quarta-feira, setembro 28, 2016

A praça que não é só da bandeira


A beleza natural de Alfredo Wagner é o seu maior destaque. Todo o verde que a cerca serve como um contorno que realça as cores da vida existente nela. Quem passa por aqui pode perceber com facilidade toda a hospitalidade das pessoas, a amizade entre elas, a inocência das crianças; e caso se permita caminhar pela Rua Anitápolis, poderá até participar de uma conversa com as pessoas sentadas no banco da praça, que cheias de sorrisos, dividem sua simpatia e também a piada com quem se interessar.  Além disso, caso tenha o ouvido bom, ainda pode ouvir uma ou outra conversa em alemão, e arriscar até balbuciar algumas palavrinhas.
Se o alemão não funcionar, talvez você encontre um idoso batendo papo com seu amigo ao mesmo tempo em que saboreia um sorvete de chocolate com creme ou daquele sabor mais irreverente de leite condensado com chiclete, vendidos pela Nina e o Fedo, que estão ali para refrescar seus clientes e inevitavelmente lambuzar alguns pequenos que deram uma pausa na diversão no parquinho. A sorveteria possui o título de melhor sorvete da cidade e com o mesmo carinho que preparam o sorvete, o casal cuida da Praça da Bandeira.
Da Bandeira? Na verdade dela e também da Figueira! Se essa Figueira falasse, contaria que foi plantada ali para comemorar o dia em que o homem pisou na Lua. Isso mesmo! Esta história está registrada em uma placa, junto a ela. Mas se você estiver ainda muito ocupado tentando pronunciar algumas palavras em alemão ou entrosado em alguma conversa, pode conferir o que a placa diz no trecho abaixo.
 “Aos dezessete dias do mês de julho do ano mil novecentos e sessenta e nove (quinta-feira), às quatorze horas e trinta minutos, vinte e sete horas e meia após o lançamento de saturno 5 com a Cápsula Lunar Apolo 11, lançada pelos americanos, com três tripulantes para atingir a lua e alunizar no dia vinte e um próximo (domingo). Sendo nesta época, presidente do Brasil, o senhor Marechal Costa e Silva, Governador do Estado Senhor Dr. Ivo Silveira, prefeito municipal deste município o Senhor Rogério Pedro Kretzer, fazendo-se presentes os senhores Olibio Ferreira da Cunha, tabelião; Murilo de Oliveira, ledelgado; Lázaro Fernandes de Almeira, escriturário; Nicolau Pedro de Almeida, fiscal lançador; Pereira França e Geraldo Passo, artistas do Teatro Passo e Garcia (Biriba), que achavam-se instalados nesta cidade. Foi plantada no centro do Jardim Público nesta cidade uma Figueira, trazida da Vargem Grande, Município de Águas Mornas, árvores está até então desconhecida na flora do município de Alfredo Wagner, de cuja ocorrência foi lavrada na presente ata que irá devidamente assinada, para que haja para o futuro conhecimento da origem da referida árvore, do que eu, Olibicio Ferreira da Cunha, designado para lavrar a presente ata, a escrevi e assino.”
Viu só? A cada passada lenta que o homem dava a Figueira ia crescendo e histórias acompanhando. São namoros, brincadeiras, brigas e muitas memórias por debaixo dela. E essa Figueira também viu muita festa e confraternização, pois é vizinha do Clube.
A Sociedade Recreativa União Clube foi fundada no dia 28 de novembro de 1937 e desde lá foram carnavais, bailes de debutantes, casamentos, festas temáticas entre muitas outras comemorações, regadas sempre com muita folia e emoções. Não sabe o que vestir para tantas festas? O comércio de Alfredo Wagner te dá muitas opções.
Nosso comércio se destaca não só pela sua variedade, como também pelo bom atendimento e amizade entre os comerciantes, que em datas comemorativas se mobilizam para decorar a cidade, manter limpas as ruas e acolher com simpatia cada cliente.
Se você estiver pelo centro fazendo umas comprinhas e quiser dar uma pausa para descansar ou pegar um solzinho, deve ir até o deck, onde poderá desfrutar da tranquilidade trazida pelo deslizar calmo das Águas do Rio Caeté. Se tiver sorte, ainda poderá observar um bando de tucanos, que sempre está por ali, se alimentando na mata nativa.
Depois das compras e do descanso bateu aquela fome? No ramo alimentício somos muito bons também! Por qualquer rua que você passe, poderá encontrar algum restaurante, lanchonete, padaria ou até um barzinho que resolva seu problema. Mas em nossa cidade, fazer um “lanchinho” não é simplesmente isso. Além de saborear muitas delícias - que a cada dia surgem mais e mais para acabar com sua dieta – você encontra facilmente uma conversa amiga ou uma boa história que poderá contar aos seus amigos e familiares depois.


