingo estava reservado para o turismo, finalmente esquentou, o sol deu as caras e agraciou nossa presença na capital do Uruguay. A primeira atividade do dia era encontrar a universidade, no caminho exploramos a Plaza Independência, tiramos fotos com suas diversas atrações e até entramos no mausoléu com os restos mortais de Artigas – um herói nacional daqui. Encontramos a Universidad de la Empresa – UDE - e após conferir o prédio do campus onde vamos estudar seguimos para o almoço. Dessa vez almoçamos em uma pizzaria, mas meu pedido foi o mesmo do dia anterior, um chivito – tem como eu não gostar dessa culinária? Carne e batata frita, Deus é Uruguaio!
Depois do almoço voltamos para o hostel e após um desencontro total eu e Diego passamos a tarde inteira perdidos pela rambla de Punta Carretas e pelo Mercado del Puerto. Em Punta Carretas andamos por uma espécie de trapiche – deve ter outro nome – onde várias pessoas estavam com suas motos estacionadas e suas varas de pesca a espera de peixes.  Lá a única coisa bonita que encontramos foi a vista da cidade, a bem da verdade nos arrependemos muitos de caminhar cerca de 500 metros para chegar a uma espécie de oca de concreto, ok isso acontece. Resolvemos seguir até o Puerto margeando o rio, o resultado foi que andamos muito e quando chegamos ao Mercado nos decepcionamos um pouco, esperava que fosse maior, depois de superada a decepção curtimos o mercado e experimentamos uma Zillertal – cerveja uruguaia. No mercado tem gente de todas as partes do mundo, visitando Montevideo com transatlânticos, é uma experiência bacana.
Na volta finalmente encontramos as meninas que estavam indo para o Puerto, sem forças para retornar com elas viemos para o hostel e fiquei lendo. Quando elas retornaram resolvemos descer para conhecer os pubs aqui da rua do hostel – péssima ideia. Fomos até o The Shannon, um bar no estilo Irlandês, com um ambiente temático e músicas muito boas. As gurias comeram e eu as acompanhei em algumas Stellas, descemos assim que as senhoras do encontro da turma de 83 chegaram e dominaram o ambiente, fomos para os banquinhos da rua e foi lá que vivemos a experiência com a maconha – calma mãe.
Estávamos sentadas nas mesas da rua e o relógio já devia marcar meia noite, foi então que um cara uruguaio chegou com vários saquinhos com maconha e queria que comprássemos. Eu muito simpática não quis dizer que não fumava – para não parecer a brasileira careta – e então disse que não tinha dinheiro, que estava muito caro, ele foi abaixando o preço e também as calças para tirar da cueca outras sacolinhas. No final ele estava nos vendendo um pacotinho por 10 reais, mas mesmo assim eu não queria e não encontrávamos mais jeito de dispensar o sujeito. Tive que pedir ajuda a um casal que tínhamos conhecido anteriormente – ele uruguaio e ela brasileira – pedi para ele falar ao cara que eu realmente não queria, o que não deixou o sujeito cheio de cicatrizes de tiros nos braços muito satisfeito e o fez sair gritando pela calle: “Chica, vá chupar uma pica... UMA PICAAA!” Mereço? Todo mundo ficou me olhando, quase morri de vergonha. Maldito traficante mequetrefe.
Foi também nessa noite que descobrimos que Paula fala Italiano e não espanhol, vabêne!
Após o The Shannon paramos no El Pony Pisador, um barzinho com música ao vivo, provavelmente o local de onde vinham os gritos e sons da madrugada anterior. Realmente, dá vontade de gritar e cantar - ou foi o ambiente ou foram as várias Stellas.  O fato é que nunca é uma boa ideia descer para os pubs antes do primeiro dia de aula, sério, é uma dica importante para você que não pretende morrer de sono – para não dizer outra coisa – na primeira manhã de la maestria. 

