domingo, outubro 21, 2018

CONCURSO DE CONTOS – MEU CONTO, TUA HISTÓRIA, NOSSA EVA


Quer ver seu conto publicado no novo livro da série “As aventuras de Eva Schneider” e ainda ganhar prêmios? Participe do concurso “ Meu conto no novo livro da Eva” realizado em parceria com a Escola de Educação Básica Silva Jardim e Escola Básica Passo da Limeira e se torne um coautor.

Data de Início: 26 de outubro de 2018
Data limite de entrega dos contos: 14 de novembro de 2018
Data para início da votação popular: 16 de novembro de 2018
Data da divulgação dos vencedores: 23 de novembro de 2018

PREMIAÇÃO:

1º LUGAR:
Publicação do conto adaptado no novo livro de Eva Schneider.
1 livro autografado “As aventuras de Eva Schneider”
1 livro autografado “Conhecendo Alfredo Wagner”
1 livro autografado “As aventuras de Eva Schneider: fronteiras entre o amor e a guerra”, assim que for lançado.
Entrevista com o autor publicada no blog.
Pôster do conto ilustrado pelo ilustrador oficial dos livros de Eva Schneider, Matheus Amarante.
E R$:100,00 em materiais escolares.

2º LUGAR:
Publicação do conto adaptado no novo livro de Eva Schneider.
1 livro autografado “As aventuras de Eva Schneider”
1 livro autografado “Conhecendo Alfredo Wagner”
1 livro autografado “As aventuras de Eva Schneider: fronteiras entre o amor e a guerra”, assim que for lançado.
Entrevista com o autor publicada no blog.
Imagem do conto ilustrado pelo ilustrador oficial dos livros de Eva Schneider, Matheus Amarante.

3º LUGAR:
1 livro autografado “As aventuras de Eva Schneider”
1 livro autografado “Conhecendo Alfredo Wagner”
1 livro autografado “As aventuras de Eva Schneider: fronteiras entre o amor e a guerra”, assim que for lançado.
Entrevista com o autor publicada no blog.
Imagem do conto ilustrado pelo ilustrador oficial dos livros de Eva Schneider, Matheus Amarante.

- PRÊMIO EXCLUSIVO PARA AS TURMAS PARTICIPANTES DO PROJETO “As aventuras de Eva Schneider” com os professores Charlene Silva Marioti e Mario Kalbuch
PICNIC DA TURMA PARA UM LOCAL QUE FOI CENÁRIO DO PRIMEIRO LIVRO.

QUEM PODE PARTICIPAR?
Todos os alunos da escola de Educação Básica Silva Jardim e Escola Básica Passo da Limeira podem participar com contos individuais, e os alunos que participaram do projeto com os professores Charlene Silva Marioti e Mario Kalbuch, estão qualificados para ganharem também o prêmio por turma.

COMO OS TEXTOS SERÃO JULGADOS?
Uma comissão selecionará os 20 melhores textos para serem publicados no blog (carolpereiraa.blogspot.com) e lá eles poderão ser lidos e avaliados pelo público.  
30% da nota virá do voto popular, que deverá ser realizado via internet pelo endereço (carolpereiraa.blogspot.com).
70% da nota virá dos avaliadores, professores que irão avaliar os textos nos seguintes critérios:
- Gramática e linguagem utilizada;
- Criatividade;
- Adequação ao tema;
- Integração ao contexto da época;

COMO CONHECEREMOS A TURMA VENCEDORA?
A turma que ganhará o picnic será conhecida através do voto popular.
A turma de cada escola, que tiver mais contos entre os primeiros colocados na votação popular que acontecerá via internet no blog será a vencedora e fará uma viagem até uma das comunidades que foi cenário do livro “As aventuras de Eva Schneider” para realização de um picnic.

COMO PARTICIPAR?
Escreva seu conto, revise e entregue – manuscrito ou digitado - para a seus professores de Língua Portuguesa.

PARTICIPE!

domingo, outubro 14, 2018

Irlanda - Day 6 - Irlanda do Norte



No dia seguinte fomos até Belfast, conhecer a St Mary's University College.
Para quem não sabe, Belfast fica na Irlanda do Norte – cheguei ao meu décimo nono país!!!
Até o século passado, a Irlanda e a Irlanda do Norte eram o mesmo país. Porém, após alguns conflitos devido a questões religiosas, políticas e econômicas, os dois se tornaram países independentes. Além da disputa política, havia também a relação religiosa: os recém-chegados no país eram majoritariamente protestantes, enquanto os irlandeses seguiam o catolicismo. Como havia, assim, dois grupos de interesses opostos, os imigrantes britânicos decidiram se concentrar na região ao norte chamada Ulster para evitar conflitos.

