sábado, março 31, 2018

Mais um 31 de março



Se os meus olhos fossem câmeras, que registram tudo o que vivo e vivencio, eu construiria um filme inacreditável, cheio de emoções e aprendizado com as imagens desses últimos 365 dias. Um filme repleto de personagens, lugares, sabores e aromas. Com reencontros, despedidas, muita gratidão e amor.

Estava aqui lendo o texto que escrevi ano passado. Eu estava apavorada por chegar aos 30 e aparentemente não estar tendo o sucesso esperado. Eu sempre gostei muito de fazer aniversário, mas confesso que o meu 30º, teve um peso diferente. Estava assustadíssima.
Mas, o medo passou e eu só tenho a agradecer por tudo que vivi nesse ultimo ano.
30 anos foi mesmo a idade do sucesso.
Foi um ano de realizações, de amadurecimento e de muita felicidade.
Foi um ano em que encontrei muita bondade em meu caminho. Gente que apostou em mim, que caminhou ao meu lado e me ajudou em minhas conquistas.
Talvez tenha sido o melhor ano da minha vida até agora. Foi o meu ano! Então nesse aniversário não tenho muito o que pedir e sim que agradecer.
Agradecer por as oportunidades que surgiram;
Pelos amigos que cativei e pelos que se mantiveram ao meu lado, me dando a mão;
Pela saúde das pessoas que amo;
Pelos dias de sol e pelos de chuva também;
Pelas paisagens incríveis que conheci;
Pelo conhecimento que adquiri;
Pela vida;
Me sinto uma pessoa muito abençoada e feliz, por estar chegando a hora de comemorar mais um ano de vida.

PS: Amadureci muito, mas acredite, ainda tenho uma lista negra onde coloco o nome das pessoas das quais espero receber recado carinhoso de aniversário, mas não recebo. huauhahua

sexta-feira, março 30, 2018

O que a cidade Italiana de Pompeia tem a ver com a Escola de Educação Básica Silva Jardim?




É claro que para você pode ser que isso seja uma pergunta bem óbvia, mas se você for daqueles que não entendeu a ligação, acesse o link, confira a resposta e ainda conheça um pouco mais sobre essa joia arqueológica que é Pompeia.

Para esclarecer essa pergunta, vamos primeiro entender dois pontos:

1 – O que é Pompeia?

Pompeia foi uma cidade do império romano, situada a 22 km da cidade de Nápoles na Itália. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio no ano de 79. Ela ficou soterrada por uma grossa camada de cinzas e detritos provenientes de erupção e apenas 1600 anos depois foi reencontrada. Cinzas e lama protegeram as construções e objetos dos efeitos do tempo, moldando também o corpo das vítimas. Hoje a cidade é um sítio arqueológico que pode nos mostrar exatamente como era a vida há mais de dois mil anos.


2 – O que que tem a E.E.B. Silva Jardim?

Bom, como todo mundo deve saber, o patrono da escola – o cara de quem ganhamos o nome – foi Antônio da Silva Jardim, foi um professor, advogado, jornalista e ativista político brasileiro que teve grande atuação em movimentos abolicionistas e republicanos.  Ele morreu em 1891. Após sua morte ele recebeu muitas homenagens, entre elas ter seu nome dado a uma escola do interior de Santa Catarina – no antigo Barracão, para ser mais exata.
Está bem, mas o que tem a ver uma coisa com a outra?

Silva Jardim morreu aos 30 anos em Pompeia, quando em uma visita às ruínas da cidade, decidiu subir até a cratera do Vesúvio. O vulcão estava ativo e ele foi tragado por uma rachadura na terra, perdendo assim a vida.


Sabe quem mais esteve em Pompeia recentemente?
Eu. E se você tiver interesse de saber mais sobre a cidade, é só continuar lendo o texto.

Ir a Pompeia partindo de Roma não é muito complicado. Primeiro você deve pegar um trem para Napoli e lá pegar um trem regional até Pompeia. Eu fui seguindo as orientações de um blog e não teve erro para encontrar o local onde comprar a passagem e o portão de embarque. O problema foi saber qual trem pegar. Tive que pedir informação e foi assim que eu conheci Kasia e Bogusia, mãe e filha da Polônia, com quem passei o dia inteiro.

Junto com minhas novas amigas embarquei no trem e seguimos até a “cidade perdida”.
Peguei um áudio guia para me orientar e seguimos...
A história de Pompeia e sua tragédia são contadas há séculos, mas nada se compara à experiência de conhecer a cidade com seus próprios olhos. O estado de conservação do lugar é impressionante, bem como a história que a encerra e todos os ensinamentos sobre sua cultura e arquitetura. É uma visita imperdível, se você assim como eu, curte história.

Foto: Katarzyna Dargacz



Através das pesquisas arqueológicas, possíveis a partir do sítio arqueológico, aprendemos muito sobre como viviam as pessoas daquele lugar e, em uma visão mais ampla, as pessoas daquela era. As escavações começaram em 1748 e continuam até hoje – inclusive no dia da minha visita existiam vários arqueólogos trabalhando no sítio.

