sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Eva Schneider em: Eterna em seu coração


Em um dia[1] em que a nostalgia machucava o coração, Eva saiu para cavalgar com seu fiel companheiro. Naquele dia os cascos de Artigas batiam forte nas pedras do estreito caminho que levava às montanhas do alto rio Caeté, onde Eva esperava abrandar uma saudade pulsante do pai falecido e de uma mãe que sequer conheceu.
Quando já estava no alto, desceu do cavalo, à beira de uma linda cachoeira, para que pudessem beber água. Ao se abaixar escorregou e acabou caindo atrás da queda d’água e desmaiou. Algum tempo depois ela acordou e percebeu que estava em uma caverna e curiosa começou a percorrê-la. Ela viu uma forte luz ao fundo da caverna, e motivada pela curiosidade e enfrentando o medo continuou. Quanto mais ela se aproximava mais forte a luz ficava, então atravessou o enorme clarão e se deparou com um lindo jardim, com índios em harmonia com o homem branco, negros e judeus, que pareciam ser orquestrados por uma belíssima jovem loira que emanava paz. Quando Eva se aproximou a emoção tomou conta dela, a empatia entre ambas foi tão grande que parecia de uma vida toda. Eterna, como disse que podia ser chamada, contou que aquele era um mundo onde todos eram tratados da mesma forma, não havia diferenças entre raças, religiões e classes sociais Apresentou Eva a todos e passaram várias horas juntas, mas a garota percebeu que precisava voltar para casa caso o contrário seus tios ficariam preocupados.
Eva foi a caminho de Eterna e se despediu:
- Adeus Eterna, nunca me esquecerei de você!
- Eva... Eu preciso lhe contar algo: eu sou...
- É o que Eterna?
- Eva eu sou sua mãe.
Eva estava confusa, chorava muito emocionada. Agora ela podia ver, a luz que emanava de eterna, fazia com que ela não tivesse percebido, mas realmente a mulher se tratava de sua mãe.

- Eva? Eva acorde, Evaaaaa!!
Dizia Ceci em desespero. Com a demora da amiga, ela e Sabú tinham resolvido ir procurá-la, encontraram Artigas sozinho e resolveram procurar por Eva, também a encontrando tempos depois, caída com a cabeça sangrando.
Eva acordou meio atordoada, não sabia se aquilo que vivera havia sido um sonho, uma alucinação ou se realmente havia acontecido. Ela olhou a caverna vazia, mas estava um pouco tonta e não conseguia raciocinar direito.
Com a ajuda dos amigos ela foi para casa, estava estranha... Pensativa...
No dia seguinte fez muitas perguntas ao tio, sobre sua mãe.
O tio contou que ele era o irmão mais velho de 3 filhos e a mãe de Eva, Esther, era a caçula. Eles tinham 18 anos de diferença e logo ele saiu de casa, então não conviveu muito com a irmã.
Eva tinha um outro tio, que se chamava August, que nem ela, nem ninguém sabia o paradeiro.
Albert conta que a irmã foi uma criança linda, loira, olhos azuis, muito branquinha e também muito esperta e que apesar deles conviverem pouco, sempre tiveram uma forte ligação, sendo assim trocavam muitas cartas.
Eva perguntou se podia ler as cartas da mãe, Albert enrolou os bigodes e disse:
- Nem todas! No entanto há uma que eu gostaria de te mostrar!

“ Querido irmão venho contando novidades.
Finalmente eu e Friedrich realizaremos nosso maior sonho. Estou grávida e minha alegria é imensa. Lhe escrevi assim que soube, mas como ainda não obtive resposta, resolvi novamente te escrever.
Já estou grávida de 7 meses, quando estiveres lendo isso, provavelmente já terás um sobrinho ou sobrinha.
Particularmente espero que seja uma menina e se assim for quero chamar de Eva. Espero que ela cresça saudável e feliz e que tenha uma infância tão boa quanto a que eu tive. Que tenha liberdade para descobrir coisas novas, que monte a cavalo, tenha mais contato com a terra, sinto falta da Pomerania.
Sei que parece um sonho distante, mais eu gostaria que Eva te conhecesse. Já chamo o bebê de Eva, para mim é certo que será uma menina!
Gerar esse bebê é ter a certeza que tenho dentro de mim a pessoa que mais amarei no mundo e que ficarei junto dela, até o final de meus dias e acredito também que ficarei junto dela até depois disso. Ainda nem conheço seu rosto, mas o amor que sinto já é maior que tudo.
Mande lembranças para Matilda e August, diga que sinto saudades e sonho com o dia em que nos reencontraremos para que eu possa lhes apresentar a minha Eva.
Beijos de sua saudosa irmã Esther Schaffer Schneider”