Enfim, em Alfredo Wagner, longe do barulho e da correria das grandes cidades, as pessoas se fazem felizes simplesmente ao caminhar pelas ruas do centro e conhecer tanta história que elas têm para nos proporcionar. Por esses e por muitos outros motivos é que a cada dia recebemos mais visitantes que se tornam vizinhos na nossa tão querida Alfredo Wagner.

Grupo de turistas, guiados pro Vanessa Laura Franz


Manuella Schutz Mariani
Charlene Silva Marioti
Carol Pereira

terça-feira, setembro 27, 2016

6 lugares que você precisa conhecer na Capital das Nascentes

Com o título de Capital das Nascentes, Alfredo Wagner, dentre as cidades catarinenses, ostenta com orgulho o maior número de nascentes em suas terras. Suas águas dão vida ao intenso verde que a cerca e, além disso, é contemplada por um relevo incrível que deixa de queixo caído qualquer amante de esporte Outdoor. 
Dentre as inúmeras atrações da cidades, destacamos 6, que você não pode deixar de conhecer! 

1 – Pedra Branca:

Com 1.666 metros de altitude a Pedra Branca figura como uma das montanhas mais altas do estado. A subida é realizada por trilha no meio da mata nativa. O hiking completo tem cerca de 16,5 km, mas vale a pena cada km percorrido. Estar no alto da Pedra Branca e contemplar o horizonte, tendo de um dos lados o campo dos Padres, de outro um vale com árvores centenárias, proporciona uma paz sem igual.

2 – Parque Aquático Salto das Águas:

Em um ponto estratégico entre a Serra o Litoral o parque aquático é ideal para quem quer se refrescar, se divertir e viver bons momentos entre amigos e familiares. O parque chama a atenção pelo número de atrações e beleza cênica. Com os mesmos arquitetos e escultures do Beto Carrero Word, o ambiente encanta crianças e adultos com seu cenário repleto de piratas, navios, animais marinhos e da serra. A cada ano novas atrações são incorporadas ao parque e atraem mais e mais visitantes. A atração fica aberta durante a temporada de verão, que se dá entre os meses de novembro e março.



3 – Soldados do Sebold:

Uma das atrações mais conhecidas de Alfredo Wagner é também uma das mais místicas e bonitas. O lugar carrega uma energia incrível e toda a paisagem que o cerca deixa os visitantes boquiabertos. Ideal para hikings, montain bike, trilhas a cavalo, motos e 4x4 o lugar encanta a todas as tribos. Os Soldados são quatro pedras dispostas sobre o “Facão dos Soldados”, com altura média de 90 metros. Elas têm esse nome por se parecerem com quatro soldados enfileirados em guarnição à cordilheira. Localizam-se na encosta da Serra do Campo dos Padres. Além da montanha onde ficam o Soldado ainda ajudam a embelezar mais o local uma fonte e uma araucária, que já foram eternizadas em centenas de fotos dos visitantes. Além disso, na região dos Soldados do Sebold ainda pode-se encontrar o Pinheiro Centenário que possui uma circunferência de 6,95 metros e 2,22 de diâmetro e a nascente mais distante da foz do Rio Itajaí Açu.


4 – Trilha Montain bike Riozinho:

Essa trilha reserva boas doses de adrenalina. Para quem gosta de trilhas de montain bike radicais, certamente a do Riozinho não pode ficar de fora do roteiro. Com cerca de 32km, a rota passa por belos locais como o Vale do Rio Águas Frias; a Gruta do Poço Certo; um trecho que pode ser chamado de “donwhill” entre os pinheiros de pinus de uma fazenda de reflorestamento; pela Gruta do Riozinho; pela histórica Vila Catuíra; e para finalizar um passeio pela tranquila e encantadora comunidade do Saltinho que leva novamente até o ponto de partida da trilha. Só faça a rota se sua bike possuir bons freios ou se você não tiver medo de voar montanha abaixo.


