quinta-feira, abril 27, 2017

Lucro de R$84.465,95 na Cavalgada do Hospital


quarta-feira, abril 26, 2017

Gruta Oposta

Trata-se de caverna arenítica localizada na margem esquerda do rio Águas Frias, na localidade de Coxo d´água. Foi assim denominada por Schoröder (2005) por estar na margem oposta à gruta Surpresa Boa. Wagner (2002) denomina esta caverna de abrigo sob Rocha Edelberto Berger, mas como o sr. Edelberto não é mais o proprietário da área e a caverna não tem denominação local optamos por manter o nome dado por Schoröder (2005).

 Em função horário no qual foram concluídas as atividades na gruta Surpresa Boa não foi feito mapa topográfico ou mesmo croqui desta cavidade, no entanto o croqui apresentado por Wagner (2002) traz uma boa descrição.

Croqui da gruta Oposta apresentado por Wagner (2002). 


Gruta Surpresa Boa

Pequena gruta arenítica com um salão ricamente ornamentado com espeleotemas calcários (mapa topográfico anexo). Fica na margem direita do rio Águas Frias, na localidade de Coxo d´água. Wagner (2002) denomina esta caverna de abrigo sob Rocha Edgar Neuhaus, mas como o sr. Edgar não é mais o proprietário da área e a caverna não tem denominação local optamos por manter o nome dado por Schoröder (2005).
O primeiro ambiente da caverna é um grande abrigo arenítico, com um pequeno conduto que dá acesso ao salão intermediário com grande quantidade de espeleotemas (Figura 21), incluindo grandes colunas estalagmíticas, que dificultam o acesso às outras partes da caverna, além de coraloides, cortinas e estalactites, estalagmites, canudos, helictites e escorrimentos ativos. Os outros dois pequenos salões da gruta não possuem espeleotemas, pois são formados no folhelho, que não é tão poroso como o arenito a ponto de deixar passar a água saturada de carbonato de cálcio (Schoröder, 2005). 

A exemplo da gruta Serra do Tio Zezé, as pequenas dimensões dos salões e a fragilidade dos espeleotemas pode explicar a grande quantidade de espeleotemas quebrados.

Grandes colunas estalagmíticas (esquerda) e pequenas estalactites ativas (direita) na gruta Surpresa Boa. 

Toca dos Bugres

Esta é certamente a caverna mais relevante visitada durante a expedição, tanto pelas dimensões - desenvolvimento linear de 86 metros (mapa topográfico anexo) quanto pela gênese. Está situada na localidade de Paraíso da Serra, próxima à antiga estrada que ligava São José a Lages. Apesar do acesso relativamente difícil (estrada em condições precárias), a caverna é visitada e apresenta algumas depredações (principalmente pichações).
Wagner (2002), que a denomina “galeria Leopoldo Seemann” (o nome pelo qual a cavidade é conhecida localmente, neste caso toca dos Bugres, tem prioridade no registro oficial), faz uma descrição riquíssima da caverna – inclusive com um croqui bem detalhado, como nas demais cavidades descritas em seu livro. Ele deixa claro que não acredita na hipótese de gênese pela água e elenca suas justificativas e prováveis razões pelas quais os indígenas a escavaram:
“Ouve-se às vezes, falar que as galerias foram escavadas pela ação da água e não escavadas pelo homem. Esta hipótese me parece improvável pelo que se observa nas Galerias Leopoldo Seemann e na n.o 1, próxima ao cemitério de Alfredo Wagner; Elas estão em altitude elevada – terreno em aclive, o acesso às duas estão em nível superior ao piso das mesmas e a jusante do escoamento da água.”
“Na extremidade de cada túnel, quase sempre temos uma saída
camuflada, exceto a entrada principal antes descrita.”... “Em um dos túneis, o de 36m, há um rebaixamento no piso que começa a 10m e se prolonga por outros 10m e após aflora novamente, deixando uma lâmina de água de um metro de profundidade, na parte central. Tinham assim água para consumo. Mais curioso ainda é que um dos túneis foi construído em aclive numa extensão de 15,5m e de lá retorna sobre o primeiro que visto da sala 2 apresenta as duas bocas”... “Este túnel sobreposto deveria ser a área de máxima segurança da galeria.”... “Uma maravilhosa obra de arte indígena...”