Eva terminou de ler com os olhos cheios de lágrimas, ela nunca tinha lido nada escrito pela mãe a seu respeito, sabia que a mãe a amava e que ela tinha sido muito desejada, mas ler aquilo lhe deixou muito feliz. Foi como se ela estivesse mais perto da mãe do que nunca.
Ela deu um abraço no tio que também chorava, tomado pela emoção e pela saudade da irmã. Ele ficou com Eva no colo, pensando que o desejo de sua irmã se cumpriu, ele conheceu a sobrinha, ela vivia perto da terra, era uma criança, feliz, livre e muito interessada em aprender coisas novas, além de ter um coração puro.
Eva saiu novamente a cavalgar e foi até a cascata onde caiu no dia anterior, ela sentiu novamente aquela paz e embora não tenha visto nada de diferente pôde sentir que sua mãe estava junto dela.



  



[1] A primeira parte do texto é baseado no texto produzido pela Aluna Helena Cabral, nas aulas do projeto “As Aventuras de Eva Schneider” aplicado aos alunos das séries iniciais no ano de 2016, na Escola de Educação Básica Silva Jardim pela professora: Carol Pereira.

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Barra de Valizadas - Uruguay


Pequena, pitoresca e de aparência tranquila. Assim é a Barra de Valizas, um lugar onde a natureza se apresentou em grande estilo: areia, mar, um pequeno rio, enseadas, dunas... uma equação perfeita para um balneário encantador.
Durante o inverno, sua população é formada, principalmente, por pescadores e artesãos que não chegam a 400 habitantes. Já no verão isso muda e chegam turistas vindos de todos os lugares, sobretudo pessoas que gostam de boemia, tranquilidade e natureza. Na areia construções de madeira, bem rústicas, com madeiras de diversos formatos e telhados de palha, dispostas de forma desordenada, mas em harmonia com o entorno. Algumas dessas casas parecem ter saído de cenários de contos antigos!
Valizas tem uma grande variedade de restaurantes, onde se pode provar mariscos e peixes pescados pelos pescadores locais. É um lugar tranquilo, mas com uma vida noturna ativa.
Na rua principal os artesãos expõe e vendem sua arte, dando ao local um certo misticismo. Na maioria são hippies, rastafáris, músicos e poetas.
O pequeno rio de Valizas desemboca no mar. Alguns o cruzam caminhando, mas quando a maré está cheia é necessário fazer a travessia utilizando um barco. Do outro lado do rio se chega as dunas e o panorama é espetacular. Nas dunas os turistas costumam praticar Sandboard. Também passam pelas dunas os turistas que querem chegar até Cabo Polonio.
É também nas dunas que se localiza o Cero de la Buena vista e o marco que servia de limite natural para Portugal e Espanha entre os anos de 1750 e 1761.
O nome do Balneário deriva das Valizas, duas fileiras de troncos que serviam como uma espécie de ponte para cruzar o rio.
Carregada de história, magia, misticismo, Barra de Valizas é ampla, acolhedora, carismática, agreste e pitoresca. Um lugar simplesmente incomparável.


Chegamos em Valizas de ônibus, com a empresa Rutas del Sol, partindo de Montevideo. E nossa história com o local não começou muito bem.
A ideia de ir para Valizas surgiu quando um amigo nosso, uruguaio, montou um restaurante lá. Já conhecíamos Cabo Polônio e Valizas parecia uma ótima opção, então juntamos o útil ao agradável e nos programamos para visitar o local e conhecer o restaurante de nosso amigo.
Alugamos uma casa pelo Airbnb, um site super popular e que até então só tinha nos dado alegrias. Íamos locar uma casa na praia, porém  por não conhecer o local e achar arriscado ficar em uma casa isolada, resolvemos alugar camas em um local onde supostamente seria uma espécie de pousada. Pelas fotos o lugar era super maneiro e descolado. O proprietário iria nos pegar na rodoviária.