Os moradores de Pompeia não sabiam que a montanha era na verdade uma bomba relógio, prestes a explodir. A última erupção do vulcão havia acontecido a mais de 1.500 anos, então todos os sinais dados pelo vulcão antes da erupção – que os mesmos alunos do Silva Jardim aprendem nas aulas de geografia – foram ignorados por eles. Quando a catástrofe teve início, as grandes nuvens de fumaça negra cobriram o céu e os moradores da cidade não sabiam nem ao menos o que estava acontecendo. Segundo um dos únicos relatos escritos sobre a tragédia, o de Plínio, o jovem, que viu tudo de uma distância segura: “Eles achavam que não existiam mais Deuses e que o universo tinha mergulhado na escuridão!”. Na cidade, ainda se encontram alguns locais onde as pessoas tentaram se abrigar. Espécies de bunkers subterrâneos onde foram encontrados diversos esqueletos humanos, carregando seus pertences mais valiosos e lamparinas, que provavelmente os guiaram pela escuridão em busca da salvação de suas vidas.
Foto: Katarzyna Dargacz

Outro ponto certamente interessante são os moldes de gesso que permitem que os visitantes vejam as expressões dos corpos encontrados. Isso porque a chuva de cinza fina que cobriu o local aderiu às formas dos corpos e roupas das vítimas, preservando o momento em que morreram. Com uma técnica que utiliza gesso, desenvolvida por Giuseppe Fiorelli, diretor de escavações entre 1860 e 1875, foi possível mantê-los intactos, como foram encontrados pelos pesquisadores, até os dias de hoje.
Foto: Katarzyna Dargacz
As pesquisas arqueológicas revelaram que a sociedade pompeiana, como qualquer outra do Império romano, apresentava grandes contrastes e diferenças de classe: os escravos e plebeus trabalhavam para os patrícios e o sonho dos cativos, quando conseguiam a liberdade, era ganhar dinheiro suficiente para comprar seu próprio escravo. Pompeia vivia basicamente do comércio de azeite e do vinho que produzia. Sua localização estratégica, entre o mar e a foz do rio Sarno, facilitava a exportação desses produtos para cidades do Mediterrâneo. E assisti recentemente em um documentário da BBC de Londres que, de acordo com os pertences encontrados com os corpos dos mortos, o povo de Pompeia tinha conhecimento sobre os outros povos e culturas, que ficavam do outro lado do mediterrâneo, em contraste com outras partes da Europa naquela época.


As escavações mostraram também que os moradores de Pompeia veneravam os deuses oficiais romanos, tanto que havia templos em homenagem a Apolo, Júpiter e Vênus, a quem ofertavam orações e bens.

As paredes dos bordéis são uma das atrações que levam mais de 1 milhão de turistas anualmente às ruínas da cidade. A outra grande atração fica por conta das casas, em sua maioria luxuosas e espaçosas, todas com um jardim no meio. Por meio delas, pode-se reconstruir a típica casa romana da classe média abastada ou rica.

Outra descoberta importante dos arqueólogos foram os grafitos que se espalhavam por toda a cidade. Havia inscrições para todos os gostos: desde os que anunciavam a troca de um amante por outro até citações. Além disso, nos muros das casas, edifícios públicos e até nas sepulturas, gravavam-se anúncios de combates de gladiadores e muita propaganda eleitoral.

Alguns grafites de Pompeia parecem anúncios de prostituição, mas talvez sem as tentativas de difamar conhecidos. “Quem sentar aqui deve ler isso antes de qualquer coisa: se quiser uma trepada, pergunta por Ática. O preço é 16 asses”.


Os grafites também revelavam que existia amor em Pompeia. Na parede de um bar um vizinho zomba do rapaz que não é correspondido pela amada. “Sucesso, o tecelão, ama uma garçonete chamada Íris, que não gosta dele; e quando mais ele implora, menos ela gosta”. Uma mensagem tenta consolar uma mulher traída. “Agora a ira é recente, é necessário que passe o tempo. Quando a dor for embora, acredita, o amor voltará”. Um viajante que passou por Pompeia anotou no seu quarto, provavelmente antes de dormir: “Vibio Restituo aqui dormiu sozinho e lembrou-se ardentemente de sua amada Urbana”. Na parede de um teatro, um jovem suplica: “Se você conhece força do nosso amor, e a natureza humana, tenha pena de mim, conceda-me os teus favores”.


Principais atrações:

A Casa do Fauno: Com 2.970 m2, é a maior e uma das mais impressionantes residências de Pompeia. Foi construída no início do século 2 a.C. e, posteriormente, passou por diversas reformas até chegar ao aspecto atual. No centro do impluvium, espécie de tanque para juntar as águas pluviais, se ergue uma réplica da estátua de bronze do Fauno, cuja original se encontra no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. O Mosaico de Alexandre (outra réplica cuja original está no museu), que representa a vitória de Alexandre Magno contra Dario, rei da Pérsia, também pode ser visto ali.



Casa dos Vettii: É uma das mais célebres e luxuosas residências de Pompeia. A escavação cuidadosa preservou quase todos os afrescos de suas paredes, que são o ponto alto da visita. A identidade dos moradores, dois ricos libertos, ficou preservada em pichações feitas em períodos de campanha eleitoral na frente da casa. Dois anéis contendo inscrições com seus nomes também foram encontrados. Na grande domus, como eram chamadas as casas das ricas famílias romanas, um dos aposentos se destaca por seus painéis de vermelho escuro com frisos com pinturas de cupidos.



Villa dei Misteri: Foi construída no século 2 a.C., em uma colina, de frente para o mar e fora dos muros de Pompeia. É uma das mais de cem moradias descobertas na área do Vesúvio, geralmente ligadas à exploração da agricultura, mas que também serviam de refúgio para os endinheirados. Inclui um bairro residencial e uma área para os empregados, ao lado dos locais onde se fazia vinho. Um dos pontos altos da visita é o triclínio (espécie de sala de jantar), decorado com afrescos que retratam ritos de iniciação nos mistérios do deus grego Dionísio e das mulheres em sua vida de casada. É dessas pinturas que vem o nome do lugar.