 “Na galeria Leopoldo Seemann foram escavados e transportados, com os meios disponíveis na época, 382 m3 de arenito. Foi um trabalho árduo e penoso. Deveria pois, haver motivos para tal trabalho. Seria segurança que estavam almejando, para se protegerem de animais e de outros índios? Seria para se protegerem das intempéries? Seria para armazenarem pinhão e outros alimentos?”

Croqui da toca dos Bugres (Galeria Leopoldo Seemann) em Wagner (2002).
Schoröder (2005), apesar de sugerir que a simples atuação da água diretamente na rocha pode ser a causa da formação da gruta (denominada no trabalho de gruta da Anta Gorda), pois a mesma demonstra a desagregação do arenito por ação mecânica da água acompanhando áreas de fraqueza do arenito, afirma que há três condutos que foram nitidamente escavados através da ação humana, o que leva a algumas especulações sobre quem poderia ter efetuado tais escavações. 
Com base em trabalho acadêmico que aponta que o grupo indígena que habitou a região não tinha por hábito construir galerias, e que utilizava os abrigos e grutas apenas para o depósito dos mortos, Schoröder (2005) afirma que a gênese é provavelmente mista, com parte originada por processos naturais através da erosão mecânica da água e parte por escavação efetuada pelo homem - mas não indígenas, teriam sido moradores próximos ou tropeiros, devido à localização da entrada ser próxima ao caminho que ligava São José a Lages. 
Wagner (2002) estava correto ao considerar improvável a gênese apenas pela ação da água e Schoröder (2005) ao propor a gênese mista, no entanto há uma hipótese bem mais plausível para o desenvolvimento da toca dos Bugres do que a da ação antrópica. Com o aumento substancial no número de cavernas prospectadas e no conhecimento associado à espeleogênese, diversas cavidades semelhantes têm sido descobertas por todo o Brasil e sua gênese está associada à escavação de galerias por animais extintos – geralmente tatus gigantes (gliptodontídeos) que viveram no período Pleistoceno. Tais cavernas são chamadas “paleotocas” e geralmente possuem padrão arredondado das galerias (originado pelo atrito com as carapaças dos animais) e marcas das garras podem ser observadas no teto e no final dos condutos, padrão encontrado na toca dos Bugres.

Fóssil (esquerda) e reconstrução artística (direita) de Glyptodon. Estes tatus gigantes viveram na região Sul do Brasil durante o Pleistoceno e foram extintos há cerca de 10.000 anos. 
Outra característica marcante das paleotocas é a presença de salões e/ou condutos alargados em função de abatimento de blocos paralela ou posteriormente à escavação pelos animais, bem como gerados pela ação da água, o que é claramente observado na toca dos Bugres. Estes abatimentos continuam ocorrendo atualmente, como relata Wagner (2002): “Por quatro vezes visitamos este local. Na terceira visita, infelizmente, já apareceram alguns desmoronamentos e na quarta ainda mais, ocasionados por infiltração de água.”. Durante o mapeamento da caverna foi possível verificar que houve outro abatimento recente pois o maior conduto, que no mapeamento feito por Wagner (2002) apresentava 36 metros, está com, no máximo, 30 metros. As pessoas que nos acompanharam também afirmaram que em visitas feitas recentemente, em junho deste ano, era possível caminhar por cerca de 10 metros após o final da parte com água no conduto – o que se fez por no máximo três metros até a obstrução total do conduto por sedimentos. Estes abatimentos aparentemente são naturais, tendo em vista que não há impactos antrópicos no entorno (exceto a estrada, que passa a cerca de 50 metros da entrada e é pouco utilizada em função de suas condições precárias), e certamente devem ser considerados em eventuais visitas.


Gruta Avelino Berger

É também uma pequena caverna arenítica situada um pouco acima da gruta Nego Soni e, por isso, está localizada a poucos metros da superfície. Possui um conduto principal de cerca de 11 metros, sendo os três metros finais quase inacessíveis. Há também uma bifurcação perpendicular de quatro metros bastante apertada.

