sábado, abril 06, 2013

Entrevista com o senhor Leopoldo Schaffer


Nascido na comunidade do Caeté e tendo vivido ali durantes seus 81 anos – “Eu nasci aqui e tô por aqui”. Seu Leopoldo Schaffer nos recebe em sua casa para uma conversa sobre as riquezas de sua comunidade. Relembramos o passado e conhecemos um pouco mais sobre o Caeté.
Segundo o senhor Leopoldo os pioneiros na ocupação do Caeté foram três jovens, vindos de Angelina, que se chamavam Bernardinho Branger, Jacob Neuhaus e Frederico Neuhaus, ele conta com entusiasmo sobre onde eles estabeleceram moradia e que os vestígios ainda podem ser encontrados em sua propriedade, pois uma taipa construída pela família de um deles, ainda ali permanece resistindo ao tempo. O que também resiste ao tempo são suas lembranças. Tanto de tempos de guerra quanto de sua infância. Ele lembra das histórias contadas por seu pai sobre os tempos de guerra. Após a derrota da Alemanha, imigrantes eram “xaropeados” com óleo diesel em todos os lugares, até mesmo em Alfredo Wagner. Da infância ele lembra de quando estava nas plantações de milho com o irmão e ambos ficavam batendo em uma lata para espantar os chupins que teimavam em comer o trigo. “Trigo era um luxo, pão de trigo só no Natal”.
Ele relembra de tempos do passado, quando a vida era muito mais difícil e os invernos eram muito mais rigorosos – “Hoje não dá mais inverno”. Falou-nos sobre as grandes nevascas que caíram sobre a região e de como era bonito ver a neve caindo feito pedacinhos de papel. Segundo seu Leopoldo, uma nevasca que aconteceu na década de 1950, chegou mesmo até a derrubar os galhos de alguns pinheiros devido ao grande peso que a neve acumulava.
Suas terras foram requeridas junto à companhia de colonização. Seu Leopoldo se orgulha ao mencionar que “nenhum alemão que veio pra cá, era bobo”, pois todos tinham suas profissões e trabalhavam muito para se darem bem na nova terra. A origem de muitos sobrenomes alemães tem relação com o nome de profissões. Por exemplo: May – quem trabalha com laticínios; Schäfer – pastor de ovelhas; Schmitiz – ferreiro e Zimmermann – carpinteiro.
 “Vocês não sabem o que a gente passou”. Assim seu Leopoldo alerta os alunos para que valorizem seu passado, pois muito já foi feito pelas mãos de bravos imigrantes que trabalharam para colonizar nossa terra. Ele lamenta a falta de interesse da juventude em manter o idioma alemão presente em suas vidas, mas fica feliz em poder participar do projeto e em conversar com nossos alunos, tendo assim a oportunidade de deixar uma parte desse passado registrado em nossos cadernos.



Professora Carol Pereira
  

Um comentário:

  1. Que legal! Parabéns pela iniciativa! Seu Leopoldo é uma figura emblemática. Esbanja simpatia, e tem muita história para contar.

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