O clima de hostilidade durou até o século passado, em 1920, quando o parlamento inglês criou duas regiões com autogoverno limitado na ilha: a de Ulster, ou Irlanda do Norte, com predomínio britânico e de protestantes, e a dos condados restantes, a Irlanda, com maioria católica.
Dois anos depois, a soberania da Irlanda aumentou, o que fez com que ela se tornasse ainda mais independente da Inglaterra. Foi aí que começaram a se acirrar as guerrilhas com grupos armados de ambos os lados, como o IRA (Exército Republicano Irlandês) e os movimentos unionistas.
Após uma série de atentados, em 1949, foi concedida autonomia ao território da Irlanda do Norte.  Mesmo assim, as disputas não finalizaram e, em 1972, ocorreu o mais famoso episódio de conflito: o “domingo sangrento”, cantado pelo U2 (Sunday Bloody Sunday).
Toda essa violência fez com que houvesse uma necessidade de um Tratado de Paz, assinado em 1994 por ambos os lados. Embora ainda exista um clima hostil entre os dois países, acredita-se que tenha diminuído consideravelmente. No dia seguinte no nosso citytour esse clima ficaria mais evidente, quando ficássemos frente a frente com o muro que ainda hoje separa católicos de protestantes.
Atualmente, os dois possuem bandeiras, hinos, sistema político e econômico diferentes – lá a moeda é a libra e não o euro como na Irlanda. A capital da Irlanda do Norte é Belfast, enquanto a da Irlanda é Dublin, que conheceríamos no dia seguinte.
Mas voltando a viagem até Belfast. Não resisti, fui o caminho todo dormindo. O ritmo de poucas horas de sono por dia estava cobrando seu preço, mas o pessoal disse que sentiu minha falta e da Elis, pois passamos por várias ovelhas. Rsrsrs
Após uma breve parada para o lanche, chegamos na Irlanda do Norte. É estranho pensar que tenho muitas lembranças de notícias que ouvia no Jornal Nacional quando criança sobre os conflitos da região e saber que agora eu estava lá, quando eu era criança esse local parecia literalmente em outro planeta, um lugar que eu nem imaginava que um dia poderia visitar.

Nosso primeiro compromisso na Irlanda do Norte era conhecer a St. Mary's que foi fundada em 1900, como a St. Mary's Training College , que se concentrou principalmente na formação de mulheres como professoras. E depois se uniu ao St. Joseph's Training College, muitas vezes chamado de Trench House, que foi criado para formar professores do sexo masculino. A fusão das duas faculdades aconteceu em 1985 e criou a instituição atual. Que hoje tem quase mil alunos.
A instituição oferece cursos nos níveis de graduação e pós-graduação para formação de professores, especialmente para um ethos católico, incluindo um PGCE para o Ensino Médio Irlandês. A faculdade diversificou suas ofertas há vários anos e agora oferece um diploma de bacharel em artes liberais também.

Fomos recepcionados por Peter Finn, o reitor da universidade, e fiquei encantada com ele logo de cara. É muito bonito ver a seriedade e dedicação com a qual a licenciatura é tratada na Irlanda. Ele nos contou que os melhores alunos das classes pensam em serem professores, o que dificilmente acontece no Brasil, e sabemos que isso se deve a uma série de fatores, entre eles a desvalorização que a profissão vem sofrendo há décadas no Brasil.

Ouvimos atentos a apresentação, conversamos um pouco sobre educação e as duas realidades. Almoçamos com o reitor e é claro que o cardápio era sanduíches! hahaha
Saindo da universidade, fomos para o museu do Titanic! Muita gente pode não ter conhecimento, mas o Titanic foi construído lá. Mas como os irlandeses costumam falar “Ele saiu daqui funcionando” uauha. O museu é um prédio imenso, do tamanho original do barco e lá dentro tem tudo, desde a sua construção, a mobília idêntica à que existia dentro do navio, até salas imensas projetando imagens do navio naufragado. É uma visita bem legal – quando voltei ao Brasil até mesmo reassisti o filme, que provavelmente tinha visto pela última vez na década de 90 e foi muito mais emocionante, não apenas por estar mais envolvida com o navio, mas também por estar mais madura para compreender aquela história de amor. Huauha

Eu e Kátia tiramos uma foto simulando que estávamos entrando no navio com nossas malas, pela imagem vocês podem imaginar em que área do navio nós íamos estar né? Huahua Resultado da chuva do dia anterior e da preguiça de lavar o cabelo quando chegamos no alojamento.... eu precisava arrumar minha mala, e acabei não lavando o cabelo.