Gruta Avelino Berger

Gruta Nego Soni

É uma pequena caverna arenítica (Figura 16, mapa topográfico anexo) localizada em encosta logo abaixo do cemitério municipal (Morro do Cemitério, no perímetro urbano). 
Enquanto Wagner (2002) aponta origem antrópica para as chamadas “galerias subterrâneas”, incluindo as aqui vistoriadas gruta Nego Soni, gruta Avelino Berger e toca dos Burgres, tendo sido escavadas por indígenas, Schoröder (2005) apresenta hipótese bem mais plausível e afirma que o diaclasamento do arenito é a causa provável do surgimento das grutas Avelino Wagner (próximo item) e Nego Soni, havendo um claro comportamento de trabalho de água subterrânea agindo em um ponto de fraqueza no arenito, causando o alargamento das fissuras e formação dos condutos.
A gruta Nego Soni tem este nome em função de sua utilização por um criminoso (homônimo) para moradia e esconderijo, tendo sido ali capturado.  

Gruta Nego Soni

Abrigo Balcino Wagner

É um grande abrigo arenítico com espeleotemas calcários (coraloides, estalactites, estalagmites e colunas) localizado nos fundos de uma residência em Estreiro, perímetro urbano de Alfredo Wagner. Há ainda uma pequena cachoeira na entrada.

O abrigo foi completamente soterrando quando da construção da BR-282, por volta de 1983, sendo posteriormente desobstruído em quase sua totalidade (a porção mais ao Sul continua quase que completamente obstruída com sedimento). O abrigo tem uso turístico e no seu interior foi construído um pequeno altar com imagens de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Fátima.

Croqui abrigo Balcino Wagner

Abrigo Balcino Wagner. Em sentido horário a partir do canto superior esquerdo temos a entrada do abrigo, coluna estalagmítica, altar no interior da cavidade e detalhe da porção mais ao Sul do abrigo, que continua obstruída. 


Buraco da Pedra Moldada

É uma pequena caverna em folhelho medindo 2,7 metros de comprimento, 2,5 metros de largura na entrada (afunila até chegar a dois metros no final) e altura média de 65 cm (Figuras 12 e 13). É uma das três cavidades visitadas que não haviam sido registradas na literatura consultada. Está inserida à meia altura de um paredão em meio à mata conservada no distrito de Lomba Alta e não há qualquer indício de uso.

Croqui do buraco da Pedra Moldada. 

Localização da entrada do Buraco da Pedra Moldada, à meia altura do paredão (esquerda), e aspecto do interior da cavidade (direita).

Gruta Serra do Tio Zezé

Trata-se de uma pequena gruta em arenito e folhelho, além de espeleotemas carbonáticos, com ampla entrada (mapa topográfico anexo) localizada em meio à mata conservada no Distrito de Lomba Alta. Há, além do ambiente de entrada com feições de abrigo, dois salões com teto baixo (altura média de 60 cm) ricamente ornamentados com espeleotemas calcários dos mais diversos – coraloides, colunas estalagmíticas de porte métrico, escorrimentos, estalactites (incluindo canudos) e estalagmites ativas e helictites. No interior do salão mais ornamentado há uma pequena ressurgência e duas pequenas cachoeiras na entrada compõem o cenário.
As pequenas dimensões dos salões e a fragilidade dos espeleotemas podem explicar o fato de haver tantas destas feições quebradas em uma gruta sem visitação turística, pois mesmo uma única visita exploratória acessando toda a cavidade, feita sem o devido cuidado, pode causar tal impacto.  
Wagner (2002) alerta para a importância arqueológica da gruta e de todo o entorno, tendo sido identificados diversos artefatos e outros indícios de ocupação indígena. Há uma escavação arqueológica no ambiente de entrada.

Gruta Serra do Tio Zezé. Em sentido horário a partir do canto superior esquerdo temos uma grande coluna estalagmítica na entrada, vista da entrada da gruta a partir do interior, pequeno salão ornamentado com coraloides, colunas, canudos e estalagmites ativos e detalhe do teto da caverna com coraloides, canudos e helictites. 