Diário de Bordo UY - 13\01

Hora de estudar!
Logo cedo quando acordei quase morri de medo de ir até o banheiro na penumbra da madrugada – sim, acordar as 6 e meia é meio madrugada ainda – e como eu tenho medo de ghosts foi meio tenso entrar no banho.
O mestrado está cumprindo minhas expectativas e minha professora – de hoje e amanhã - é encantadora. Ela é uruguaia e as aulas, de acordo com o esperado, são em espanhol. Estava com um pouco de medo de meu espanhol me deixar na mão, mas não tive dificuldade – pelo menos não hoje.
Acabamos nos dividindo, viemos em 5 para cá e como abriram 3 turmas, nos separando. Eu, Diego e Paula ficamos na turma A e Dona Michelle e Luciana ficaram cada uma em uma sala diferente. Assim como no encontro dos professores do Brasil, achei muito bacana a troca de vivencias entre os professores de diversos estados, já fizemos amizades com algumas colegas e hoje realizamos nossa primeira atividade avaliativa – com um texto desgraçado de um uruguaio que remou, remou e suponho que tenha morrido na praia.
A aula é das 8 até as 12 e depois das 14 até as 18 horas. A universidade fica a 10 minutos a pé daqui do hostel.
Tenho que confessar que não foram fáceis as primeiras horas das aulas da manhã, por conta daquele meu incidente com Stellas ontem, por isso hoje depois da aula vim para o hostel e aqui estou até agora.
Por preguiça de descer para jantar eu e Diego criamos “Lo pacotito de linguiça e queijo” que consiste em uma rodelinha de linguiça, coberta com maionese e embrulhada em uma fatia de queijo branco. Uma delícia, sqn. Quem foi que disse que vida de estudante é fácil? 

Diário de Bordo UY - 16\01

Algunos apuntes para poner en la carpeta...

Essa foi sem dúvida a frase mais ouvida nos últimos dois dias.
Como podem perceber não tenho tido tempo de escrever meu diário de bordo, a aula me ocupa todo o tempo e ao contrário do que alguns de meus amigos tem pensado eu não estou vivendo uma vida de boêmia no Uruguay.
Como relatei nossa primeira professora foi um amor, realmente encantadora, falava pausadamente e tinha muita preocupação em se fazer entender e, em nos entender. Tivemos aula com ela na segunda e na terça. Na aula de terça ela nos levou para visitar O Museu Pedagógico José Pedro Varela, que é um antigo internato comandado pela igreja católica onde as moças que tinha a intenção de serem professoras ficavam estudando e aprendendo o oficio. O lugar é bem interessante e traz um vasto acervo de materiais que ajudavam no ensino das ciências humanas e naturais nos séculos passados. Gostei da visita e pudemos até mesmo escrever com um caneta tinteiro.
Minha turma se mostra bastante unida, nos preocupando uns com os outros e colaborando com nossos colegas sempre que possível, acho que temos um certo espírito de cumplicidade, provavelmente por estarmos todos longe de casa.
Na quarta-feira o bicho pegou. Acostumados com a cordialidade de Karina, quase morremos quando nos deparamos com Doutora Diva. Eu e Diego já havíamos percebido na apresentação dos docentes que a senhorinha seria osso duro de roer, porém nas primeiras horas da aula pensei que seria impossível roer aquele osso. Brava e com um espanhol incompreensível, Diva quase me fez chorar de desespero. Bradava sem parar: poner en la carpeta, poner en la carpeta, poner en la carpeta!!! Onde está reflexão? La reflexión? Donde esta la reflexión? Enfim, foi terrível, nos passou mil trabalhos e ontem fiquei até a meia noite passando meus “apuntes” a limpo para entregar na segunda, lendo e fazendo um trabalho. Diva me parecia uma megera, até que em algum momento da aula de hoje meu conceito sobre ela mudou, acho que foi depois de ver ela rindo ou saltitando, na dinâmica proposta por uma das equipes que apresentaram o trabalho e, o que seria o previsto aconteceu, me encantei pela velhinha e queria abraça-la.
Acho que ela pouco me entendia, mas em alguns momento só eu que compreendia o que ela falava e repassava para a turma. No final das contas parece que ela foi com a minha cara. Doutora Diva tem coração.
Não sei se foi a situação de ontem, onde me senti um pouco perdida na aula ou se é a saudade que estou sentindo de casa, o fato que estou muito carente – pode ser a TPM também – e com vontade de chorar, não estou conseguindo falar com ninguém lá de casa, a única pessoa que me responde esporadicamente é Henrique e acha que quero falar com a mãe porque preciso de dinheiro. =S
Amanhã temos professor novo, vamos ficar na torcida para que ela não nos deixe em desespero.
A única coisa turística que fiz nesses últimos dias além de ir ao Museu foi descer até a rambla e ter a linda vista do imenso Rio de La Plata. 