5 – Café no Sitio e Pousada Pedras Rolantes:

O lugar é incrível. Uma ponte pênsil, frutas retiradas direto do pé... No café tudo é preparado de uma forma muito especial. Lá até a louça tem uma história! Primeiro vem o chá de clemenules, e para acompanhar, queijos com geleias e pães tostados com patê de tilápia. Sempre que serve algo, o dono explica a procedência, geralmente proveniente dos pequenos produtores da região, o que dá um gosto ainda mais especial a tudo. Depois da entrega, chega o café, preparado em coador de pano, ali mesmo na mesa. São servidos pães variados, com manteiga, geleia ou uma pasta a base de salame. Destaque especial ao pão de tomate e ao cookie de amendoim, produzidos ali mesmo no sítio. No final, bolo de cenoura ou de chocolate e uma deliciosa sobremesa completam a experiência. E para quem quiser passar um pouco mais de tempo no Vale do Rio Águas Frias, ainda existe a Pousada, que é composta de cinco opções de hospedagens, cada uma delas com personalidade própria e integrada ao modo de viver em Pedras Rollantes. É como ter a sua casa num sítio. As opções são: CASINHA, CASA DA CAMA e CASA TORTA - Três casas completas, desenhadas e equipadas para que o prazer esteja presente em todos os momentos e em todas as atividades. Estará ao seu dispor também o ESTÚDIO NASCENTE e o ESTÚDIO POENTE - Dois Estúdios confortáveis e em ambiente acolhedor, com cozinha e banheiro, instalados numa casa do final século 19.


6 – Cânion Arroio do Leão:


O pequeno cânion esconde paisagens paradisíacas, a ação da água através dos séculos esculpiu a rocha, formando abrigos, quedas d’água e uma paisagem que nem parece ser encontrada no Brasil. Para cruzar o cânion é necessário passar por locais com água até a cintura, mas a vista em 360º é de tirar o fôlego!


História da Colonização da Pedra Branca



A Pedra Branca foi, durante anos, um dos meus lugares mais amados no mundo. Meu avô tinha uma fazenda lá e eu ia, no mínimo, umas três vezes por semana para a “Água Fria”, sentada em seu colo, achando que dirigia a velha Pick Up amarela. Foi uma infância muito divertida, ouvindo histórias de um tempo distante, onde índios espiavam pelas frestas da casa, cobras caiam de cima de árvores no colo das pessoas, assombrações habitavam a escuridão da noite e as mais saidinhas pediam água e apareciam até mesmo a luz do dia e, o milho e o feijão sustentavam a família. Causos a parte, vamos conhecer um pouco da história da Pedra Branca?
           
            *As informações citadas abaixo foram adquiridas em conversas informais com os senhores Edilio Schtuz, Evanir Wagner e outros registros encontrados ao longo dos anos. 