Abrigo São Miguel Arcanjo

Pequeno abrigo arenítico localizado na propriedade do senhor Valmir Wagner, no distrito de Lomba Alta, há poucos metros de sua residência. No interior foi instalado um pequeno altar, com a imagem do santo que dá nome à cavidade, no entanto não há outros indícios de uso turístico. É uma das três cavidades visitadas que não haviam sido registradas na literatura consultada.

Em função da elevada umidade e de não haver zona afótica todo o abrigo está recoberto de vegetação, principalmente musgos, líquens e pteridófitas. À exemplo de outras cavidades também há espeleotemas de calcário, principalmente coraloides, no entanto o que se destaca no abrigo são pequenas “estalactites” e “cortinas” (não se trata de espeleotemas de fato) formadas a partir do crescimento de musgos, líquens e biofilme bacteriano.

Croqui do abrigo São Miguel Arcanjo
Aspecto do abrigo São Miguel Arcanjo (acima, à esquerda), coraloides de calcário (abaixo, à esquerda) e imagem que dá nome ao abrigo (direita). 

Gruta do Poço Certo

Grande abrigo arenítico (mapa topográfico anexo), inserido a meia altura de uma escarpa, situado na localidade de Lomba Alta. O local apresenta grande beleza cênica, complementada pela presença de uma grande cachoeira (Cachoeira do Poço Certo).
A cavidade encontra-se bastante alterada em função de seu uso turístico, sendo utilizada pela comunidade para práticas religiosas, recreativas e pedagógicas (durante a vistoria havia um grupo de estudantes do curso de engenharia de petróleo, da Universidade do Estado de Santa Catarina). Foram construídas trilhas de acesso com guarda-corpo de madeira e o interior foi transformado em capela, com a instalação de altar, ofertório e bancos, além de um muro de pedras (provavelmente para evitar acidentes em função do desnível no piso). O acesso ao abrigo é livre, não há condutores e/ou cobrança de ingresso. As alterações na cavidade remontam pelo menos ao ano de 1952, havendo também o registro de uma “reforma” em 2010.

Merece destaque também a presença de estalactites, algumas de porte métrico, o que indica a presença de carbonatos na formação da rocha. Como também ocorre em outras cavidades com grandes pórticos e elevada umidade, as estalactites servem de base para o crescimento de musgos e/ou líquens e adquirem coloração esverdeada, textura friável e maior porte do que se houvesse apenas a precipitação e deposição do carbonato de cálcio.

Gruta do Poço Certo. Panorama visto de dentro do abrigo (acima), altar (abaixo, à esquerda), muro de pedras (acima, à direita), inscrições com as datas da construção (1952) e reforma (2010) do altar (centro, à direita) e estalactites (abaixo, à direita). 

Gruta do Riozinho

Grande abrigo arenítico situado na localidade de Riozinho (mapa topográfico anexo). A cavidade recebe moradores da região, especialmente para atividades de cunho religioso, mas também recreativo, e sem fins lucrativos. Para tanto, foram realizadas algumas intervenções no ambiente, pelos próprios moradores: Existe trilha demarcada para acesso e no interior do abrigo foi instalada iluminação artificial acionada pelos próprios visitantes durante sua permanência na cavidade (não há guias). Também foi instalado um pequeno altar com imagem de Nossa Senhora Aparecida e um lucífero (local para queima de velas), além de sistema de captação de água para utilização no próprio local (balde, mangueiras e uma caixa d´água).