O nosso hotel ficava do lado do museu e ele foi construído no mesmo estaleiro onde o barco havia sido projetado e construído. Preciso dizer que o hotel era um luxo só! Eu dividi quarto com a Daisy e aproveitei que chegamos antes para tomar banho, no banheiro que mais parecia um quarto de tão grande. Sobre os banheiros, em algumas conversas descobrimos que em alguns quartos tinha box, em outros banheira, em alguns nem um, nem outro, mas no nosso os dois! Hahaha a gente riu disso. Outra coisa que acho engraçada sobre o nosso quarto no hotel é que ele era o número 222, mas como a Daisy não sabia fazer duzentos e vinte e dois em inglês, ela só dizia “two two two”, “two two two”, era engraçado.

Após o banho e todos se estabelecerem nos quartos fomos gravar nosso vídeo para o documentário que Zaldo estava criando, no qual a gente deixou algumas mensagens sobre educação, sobre nossa experiência na Irlanda e também sobre o Prêmio Professores do Brasil. Após a gravação fomos jantar. – No final dos relatos deixo o link do documentário, para quem quiser assistir.

Belfast é uma cidade bem diferente de Limerick, ela lembra muito cidades da Inglaterra – sim, é claro que uma série de fatores evidenciam isso, até mesmo o fato da Irlanda do Norte fazer parte do Reino Unido, eu sei – lá tem até mesmo um mini Big Ben, que ficava bem em frente ao pub McHughs Bar, onde jantamos. Eu estava tão feliz nesse dia, fomos rindo durante toda nossa caminhada até o pub que não consigo relembrar das cenas sem abrir um sorriso, é como se ainda conseguisse sentir o vento gelado batendo no meu rosto.

Nosso hotel era tão imenso, que Lorena até mesmo se perdeu lá dentro e ficou para trás, reencontrando a gente somente mais tarde, já no pub.
Nessa fase da viagem já estávamos muito entrosados e esses momentos eram de pura diversão, ríamos sempre muito e conversamos muito também, sobre os mais diversos temas, dos mais simples aos mais complexos. Foi uma total troca de experiências e de conhecimentos, sem falar que aumentamos, e muito, nosso conhecimento sobre cervejas.

Na janta rimos mais um pouco e tomamos mais alguns litros de cerveja. Bom, eu não sei também como a gente se informava, mas descobrimos um pub chamado The Thirsty Goat - O bode sedento -, que diziam que era bem legal e depois da janta parte da turma foi pra lá: eu, Katia, Elis, Arthur, Graci, Rodrigo, Raquel, Luiza, Matheus, Holly, Breeda e mais um pessoal que foi chegando aos poucos . No local tinha uma banda tocando rock ao vivo e foi lá que nosso grupo eternizou a música que sempre que ouvimos nos faz lembrar da viagem “Don't Look Back In Anger”. Foi muito gostoso ficar no Bode sedento, cercada de gente bacana, cantando, acompanhando a banda. O pub já era bem diferente do nosso pub mais frequentado em Limerick, mais agitado, com mais gente jovem. Ah nostalgia esta enorme. Raquel até mesmo conseguiu interagir com alguns Irlandeses, um pouco antes de Holly nos chamar para ir até um bar no “Merchant Hotel”, super sofisticado, que ficava ali por perto, para a gente tomar caipirinha.

As pessoas dizem que brasileiro bebe bastante, mas a verdade é que nunca chegaremos aos pés dos europeus, que podem misturar absolutamente todo tipo de bebida destilada e não ficar bêbados. Aquela caipirinha foi o golpe final no meu fígado, que já estava pedindo para voltar ao Brasil, porém, tenho que admitir que os irlandeses aprenderam a fazer caipirinhas, mas não posso dizer o mesmo do drink que Elis escolheu, que me arrepia até hoje só de lembrar do gosto. Hahaha.

Voltamos a pé, conversando tranquilas pela rua. Chegando no hotel, Daisy já estava dormindo, então em completo e absoluto silêncio me deitei em minha cama e logo peguei no sono, porém alguns minutos depois Regina e Luiza bateram em nossa porta. Eu acordei um pouco confusa, enquanto Daisy me cutucava, olhei para o lado e não entendia o que uma pessoa estava fazendo na minha cama, levei o maior susto e quase morri do coração. Na verdade nós não estávamos na mesma cama, mas as camas estavam bastante próximas. Nós rimos muito disso depois, pois de fato eu não entendia o que estava acontecendo.