Diário de Bordo UY - 17\01

T.G.I.F
Graças a Deus hoje é sexta feira. Hoje tivemos um novo professor, que só trabalha com variáveis, a princípio fiquei um pouco perdida, pois ele é chileno e acho que no chile se fala mais rápido, mas depois tudo fez sentido e ter feito exatas me privilegiou.
Depois da aula eu e Dona Michelle resolvemos dar umas voltas pela cidade, fomos até la Fuente de los Candalos. Antes que vir eu assisti um programa indicado por Aline: “O mundo segundo os brasileiro” que falava sobre Montevideo e peguei várias dicas de locais para conhecer aqui, entre elas a dica da fontes e, realmente, achei o local interessante ... Depois da fonte resolvemos ir até o rio para assistir ao pôr do Sol, o problema foi que seguir o lógico não deu muito certo. A lógica seria, seguir da 18 e Julio, passar pela San Jose e pela Soriano... depois desceríamos mais umas 3 quadras e chegaríamos a rambla, o problema foi que depois da Soriano, na altura da 18 em que estávamos, ao cruzar a San Jose e a Soriano saímos em uma favela, isso mesmo, uma espécie de conjunto habitacional, uma região bem pobre. Todo mundo está com muito medo de ser assaltado aqui, nos últimos dias temos ouvido muitos relatos de alunos do mestrado que tem sido assaltados ou presenciado assaltos, então eu estava morrendo de medo de perder meu celular e minha câmera (que não é uma coisa muito fácil de esconder) por aquelas bandas. Em meio a apreensão resolvemos pedir ajuda, já que andávamos, andávamos e nunca chegávamos ao rio, uma senhora my simpática e sem alguns dentes, nos disse que estávamos perto (eu tive vontade de abraçar ela, super disposta a ajudar e para esconder a falta dos dentes ela colocava a mão na frente da boca, me deu pena), seguimos a direção indicada e conseguimos, com algum custo, chegar ao rio.
Lo poner del sol é um espetáculo! Valeu a pena o medo que passamos!
Agora estamos aqui na cozinha do hostel, saboreando mais uma cerveja uruguaia, hoje é o dia de saborear a Pilsen, afinal é sexta feira e amanhã não temos aula, a propósito, amanhã eu e Dona Michelle devemos ir a Punta então terei um relato especial sobre a cidade. Beijo a todos! =P