Intervenções no abrigo Gruta do Riozinho. Altar com imagem de Nossa Senhora Aparecida e caixa d´água (acima); detalhe das lâmpadas utilizadas e efeito da iluminação no interior do abrigo (abaixo).  
Há, logicamente, bom potencial turístico, já parcialmente aproveitado, em função das dimensões da cavidade, e das presenças de uma bela cachoeira e de espeleotemas calcários, incluindo estalactites e estalagmites ativas. A presença de espeleotemas calcários em cavernas areníticas parece ser uma característica da região, tendo sido observados em outras cavidades, embora não se trate de algo comum. Schoröder (2005) destaca que estudos mais detalhados podem indicar de que ponto das camadas rochosas está vindo o carbonato de cálcio que está originando os espeleotemas. 
Uma característica marcante é a presença de alargamentos nas paredes do abrigo, aparentemente artificiais e semelhantes às escavações feitas em cavernas de outras regiões do Brasil para extração de Salitre. Moradores locais, no entanto, afirmam que não têm conhecimento de tais atividades e que quando chegaram à região o abrigo já se encontrava desta forma. 
Um importante impacto em função da visitação à cavidade, mesmo que de forma esporádica e não comercial, é a quebra de espeleotemas. Wagner (2002, p. 63) afirma que, quando da sua primeira visita ao abrigo, em 1948, havia lindas estalactites e estalagmites e que atualmente restam poucas e quebradas.
 Durante a visita foi observado um pequeno grupo de morcegos carnívoros do gênero Chrotopterus, além de manchas de guano de morcegos hematófagos. A presença de morcegos no abrigo mostra que a visitação não é intensa a ponto de afugentá-los.

Cachoeira na entrada da gruta Abrigo do Riozinho (esquerda) e espeleotemas ativos, estalactites (acima) e estalagmites (abaixo).
Alargamentos nas paredes do abrigo (setas na imagem da esquerda) e grupo de morcegos Chrotopterus.


Caverna Buraco da Vaca


Caverna em arenito localizada na Fazenda Cassol. É formada basicamente a partir de diaclase parcialmente coberta por matacões, os quais formam o seu teto. Apresenta desenvolvimento do tipo retilíneo  de 28,2 metros, largura média de cerca de um metro e altura superior a 10 metros em alguns pontos (mapa topográfico anexo). Apresenta elevada umidade e muita matéria orgânica acumulada, principalmente de origem vegetal, além da carcaça de uma vaca (daí o nome da caverna). Há uma pequena colônia de morcegos hematófagos, provavelmente Desmodus rotundus.
Embora localizada em área de plantação de Pinus, seu entorno imediato está relativamente bem conservado – provavelmente em função do relevo acidentado. Esta é uma das três cavidades visitadas que não haviam sido registradas na literatura consultada.

Caverna Buraco da Vaca




Atualização de dados e inclusão de novas cavernas, localizadas no município de Alfredo Wagner/SC, no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas - CANIE.

A presente Nota Técnica tem por objetivo descrever os resultados da expedição de campo realizada no município de Alfredo Wagner/SC, entre os dias 12 e 17 de setembro de 2016, com o objetivo de realizar levantamento e cadastro das cavidades naturais subterrâneas existentes no referido município.
Anteriormente à realização da expedição foi realizada pesquisa bibliográfica, resultando na adoção de três fontes principais que nortearam as atividades de campo.
O blog de Carol Pereira, Orientadora de Tecnologia Educacional na Escola de Educação Básica Silva Jardim, em Alfredo Wagner, mantido no endereço . O blog é dedicado à divulgação de atrativos naturais e aspectos culturais do município de Alfredo Wagner e por meio de contato com a autora foi possível chegar às demais fontes;
O Livro “Alfredo Wagner: terra, água e índios”, de autoria de Altair Wagner e publicado em 2002. Tal livro traz, entre outras informações, a indicação de seis galerias subterrâneas e 54 abrigos sob rochas;
A monografia (conclusão do curso de Bacharel em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 2005) de Paulo Henrique Schoröder, intitulada “Inventário e Caracterização Espeleológica Preliminar das Cavidades na Bacia do Caeté, Município de Alfredo Wagner/SC. O referido trabalho traz a indicação de 24 cavidades, entre grutas, abrigos e fendas.
A partir da análise das informações e da exclusão de indicações que, de acordo com as descrições, não poderiam ser consideradas cavidades naturais subterrâneas, chegou-se ao número de 59 possíveis cavidades no município de Alfredo Wagner – 38 indicadas em Wagner (2002), sete em Schoröder (2005) e 14 em ambas.
A expedição contou com o apoio integral da Orientadora de Tecnologia Educacional Carol Pereira e, no dia 13/09/2016, dos integrantes do Espeleogrupo Teju Jagua, de Florianópolis/SC, Rodrigo Dalmolin, Hélio Carvalho e Fabiano Pacheco. Houve também o apoio imprescindível de diversos moradores locais, que gentilmente acompanharam as atividades na maioria das cavernas visitadas. 

