segunda-feira, julho 23, 2012

2008 - Rio de Janeiro


Desde pequena eu tinha o sonho de conhecer o Rio de Janeiro, sempre quis isso, pois quando pequena vi uma foto do meu vô no Cristo Redentor, e achei aquilo surreal, aquele monumento imponente que aparecia nas novelas da globo... Nossa! Meu avô já tinha ido lá. Era fantástico, fascinante, um dia eu teria que conhecer aquele lugar.
Então em 2008 ocorreu a gravação do DVD da Paula Toller, minha idola máster e eu no furor da minha adolescência tinha que participar desse marco na carreira dela. Porém eu era uma pobre universitária, sem condições, mas cheia de sonhos. Não sei de onde consegui dinheiro e eu e meu amigo Luciano Werner seguimos de ônibus para a tão sonhada cidade maravilhosa.
Doze horas até São Paulo e mais seis de São Paulo até o Rio... As doze horas de Lages a SP pareciam intermináveis, o ônibus estragou antes de Curitiba, um senhor afrodescendente acima do peso (vulgo Negão) roncava feito um caminhão com problemas de motor, e eu, uma menina até então sem caries sofri de uma dor de dente literalmente sem precedentes. Sofri, penei, mas cheguei a São Paulo. Ao descer na rodoviária fiquei com vontade de comer no Bob´s mas eu não tinha dinheiro para um luxo daqueles, tive que comer outra coisa, mas fiquei bastante frustrada ao perceber que não tinha nada barato para se comer por ali. Mais um ônibus e finalmente a CIDADE MARAVILHOSA.
Na Barca, com Hugo e Lu
Eu estava afoita, impaciente e extremamente ansiosa, devo afirmar que a chegada por terra na cidade não é lá grandes coisas e nem de perto lembra nossa colonização germânica repleta de detalhes e capricho, mas eu estava em estado de estase e até as favelas pareciam maravilhosas. Andamos mais um pouco e meus olhos se encheram de lágrimas quando avistei o Cristo. Mesmo de longe, e com toda a minha miopia, aquilo era a realização e um sonho e era impossível não se emocionar, mesmo hoje parecendo um exagero.
Descemos na rodoviária onde Hugo nos aguardava, finalmente eu conheci aquele menino engraçado que passava horas comigo no msn, aliais, conheci muita gente nessa viagem, pessoas que fazem parte da minha vida como Renata, Livia, Wesley, André, entre tanto outros que já conhecia na internet mas que se tornaram reais nesses dias.

Conhecendo Niterói

Juntamente com o Hugo seguimos de barca até Niterói, onde supostamente o Lu teria feito nossa reserva no Clube Naval Charritas, porém ao chegarmos percebemos que não existia reserva alguma e que estávamos a Deus dará. Minha mãe morreria se cogitasse essa possibilidade. Por sorte o Pai do Lu estava conosco, e o Hugo como um bom carioca sabia se virar, então pedimos algumas informações e de ônibus seguimos para o Plaza de Niterói. Ressalto dois fatos engraçados, no clube Charritas mais tarde aconteceria o Show da Paula (ainda não era o show da gravação) e uma senhora perguntou para mim se ali que aconteceria o Show da Paula Trolli... eu achei muito engraçado, mas depois percebi que sei lá era meio que um sotaque, e depois no ônibus eu e Hugo fomos perguntar a uma senhora se ela sabia de algum Hotel de qualidade e não muito caro, e ela nos indicou um Motel ótimo, iríamos adorar, pois ela e o namorado sempre dão uma escapadinha la... Eu fiquei um pouco constrangida, acho que o Hugo também, afinal de contas tínhamos acabado de nos conhecer pessoalmente e não tínhamos a intimidade que temos hoje em dia para podermos rir disso na hora. Chegamos ao hotel, nos acomodamos, e depois fomos ao show da Paula, preciso documentar que o palco era muito baixo, e neste dia notei as celulites da perna da Paula, aliais, todos notaram, e ela notou que notamos (que frase bem estruturada não é mesmo) e então ela colocou uma meia. Nada disso importou, ainda a amo.


Pizza - Blé
09/08 – Segundo dia no Rio de Janeiro. Ao acordar ainda em Niterói pela janela do Plaza vi algumas rochas que formavam um paredão, lembro que fiquei pensando na formação geológica delas, e também pensei que eu era muito sortuda por estar ali. De manhã conhecemos um pouco de Niterói, vimos a estátua de um índio que hoje conheço bem a história (segundo a doutora Selma) e mais algumas coisas, e a frase que não me saia da cabeça era: “O que Niterói tem de melhor é a vista da cidade do Rio de Janeiro”. Almoçamos, e de taxi cruzamos a Ponte Rio-Niterói. Fomos até a Quinta da Boa Vista, MEU DEUS, A QUINTA. Era um sonho pra mim conhecer aquele lugar, diante de todo o meu amor por história ainda mais a história do Brasil, poder pisar em um local que fez parte disso, parte importante, abrigando a Família Real... Empolgação era meu nome. Infelizmente não pude entrar no Museu, pois como era sábado ele estava fechado, mas já valeu a pena, passeamos pelos jardins e conversamos. Todos estavam felizes. Depois fomos a um rodizio de pizza, e eu deixei a felicidade de lado, pois achei caro, eu comi dois pedaços e me custou 28 reais, e eu nem gosto de pizza, lembro que eu estava muito econômica, devido a pobreza. Ao terminarmos fiquei na casa da Vanessa (Mila também estava lá), que ainda morava na Tijuca, reencontrei Tia Penha e conheci Tio Maciel.
Conhecendo a Quinta da Boa Vista