Diário de Bordo UY - 19\01

Candombe
No dia 19, um domingo de sol, eu estava sentenciada a ficar no hostel fazendo a “carpeta” de Diva. Acordei por volta das 10 horas e já fui encaminhando o trabalho. Resolvemos cozinhar no domingo – a bem da verdade, quem cozinhou foi Luciana e falo cozinharmos apenas para ficar mais bonito – para isso, fomos até o mercado. O almoço só saiu por volta das 16:00 horas, enquanto Lu cozinhava eu fazia meu trabalho – conclui as 18:30.
Eu e Diego combinamos com Denise de procurar o Bairro Palermo para assistirmos ao Candombe – indicação de Vicente, nosso guia de Punta. Andamos pela 18 e depois descemos até a Isla das Flores e logo começamos a ouvir o barulho dos tambores. Assistir ao candombe – que é um ritmo de origem africana que lembra em alguns aspectos o Candomblé e até mesmo o Olodum -  foi uma experiência, diria até antropológica incrível.
Segundo a história o Candombe teria surgido no Uruguay, ainda no século XVIII, a partir da mistura dos ritmos africanos trazidos ao Rio da Prata pelos escravos.
O Candombe na atualidade é executado por 3 tipos distintos de tambores – Piano, Chico e Repique – que são denominados em conjunto, como cuerda. No carnaval uruguaio, formam-se agrupamentos musicais chamados de comparsas, que saem as ruas acompanhados por multidões de dançarinos e populares. O Cortejo é conduzido pelo Escobero, em geral um jovem que tem a função de arauto; o mestre dos tambores é conhecido como Gramillero, sempre acompanhado de sua mama veija – uma mulher vestida de trajes coloridos e com um leque na mão.
Na capital uruguaia, os bairros “Sur” e “Palermo” são conhecidos como berços do Candombe, cada um com seu ritmo característico, chamados de ritmos “Cuareim” no  e “Ansina” para Palermo.
Em Palermo estavam todos muito felizes e orgulhosos por sua tradição, aplaudimos muito as coreografias e os músicos. Foi emocionante ver a reação do povo do bairro, com os olhos brilhando e a alegria estampada não apenas no olhar mas em todo o corpo que sacudia ao som dos tambores. Homens, mulheres, crianças e idosos, todos tocando e dançando juntos. Ter a oportunidade de participar de uma manifestação sociocultural destas foi incrível. Confesso que me emocionei. Viva o Candombe!

Créditos da montagem: Murilo Azevedo.


Diário de Bordo UY - 20\01

Montevideo, 20 de Janeiro de 2014

Dia de cão.
Como se não bastasse toda a pressão das aulas com conteúdo difíceis ministrados em espanhol, meu olho ainda resolveu me pregar uma peça. Ontem tive uma dor forte e depois ele ficou todo vermelho. Tive uma pequena hemorragia ou, um derrame no olho, como é popularmente conhecido.
Fui para aula, mas não estava dando para aguentar, então o professor me falou que a UDE tem um convenio com um serviço de atendimento médico e disse para eu procurar a secretaria acadêmica para ser atendida. O médico me examinou e confirmou as suspeitas da hemorragia e me pediu para repousar, sem lente - detalhe importante, a hemorragia foi no único olho que funciona, no outro nem uso lente pois tenho fratura na retina – o professor me liberou, porém, amanhã eu tenho prova, então me senti obrigada a colocar a lente de novo.
Minha imunidade está muito baixa e como sou muito nervosa e preocupada acabou acontecendo isso com meu olho – semana passada eu já tive um bolha na boca, pelo mesmo motivo. Tenho muitos trabalhos para fazer, estou morrendo de saudade de casa e em um lugar que querendo ou não, é diferente do meu lugar habitual, além de que, está acontecendo uma onda de assaltos por aqui, várias pessoas do mestrado já foram assaltadas. Tenho sorte por ter total apoio da minha turma e de meus amigos que hoje demonstraram grande preocupação. Obrigada.
Finalmente consegui falar pelo Skype com minha mãe e descobri também que meus irmãos – JM e LF - foram os grandes responsáveis por nossos desencontros, aproveito para agradecer ao Henrique, que foi o único que se preocupou e me ajudou como pode. Obrigada <3 o:p="">