Analise Técnica 

O município de Alfredo Wagner distante cerca de 100 km de Florianópolis, compondo a região metropolitana da capital (Figura 1). O patrimônio espeleológico da região é pouco conhecido nacionalmente, haja vista que o Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas - CANIE, mantido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas – CECAV apresenta apenas uma cavidade cadastrada no município. Localmente diversas cavidades naturais são conhecidas e algumas delas utilizadas pela população, especialmente para uso religioso.


Na literatura sobre o patrimônio espeleológico do município merecem destaque dois trabalhos: Wagner (2002) discorre sobre as cavernas de Alfredo Wagner, apresenta croquis de cada uma delas e propõe teorias para explicar sua gênese. O autor identifica diversos artefatos de origem indígena, como pontas de flechas e esculturas de animais (sambaquis), os quais atestam a associação entre os patrimônios arqueológico e espeleológico; Schroder (2005) aponta 24 cavidades naturais identificadas nos limites da bacia hidrográfica do rio Caeté, apresentando as formações geológicas nas quais ocorrem e propõe hipóteses espeleogenéticas para as mesmas, acentuando a importância de processos erosivos. Tais trabalhos, como explicitado anteriormente, serviram de base para as atividades aqui relatadas.
O Mapa de Potencialidade de Ocorrência de Cavernas no Brasil, na escala 1:2:500.000 (Jansen et al., 2012) aponta que no município predomina potencial médio para ocorrência de cavernas. Porém, algumas áreas apresentam potencial muito alto ou baixo para tais ocorrências, conforme se pode observar pela figura 2. Este mapa foi construído a partir da geologia, onde as rochas siliciclásticas, especialmente arenitos, prevalentes em Alfredo Wagner, foram as principais causas para o médio potencial. Nas áreas que apresentaram potencial muito alto ocorrem folhelos da formação Irati.



Além da litologia, outros fatores desempenham importantes funções no desenvolvimento de cavidades naturais subterrâneas no município. A densa rede de drenagem percorre áreas com relevo marcado por grande amplitude altimétrica, associada a encostas com declividades superiores a 45°, gerando gradiente hidráulico favorável ao desenvolvimento de cavernas em litologias siliciclásticas. A figura 3 apresenta a altimetria e rede de drenagem no município de Alfredo Wagner.

Figura 3. Altimetria e rede de drenagem do município de Alfredo Wagner/SC. 

Foram vistoriados 15 locais de interesse, resultando em 12 cavidades naturais subterrâneas cadastradas, sendo oito cavernas e quatro abrigos. Três cavidades (Buraco da Vaca, Abrigo São Miguel Arcanjo e Buraco da Pedra Moldada) não haviam sido citadas em nenhuma das fontes consultadas, embora fossem de conhecimento da comunidade local. Alguns locais foram classificados como cânions ou diaclases, regionalmente denominados de fojes, não constituindo cavidades naturais subterrâneas conforme estabelecido pela legislação ambiental federal (BRASIL, 2008).

As cavernas vistoriadas e validadas foram:

Caverna Buraco da Vaca
Gruta do Riozinho
Gruta do Poço Certo
Abrigo São Miguel Arcanjo
Gruta Serra do Tio Zezé
Buraco da Pedra Moldada
Abrigo Balcino Wagner
Gruta Nego Soni
Gruta Avelino Berger
Toca dos Bugres
Gruta Surpresa Boa
Gruta Oposta

Conclusão

Em função do exposto é possível concluir que o patrimônio espeleológico do município de Alfredo Wagner, apesar de composto geralmente por grutas e abrigos de pequenas dimensões, apresenta particularidades como a presença relativamente comum de espeleotemas calcários em cavidades areníticas e em folhelhos, além de pelo menos uma paleotoca (toca dos Bugres).