Teatro Grande: Construído no século 2. a.C. é inclinado e tem o formato de uma ferradura - modelo de construção que permitia que o som se propagasse e fizesse com que todos os presentes ouvissem o que era dito no palco, que ficava ao centro, embaixo. Era dividido em três zonas, das quais a mais baixa (ima cavea), coberta com mármore, era reservada para os cidadãos importantes da cidade. Acomodava 5.000 pessoas. Não deixe de ver também o Teatro Pequeno e o Quadripórtico dos Teatros (espécie de grande jardim onde os espectadores podiam
se reunir e se encontrar nos intervalos das apresentações), todos próximos um do outro e parte do mesmo complexo.



Fórum: Construído no século 2 a.C., era o coração da cidade. Nessa grande praça, localizada na esquina das principais ruas de Pompeia, se debatiam as questões políticas, administrativas e comerciais da cidade.
O local era fechado para carros e ladeado por importantes edifícios religiosos, políticos e econômicos. Ao norte, o Fórum é fechado pelos Arcos Honorários, originalmente revestidos de mármore e que eram dedicados à família real. Eles estavam dispostos em cada um dos lados do Templo de Júpiter, outro destaque do local, construído também no século 2 a.C. Com uma grande escadaria e colunas, tinha em seu interior uma estátua de Júpiter, cuja cabeça foi encontrada durante as escavações.


Anfiteatro: Construído em cerca de 70 a.C., é uma das construções mais antigas e bem preservadas de Pompeia. O edifício foi concebido para combate de gladiadores e tinha capacidade para 20 mil espectadores, o equivalente a toda a população da cidade. O auditório é dividido em três áreas: o cavea ima (primeira fila), para os cidadãos importantes, a mídia e a soma, mais elevados, para os outros. No eixo principal da arena ficava a passagem pela qual adentravam os participantes das lutas. Do outro lado estava o local por onde se retiravam os corpos dos mortos ou os feridos. Aproveite e visite também o Ginásio Grande, que fica logo ao lado, e era reservado aos exercícios de ginástica promovidos por associações juvenis de Pompeia.



Templo de Apolo: É um dos mais antigos santuários de Pompeia, como atestado pela decoração arquitetônica sobrevivente datada de 575-550 a.C., embora o arranjo atual seja século 2 a.C. Possui um pórtico com colunas jônicas e o chão é coberto de um tipo de pedra policromada que imita desenhos de cubos em perspectiva. Nas laterais, estão as réplicas das estátuas de Apolo e Diana, retratados como arqueiros (os originais estão no Museu Arqueológico Nacional). O altar ao pé da escada é 80 a.C. A Basílica, que fica próxima, também vale uma visita.



Termas: Nem todos os habitantes da cidade possuíam água em casa, por isso as termas tinham grande importância para a população de Pompeia. Além de uma necessidade, elas também eram um evento social. Ali, eles se encontravam com amigos, conversavam e estabeleciam contatos políticos. Homens e mulheres tinham áreas separadas. As termas de Stabia são as maiores e mais antigas da cidade, do século 2 a.C. Parada obrigatória, elas ainda exibem a refinada decoração com motivos figurativos e mitológicos, feita pouco antes da erupção de 79 d.C. Ali também é possível ver alguns corpos dos mortos na erupção. Bem preservadas, as termas do Fórum são as segundas maiores da cidade e datam de 80 a.C., também merecendo uma espiada.



Lupanário: Lupa, que em latim significa prostituta, dá nome a esse local que é um dos mais bem organizados dos muitos bordéis de Pompeia. Ele é o único construído com essa função específica – os outros constituíam-se apenas de uma cama no andar superior de alguma loja. São cinco quartos e uma latrina no piso térreo e mais cinco quartos no andar superior. O destaque fica por conta das camas do bordel: cada quarto tem a sua, feita em alvenaria originalmente coberta por um colchão. Outro ponto interessante são as pinturas que retratam diferentes posições sexuais e que adornam todo o bordel. As prostitutas eram escravas e seus rendimentos iam todos para o cafetão. A marca de uma moeda de 72 d.C., gravada em uma argamassa do edifício, demonstra que ele é de um dos últimos períodos da cidade.



O jardim dos mortos: Neste extenso espaço, onde atualmente há um vinhedo, se encontram os corpos de algumas das vítimas da erupção de 79 d.C. Os formatos de seus corpos e rostos no momento da morte foram preservados por uma técnica com gesso desenvolvida por Giuseppe Fiorelli, diretor de escavações de Pompeia entre 1860 e 1875.