O último dia completo da viagem estava se aproximando.



Irlanda - Day 5 - Um dia típico Irlandês




Uma hora ou outra o sono seria obrigado a chegar, afinal, tínhamos dias cheios de programação e a noite ainda íamos que bater ponto no nosso pub preferido. Tínhamos mais uma vez
uma agenda repleta de passeios, iniciando por uma missa em um mosteiro, que é também uma escola para meninos. O lugar era espetacular, uma construção medieval, com séculos de existência.
                Glenstal Abbey, localizada em Murroe, condado de Limerick. A abadia está localizada em Glenstal Castle e, ao lado dele, um castelo normando construído pela família Barrington. O mosteiro dirige uma escola secundária de internato para todos os meninos em sua área, a Glenstal Abbey School , que abriga aproximadamente duzentos estudantes.


                A programação do dia começou com uma missa na abadia, que era serena, e o silencio da igreja só aumentava meu sono. Eu a acompanhava, até que cochilei de pé. Sim, isso mesmo que você está lendo, eu simplesmente cochilei de pé e quase caí. No meio da queda acordei e me sentei no banco, fazendo um grande barulho. Tentei disfarçar, mas os que já tinham notado minhas cochiladas perceberam do que aquilo estava se tratando. Por outro lado, para os que conseguiram acompanhar a missa, foi uma experiência impressionante ouvir a sonoridade lírica dos cantos gregorianos entoados, em latim e em inglês, pelo coral - também composto só de meninos -, bem como escutar a homilia, em que o padre que presidia a celebração comparava a palavra de Deus com um presente dado aos fiéis, mas que muitos mantinham “dentro da embalagem”. Outro dado interessante era que os alunos da escola que acompanhavam a missa, meninos mais ou menos entre 12 e 16 anos, não pareciam tão interessados na cerimônia quanto os adultos presentes; enquanto estes, sisudos e contritos, mantinham os olhos voltados para o altar, aqueles se distraíam com qualquer movimentação, e sempre olhavam ao redor, parecendo procurar alguma coisa, ou talvez interessados em saber quem eram as pessoas atípicas daquele grupo miscigenado que nós éramos. 
Durante toda a nossa estadia na Irlanda esse foi o único dia de chuva, o que não é muito comum por lá, pois geralmente o comum são dias cinzentos e com uma garoa constante. Inclusive quando chegávamos nos lugares todos diziam “Muito obrigado, vocês trouxeram o sol junto com vocês”. A gente estava se achando, até que, no dia que mais precisávamos do sol, ele resolveu não aparecer.

Do mosteiro seguimos para Clare e nosso almoço era em Lahinch. Que é uma pequena cidade na Baía de Liscannor, na costa noroeste do Condado de Clare, na Irlanda. A cidade tornou-se um popular local para o surf. Após o almoço fomos passear pela praia e foi uma experiência um pouco diferente para nós que estamos acostumados a frequentar a praia em dias de sol e calor, mas mesmo com chuva e frio o local estava lotado, muita gente surfando e também brincando na areia.


Foi muito legal ver a empolgação de alguns colegas que ainda não conheciam o mar. Temos alguns vídeos divertidos de nossa ida até a praia. Lembro com muita saudade de assistir à reação dos colegas. A alegria era certa em qualquer passeio.

De lá seguimos para o local que talvez seja o principal ponto turístico da Irlanda: os Cliffs Of Moher. Sabe aquelas fotos de expectativa versus realidade? Pois é, foi exatamente o que aconteceu nesse momento. Eu particularmente esperava muito da visita, pois já tinha visto inúmeras imagens do local, que parecia surreal de tão lindo, mas chegando lá não dava de enxergar nem dois metros à nossa frente.


Para subirmos, compramos algumas capas de chuva e fomos debaixo d’água, mas, apesar do tempo que não colaborava, foi divertido. É uma pena que não tenha dado para ter uma boa visão lá de cima. Nem as fotos tampouco os vídeos ficaram bons, hora pela chuva que embaçava a lente, ora pelo vento que fazia nossas capas voares e pela combinação de tudo isso que era o anuncio certo de que não teríamos nenhum bom registro fotográfico – Hahaha. Mas apesar da falta de imagens, podemos guardar na memória todas as risadas que a gente deu até lá em cima.