Ps: as vezes as fotos enganam.
Chegando na rodoviária o tal Camacho não estava lá nos esperando. Ficamos por mais de uma hora plantadas no sol, enquanto esperávamos o cara chegar e só fomos salvas pela folha A4 colada na mala da Denise com o nome Camacho, que acabou por chamar a atenção de um cara que passava e se ofereceu para nos acompanhar a pé até a casa do Camacho.
Andamos muito em um tremendo sol, carregando nossas malas. Eu de mochila – muito pesada – e Denise destoando do ambiente, levando sua mala de rodinhas pelas ruas de chão batido. Era quase engraçado.
Mas engraçado mesmo foi quando a gente chegou e se deparou com o barraco, digo, casa. Era algo surreal, totalmente fora dos padrões tradicionais de hospedagem. Sério era um barraco. Assim que comecei a avistá-lo, percebi que ele tinha alguma semelhança com as fotos e comecei a fazer uma oração mental para estar enganada. Mas eu estava certa, era aquilo.
Como todos sabem as leis sobre o uso de maconha no Uruguay são diferentes das do Brasil e o nosso anfitrião faz uso das facilidades que tem. Ao entrar já se podia sentir o intenso aroma da marijuana que estava sendo utilizada por ele e seus comparsas, digo amigos, na cozinha.
Fiquei meio apavorada, o lugar era o mesmo das fotos, só que nas fotos não mostrava o chão batido da cozinha, os pés de maconha e muito menos os dois cachorros que dormiam embaixo da cama da Denise ou nos diziam que Camacho dormiria na cama ao meu lado.
Pensamos em achar outro lugar, mas nem internet tínhamos, o jeito foi aceitar a realidade e rezar para dar tudo certo. No final deu, mas foram momentos de tensão.
Fomos comer algo e tentar esquecer de nossa triste realidade. Barra de Valizas é surreal e logo somos envolvidas pela magia existente por lá e tudo ficou menos dramático.
Logo na primeira volta vimos Teson – também conhecido como Marcelo, o nosso amigo uruguaio – e depois fomos fazer uma visita a ele em seu restaurante. Combinamos um jantar e fomos para a praia.
A noite jantamos no Los Porfiaos – restaurante de nosso amigo – e aprovamos. Ambiente aconchegante e boa comida. Enquanto estávamos lá começou uma chuva muito forte, aproveitamos para jogar conversa fora enquanto a água não parava de cair e deixamos para conhecer o Lion – uma casa noturna de Valizas - no dia seguinte.


Durante toda nossa estadia em Montevideo – nosso destino anterior - acordamos antes das 8 da manhã, mas em Valizas, impedidas de nos levantar da cama por medo dos dois cachorros gigantes soltos dentro de casa acabamos levantando perto das 11 horas da manhã.
O medo se deu por conta do acontecido do dia anterior, quando Camacho prendeu a cachorra no cio dentro da cozinha e saiu de casa. O outro cachorro dele invadiu a casa – enquanto outros latiam loucamente na rua – fazendo com que eu e Denise ocupássemos as camas de cima do beliche, em uma tentativa de escapar da morte, que naquele momento parecia próxima e dolorosa.

Como acordamos tarde acabamos não tendo tempo para chegar até Cabo Polônio. Cruzamos o rio de barco e fomos até o Cerro de la Buena Vista. No caminho passamos pelo marco que dividia os territórios de Brasil e Espanha. Do alto do cerro avistamos Cabo e tivemos uma vista deslumbrante de Valizas.

Na volta comemos no restaurante La Proa – recomendo um milhão de vezes - de frente para o mar, em um ambiente muito agradável, com uma cozinha simples e despretensiosa. Chego a ter vontade de chorar lembrando do sabor da comida do La Proa, de tanta saudade que sinto. Comemos um camarão envolto ao queijo gratinado e um risoto de camarão maravilhoso. Tudo isso tomando um patrícia e de frente para o mar. Sem dúvidas que foram momentos especiais, tipo aqueles que só o Uruguay te proporciona.

A tarde o mundo resolveu se transformar em água e choveu muito. Ficamos em casa, mega entediadas. Os cachorros vieram da rua molhados e se sacudiram fazendo com que a água voasse na cara da Denise, depois eles se deitaram em cima dos sapatos dela. Eu atendia as pessoas que batiam na porta procurando abrigo para a noite – já que o local é lotado de campings e com a chuva intensa acho que o pessoal estava tendo problemas com as barracas. Li para passar o tempo, mas mesmo assim, aquelas horas passadas com o constante cheiro de maconha vindos da cozinha, onde Camacho regalava os amigos, conhecidos, outros hóspedes ou pessoas que vinham tomar banho, pareciam décadas.
Eu não aguentava mais ficar ali, na rua chovia e fazia frio, mas tivemos que sair, pelo nosso bem.
Fomos novamente ao Los Porfiaos.



