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Quando eu era pequena houve uma febre de Chiquititas, semelhante ao que presenciamos a pouco tempo com Rebeldes, e na época eu era uma criança e achava ridículo as meninas imitando elas, morrendo por elas, no entanto, hoje eu tenho 22 anos e sou apaixonada por uma banda, que é mais velha que eu, e já fiz coisas que se me contarem que outra pessoa fez ainda sou capaz de achar no mínimo sem noção.

É uma admiração, uma emoção, uma coisa que mesmo que eu tentasse por horas escrever aqui eu não conseguiria. Viajar horas, passar frio, fome, esperar por muito tempo até o show começar, outro bocado de tempo tentando entrar no camarim, nada disso faz a gente desanimar, porque por mais demorado e duro que seja passar por tudo isso, os cinco minutos com nosso ídolo compensa tudo. E quem pensa que é loucura, que não vale a pena, é obvio, que é porque não tem o mesmo sentimento que a gente, porque só a gente entende.
Mas até onde que isso deixa de ser apenas um sentimento que nos faz bem e começa a se tornar uma coisa que já não se consegue mais controlar e passa a ser prejudicial? Bom, eu não sei, mas cabe a cada um pesar as consequências de seus atos e cuidar para que isso não se torne uma “doença”. Conheço um grupo gigantesco de fãs dessa banda, e já começo a notar sintomas dessa doença em alguns dos membros, e isso me preocupa, não acho sadio uma pessoa se entregar completamente a uma turnê, vivendo uma vida que não é dela, pois somos apenas platéia e muitas vezes a vontade de estar no palco, ser parte integrante da equipe é tão grande que faz algumas pessoas perderem a cabeça e viver em um mundo que não é o real. As vezes vejo resquissios dessa doença até em mim, pois qual pessoa sã se sente tentada a viajar horas para assistir um show que já viu quase uma dezena de vezes? Explico ... Tudo começou por causa da banda, a culpa foi dela, mas o negocio cresceu, e hoje quando penso em viajar para ir a um show, não penso só no show em si, e sim em quem encontrarei lá, meus amigos, companheiros enfermos que se tornaram parte da minha vida, graças a tudo isso.
É por esse conjunto de coisas, por lugares que se conhece, por pessoas que se encontra, e pelo nosso ídolo em si, que o sentimento de um fã é alimentado. Hoje posso dizer que se não fosse essa banda minha vida seria completamente diferente, acho que não teria tantos amigos, não conheceria tantos lugares, não seria tão feliz. Mas por mais que isso seja grande parte da minha vida, a vida não é só isso, eu tive que fazer minha faculdade, na vida adulta temos que trabalhar (sim, temos.), temos que viver em uma sociedade que não é constituída só por fãs, pessoas que vão nos julgar, temos que viver situações cotidianas, faz parte da nossa “vida real”, temos que vive-la, temos que deixar que o ser fã faça parte de nossa vida, e não que nossa vida gire em torno de ser fã.
Alguns devem estar se perguntando... que banda é esta que fez maravilhas na vida dessa garota? E eu então respondo, o nome da banda é Kid Abelha, e a vocalista Paula Toller. Sim eu amo ela, e agradeço por todas as alegrias que mesmo indiretamente ela já me proporcionou. Agradeço pelos incontáveis risos que já dei, pelas lágrimas que já derramei, pelas vezes que me peguei embasbacada vendo um vídeo ou ouvindo uma música, pelas pessoas que conheci e fazem o Brasil até parecer pequeno, provando que para o amor não existem mesmo fronteiras, e pela pessoa que me tornei. Dizem que somos fruto da sociedade com a qual nos relacionamos, então muito do que sou, devo ao povo que me relaciono diariamente, povo que conheci graças ao Kid Abelha.

Carol Pereira