Na volta paramos em uma loja para comprar algumas lembranças e nos esquentar, enquanto algumas pessoas já aguardavam no ônibus, e também onde o nosso motorista tocava gaita, no mais alto estilo irlandês.

Saindo de lá ainda paramos em uma local, que não temos muita certeza, mas que parecia de origem celta, com alguns laços fixados nas árvores e também algumas mensagens. Não entendemos direito e como a chuva estava muito forte e o frio também começava a ficar mais intenso, voltamos ao ônibus para ir a um dos passeios mais esperados da viagem, o banquete no castelo.


Eu não posso negar que estava muito empolgada com essa atração, pois sempre quis participar de algo assim. Bem, ele não foi exatamente como eu pensei; na verdade, não aconteceu dentro do castelo e sim em um anexo, mas me diverti com a dança, a música, com a comida e o vinho servido lá. Deu para entrar no clima medieval. Junto ao castelo ainda existia toda uma vila no estilo Irlandês da idade média, com telhado de palha e as construções típicas daquela época – eu acho que era essa a vila que o motorista do ônibus queria me mostrar no dia anterior. O Rodrigo até mesmo subiu no palco para dançar, acompanhando uma irlandesa. Me emociono até hoje quando ouço “Isle of Hope, Isle of Tears”. Alguns professores acharam que esse é um típico programa “pega turista”, e eu concordo, mas gostei.



Apesar de ser um dia cheio, como seria a nossa última noite em Limerick, nós não podíamos deixar de comparecer ao Dolans, nosso pub preferido da cidade. Não posso também finalizar os relatos sobre o pub sem mencionar o senhor que ficou apaixonado pela Raquel. O jovem de cerca de 80 anos, sempre que a via se abria em sorrisos e vinha para nossa mesa conversar, a gente acha que ele era o dono do bar, mas o miserável não nos pagou nem um pint. uhahuauha
Mesmo hoje, cinco meses após a viagem eu ainda me sinto encantada por Limerick, pela MIC e por tudo o que vivi nesses dias que passei lá. Certamente, dentro do meu coração existe uma vontade forte de voltar lá e criar mais algumas saudosas memórias.




terça-feira, outubro 09, 2018

Histórias de nossa gente - Thereza Wagner de Souza



Thereza Wagner de Souza, tem 91 anos e nos contagiou com sua alegria, força e vivacidade. Uma mulher que trabalhou na lavoura, lavando roupa para fora, trabalhava de faxineira, tirando madeira do mato com junta de boi, quebrando pedras e depois fazendo mais de 100 pães por dia é a personagem do hoje do Histórias de nossa gente.
Nasceu em Anitápolis e por conta de um vendaval e uma forte chuva de pedras que destruiu a sua lavoura vieram morar aqui em Alfredo Wagner.
Vamos conhecer a história de vida dessa mulher que pode ser chamada de guerreira?


Como já mencionamos a família de Dona Thereza morava em Anitápolis, os pais viviam da agricultura de subsistências e ambos eram descendentes de alemães. O avô paterno veio da Alemanha, e naquele tempo era proibido falar em alemão e até mesmo assinar o sobrenome, para evitar problemas. A infância e juventude foi vivida na era Getúlio e era comum os imigrantes e seus descendentes passarem por esse tipo de problema.

Ela estudou até a quarta série e como todos os nossos entrevistados ela lembra com carinho do nome de sua professora: “Lucinha o nome da professora”. A educação naquela época era diferente dos dias atuais “Ela tinha uma varinha, mas para mim ela era bem boazinha” era comum que as professoras daquela época utilizarem varinhas ou outros “recursos” do tipo, para manter a ordem dentro da sala. “Até que ninguém apanhava muito, mas naquele tempo tinha mais respeito”. A escola era perto de sua casa e apesar do pouco tempo de estudo guardou e utiliza as lições que aprendeu com a antiga mestre Lucinda, ainda relembra até mesmo as tabuadas e sente saudades do tempo que levava flores para a professora e lhe dizia versinhos.