Diário de Bordo UY - 24, 25 e 26\01

Querido Diário...
=p
Semana passada foi uma semana muito tumultuada, as aulas não foram tão boas quanto as da primeira semana, não tivemos dificuldades mas como não apresentavam muitas coisas novas, eu tinha que lutar contra o sono todo dia - foi um período difícil onde o espanhol me parecia canção de ninar. 
Meu olho foi melhorando e já não dá nem de perceber que tive aquela hemorragia.
Na semana passada fui da cama pra universidade e da universidade para a cama, não fiz nada de diferente, a não ser ir um dia até o Parque Rodó, sozinha e a pé. Fiz as contas no google mapas e andei cerca de 8,5 km, até corri pela rambla, o que de certa forma me deixou mais aliviada e até menos cansada.
Na sexta feira marcamos de sair à noite – com a turma do mestrado. Marcamos no El Pony pisador e como tínhamos aula no sábado pela manhã sabíamos que não poderíamos demorar muito. Marcamos as 9 e assim que ficamos prontos descemos, o pessoal começou a chegar e a diversão começou.
Vieram a principio, o pessoal da nossa sala e como alguns não entram em bares, nos revezamos para fazer companhia a eles na rua. Eu busquei um cobertor para eles se cobrirem nas mesas da rua, pois aquele dia especialmente, fazia muito frio aqui na cidade velha - que nesta parte em que estamos lembra muito a Lapa. Lá dentro encontramos com o pessoal da Bahia, que são da outra turma e depois de mais um pouco de tempo chegaram os que estavam na despedida de um colega. Metade do Pony era da turma do mestrado.
Tenho que comentar aqui que o vocalista da banda disse que eu me parecia muito com Nicole Kidman – deficiente visual ou não, admito que gostei daquele senhor huahuauha.
A primeira parte do show era de músicas brasileiras, depois rumba e quando o DJ entrou começou a tocar um misto de Salsa, Rumba, reggaetón e até É o Tchan. Dançamos muito e foi muito engraçado, pois estava muito cheio e com exceção de uns dois ou três, ninguém sabe dançar salsa ou qualquer um desses ritmos. Já temos nossa música preferida no estilo Reggaetón, que se chama Sentimiento e quando toca – ninguém fica parado – é o auge.
Como teríamos aula no sábado de manhã eu parei no primeiro caneco de Chopp, mas mesmo assim acabei indo dormir muito tarde e a aula com o general no outro dia pela manhã foi tensa, mas como toda a sala estava ou com ressaca ou com muito sono, estávamos todos no mesmo barco.
Sábado depois da aula todos fomos dormir, para recuperarmos as energias para o carnaval.
A noite nos encontramos para assistirmos juntos a abertura do desfile - que já havia sido adiada duas vezes devido a chuva. Sem dúvidas sábado à noite foi a noite mais divertida que passamos aqui em Montevideo. Minhas impressões sobre o carnaval daqui merecem um post a parte, mas vou contar um pouco de nossa noitada. (Se quiser saber mais sobre o carnaval acesse o link)
Nos encontramos em frente à praça do tango – como chamamos carinhosamente a plaza del entrevero, pois nos finais de semana sempre tem alguns velhinhos dançando tango – e ficamos lá até o desfile acabar, comprando cervejas de um litro, as tomando no gargalo – mamãe, morra de orgulho – e fazendo amizade com senhoras que provavelmente aos domingos dançam tango na tal praça.