            No período pré-colonial, a comunidade de Pedra Branca era habitada por muitos índios. Os diversos artefatos encontrados casualmente contribuem significativamente para a comprovação da existência de sítios arqueológicos que representam as populações que ocuparam a área do município de Alfredo Wagner e adjacências em períodos mais recuados no tempo. Os Sítios e/ou vestígios arqueológicos encontrados na comunidade de Pedra Branca a céu aberto são as casas subterrâneas, ossos, sítios líticos - apresentando concentração de instrumentos como pontas de flechas, machados, mão-de-pilão; e em grutas, abrigos sobre rochas, galerias. Esses sítios são popularmente chamados como locais de “terra preta”, onde os detritos deixados pela ocupação indígena marcaram o solo. Se nos aprofundarmos ainda mais na história na comunidade de Pedra Branca encontraremos também uma paleotoca, que fica na região conhecida como Combreia.
            A Combreia recebeu esse nome devido a uma arma antiga encontrada enquanto uma picada estava sendo aberta. A espingarda tinha esse nome escrito e, a partir de então, o local ficou assim conhecido. Outro fato que marca a história da região de Pedra Branca é a grande quantidade de cobras existentes no local naquela época. Conta-se que o feijão era ensacado e transportado, nas costas dos produtores, até o local em que seria limpo e, muitas vezes, quando eles chegavam e espalhavam os grãos encontravam até três cobras dentro dos sacos, todas jararacas.
            O desenvolvimento da Pedra Branca começou somente em 1890, com a criação dos Burgos. As terras foram, em sua imensa maioria, cultivadas por colonos alemães, que as adquiriram junto a “Companhia Colonisadora Catharinense”.
            o lugar é conhecido por esse nome devido a uma montanha de 1.666 metros de altitude, que em uma das faces possui um imenso paredão de pedras claras, chamada pelos moradores de Pedra Branca. 
            A comunidade era bastante unida e faziam mutirões – nesse caso chamado de Pichurum - que aconteciam quando os homens se reuniam e derrubavam uma capoeira, faziam uma grande roça ou tinham uma grande colheita pela frente. Como pagamento, a pessoa que recebia os serviços deveria oferecer um baile, com gaiteiro e tudo mais. Vinha gente de outras comunidades para ajudar, trabalhavam felizes esperando anoitecer para se divertirem, essa era uma prática comum no antigo Barracão.
            Na comunidade se plantavam, em especial, o feijão e o milho. Era comum, também, a criação de porcos, alimentados pelas pequenas roças de abóbora e batata doce e, esses animais eram soltos dentro das lavouras para comerem quando tivessem vontade. Quando os porcos eram vendidos, os produtores juntavam suas “varas de porcos” e tocavam estrada afora, como se fossem um rebanho de gado. Levavam eles até perto da Lomba Alta onde eram pesados dentro de caixotes e o senhor Duca os colocava em seu carroção e os levava para vender.
             Seu Evanir nomeou algumas das famílias pioneiras na ocupação da Pedra Branca. É importante frisar que hoje muitos desses descendentes dos pioneiros ainda vivem na Pedra Branca.
               
Paulo Saturno
Lelo Saturno
Leopoldo Seeman
Inácio Castanheiro
Alberto Marian
Iti Marian
Augusto Felau – que possuía uma venda
Aristides Kalkmann – que também possuía um comércio
Carlos Berger
Hemilio Januário Alves
Amaro Pureza
Henrique Pinheiro
Amaro Pureza
João Santos e Dina
Peta Klalkmann – família do meu tataravô que morava na casa onde meu avô nasceu, onde tanto brinquei, onde me apaixonei pelas histórias do passado e por Alfredo Wagner.

            A comunidade também possuía uma coisa incomum para época: uma professora negra. Chamada de Chica Martins, ela venceu os preconceitos e se firmou na memória daquela gente como uma professora excelente e atenciosa. Além da família da professora Chica, existiam outras famílias de negros como a de Manoel Inácio.


            A história da Pedra Branca ainda é pouco conhecida. Caso você tenha mais informações para contribuir ou conheça alguém que tenha, entre em contato e nos ajude a escrever na história a luta de nosso povo.

sexta-feira, setembro 23, 2016

O amor de um neto por seu avô...


Durante a semana, explorando as cavernas de minha cidade, conheci o senhor Evanir Wagner e no meio da conversa, o seu Nem, como ele é conhecido por todos, contou que é neto de Alfredo Wagner, o patrono de nossa cidade. Entusiasmado, começou a declamar um poema que um dia escreveu em homenagem a seu adorado avô. Quando ele terminou eu estava com os olhos marejados d’água. Essas demonstrações de amor sempre mexem com meu coração.
Pedi a ele permissão para tomar nota e publicar.  Ele, da pedra em que estava sentado, ditava e eu da minha (pedra) anotava. Ali, naquele momento ímpar de minha vida, ao mesmo tempo em que era cadastrado abrigo do Tio Zezé, o poema dele era registrado em uma folha de papel!

“Meu querido vovô

Era uma vez um menino,
que ficou órfão muito cedo
Porém não teve medo,
da nova vida a enfrentar.

O tempo passou,
o menino cresceu
Como cada um tem sua sina
Ele conheceu a menina e foi casar.

Casados resolveram conhecer novas “terra”
Os dois “subiru” a serra
 e em Lomba Alta foram parar.

Aqui nesse lugar tão bonito
Onde se vê até o infinito,
pra todo lugar que for olhar
Um dia junto com sua amada
Ao lado da velha estrada,
escolheram um lugar.

Ali ele construiu a sua casa
E com a mulher que tanto amava foi morar.