sábado, abril 22, 2017

SUCESSO NA 1ª CAVALGADA AMIGOS DO HOSPITAL DE ALFREDO WAGNER


Sucesso total na 1º Cavalgada em prol do hospital de Alfredo Wagner.
Sábado dia (22), 508 cavaleiros se reuniram para percorrer os cerca de 10km da cavalgada por trilhas e estadas de chão de beleza cênica ímpar.
O evento visou arrecadar fundos para o hospital de Alfredo Wagner e foi abraçado por todos, além dos cavaleiros a população compareceu em peso para colaborar com a causa.
O dia não poderia ter sido mais bonito. Logo cedo o tempo abria e a luz revelava aos poucos a belíssima paisagem que cerca o Parque de Exposições. A cavalgada atraiu público de diversas cidade da região, que puderam desfrutar de uma paisagem sem igual. Campos e montanhas, para qualquer lugar que se olhasse havia satisfação. Passando pelo Furadinho, Canto Triste,  Demoras e depois retornando ao parque, para o delicioso almoço, com carne de panela, saladas, maionese, farofa e muito churrasco. O clima campeiro pairava no ar e alegrava o ambiente.
 A generosidade foi marcante nesse evento, tanto nas doações e nos brindes oferecidos para a organização do evento, quando nos leilões realizados no dia de hoje. Com destaque para Hemili, a porquinha que ajudou a arrecadar mais de 5 mil reais.

O dia foi marcado por alegria, amizade e generosidade. Parabéns a todos os envolvidos na organização! O evento foi um sucesso e já estamos esperando 2018, para que aconteça a 2ª Cavalgada Amigos do hospital de Alfredo Wagner. 














quinta-feira, abril 20, 2017

CAVALGADA AMIGOS DO HOSPITAL DE ALFREDO WAGNER


Nos dias 21 e 22 de abril será realizada a CAVALGADA AMIGOS DO HOSPITAL DE ALFREDO WAGNER, tendo como local de concentração, saída e chegada, o Parque de Exposições de Alfredo Wagner. A cavalgada tem como objetivo arrecadar recursos que serão destinados ao hospital. A instituição chegou a paralisar as atividades no inicio do ano devido ao atraso no pagamento de funcionários e ainda precisa sanar dívidas para garantir a manutenção dos serviços e o fornecimento de remédios, cujos investimentos ainda dependem de doações.
No primeiro dia do evento (21), feriado nacional, às 20hs, será servido um carreteiro no valor simbólico de R$ 5,00.
No segundo dia (22) haverá uma recepção especial no Parque de Exposições. A partir das 8hs café da manhã para os cavaleiros, na sequencia terá inicio a cavalgada, com retorno previsto para o meio dia. O valor para participar do evento no sábado será de R$ 20,00, já incluindo o almoço e o café da manhã.
O percurso da cavalgada será o seguinte: contorno no parque, saindo em direção ao Furadinho, passando pela propriedade de seu Mazinho, depois seguindo em direção a Demoras passando pelo Canto Triste, pelas terras da propriedade de Cauby da Silva e das famílias Marquês e Floriano, em direção a fazendo de Edson May e de lá retornando ao parque.
Espera-se um grande número de cavaleiros e famílias, haja vista a enorme tradição Alfredense na organização de grandes e belas de cavalgadas.

Prestigie você também esse grande evento em prol de nosso hospital! 

domingo, abril 16, 2017

A cereja do bolo da Barra da Lagoa – Piscinas Naturais


Finalmente fiz a trilha até as piscinas naturais.
A Barra da Lagoa é maravilhosa e a trilha até as piscinas naturais é a cereja do bolo, para deixar os visitantes ainda mais apaixonados pelo local.
Do lado oposto ao farol, há uma ponte para travessia do canal da Barra da Lagoa e é por lá que a trilha começa. A ponte nos deixa bem em frente à sinalização turística; à direita você pode fazer a trilha da Galheta, e à esquerda trilha para as piscinas naturais e prainha. Seguimos à esquerda, onde há vielas estreitas, coloridas e animadas, cheias de hostels, restaurantes, onde desfrutamos de um clima único e foi impossível não lembrar de minha primeira vez por ali, em 2011, achando aquela “quebrada” muito perigosa, em uma noite escura e com muitas pessoas suspeitas, porém a luz do dia o lugar ficou bem mais amistoso e me encantei pelo local.