quinta-feira, março 29, 2018

Sobre a Italy Travel



A viagem foi maravilhosa, muito além do que eu poderia esperar – afinal, perder aquela viagem para Cartagena não poderia ter sido melhor – e eu vou ressaltar alguns pontos da viagem:
- Perder o medo de viajar sozinha;
- Conhecer muita gente nova e diferente;
- Perder o receio de falar em Inglês;
Eu estava morrendo de medo de viajar sozinha, de ir para um país onde eu não sabia a língua local e, principalmente, da solidão que eu poderia sentir, mas deu tudo certo. Estar sozinha me permitiu conhecer um monte de gente bacana. Gente que me surpreendeu com sua bondade, por demostrar prazer em ajudar, em compartilhar seu tempo, suas histórias e conhecimento comigo. Conhecer gente boa sempre me faz ter mais fé no mundo. Para citar as pessoas boas posso falar do Massimo, meu amigo de Veneza que me mostrou uma parte de Veneza que a maioria dos turistas não conhece. Bairros residenciais, suas padarias, livrarias, jardins secretos, guetos, escolas e restaurantes. Conheci os verdadeiros venezianos.
Posso falar também da Bogusia e da Kasia. Agora sou apaixonada por poloneses. Sei lá, a Bogusia – de 62 anos, mãe da Kasia de 26 – tinha uma alma parecida com a da minha vó, o que já bastou para eu simpatizar com ela. Durante o dia que passamos juntas, ela me tratou como filha, nós três rimos muito, conversamos sobre diversos temas como política, Segunda Guerra Mundial e sobre como os pais ficam quando seus filhos saem em viagens pelo mundo. Ela disse que estava cuidando de mim, como gostaria que os outros cuidassem da Kasia em suas viagens.
Posso falar também do cara que me cedeu seu lugar na missa e graças a ele conseguir ver o Papa de muito mais perto do que um dia sonhei. Das pessoas que acompanharam como a Frabini por Paris e o Zeca, por Roma. Ou das outras pessoas que me ajudaram em tudo que podiam, me fornecendo informações, dicas ou simplesmente dando bons dias amistosos. Foi por causa de pessoas boas que essa viagem aconteceu.
Para me comunicar com essa gente precisei falar inglês, treinar minha conversação e estava morrendo de medo disso também, pois em outras viagens, sempre tinha alguém que poderia me ajudar nisso. Dessa vez era só eu e, com enorme satisfação, afirmo que me sai bem nisso.
- Conseguir visitar minha tia em Barcelona;
Durante muitos anos sonhei em visitar Barcelona, conhecer suas ramblas, estar mais perto das obras de Gaudí. Isso também se tornou possível com essa viagem. Estando com minha tia lá, tive oportunidade de conversar com ela sobre meu pai e é bom ouvir histórias dele que eu ainda não conhecia. Lá também comi feijão, um feijão especial, pois o tempero também se parecia com o tempero da casa do Taba.
- Enriquecer minha futura carreira de professora de história, entrando no Coliseu e visitando as ruínas de Pompeia;
Estando lá eu não me cansava de agradecer a oportunidade de estar pisando naquele solo. Estar em lugares que conheci ainda muito pequena através de livros, sempre é algo surreal para mim. Poder contar essa experiência para meus alunos, tenho certeza de que também será.
- Consegui viver com meus 18 euros por dia;
- Vi o mar adriático e o mediterrâneo;
- Conheci nove novas cidade em três países - Roma, Barcelona, Castelfells, Vaticano, Napoli, Pompeia, Veneza, Florença e Pisa;
- Cheguei ao meu 17º país;
Durante 15 das me senti mais viva do que nunca, conhecendo, podendo tocar em uma cultura com milênios. Tendo contato com algumas das obras de arte mais famosas do mundo.
O povo italiano é belo, feliz, divertido, acolhedor e irreverente.
A viagem me fez crescer em muitos sentidos. Aprendi a apreciar mais a minha companhia e a sentir falta de ter alguém com quem compartilhar alguns momentos. Foi uma viagem edificante em muitos sentidos... pessoal, espiritual, profissional e social.
Viajar me abriu portas, não apenas para o mundo, mas para a minha vida. Viajar me ensina na prática história, geografia, outras línguas e mais do que isso, me ensina a ser mais humana, a sair da minha bolha. Viajar me ensinou a não julgar e não estabelecer preconceitos, nem com lugares, muito menos com pessoas.
Aprendi a deixar apenas de existir, para passar a viver e escrever a história que eu sempre sonhei para mim.
A cada viagem que faço me faz diferente.
Tento adquirir as coisas boas de cada lugar que conheço, cada cultura que tenho contato e cada pessoa que passa pelo me caminho. É isso que me faz crescer, porque trago na mala apenas as boas lembranças e aprendizado.
Aprendi que investir em experiências é melhor do que em coisas. Afinal, viajar é enriquecedor. Enriquece a Alma e o coração.