Quando a juventude foi chegando, não se tinha muito para fazer onde moravam – interior de Anitápolis – “Ah, tinha lá ou cá um baile”.  Para se divertir existiam apenas alguns poucos bailes e ir na “reza” todo domingo, ela recorda que quando a missa acabava sempre tinham um tempinho para colocar o papo em dia com os amigos que moravam mais distantes.
Fora isso tinham também os cordões de carnavais, que deixaram saudade na memória de Dona Thereza, com suas marchinhas embalando as tardes antes da quaresma.
Mesmo sendo escassos, foi em um baile que ela conheceu o marido, Benoni Souza. Foi lá que trocaram os primeiros olhares e Benoni veio falar com ela. “Naquele tempo não beijava, nem pegava na mão, era sempre na frente do pai”. Com uma marcação tão cerrada o jeito era logo casar. Após o matrimonio morou com o sogro e a sogra até conseguirem construir uma casinha.  
Foi em Anitápolis que nasceu a primeira filha do casal, Dalci. A vida ia bem, eles já tinham sua casa, suas lavouras, mas um dia uma grande tempestade fez com que o casal perdesse tudo o que já havia conquistado. Não sobrando nada, a única saída era recomeçar a vida em um outro lugar. O local escolhido foi Alfredo Wagner, então a família colocou tudo o que sobrou em uma carroça e vieram para cá. O primeiro local que moraram foi no Barracão, em uma das casinhas que o seu Tolda tinha para serem alugadas.
Para recomeçar é preciso garra e coragem e isso Dona Thereza tinha de sobra. “Nada era ruim pra mim”. Dona Thereza nunca teve medo do trabalho! Assim que chegaram em Alfredo Wagner foi ajudar o marido a tirar madeira do mato. A madeira era o Sassafrás, em nosso estado a partir da década de 40 muitas arvores foram derrubadas e trituradas para se transformarem em óleo de Sassafrás ou “safrol”, na maioria das vezes o óleo era vendido bruto para os Estados Unidos e lá era refinado e ganhava as mais diversas finalidades, muitas delas medicinais. Esse era um trabalho árduo e difícil, mas Thereza não se deixava abater. Após a árvore ser derrubada, ela precisava ser retirada do mato e exigia muita força, para puxar as árvores ajudada por uma junta de bois.
Como se retirar a madeira do mato não fosse o suficiente, após essa atividade perder a força ela e o marido encontraram um novo emprego: carregar e quebrar pedras. Duas novas pontes estavam sendo construídas na cidade, uma que dava a acesso a comunidade do Caeté e outra que liga o Barracão as comunidades as margens do Rio Itajaí do Sul – ponte do trevo. Para isso precisavam de pedras para construir suas cabeceiras e Dona Thereza e o marido fizeram esse serviço. “Como a gente passava trabalho naquele tempo, né?”, diz dona Thereza sorrindo. A obra foi bem feita e as pontes permanecem de pé até hoje.
Após finalizarem a obra de construção das cabeceiras das pontes, dona Thereza teve a ideia de começar a fazer pão para vender. A iniciativa deu certo e ela chegava a vender mais de 100 pães por dia! Era o tempo em que a Camargo Correia estava trabalhando aqui e também o início das máquinas de cebola, então além de vender nas casas, ela tinha compromisso com essas empresas.


Então se você pensou que após parar de quebrar pedras o trabalho diminuiu, você se enganou! Fazer tantos pães assim por dia não era um trabalho fácil...  Dona Thereza acordava as 2 horas da manhã, para começar a amassar o pão e aquecer os fornos, que a princípio eram a lenha. “Nem dormia direito, dava aquela vontade de levantar”. Eram muitas fornadas por dia. No forno a lenha cabiam 50 pães, depois vieram os fornos elétricos e nesses cabiam 20 pães, mas mesmo assim o trabalho era bem menor. Ela lembra dos amigos que ajudavam a quebrar lenha “A sorte é que eu tinha muito amigo, aqui no Ita, o Agnaldo, o Papagaio, que rachavam lenha pra mim. O Cleber! Essa noite ainda lembrei dele, coitado, quanta “lenhinha” ele rachou para mim”. Muito meninos trabalhavam para entregar os pães de Dona Thereza e ela também relembra deles com muito carinho. 

Dona Thereza vendeu pães durante décadas, mas acabou parando a produção após a morte do marido, porém após muitos pedidos para que ela retomasse a produção ela passou a receita para a nora Eliane, que hoje ainda mantém a tradição e marca “Pão da Dona Thereza” no mercado.  
Quem vê a alegria de nossa entrevistada não imagina por tudo o que ela passou na vida, não foi apenas um recomeço em sua vida, na vinda de Anitápolis para Alfredo Wagner, mas muitos... As enchentes eram frequentes naquela época, a água entrava pela Beira Rio – onde a família mora até hoje – e a violência das águas ia levando tudo o que encontrava pela frente. Em uma das piores cheias a enchente levou tudo o que ela tinha, todo o estoque de trigo, formas, moveis, fazendo com que ela e os vizinhos dias depois ainda estivessem atrás de suas coisas. A única forma foi recomeçar do zero, mais uma vez. “O que eu ia fazer? Tinha que recomeçar”. Ela relembra que na ocasião o marido não queria deixar a casa, mas retiraram ele. Nessa enchente eles perderam quase tudo, a água estragou tudo o que tinham dentro de casa. E ela fala com orgulho que conseguiu. Eles não tinham nem formas, nem onde assar os pães quando a água baixou, mas como sempre Dona Thereza conseguiu.
A matriarca da família é fonte de amor aos três filhos – Dalci, Celso e Vitor – aos 11 netos e aos oitos bisnetos, mas além disso ela é inspiração para todos nós alfredenses.