Eu e Manu conhecemos Jeannette, que mora em Pocitos e ficou conosco o resto da noite, conheci também as Glades, duas senhorinhas encantadoras que ficaram entusiasmadas ao poder tocar a bunda de Diego. Hahahaha .
Em um momento acho que o público prestou mais a atenção na gente do que no desfile, pois andamos cerca de uma quadra cantando e dançando “La Bomba” com direito a coreografia sincronizada. Foi muito divertido.
Assim que acabou o desfile viemos para o El Pony Pisador. Nesse momento eu já falava apenas em espanhol, para praticar - dizem que o problema é que eu só falava em espanhol, até mesmo com quem falava português.
O Pony neste dia estava especial. A princípio tinha uma banda de rock, que só tocava música boa. Eu e Manu parecíamos as maiores tietes do grupo e dançamos muito. Foi durante o show dessa banda que inovamos com um passo de dança moderna, sensacional – invejosos vão falar que a moça caiu e foi levantada, porém eu afirmo que ela estava tentando inovar.
Estava todo mundo muito animado e nossa amiga Jeannette ia até o chão com Diego – all the time. As meninas tinham um amigo que sabia dançar salsa muito bem, mas não tinha um dente, tadinho, isso chamou muito a minha atenção e fiquei com muita dó de ver alguém jovem e banguela. Novamente o auge da festa foi quando tocou Sentimiento.
Para encerrar a noite ainda fomos com Juan – um amigo que conhecemos no primeiro dia – a um PUB aqui perto do hostel, onde tocava Rock Uruguaio – ainda não formei minha opinião sobre o local.
Domingo.
Domingo é dia de parque e praia e, assim fizemos. Combinamos de depois do almoço ir até o Parque Rodó. Fomos pela rambla caminhando e conversando, foi incrível perceber como esse nosso confinamento acabou fazendo com que todos ficássemos muito próximos – e em alguns momentos com vontade de mandar alguns para o paredão.
O parque é um charme e passamos boa parte da tarde lá, fazendo um pseudo piquenique, onde eu comi Pancho e dessa vez não foi “reinando” como na Argentina. Saindo do parque fomos a praia que fica logo em frente e, para não retornar para casa sem ter entrado no Rio da Prata, resolvemos nos molhar – depois ficamos nos questionando sobre aquela praia ser limpa ou não. Dessa praia fomos até Pocitos.
Desde que cheguei eu tinha vontade de conhecer Pocitos e ver se ela realmente lembrava Copacabana da década de 20. Como eu não conhecia Copa nessa época devo dizer que parece lembrar – huahuauha. A praia é bem bonita, mas assim que chegamos lá começou uma ventania sem fim e logo ficamos com frio, resolvemos voltar e nos encontrar depois para jantar e assistir novamente ao desfile de carnaval que no domingo seria realizado por escolas de samba aqui do Uruguay – para saber mais acesse o link.
Jantamos no La Pasiva e assisti algumas escolas. Não é Brasil, mas foi bem legal. Eu estava muito cansada e acabei vindo embora sozinha para descansar, afinal nosso final de semana foi bastante exaustivo, porém excelente, como não poderia deixar de ser o último final de semana no Uruguay, bom, pelo menos nosso último até dia 5 de julho que é quando retornamos. =P