segunda-feira, março 26, 2018

A sorte me sorriu e fiquei a menos de dois metros do Papa


Sou católica e cresci gostando de João Paulo II, acompanhando a cobertura de suas visitas pelo Brasil. Depois fiquei esperando a fumaça branca aparecer na chaminé da Capela Sistina, veio Bento e confesso que ele não cativou meu coração. Mas “Habemus Papam”, e chegou Francisco, e esse, nossa, esse é o cara.
Um homem que é contra as extravagâncias da igreja católica, que faz de fato caridade – leiloou sua moto para dar dinheiro aos mais necessitados, dizem que anonimamente alimenta pobres de Roma, entre outras coisas que comprovadamente ele faz – e o que é mais importante nos dias de hoje, ele é tolerante. Uma pessoa que não vê as minorias com maus olhos, que não coloca a igreja católica como a única forma de crer em Deus e que é contra a obsessão da Igreja com aborto, casamento gay e contracepção. Ele é o que todos nós deveríamos ser. Um exemplo a ser seguido – dica para o pessoal que apoia um certo candidato aí.
É claro que eu queria conhecer esse cara, mas estava parecendo que seria impossível, pois eu não agendei a visita, em minha única quarta aqui na cidade. Mas eu realmente gosto dele, então quando soube que aos domingos ele também faz uma breve aparição, lendo o “Angelus” de sua janela no Vaticano, eu resolvi que iria na missa, simplesmente para vê-lo, de longe.
No sábado eu havia estado em Pompeia, acordado muito cedo e andado o dia todo. Do meu hotel até o Vaticano são quase 5km, que eu faria a pé, pois não estou usando transporte público aqui em Roma. Mesmo assim eu iria. Apesar de eu não frequentar a igreja, Deus é muito presente em minha vida. Temos de fato uma relação íntima, queria ir para agradecer minha viagem e também todas a oportunidades que a vida tem me dado.
Fui... acordei cedo e com a ajuda do Maps, cheguei em ponto para a missa. Dez da manhã. No caminho percebi que as pessoas estavam com alguns ramos na mão e me dei conta que se tratava do Domingo de Ramos.
Domingo de Ramos é uma festa móvel cristã celebrada no domingo antes da Páscoa. A festa comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, um evento da vida de Jesus mencionado nos quatro evangelhos. Na liturgia romana, este dia é denominado de "Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor".
Lembro que a vó sempre queria ir nessa missa, pois era especial. Sendo especial, comecei a ficar atenta nas conversas de rodas de beatas, até que ouvi o que eu esperava; uma mulher disse em Italiano, alguma coisa que entendi como “O papa vai celebrar essa missa”. Fiquei afoita, cheguei tarde para garantir um bom lugar, fiquei lá atrás. Com minha miopia, o papa era apenas um pontinho vermelho no altar. Mas acompanhei toda a missa com fervor, afinal, era o nosso Chico que estava lá.
Tentei ficar perto da grade, para que, caso o Papa passasse no papa móvel eu pudesse avista-lo. Estava na segunda fila, digamos assim, pleiteando por uma vaguinha na grade, que estava quase se tornando real, quando uma menina pequena, empurrada por sua avó, se meteu nela. Fiquei muito brava, estava ali há mais de hora e a senhora simplesmente roubou meu lugar.
A raiva me fez refletir. O que eu estava fazendo ali? Do que adianta ir na missa e ser egoísta, não praticar a caridade, não ter compaixão? Pedi perdão a Deus e resolvi ser uma pessoa melhor, deixando isso para lá. Eu já estava ganhando... assisti uma missa inteira com um cara que admiro. O que mais podia querer?
Pois bem, ele embarcou em seu carro e começou a passar por todos os corredores, eu ainda iria conseguir ver algo. Foi quando o cara da minha frente olhou para mim e perguntou: “Quer vir aqui?” em italiano – nessas horas entendo tudo – e eu disse sim e agradeci.
Papa Francisco passou a menos de dois metros de mim. Caí em prantos e, ainda agora, quando lembro do momento, é impossível conter as lágrimas. Não sou dada a beatismo, muito menos ao fanatismo religioso, mas a presença dele é tão forte, tão iluminada, é como se a gente pudesse sentir o bem presente ali.
Mais uma vez deu tudo certo.
O Papa Francisco é sem dúvidas alguém que merece ser seguido e visto como um exemplo. Esse papa nos aproxima ainda mais de Deus.


sexta-feira, março 23, 2018

Pelos canais de Veneza - a cidade por outro ângulo


Ir a Veneza sem passear de gôndola pelos seus canais é como ir até Paris e não visitar a Torre Eiffel, mas eu só consegui cumprir esse objetivo aos 45 do segundo tempo, e olha que fiquei 4 dias em Veneza.
É caro passear pelos canais, um valor que eu não poderia – nem estaria disposta – a pagar. Uma volta normal custa 80 euros, o que convertido, daria quase 400 reais, sem condições, então o jeito foi procurar por outras alternativas. Descobri que existem alguns sites para a reserva, mas não entendi muito bem como funcionavam e o valor ainda continuava alto. Procurei por parceiros em grupos de redes sociais – vários – também sem sucesso. Então fiz mais uma busca por soluções e descobri um app criado especialmente para isso, o KiShare, que permite que as pessoas compartilhem – e dividam o valor de – alguns serviços, entre eles o das gôndolas.
A solução para os meus problemas!
Achei um grupo que faria o passeio as 14 horas e fiquei por perto do local do ponto de encontro. Matei tempo tomando um café na Praça San Marco, embalada pelas músicas maravilhosas tocadas por uma orquestra. Fiquei lá por mais de duas horas esperando, observando o vai e vem de pessoas – e de aves.
Hora do encontro, segui para local. No caminho uma das pessoas do grupo – um homem, que havia feito a reserva para ele e outra mulher – enviou a mensagem: “Precisamos pelo menos de mais um homem”. Não entendi, segui o caminho e fiquei lá, aguardando alguém chegar. Enviei mensagem confirmando, mas não tive resposta, o tempo foi passando, passando e não apareceu ninguém. O sonho havia acabado. Fiquei arrasada, como assim?
Definitivamente eu não andaria de gôndola, pois logo pegaria o trem.
Resolvi comer algo no caminho de volta para o hotel - um risotto, que não chegava nem aos pés do servido no La Fontana - e depois segui triste pelo labirinto que me levaria até minhas malas – já havia feito check out, havia apenas deixado as malas lá guardadas.
Um gondoleiro me ofereceu o passeio, eu parei e disse que era muito caro, com uma super cara de cachorro abandonado. Ele me ofereceu um desconto, faria por 70 euros, eu disse que mesmo assim não poderia e que estava em busca de uma forma de compartilhar o passeio. Ele falou que se eu quisesse esperar, poderia ser que ele encontrasse alguém para compartilhar comigo. Fiquei por ali por uns 15 minutos e ele, sendo extremamente gentil, me enfiou em um passeio junto com dois russos – um homem e uma mulher, que acho que não eram um casal. E o melhor, o russo era tão mão de vaca que ele conseguiu que o gondoleiro fizesse por 60 euros, ou seja... 20 euros para cada.
Valeu muito a pena.
É apaixonante e certamente o passeio vai ficar em minha memória por toda a minha vida.
A princípio pensei que fosse enjoar – pobre – mas depois entrei no clima de romance e embarquei em um passeio fantástico, cheio de histórias e belas paisagens.
O percurso da gôndola varia de acordo com o local onde o passeio começa. Você pode perguntar ao gondoleiro, mas o mais importante é que você peça para que ele inclua os canais menores – canali minori . Dentro desses canais você irá ver uma Veneza onde só a gondola te leva, pois não existe um outro meio de chegar. É Veneza em um ângulo completamente diferente do visto de cima das pontes, é espetacular.
As fachadas dos palácios, as hortas e jardins secretos, as casas de personagens famosos e um silêncio que só é quebrado com o sinal sonoro que o gondoleiro faz para avisar ao outro que vai passar, ou seja, a buzina deles.
É um momento para admirar este lugar único e se surpreender com a ideia quase que improvável de uma cidade construída sobre a água.
É Veneza não cansando de ser apaixonante!