Ela já não ouve mais a gaita do marido, que se calou a alguns anos, mas se sente uma pessoa abençoada por ter a família por perto e muitos amigos “não posso nem sair na rua”, diz ela ao se referir a quantidade de gente conhecida que encontra ao sair de casa. Em breve dona Thereza completará 92 anos, mantendo os mesmos hábitos, de ir dormir cedo – por volta das 5:30 -, acordar cedo também, cultivar a fé e trabalhar, pois mesmo com essa idade ela ainda não decidiu parar, ela ainda engraxa as formas para a nora assar os pães e cuidando do quintal.
“Meu remédio é trabalhar”,não toma nenhum tipo de remédio “Tomo só café e água” e Vez ou outra ela confessa que coloca uma colherzinha de cachaça no café... talvez seja esse o segredo de sua alegria ou a certeza de que construiu uma bela história.
Não conseguimos sair de lá sem tomar um cafezinho, cheio de amor e sabor.



sexta-feira, outubro 05, 2018

Irlanda - Day 4 - Once upon a time....



Talvez o estado de encantamento com o qual retornei da viagem se deva muito à programação desse dia, pois parecia que a gente havia ido parar dentro de um conto de fadas!
Começamos nosso dia com uma caminhada animada até o Milk Market. No caminho me diverti com uma história que alguém estava contando, sobre ter que usar mímica por não dominar o idioma, porém teria que ir em uma farmácia comprar uma pomada para hemorroida, não sei por que lembrei disso agora na hora de escrever, mas o fato foi que achei uma boa história para compartilhar com vocês, certo? Ri muito no dia, imaginando a cena, e ri novamente ao escrever aqui. Coisa tola.

Voltando ao mercado... Ele é uma graça. É uma espécie de mercado público, cheio de barraquinhas com produtos orgânicos, comidas típicas, artistas se apresentando, artesanatos, um lugar bem bacana. Lá também estavam rolando os atos contra e a favor o plebiscito para a legalização do aborto que aconteceria em alguns dias. É claro que também nos dividimos entre os que eram da turma do Yes e os da turma do No. Não sei como, mas ao entrar lá, me perdi de todo mundo e fiquei boa parte do tempo vagando sozinha, feito uma boba, procurando por algum conhecido. 

O bom é que nesse tempo lá perdida pude aproveitar para conhecer o local, fazendo uso de todo o meu inglês, até conversei com um velho senhor músico, que ficou espantado quando eu disse que era brasileira – sim, aparentemente não me encaixo no estereótipo de brasileira. Logo depois finalmente encontrei o pessoal e eu e Elis fomos provar um “sanduíche” tradicional do mercado, coberto de bacon, acompanhado por uma coca gelada. É claro que o lanchinho fez Kátia ter um ataque de nervos, pois ela odeia nossos hábitos alimentares.


Saindo do mercado, tínhamos um longo caminho até o parque Killarney, e o caminho já era um espetáculo à parte. Quantas ovelhas eu e Elis imitamos? Perdemos a conta. Muitas ovelhas e corvos nos acompanharam durante a viagem, além é claro de seguirmos assistindo um filme sobre um cavalo estranho que vivia dentro das casas rsrs – Into the West, o nome desse filme um tanto quanto peculiar. Eu e o motorista ficamos amigos e ele ia me falando algumas coisas, que nem sempre eu entendia direito, mas sei que ele queria que víssemos um pequeno vilarejo com casas cobertas de palha. Nosso ônibus chegou até mesmo a fazer uma parada, já que parte do assoalho estava soltando – Não se preocupem, nenhum problema mais grave.



No caminho paramos em um mirante na região de Aghadoe Heights, simplesmente encantador. Ele dava vista para o lago Killarney de um azul profundo com algumas ilhas, e para várias montanhas, de diversos tons de verde. A cerquinha de madeira e alguns cavalos davam um ar bucólico ao local. Tiramos muitas fotos e rimos muito, parecíamos crianças em um dia no parque, afoitas por diversão.