Robertinho
10/08 – Conheci Robertinho. Vanessa tinha acabado de virar dinda, ele tinha nascido no dia da minha chegada ao Rio, então fomos até a maternidade em Laranjeiras conhecer o Bebê. Após isso conhecemos o Rosa, um grande amigo de Tia Márcia (mãe da Raissa) que também era fã do Kid Abelha, além de colecionador de CDs e o dono do maior acervo do Kid que eu já tive o prazer de conhecer, ele nos levou até seu apartamento em Niterói e compartilhou conosco seu conhecimento, nos mostrou o acervo, nos deu presentes e ainda nos serviu um sorvete delicioso.

No apartamento do Rosa, morrendo pelo seu acervo

Do alto do Pão de Açucar
11/08 – Visita ao Pão de açúcar – Na segunda resolvemos fazer uma trilha, no Morro da Urca, para depois pegar o bondinho até o pão de açúcar. A trilha não é muito pesada, e foi uma experiência bastante divertida, ao chegar lá em cima a recompensa. A vista é de tirar o folego. Logo pegamos o bondinho e subimos até o pão, novamente me espantei com a beleza da paisagem. Era tudo muito bonito, de encher os olhos, e alegrar o coração.
Praia Vermelha, nos preparando para subir


Rá (L)
12/08 – O DIA DA GRAVAÇÃO – O dia já começou cheio de emoções, era gente chegando de todos os cantos para o maior evento de encontro do pessoal da comunidade de todos os tempos. A Karen estava vindo de São Paulo, supostamente comigo... e a Rá e Tia Márcia estavam vindo de Minas, fomos pega-las na rodoviária, foi muita emoção. Foi nessa viagem que constatei que eu tinha mesmo uma irmã que morava em outro estado, tinha nascido em outra família, neste dia também conheci a “bunda desnuda do Leblon” e impressionamos o cara do táxi falando em comunidade, acho que ele pensou que éramos faveladas. Antes do show uma grande reunião na porta do Teatro Oi Casa Grande no Leblon, após fotos e apresentações curtimos o grande show, de camarote e ainda muitos de nós tivemos o privilégio ter o rosto estampado na capa do CD e DVD da cantora. Após o show metade do publico foi dormir na casa de Vanessa, que parecia coração de mãe, nem sei como coube tanta gente. Dormimos todos na sala, e tivemos uma momento divã antes de dormir, onde eu com todo o meio jeito direto deixei a Raissa sem jeito durante a entrevista. Ressalto que eu havia prometido ligar para a Aline durante esse show, porém não lembrei, e mais uma vez aproveito o espaço para me desculpar.


Galera da adormecida Comunidade do Kid Abelha 

Bunda Desnuda do Leblon


Sonho realizado
13/08 – Cristo Redentor – O dia já começou saudoso, pois eu sabia que Rá e Tia Márcia logo partiriam. Lembro que Tia Penha queria esconder a vista da janela com um toalha, para Tia Márcia não perceber a favela que ficava atrás do Bairro. Não pude acompanha-las até a rodoviária, após elas partirem esperamos o pai do Luciano chegar para juntos irmos até o Cristo, houve um atraso, e quando chegamos no alto do Corcovados já era quase noite, perdemos um pouco do visual, mas ganhamos a vista da cidade iluminada, com todas suas luzes, vindas das avenidas, dos prédios e das favelas, que pareciam pinturas, parecia natal, era lindo. Tiramos algumas fotos, e eu finalmente tinha realizado meu sonho, de conhecer o cristo e assim como o Vô Zé ter uma foto lá. A alegria havia me tomado, e eu já pensava que teria que voltar em breve.
Do alto as luzes da Cidade Maravilhosa


Eu matando aula
14/08 – Conheci Copacabana, Ipanema e o Arpoador – Estava no meu roteiro de lugares que eu precisava visitar. Como boa sonhadora sempre me imaginei andando pelo calçadão de Copa, tomando uma água de coco em um sombra curtindo o vai e vem da maré, e assim o fiz. Minha viagem estava completa, e o Rio de Janeiro realmente era uma cidade maravilhosa.
Arpoador


E assim encerro o relato sobre a minha primeira viagem ao Rio de Janeiro, eu tinha certeza de que outras viriam, tinha certeza de que eu amo aquela cidade, e tinha que voltar lá pra finalmente tirar minha foto no Paço. 







Carol Pereira

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