quinta-feira, março 22, 2018

Suspiros por Veneza



Veneza é como um labirinto, formado não só pelos seus inúmeros canais, mas também pelas suas centenas de ruas estreitas que seguem por entre edifícios, praças e pontes – mais de 400. Estar aqui é como um sonho.
Acho que amei Veneza no momento que vi Helena e Atílio se apaixonando aqui nessa cidade, ao som de “Per amore”, na novela Por amor de 1997 – sim eu tinha 10 anos. Tudo era tão perfeito que nem parecia real.
 Pois bem, é tudo absolutamente real, a cor da água, do céu, os pombos, as gondolas e seus gondoleiros...
O início da história da cidade começou em 421, construída em cima de 177 ilhas de uma lagoa, a cidade cresceu e se fortaleceu economicamente. A posição estratégica no mar Adriático garantiu que os navios, usados tanto para o comércio quanto para fins militares, a tornassem rica e poderosa. Era em Veneza que acontecia o comércio entre o Ocidente e o Oriente, muito antes da América sonhar em ser descoberta. Com a descoberta de novas rotas comerciais a economia da cidade enfraqueceu, houve o período bizantino, depois a era napoleônica, a cidade passa por todas elas e chega aos dias de hoje, recebendo mais de 10 milhões de turistas por ano.
Veneza sem dúvidas está entre as cidades mais lindas do mundo e provavelmente seja a mais romântica. Por onde quer que se vá se enxerga casais apaixonados, andando de braços dados, degustando vinho nos restaurantes, fazendo juras de amor pelos canais. Aqui se respira romantismo. Não é o melhor lugar para quem está sozinha, mas essa solidão também tem seu lado positivo.
Posso sair andando pelas ruelas, sem rumo e me permito sonhar acordada e imaginar outros tempos em que Veneza era ainda mais gloriosa e monumental. Tempos em que os palácios se enchiam de gala para receber bailes de máscaras e amantes trocavam promessas de amor no escuro. As máscaras ainda existem, aos montes nas banquinhas para turistas e música fica por conta das orquestras dos restaurantes da praça San Marco.
Quantos suspiros por Veneza. Essa cidade mágica, de cultura riquíssima e beleza cênica ímpar. E quem disse que eu não estou apaixonada? To sim, por esse lugar.

quarta-feira, março 21, 2018

Me chama de Vaca Profana que eu to em Barcelona


19/03/2018        

Calma, calma, se você não ta entendo o título é porque não conhece a música do Caetano, imortalizada na voz de Gal, Vaca Profana. A música que é top 10 na minha vida, a canção é uma verdadeira ode à Espanha, em especial à Catalunha, com retratos discursivos diretos, formando imagens através da poesia, mescladas nas cores vivas da década de 80 e o contexto artístico/musical/social daquele período. É impossível estar aqui, passear por suas ramblas e não me pegar cantando a música. Sério, se você não conhece a música, vale a pena conhecer.

Estar na Catalunha também tem todo um lado político. O território luta por anos pela independência política e social. E né, tenho essa minha queda pelos movimentos sociais... estar aqui também contribuiu para que eu entendesse melhor o que de fato acontece. Inclusive estava acontecendo uma manifestação dos aposentados, que lotou ruas por todo o país.
Ainda não consegui definir qual a sensação de estar na Espanha, que aliás é meu 17ª país visitado. Eu tenho toda uma ligação fortíssima com os países latinos e seu povo, uns idolatrando o antigo colonizador, outros abominando a terra que os roubou e destruiu. Mas o fato é que aqui me senti bem, parecia que eu estava em minha adorada Montevideo, me senti acolhida e feliz.
Barcelona é maravilhosa, cheia de construções monumentais, fontes espetaculares e muito Gaudí. Estive aqui na casa de minha tia – irmã de meu pai – que já mora a mais de 10 anos no país de Carlota Joaquina.
Foi ótimo passear pelas ramblas, ver torres e igrejas projetadas por Gaudi. Em dois dias não deu para conhecer muito, mas o pouco que vi, me agradou muito!