Chegando no Parque Nacional de Killarney, fomos completamente arrebatados pela beleza do local. Também tem uma cena engraçada de nossa chegada: ventava bastante e a poeira de estrada se levantava em alguns redemoinhos de vento. Então, quando um desses estava se aproximando da gente, eu gritei: “Tempestade de areia!”, e me abaixei; o que eu não esperava era que algumas pessoas fizessem o mesmo e gritassem. Foi engraçado.

Fomos almoçar nossos sanduiches em um local dentro do parque, um restaurante com boa parte da estrutura em vidro, dava para almoçar e curtir a paisagem. O parque é muito procurado por praticantes de trekking, que estavam por lá, fazendo pic nic na grama ou caminhando pelo local.
Os bosques que cobrem a região estão lá desde a idade do bronze e o local também era muito importante para os humanos que habitavam a região naquela época, pois estudos revelam que o subsolo ainda concentra grande quantidade de bronze. O registro desses moradores da pré-história ainda pode ser encontrado em alguns locais do parque. Naquela região existia uma vegetação densa, com milhares de árvores de carvalho cobrindo a terra, porém alguns séculos atrás essas árvores foram extraídas para a produção de carvão, restando apenas alguns exemplares que ainda chamam a atenção pelo tamanho e beleza.



Além das imensas árvores, muitas espécies de flores ornamentam o bosque. Já que estávamos no clima irlandês, imaginamos aquela terra repleta de Leprechauns, morando debaixo daquelas árvores. Infelizmente minha GoPro ficou sem bateria, certamente a beleza cênica do local proporcionaria um vídeo maravilhoso.

Tiramos muitas fotos e literalmente rolamos pela grama do parque. Inexplicável a energia do lugar – sério, só de lembrar dos momentos que vivi lá, sinto vontade de sorrir. Fomos até perto do lago para vê-lo e, de fato, é maravilhoso. Minha vontade era ficar lá deitada na grama, esperando o tempo passar.


Quando chegamos no ônibus, aconteceu um engano, e eu e Matheus fomos atrás de algumas pessoas que estavam faltando. Corremos por boa parte do parque, voltamos ao ônibus botando os bofes pela boca e descobrimos que o pessoal estava o tempo inteiro dentro do bus. Nessa corridinha descobri que eu estava em uma forma física pior do que eu imaginava e do que o espelho já estava me mostrando há algum tempo.


Antes de retornarmos para Limerick, ainda passamos em um outlet para algumas compras – sim, continuo não gostando de compras, mas o programa agradou a boa parte do grupo. E vou aproveitar o espaço para fazer uma revelação: você, parente, conhecido de alguém que viajou para a Irlanda comigo, ganhou chocolate de lembrança? Viu a data de validade? Hahaha - Encontramos uma super promoção, uma caixa imensa de Ferrero Rocher, por apenas 2 euros! Era quase inacreditável, nosso grupo comprou todos, mas só depois percebemos que a data de vencimento era aquela, aquele dia, logo, estavam praticamente vencidos. Mas tudo bem, não se preocupem, posso assegurar que o chocolate não causou nenhum dano a quem o consumiu. Eu, Katia, Elis e Mari aproveitamos para dar uma volta pela cidade e visitarmos algumas lojas de souvenirs, já que Elis tinha uma lista grande de presentes para levar para casa.


O jantar como sempre foi farto e especial no restaurante de um hotel pomposo ali por perto, o problema foi que parece que estava acontecendo a recepção e uma primeira comunhão no mesmo ambiente e estavam todos super bem vestidos e nós... bem, nós tínhamos literalmente rolado pela grama durante todo aquele dia. O sonho de encontrar um irlandês lindo, teria que ficar para outra oportunidade, eu inclusive encontrei um pedaço de mato no meu cabelo nesse dia. Durante o jantar organizamos uma surpresa para Andréa, que estava de aniversário. Fizemos uma vaquinha e encomendamos um bolo para cantarmos parabéns para ela. Nosso colega Erizaldo Cavalcanti, de Brasília, ainda nos brindou com um discurso emocionante, em que destacou as virtudes de Andréa, pelas quais todos já tínhamos sido cativados. Acho que ela gostou.

Como de costume, terminamos a noite no nosso pub preferido. Depois ainda voltamos pro alojamento e ficamos conversando na rua, como se não houvesse amanhã. Mas tinha.