“É minha querida! ”
Ele falou um certo dia
Vamos construir uma família, você sabe como é...
Daí nasceram o Duca, o Tubia, o Zeca e o Zé.
Mais essa família ainda era mais numerosa
Ainda tinha a Nila, a Albina, Gulina e a Rosa.

O tempo passou, os filhos cresceram
 e ele os botou a trabalhar em suas “carroça”
Puxando mercadoria de Lages até Palhoça.
Para na capital o mercado abastecer
Dos alimentos que transportavam,
dali retiravam, o sustento para se viver.

Aqui ele foi pioneiro,
Alfredo foi o primeiro
 a essas terras desbravar.
Vovô quanta saudade,
Alfredo hoje é cidade,
que orgulho ela me dá.

Vovô, vovó, vocês aqui fizeram história
 e que hoje na memória
estamos a recordar.

Lembra aquela velha igreja?
A nova agora é uma beleza!
É o espelho do lugar!

Ah que bom, que bom se o senhor pudesse “ve”
Mas não se preocupa,
porque um pouco daquilo que foi seu,
Está guardado no museu
que nós fizemos pra você!


Autor: Evanir Wagner”


Fotos - Turmas de 1ª Comunhão

A religião sempre foi um dos pilares do antigo Barracão. As igrejas, tanto a Católica quanto a Luterana, estavam muito presentes no cotidiano de toda a população. Domingo era dia de ir à missa e quando essa missa era a de 1ª comunhão das crianças da comunidade, certamente era uma dia de festa. Vamos relembrar algumas dessas primeiras comunhões?
Quem quiser contribuir com legendas, fique à vontade. Vamos descobrir quem eram essas crianças?
Confiram! 




Comunhão Valdete Fátima da Cunha














O 4º da esquerda para a direita da primeira coluna - Luiz Carlos Martins, hoje conhecido como professor Luiz. 


quarta-feira, setembro 21, 2016

Rio 2016 – Muito mais do que uma olímpiada

Em 2008, surgiram as MPs, mas nem em nossos planos mais otimistas sonhamos que nossa relação seria tão forte, intensa e duradoura. Lá se vão oito anos e nossa viagem para o Rio, em 2016, além de ter objetivos como a formatura da Raíssa, as Paralimpíadas e aquele turismo básico, serviu para consolidar e revigorar nossos laços com a nossa MP mais doutora.



No dia sete de setembro embarquei para essa que está no meu Top 3 de viagens à Cidade Maravilhosa. Que o Rio é uma das cidades que mais amo no mundo e que é a cidade que mais visitei em todos os tempos, todos sabem. Mas sempre há algo novo para se viver na capital fluminense, o que acaba se tornando mais uma razão para se apaixonar por aquele lugar.

Fora uma maquiagem borrada e uma meia rasgada, minha chegara ao Rio foi tranquila. Peguei o tal do Fescão e fui para Botafogo. Não costumo passar medo no Rio, mas quando desci do ônibus, confesso que tive medo. Perdi meu ponto e acabei descendo no meio de um canteiro escuro. Eu era alvo fácil, mas saí em disparada e não demorou até as meninas me encontrarem. Aquela noite comi a lentilha mais deliciosa da minha vida e depois dormi no nosso lar em Botafogo, mas não sem antes me deparar com a cena bizarra do vizinho da janela da frente peladão em frente ao espelho. Foi muito o “Ugly Naked Guy” de F.R.I.E.N.D.S, pois o cara também era feio pra caramba, só que quando fui mostrar para a Paula ela achou que fosse o bonitão que nos olhava da janela de cima do cara pelado, enfim, enquanto espiávamos o cara pelado, o bonitão nos olhava, só nos restou rir da situação.
 
No dia seguinte foi dia de ensinar nossa querida amiga Aline a andar de bicicleta. Tenho vasta experiência nisso porque ensinei meus irmãos, quando ainda eram crianças. Ensinar alguém adulto é diferente – a possibilidade de tombos é maior. Por sorte não houve tombos, apenas um atropelamento e um esbarrão em uma barra de ferro. Aprender a andar de bike com uma vista como a da orla de Botafogo certamente é um privilégio para poucos e Aline pôde desfrutar disso.