quinta-feira, março 15, 2018

Parole, parole e cheguei ao meu 15º país


Cheguei ao meu 15º país! Eu sei que é um número pequeno, mas merece uma postagem especial, pois me sinto muito privilegiada por estar tendo a oportunidade de conhecer tantos lugares que sempre sonhei.
Quando eu tinha 15 anos meu maior sonho, quem sabe o mais inatingível, era um dia   conhecer o Rio de Janeiro, então ter chego até aqui, merece comemoração. Naquele tempo eu já escrevia páginas e páginas em meus diários, mas o que eu não sabia era que escrever, me faria ter oportunidades de conhecer alguns pedacinhos do mundo. Essa viagem é um bom exemplo disso, então, nada melhor que escrever para demonstrar minha satisfação.
Assim como todo mundo que gosta de viajar, eu tinha a Itália entre os meus destinos pretendidos. Acho que conheci um pouco mais da cultura da Itália, como a maioria das pessoas da minha geração, assistindo Terra Nostra, aliás, vim para cá com o vocabulário que aprendi na novela, que se resume a algumas palavras: Caspeta, Mateo amore mio, manjare... pensem na loucura que é quando vou estabelecer um diálogo em Italiano hahaha.
Estou aqui há dois dias e me sinto dentro de um livro de história, também pudera, estou andando por ruas que estão ali há milênios. A cada esquina me deparo com monumentos, ruínas, igrejas, que me deixam boquiaberta. A preservação é incrível, o cuidado e o zelo que se tem para não comprometer a herança palpável da humanidade é impressionante. Estar em meio a isso tudo é quase surreal.
Mas não precisa ser um amante de história como eu para curtir a Itália. Roma, por exemplo, é uma cidade cheia de música, cheia de vida, com pessoas alegres, que falam alto pela rua, que cantam e que elevam sua autoestima – quer se sentir linda? Vem pra Itália. Se parece muito com o Brasil o fato de ter se unificado tardiamente - oficialmente em 1929 apenas -, permitiu que o país tivesse a miscelânea de culturas que tem hoje, miscigenação que conhecemos muito bem.
Essa mistura toda, também influencia na comida, que como não poderia deixar de ser, é um capitulo a parte, de excelente qualidade, uma delícia – estou chovendo no molhado falando isso né, mas para mim é importante, pois quem me conhece sabe que não como pizza, massa ou pão e aqui estou tendo que comer e para delírio geral, estou gostando.
Essa também é uma viagem atípica, pois estou sozinha. De fato, não é a maneira que mais gosto de viajar, pois se nenhum ser humano é uma ilha, eu devo ser um arquipélago todo, pois gosto de gente, de interação, de risadas, comentários, amo viajar desse jeito... mas estou usando a solidão – essa será a viagem das selfies - para me perder no horizonte, imaginando tudo o que já se viveu nessa terra e o melhor, às vezes me perco em pensamentos até com trilha sonora, vinda dos inúmeros músicos de rua, é como se estivesse em um filme italiano.
Quinze é um dos meus números da sorte e tenho certeza que a Itália ainda me fará suspirar muito! 

sexta-feira, março 09, 2018

HISTÓRIAS DA NOSSA TERRA – FUGINDO DA GUERRA, ENCONTROU A PAZ NO BRASIL



A personagem de hoje é Ivone Ianh Klauberg, de  81 anos, que mora em São Leonardo, e nos conta a história de seu avô, Adolf Ianh, que nasceu em Berlin no ano de 1862.
Dona Ivone me recebeu em sua casa em uma tarde de sábado, e por pouco mais de uma hora me contou muitas histórias, em meio a muitas risadas e palavras em alemão. A história de sua família no Brasil, começa ainda na Alemanha quando seu avô decide sair de lá para tentar a vida em um lugar com menos sofrimento.
Adolf tinha apenas 18 anos, quando se viu sozinho na Alemanha, todos seus parentes haviam morrido nos constantes conflitos que ocorriam por lá. Dona Ivone nos fala que seu avô lhe contava com água nos olhos, que para enterrar os muitos mortos, eram abertas imensas valas e os corpos eram todos jogados lá dentro. Dentro dessas valas Adolf viu os corpos dos pais e de todos os seus irmãos serem enterrados, ele só se salvou pois junto com 12 amigos construíram uma espécie de bunker, um túnel cavado e sustentado por tábuas, onde se esconderam até o conflito cessar. Mesmo sendo muito jovem ele tomou a decisão de que queria deixar aquele lugar, vendeu tudo e partindo do porto de Bremen, a bordo de um veleiro ele veio rumo ao Brasil.
Mas a viagem ainda seria muito longa e o sofrimento ainda não havia acabado.
A viagem de Adolf para o Brasil é semelhante à de muitos imigrantes, que dentro de veleiros superlotados fizeram a viagem rumo a nova vida. Adolf lembrava que sempre que possível eles abasteciam o navio com água potável, em cachoeiras próximas a costa, mas que quando chegaram no mar aberto muitos problemas começaram. A comida era pouca e começou a apodrecer, quase no final da viagem, restou apenas um pouco de torresmo, apodrecido e cheio de bichos, mas o qual mesmo assim eles comiam, para não morrer de fome. Durante a viagem que durou mais de 3 meses, muitas pessoas adoeceram e Adolf nunca esqueceu da pequena menina que faleceu, foi embrulhada em um lençol branco e jogada ao mar, tampouco do choro inconsolável de seus pais, que não puderam fazer nada por sua filhinha e tiveram que deixá-la ir, em alto mar.
Chegaram primeiro no Rio de Janeiro e depois se dirigiram para Santa Catarina. Adolf não tinha contatos no Brasil, ele veio com dinheiro para comprar terras, mas não sabia como as coisas iriam acontecer na nova terra. Contou com a generosidade de duas famílias, os Moritz e os Heptchs**, que no porto o ajudaram, levaram-no para almoçar e até mesmo o abrigaram em sua casa, até ele comprar suas terras e construir sua nova vida.
Ele comprou terras na cidade de Águas Mornas, onde casou com Albertina Schaph, que também era de origem alemã, mas que já havia nascido no Brasil. Lá moraram por alguns anos e depois vieram morar na vila próspera do Quebra Dentes, hoje São Leonardo, e foi lá que Adolf finalmente encontrou a paz. Ele dizia para todos em alemão que ali era um “Heiliges Land”, um lugar santo. Uma terra linda e abençoada, com um solo rico e forte, de onde eles conseguiam retirar tudo que precisavam para sobreviver.
Adolf e Albertina tiveram 9 filhos. Eram um casal de fé, frequentavam a igreja Luterana e quando os netos chegaram, adoravam contar a todos muitas histórias do passado, de tempos difíceis, mas que precisavam ser lembrados. Adolf sentia saudade de sua terra, de sua amada Berlin, desenvolvida, onde tudo se aproveitava e que mesmo no final do século XIX, já pensava em conceitos como: reciclagem, reaproveitamento e sustentabilidade, mesmo tratando-os por outro nome. Lembrava também com tristeza de como a sua cidade sofria com as guerras, de amigos e parentes que foram perdidos em conflitos e agradecia todos os dias por ter encontrado a felicidade e a paz aqui no Brasil.
Ele era um homem que por ter sentido na pele os horrores da guerra, só queria a paz, e que comemorou quando seu xará Adolf Hitler morreu. “Der Hund ist gestorben”, o cachorro morreu. Ele achava inadmissível e inaceitável tantas vidas se perderem.
A paz só foi ameaçada nos tempos das grandes guerras mundiais. Adolf não ouvia muitas histórias dos alemães que era charopeados com óleo, simplesmente por serem origem germânica e falarem aquele idioma. Mesmo assim ele se manteve falando alemão, pois tinha orgulho de sua origem.
Ivone cresceu com esses valores e foi criada dentro da cultura alemão. Ela conta que em sua casa só se falava o idioma alemão e que ela só aprendeu a falar o português com 15 anos.
Quando criança os moradores da pequena vila, que ainda pertencia a cidade de Bom Retiro fizeram uma grande manifestação, pedindo uma escola para que suas crianças pudessem estudar. Ela guarda a foto na sala de sua casa, todos de uniforme em frente à escola, porém o que a foto não mostra é que nenhuma daquelas crianças tiveram a oportunidade de estudar, pois a escola foi construída, mas um professor só foi designado para trabalhar lá anos depois, quando Ivone já era moça.