A trilha é bem tranquila, não sendo necessário preparo físico.
Depois de uma pequena subida e descida, é possível ver a Prainha – que é literalmente uma praia linda e pequenininha, bem recuada, de areia branca e água cristalina. Em 2016 tentamos fazer a trilha até as piscinas, mas chovia e avançamos somente até um pouco depois da prainha.

O local é frequantado por uma galera bem jovem; na faixa de areia o pessoal joga bola, toca um violão e descansa. Para acessar a praia é só descer uma escadaria.
A trilha segue, pelo meio da mata atlântica, onde é possível se ouvir uma mescla do barulho do mar com o canto dos pássaros.
O acesso às piscinas se dá em uma pedra alta, com uma vista linda do oceano e da Praia do Moçambique. Então é só descer mais 100 metros e lá estão as piscinas.
A água das piscinas é bem transparente e as piscinas são rasas, a água fica na cintura.

Vale a pena visitar o lugar para contemplar a paisagem, ouvir o barulho das ondas batendo nas rochas e se possível se refrescar em águas de beleza ímpar.

Ilha do Campeche - Exuberância natural e história


A Praia do Campeche já é muito linda e encanta todos que a visitam, mas a pequena ilha que leva o mesmo nome merece um destaque especial. Todos que visitam o Campeche ao olhar para o mar veem aquele pequeno pedacinho de terra que tem a fama de ser o caribe da ilha de Florianópolis.
A Ilha do Campeche é um dos passeios mais disputados pelos turistas em Floripa, tanto por sua beleza selvagem, praia de areias finas e claras, por seu mar de águas calmas que variam entre um verde e o azul, quanto por ser valor histórico. Dizem que ela é local místico, onde homens primitivos viveram há cerca de 5 mil anos, deixando como grande legado a maior concentração de inscrições rupestres de Santa Catarina. 
Estando na ilha deve-se aguardar a visita dos curiosos quatis, que vez ou outra vem fazer uma visita e bisbilhotar as bolsas em busca de alguns petiscos.
A Ilha é tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde 1940, está sob os cuidados da Associação Couto de Magalhães. Por esse motivo, o número de visitantes diários na Ilha do Campeche é limitado. As embarcações que levam os turistas saem das praias do Campeche, da Armação ou da Barra da Lagoa, e os preços variam dependendo da época do ano, em alta temporada os preços costumam ser um pouco salgados, mas, cada centavo vale a pena.

Como existem apenas dois restaurantes na ilha, uma boa dica é levar o seu lanche e fazer um piquenique, desfrutando da bela paisagem.
Como já falei anteriormente, a Ilha do Campeche é o local com maior concentração de acervo arqueológico do litoral catarinense. Mesmo tendo algumas inscrições dinamitadas por ingênuos caçadores de tesouros no passado, os sinais nos paredões de diabásio, ainda são visíveis na parte Oeste da ilha, voltada ao mar grosso. As inscrições rupestres, chamadas de petróglifos, têm cerca de um centímetro e meio de largura, com meio centímetro de profundidade, sendo polidas por dentro. De acordo com algumas pesquisas, não é possível precisar qual grupo indígena foi responsável pelas inscrições, nem realizar testes de carbono, já que para isso é necessária presença de matéria orgânica. Supõe-se que tenham sido realizadas por um grupo que existiu no lugar antes dos guaranis, que habitaram o litoral catarinense, e possivelmente foram expulsos ou extintos por eles.

A desenho mais acessível aos turistas é denominado Máscaras Gêmeas, por apresentar um padrão quase simétrico, com uma pequena diferença. Acredita-se que a inscrição está relacionada à crença indígena quanto ao nascimento de gêmeos, na qual dizem que a alma é dividida em uma parte boa e outra ruim, sendo necessário identificar o caráter dos irmãos para sacrificar o espírito mau. No local também existem as oficinas líticas e inscrições em formatos geométricos, que remetem a flechas e espinhas de peixes.
O mergulho é uma prática bastante comum, devido às águas claras, porém no dia da visita até a ilha o mar estava bastante revolto e a visibilidade não era das melhores.

Mesmo assim, segue o vídeo com algumas imagens!