Enquanto Aline praticava, seguimos rumo a Copacabana, porém nossa surpresa foi grande quando as ondas não quebravam em Copacabana e sim na Praia Vermelha. Nos enganamos, mas foi um engano encantador. Estar em outra praia, a mesma praia que já foi ponto de partida para nossas tão saudosas trilhas até o topo do Morro da Urca. Para desfrutar da paisagem e da “gastronomia” local, tratamos de comer Biscoito Globo acompanhado de Guaravita – mais carioca impossível. Como de praxe, o local rendeu belas fotos. Ouvir o barulho do mar perto de amigas tão queridas garantiu ainda uma bela sensação de paz.
 
Saindo de lá fomos encontrar Livinha no Catete – CA – TE – TE. Isso mesmo, não faço mais aquela piadinha infame. Ela é uma daquelas amigas dos primórdios, mas certamente nossos laços se estreitaram ainda mais nessa última estadia na Cidade Maravilhosa, especialmente porque ela também dividiu o apê com a gente.

Almoçamos e passamos pelo antigo Palácio do Catete, hoje sede do Museu da República, local onde Getúlio se suicidou. Sem dúvidas a visita é uma pedida para os amantes de história, porém como nossa agenda para o dia já estava preenchida, tivemos que deixar esse passeio para uma próxima oportunidade – com os dedos cruzados para que seja em breve.

A noite estava reservada para a formatura da nossa Rá, a última MP a conquistar o canudo. Eu teria ido para o Rio nas Olímpiadas, mas priorizei participar desse momento tão importante desta que já afirmei ser minha irmã de alma.

Lá foi tempo de reencontros. Reencontramos Tio Mauro, cada dia mais encantador, Tia Márcia, cada dia mais desnuda, e Iago, cada dia mais gato, sem contar as Mello. Vanessa voltou com tudo para as MPs! Anos haviam se passado desde nosso último encontro, e as conversas via redes sociais haviam diminuído drasticamente. Porém, bastou a troca de algumas palavras para todas as distâncias virarem poeira e em minutos estarmos ali, todas as MPs em plena harmonia.



Na formatura, encontramos André, Renata e Paula C, que também se emocionaram com a solenidade. Mas é claro que ninguém se emocionou mais do que eu e minha colega de colações Paula Teixeira, que assim como eu chora até em discurso chato – repetimos o rio de lágrimas da formatura da Aline.

Após a colação foi hora de muitas fotos, de bunda desnuda e é claro, muitas risadas e descontração. A noite acabou na Pizzaria Guanabara, na Lapa, com Livinha se juntando a nós definitivamente. Essa foi a viagem do Uber, que salvou nossa vida e nos reservou belas surpresas, como foi o caso da motorista do carro com os tapetes rosa. Nessa noite, tivemos o prazer de ter a Rê dormindo conosco no nosso apê em Botafogo.

No dia seguinte, Livinha foi trabalhar, Renata foi para casa se aprontar para os passeios vespertinos e nós, como boas turistas, fomos aproveitar o dia no Rio. A princípio iriamos pedalar, mas Aline não estava muito no espírito, então resolveu ir para o Centro, enquanto Paula e eu aproveitamos para pedalar pelo Aterro do Flamengo. Não podíamos nos distanciar muito de Botafogo, pois estávamos esperando Raíssa e Paula C que “se mudariam” para o nosso apê naquele dia. A vista no Aterro é maravilhosa e foi um passeio muito divertido, em especial nas partes em que Paula e eu dividíamos a mesma bicicleta, enfrentando vários desafios, entre eles uma passarela “decapitadora”.

Na viagem o Uber também fez papel de vilão e atrasou Paula C e Rá por mais de duas horas. Na verdade, não o Uber em si, mas a falta dele – é complicado chamar o aplicativo do Galeão e, assim, as meninas acabaram vindo de ônibus. Passeamos, fomos ao banco, tomamos chope e nada das duas chegarem. Eu já estava com o meu coração prestes a se partir pois Aline ameaçava entrar no “Tomorrow Museum” sem nós. No final das contas entre mortos e feridos, salvamo-nos todos e por fim ninguém entrou no Museu, mas aproveitamos muito o Boulevard Olimpico.