De sua mocidade Ivone tem belas lembranças, como as das tardes em que se reunia com as amigas na varanda de sua casa, ela conta que eram 28 moças na comunidade naquele tempo e que a diversão era ir assistir aos jogos de futebol no campo da comunidade e ir nas festas no clube animadas pelo conjunto Jazz Familiar.
Ela recorda também de outras histórias, como a de quando na revolução de 30 as tropas passavam pelo município e matavam animais para se alimentar. Era comum as pessoas fugirem, com medo de por terem origem alemã sofrer alguma represaria. Mas as vezes a fuga gerava algumas situações inusitadas, como quando um de seus vizinhos fugiu para o meio do mato, levando uma vaca para terem leite e uma coberta de penas para se protegerem do frio a noite, mas no meio da fuga, a coberta foi furada por espinhos e as penas formaram um rastro, que denunciavam o esconderijo. hahaha
Em sua casa Ivone tem muitas fotos, muitas delas feitas por seu pai, Guilherme Iahn – Willi -, que entre muitas outras funções era também o fotografo da comunidade. Ele se dividia entre carpinteiro, pintor, cabeleireiro e fotógrafo, enquanto sua mulher Ema Horst e os filhos tocavam a lavoura e cuidavam dos animais.

Ivone se casou aos 16 anos com Anildo Augusto Klauberg, com quem teve 4 filhos. Todos seus filhos ainda vivem na comunidade de São Leonardo. Conversar com ela foi como uma volta no tempo, onde pude conhecer um pouco mais sobre as histórias da gente que construiu a nossa história.






quinta-feira, março 08, 2018

CACHOEIRAS DE ALFREDO WAGNER: CACHOEIRA NELSON E ARLI


Alfredo Wagner, a Capital das Nascentes, também é, como se poderia esperar uma terra cheia de cachoeiras encantadoras. A abundância de água e o relevo acidentado contribuem para que nosso território seja contemplado com quedas d’aguas majestosas que encantam turistas em todas as épocas do ano, em especial no verão, quando eles vêm de todos os lugares, buscando se refrescar em nossas águas.
A cachoeira do Nelson, fica na comunidade do Passo da Limeira, distante 13 km do centro da cidade. Para se chegar até ela o visitante realiza uma pequena trilha (1,5km), em meio a mata nativa e ao canto dos pássaros, cruza pequenos riachos e é brindado, ao final da trilha com a brisa refrescante vinda da queda d’agua. A cachoeira tem cerca de 30 metros de altura e é um convite para um banho refrescante.
Paz e tranquilidade habitam o local.
Para chegar até lá partindo de Alfredo Wagner, basta seguir a SC 350, sentido Ituporanga, até a entrada para a comunidade do Pinguirito, de lá, são 2km pela estrada de chão, seguindo as placas que indicam a direção até a Pousada das Águas. Lá existe infraestrutura turística, para quem desejar se hospedar e também a opção de realização da pequena trilha até a cachoeira.
O ingresso para a trilha custa R$:8,00 e pode ser adquirido no local.
Maiores informações pelo telefone: (48) 99823945 ou (48) 32761200.