Diário de Bordo UY - 28\01

Eu sei que vai parecer engraçado, mas essas esse é o TOP 3 do El Pony Pisador!
E sim, eu danço!
E descobri que minha musica preferida "Sentimiento" na verdade se chama "Es um secreto" e não fala em sentimiento e sim presentimiento! Oh Vida!







Diário de Bordo UY - Carnaval

Em Montevideo é celebrado o carnaval mais longo do mundo: são 40 dias de desfiles, concursos e candombe que fazem do Carnaval a celebração mais importante do país.
Tivemos a sorte de estar lá exatamente na época em que o Carnaval iniciou, a bem da verdade demorou um bocado para finalmente acontecer o tal Desfile Inaugural, pois a princípio estava marcado para quarta-feira, mas como choveu muito, acabou sendo adiado para sábado.
Então, no sábado dia 23, finalmente aconteceu a abertura e preciso tentar colocar “no papel” o que é o carnaval no Uruguay.
O carnaval de Montevideo ao mesmo tempo que é muito diferente do nosso também se parece muito.
Quando pensamos em carnaval geralmente imaginamos todo mundo dançando, interagindo e lá não é bem assim que acontece, pelo menos não no desfile inaugural. Nos dois dias que fomos assistir aos desfiles que aconteceram na 18 de Julio eles se pareciam com os desfiles da Sapucaí, porém, com uma participação mínima do público e nem 1\3 do glamour.
No sábado aconteceu o típico carnaval Uruguaio com desfiles de alguns blocos – que aparentavam ser blocos institucionais. Se eu for estabelecer uma relação entre o que vi e o que conheço do Brasil eu diria que se parece mais com desfiles de 7 de setembro do que com desfiles de carnaval, sem dúvidas o ponto alto foi quando passavam as cuerdas de Candombe, foi quando finalmente o público cogitou deixar a apatia de lado e participar mais integralmente do evento – porém, apenas cogitou.
Meus comentários sobre o carnaval não são críticas até porque fiquei encantada pela reação do povo – que apesar de apático – lotou as ruas e sobretudo a reação dos idosos, que saíram de casa em um dia de frio para assistir aos desfiles que já tem uma tradição de quase 150 anos na cidade. Eu li que a tradição do “desfile inaugural” remete ao ano de 1873 e que durante todos os anos que correram desde então, a tradição acabou perdendo a força, mas que vem retomando a grandeza nos últimos anos e cada vez mais atraindo gente para assistir ao desfile que dá início ao maior carnaval do mundo - em período de duração. 
Outro fato que chama a atenção de todos é que tanto as passistas quanto as outras mulheres que desfilaram não tem que ter necessariamente um corpo sarado e siliconado e sim ter "buena onda" e saber divertir o público, assim se via muitas mulheres que para muitos seriam acima do peso em lugares de destaque, o que eu achei muito bacana. 
No domingo a coisa foi diferente, aconteceu um desfiles nos moldes brasileiros, com direito até mesmo a escola de samba brazuca. Várias escolas cruzaram a avenida e algumas delas estavam maravilhosas, sempre com muitos idosos participando e dando espaço para a participação de pessoas com deficiência. Também se notava um numero absurdo de travestis, que deixavam muitas mulheres "no chinelo" quando o assunto era "samba". 
Além desses dois dias de desfiles ainda existem as Murgas e as Llamadas – que dizem ser a parte mais divertida e animada de todo o carnaval.
As Llamadas derivam do chamado que faziam os negros quando começavam a se reunir, seja para atividades festivas quanto para discorrer alguns assuntos sociais. Era costume que um par de tambores de cada agrupamento saír e percorrer as ruas tocando candombe. As Llamadas carnavalescas começam no ano 1956 e a partir desse momento viraram um clássico da cidade de Montevideo. Trata-se de um desfile no qual participam homens, mulheres e crianças de todas as idades e que, com o ritmo do candombe e dos tambores, percorrem milhares de metros em companhia do público vivaz, que dança no ritmo dos ancestrais africanos.
A murga é mais teatralizada, é interpretada por um coro acompanhado de instrumentos musicais e é comum que as canções tenham como tema questionamentos políticos e sociais.
As apresentações acontecem em teatros ou arenas armadas em vários pontos da cidade. Todo fim de semana de verão tem espetáculos no Teatro Verano próximo ao Parque Rodo. E todo ano elege-se um grupo campeão de murga e candombe.
As Llamadas ocorreram nos dias 6 e 7 de fevereiro, não pude prestigiar, mas certamente teria sido um prazer e nos proporcionaria muita diversão. 

Diário de Bordo UY - 31\01

Última Semana no Uruguay
O que dizer dessa última semana?