O lugar era incrível com um super alto astral, pessoas animadas, música ao vivo e alguns stands incríveis, como a da Samsung. Lá, tivemos a chance de desfrutar de um show tecnológico em 3D em que descíamos por uma das montanhas russas mais incríveis do Six Flags. Valeu a experiência e confesso que sai da atração com as penas bambas, apesar de ter permanecido o tempo inteiro sentadinha sem sair do Boulevard.


Foi lá também que perdemos quase uma hora de nossas vidas em uma fake degustação de cafés tipo exportação ao assistirmos a uma palestra sobre o café produzido no sudoeste do estado do Rio de Janeiro. Após minutos que pareceram horas ouvindo informações sobre o assunto, chegou o momento da degustação. Qual não foi nossa surpresa ao constatarmos que apenas nos serviriam um mísero copinho de café produzido em Varre e sai? Pois é, viajar também tem dessas...

De lá fomos para a casa da Vanessa, ver o Tio Maciel, reencontrar Tia Penha e provar de sua comida maravilhosa. A fruta não cai mesmo longe do pé, pois Vanessa também se tornou uma cozinheira de mão cheia, demonstrando isso com o bolo delicioso que preparou especialmente para nos receber. Foi uma noite e tanto e, para completar, ainda conhecemos Hell, uma amiga da Vanessa, já conhecida de algumas do grupo e que me conquistou logo de cara com sua irreverência tão marcante.



Bom, desde “Além do Tempo” eu sonho em encontrar o homem da minha vida em um metrô do Rio e eis que foi quase dessa vez. Entramos em um vagão que estava quase vazio, Aline e eu fomos para um lado e Livia e Paula para o outro. Havia dois caras sentados e Aline eu sentamos entre eles. Logo de início percebi que o perfume de um deles era um que eu amo e foi quando notei que estávamos no meio de dois gatos, mais que isso, dois gatos que fechavam exatamente com o nosso estereótipo de homem perfeito – que vive só no nosso imaginário, é claro.

O da Aline bem estilo hipster com uma barbinha, um cabelo estilo Esteban de Kubanacan, mais moreno, e o meu aquele padrão de beleza de príncipe da Disney, meio loiro, alinhadinho, barbinha aparada e olhos claros. Queria me matar quando a Paula soltou um “Meninas, vocês querem uma foto no metrô?”. Tivemos que aceitar, seguido de um “Nooooooooossa, queremos! Por lá não tem dessas coisas!”.

Guardamos o registro do momento, infelizmente Felipe e eu e Aline e Cauê – provavelmente eles se chamavam assim, pois nós quatro concordamos – não vivemos várias vidas juntos, mas deu para rir do nosso encontro inusitado nessa vida. Descemos sem trocar uma palavra com os bonitões, mas certamente demorará para eles deixarem de habitar nossas lembranças.



Demos uma esticadinha em um bar, mas como a moçoila aqui já sente o peso da idade, acabei fazendo coro para nos dividirmos e uma parte da turma ir para casa antes, já que no dia seguinte acordaríamos cedo para os Jogos Paralímpicos.

Participar das Olimpíadas teria sido mágico, mas as Paralimpíadas vinham com algo a mais no pacote. Grandes esportistas são quase heróis, porém nossos atletas paralímpicos eram mais que isso, eram exemplos a serem seguidos, eram doses extras de determinação, gratidão e satisfação por poder participar de algo tão mágico quanto aquele evento.



Conhecer o Parque Olímpico foi espetacular, ainda mais no seu dia de maior lotação – incluindo os dias das Olimpíadas – foram 167 mil pessoas que passaram por lá naquele sábado e isso incluía nós 9.... Lá, lindos, sonolentos, famintos, mas super animados. Fomos assistir o basquete feminino e nosso primeiro jogo foi Argentina X Canadá e o segundo Alemanha X Grã-Bretanha. Torci para a Argentina e para a Alemanha, mas as duas seleções perderam. Enfim, foi lindo ver o empenho das atletas que apesar de suas adversidades fizeram todo o ginásio vibrar e torcer.

Durante os intervalos, como de costume nesses jogos, as câmeras que projetavam as imagens nos telões filmavam a torcida. Sempre ficávamos na expectativa, mas a câmera simplesmente pulava a parte do estágio de onde assistíamos. Foi tempo de mobilização. Agitamos tanto, queríamos tanto aparecer que nossa vontade se estendeu por todo nosso bloco e fizemos tanto barulho que roubamos a cena e aparecemos por quase um minuto no telão. Todos vibraram quando finalmente atingimos nosso objetivo. #auniçãofazaforça

O almoço no parque deixou um pouco a desejar, mas nós todos lá, sentados no chão rindo e conversando compensou. A comida estava ruim, mas a cerveja gelada! E após um desencontro no banheiro e uma fila para a cerveja, Paula e eu demoramos para reaparecer e acabamos pregando uma peça no pessoal, que acreditou que estávamos indo para a enfermaria. Foi bom para ver quem realmente se importava com a gente! Huauhauha



Ficamos mais um tempo pelo parque, tirei uma foto com minha tão sonhada tocha e resolvemos retornar. No metrô tivemos uma calorosa discussão – maior do que a do “É bolacha e não biscoito” – onde tivemos que provar por A + B que o sotaque carioca não é o oficial do Brasil. Vejam o tamanho do absurdo minha gente! Por fim, apoiadas por paulistas, portugueses e outros cariocas do nosso vagão do metrô, essa absurda mentira caiu por terra e agora o mundo inteiro sabe que o sotaque carioca não é o oficial.

No caminho para o Leme conhecemos o Beco das Garrafas, local ímpar para minhas gaúchas preferidas, Aline e Paula, que são apaixonadas pela conterrânea delas, a Elis e tiveram o privilégio de visitar o lugar onde a brilhante carreia de Elis Regina se iniciou. Elas ficaram emocionadas e era mesmo de se ficar! O dono do bar foi muito atencioso e elas vibravam a cada detalhe encontrado que remetia a Elis.

Fomos até o Leme, tiramos muitas fotos naquelas máquinas espalhadas pela orla e depois seguimos para um suposto Samba que aconteceria na Rua do Ouvidor no centro. Lá aproveitamos para jantar no Boulevard Olimpico enquanto aguardávamos o dindo da Aline. O samba acabou não acontecendo por ali e fomos em busca de um outro que aconteceria na Pedra do Sal. Não era noite para samba e esse também não se concretizou, o jeito foi encontrar um barzinho para jogar conversa fora.



No domingo já começariam as despedidas, mas antes fomos ao nosso piquenique no Arpoador, ou na Califórnia, como lembrava nas fotos. Só faltou a Vanessa para a festa ficar completa. É sempre muito bom passar momentos assim com amigos tão queridos quanto os meus, que sempre estão dispostos a qualquer programa, a qualquer hora.



Depois fomos até a Pedra do Arpoador para registrar nossas fotos mais lindas da viagem. Enquanto Raíssa, Aline, Paula C e Livinha voltaram para casa de táxi, Renata, André, Paula T e eu fomos de bike. Foi um passeio muito divertido, andando por ruas não tão usuais, já que algumas das principais ruas estavam fechadas para as provas da maratona. Nos despedidos de Aline que estava quase entrando em desespero com a demora do ônibus, e de Rá e Paula C também, que já estavam voltando para Minas.

Fomos almoçar, Renata foi roubar – huahuauha – um protetor solar e após o almoço formos para o Leme. Ver o pôr do sol e curtir um show exclusivo com as músicas do Kid Abelha – na verdade o cantor ao perceber nossa empolgação logo nos primeiros acordes das músicas de nossa banda preferida se empolgou e cantou todas as músicas do Kid que conhecia, incluindo Palpite. Mais marcante que essa trilha sonora só foi o Jingle do Molon, que nos acompanhou durante toda a viagem e ainda hoje não sai de nossas cabeças. Fom Foooooooooooooom!


Vanessa nos encontrou no Leme, mas para nos despedirmos completamente do Rio eu e Paula precisávamos de um banho de mar. A lua já estava alta no céu quando partimos para o nosso mergulho, onde lavamos não só nossos corpos, mas também nossas almas, após dias de muita alegria, amizade e amor genuíno no Rio de Janeiro. Depois do banho ainda dançamos tango no calçadão e depois assustei turistas com meu bronzeado de obreira.
À noite o que restava era comer uma tapioca, aliviar meu coração com uma mensagem que achei necessária e me preparar para o retorno. Me despedir do Rio e deixar lá grandes amigos sempre me deixa triste, o que consola é saber que essa está longe de ser minha última viagem à cidade que já ganhou o meu coração.