Tivemos dois ótimos professores, que se juntassem todos os doutorados e pós docs, daria mais de 10. Eu sei que números não são sinônimos de conhecimento, mas nesse caso podia sim dar uma base. O professor de segunda e terça era bom, tinha vários livros lançados mas era extremamente realista e das exatas, logo, trabalhava como se fossemos todos números – professores, alunos, os estudos - já o professor do resto semana veio para lavar a alma dos apaixonados pela educação. Perez Lindo é certamente a pessoa com mais conhecimento com quem já tive o prazer de conviver, além de muito inteligente ele ainda tinha um senso de humor delicioso. Eu passaria dias só ouvindo as histórias dele. Ele foi foragido político, se refugiou no Brasil e aqui conheceu Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque, Paulo Freire e mais um monte de gente que marcou a história do nosso país. Ele é realmente um lindo e se pudesse escolher convidaria ele para ser meu orientador.
Essa semana o bordão mais usado foi o “Por Favor”, com sotaque Uruguaio e, era frase certa em nossos almoços no Cyro, que com sua simpatia conquistou nossos corações – estômagos e bolsos – e fez com que o TarTar se tornasse o nosso restaurante oficial. Almoçamos lá todos os dias e ontem tiramos foto com o Cyro e o Diego fez até uma trança no cabelo da mulher – a gente acha que seja – dele.
Durante todas essas semanas que almoçamos no Cyro, na mesa ao lado almoçava uma senhora, muito elegante – e um pouco retro -  que chamou nossa atenção por sua pontualidade e por ser metódica. Todos os dias nos perguntávamos quem era, qual a história de vida... Helen achava ela com cara de personagem de livro\filme e, que se chamava Diolinda. O nome descobrimos na terça, quando perguntei a Cyro, ela se chama Ximena e na sexta em nossa despedida finalmente superei minha timidez e fui falar com a senhora. Disse que ela era muito elegante, que eu achava ela Muy hermosa, e ela por cordialidade disse que eu também era, então a abracei e dei um beijo, ela ficou falando que tinha sido muito gentil de minha parte e ficou abraçada comigo, foi quando pedi para tirarmos uma foto, a princípio ela não entendeu o porquê, mas depois sorriu para a foto. Ximena é demais.
Na terça Fernando chegou a Montevideo com sua família e eu o encontrei rapidinho e o acompanhei até o porto, valeu a pena pois pudemos trocar um pouco de nossas experiências de viagens.
Na quinta fizemos nossa despedida no Pony, mas antes fizemos um tour por Punta Carretas com Estevão e passei pela frente do Centenário. É incrível como os Uruguaios tem esperanças de ver o time deles campeão, revivendo o mundial de 1950 – sonhar não custa nada. Falando em mundial, pelas minhas contas na final da copa estarei no Uruguay – chora.
Nossa despedida foi bem bacana, o Pony estava bem vazio, então ficamos nas mesas da rua conversando. Eu e Manu não poderíamos deixar o Uruguay sem dançar no Pony uma última vez a nossa música preferida “sentimiento” – que na verdade se chama Es un segredo e não fala em sentimento e sim em pressentimento – subimos e fomos pedir ao DJ para tocar, ele tocou em seguida e dançamos praticamente sozinhas na pista de dança. Foi sem dúvidas uma noite muito engraçada, com muitas conversas e Chops.
Na rua tava tocando Kid Abelha e Bárbara disse que também amava, falou inclusive que sua música preferida é “Gosto de ser cruel”, o que é no mínimo, peculiar. Adorei saber!
Na sexta ir para a aula depois de ter ido dormir perto das 4 horas não foi uma tarefa fácil, sem dúvidas ainda assim foi uma aula prazerosa, pois tínhamos Perez Lindo como maestro.
Como muita gente ia embora a tarde o professor resolveu fazer um tour até o Solis com quem restava. Graças ao seu prestigio tivemos um tratamento VIP no teatro e não tivemos que pagar nada.
A história do Solis é bastante interessante, pois a construção foi iniciativa do povo de Montevideo que queria um local para celebrar a cultura. A obra é imponente e cheia de requinte, é um dos teatros mais bonitos que já visitei. Nosso guia sabia muito do teatro – afinal é para isso que ele servia – e nos contou coisas bastante interessantes.
Depois do passeio fomos convidados pelo professor para ir até a lanchonete do teatro. Um lugar classudo, onde ficamos conversando um monte e sabendo de várias histórias engraçadas de nosso professor ao redor do mundo. Quem ainda não estava apaixonada – como eu já estava – certamente se apaixonou. O professor fez questão de nos oferecer os sucos, refrigerantes e cervejas, achei um gentileza sem tamanho ele pagar a conta. Coisas do Lindo. Na quinta realizamos o sorteio de dois livros dele, eu e Diego éramos os seus assistentes de palco e o professor quis até dançar CanCan com a gente.
Foram 25 dias fora de casa. A saudade bateu forte, principalmente de minha vó e do ingrato do João Marcelo. Foram 8 horas por dia sentada em uma cadeira desconfortável, tendo aulas em outro idioma, tenho toneladas de textos e livros para ler e muitas histórias para contar. Tenho certeza que o pouco que aprendi nesses dias já fará diferença em minha vida, é uma experiência única estudar em outro país, com gente de todo lugar, trocando experiências, fazendo amizades, conhecendo pessoas que pensam como você, que tem sonhos parecidos, que vivem realidades diferentes mas assim como você acreditam em um futuro de glória para a educação.
Espero encontrar todos em julho. Beijos Turma XVIII A.

BRASIL, MOSTRA A TUA CARA.