Mais tarde fomos ao El Lion – sim, todas as casas noturnas que frequentamos no Uruguay tem nome de animal – e pudemos constatar que o local se trata mesmo do lugar com maior concentração de hippies e rastafáris do sul do planeta Terra. Eu me sentia uma alienígena e tenho certeza que eles também pensavam isso de mim.
No dia seguinte, andamos mais um pouco pela praia – e tentamos escapar da chuva que não dava trégua, matando o tempo para chegar a hora de almoçarmos novamente no La Proa, para encerarmos nossa viagem até Valizas com chave de ouro.

De Valizas seguimos para Chui e na fronteira pegamos um ônibus até Garopaba onde encontraríamos o resto de nossos amigos do mestrado.

Valizas vale a pena e é puro amor!

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Deserto do Atacama de Motorhome - Gastos, relato, fotos, dicas e muito mais...


O ano de 2017 não teve mochilão, mas a aventura ficou por conta de uma viagem de Motorhome saindo do Brasil, passando pela Argentina e chegando ao Chile, em um dos desertos mais lindos do mundo, o Atacama.
O Deserto de Atacama está localizado na região norte do Chile e se estende até a fronteira com o Peru. Com cerca de 1000 km de extensão, é considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo, pois chove pouquíssimo na região.
As temperaturas no deserto variam entre 0ºC à noite a 40 ºC durante o dia. Em função destas condições existem poucas cidades e vilas no deserto; uma delas, muito conhecida, é São Pedro de Atacama e é para lá que vamos, a vila tem pouco mais de 3 000 habitantes e está a 2.400 metros de altitude. Por ser bem isolada é considerada um oásis no meio do deserto e o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro, mochileiros, fotógrafos, astrônomos, cientistas, pesquisadores, motociclistas e aventureiros, além de possuir uma vida agitada, mesmo depois da meia noite, com bares e restaurantes lotados e pessoas conversando e planejando o dia seguinte.
Eu sempre pensei que fazer uma viagem tipo essa de motorhome seria algo muito bacana, mas não me imaginava fazendo isso tão cedo. A oportunidade surgiu e estou embarcando nela com meus amigos do Anunnaki Trilhando.
Para os menos informados, motorhome é como uma van – alguns são menores e outros bem grandes e no nosso caso um motorhome imenso. A particularidade é que neles temos cozinha, banheiro, camas e mesas. Assim como os tamanhos, o conforto e as comodidades variam também – mas eles são basicamente uma casa móvel(ou uma casa com motor, como o nome diz).
SAN PEDRO DE ATACAMA - CHILE DE MOTORHOME.
Data: 03 a 14/01/2017
Saída dia 03 de Blumenau as 9:00hs, em frente à Vila Germânica. 
Duração: 12 dias.
Empresa: Volkstur – Pomerode.

Itinerário:

Dia 03/01 – Saída de Blumenau as 9:00 hs em frente a Vila Germânica. 
Dia 04/01 – Fronteira até Resistência.
Dia 05/01 – Resistência até Salta (Purmamarca, Tilcara, Humahuaca, Salinas Grandes).
Dia 06/01 – Salta até San Pedro de Atacama.
Dia 07, 08, 09, 10 e 11 – Passeios pelo Deserto (ver abaixo)
Dia 12/01 – Salta até Resistência.
Dia 13/01 – Resistência até fronteira Argentina/Brasil.
Dia 14/01 – Chegada em Blumenau.

Programação Argentina:
Conhecer a cidade de Hamuhuaca e as Salinas Grandes.

Programação em San Pedro de Atacama:
Dia 07/01
San Pedro de Atacama – 
Pela manhã - Cavalgada pelo deserto
Valle de La Luna com o pôr do sol na pedra do Coyote

Dia 08/01
Das 9:00 as 13:00 - Visita Complexo ALMA.
Das 15:00 as 19:00 - Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche.

Dia 09/01
Geysers El Tatio + Machuca – águas termais.
Pela tarde passeio de bike pelo deserto, indo até a
 Aldeia de Tolur
Dia 10/01
Lagunas Altiplânicas e Salar de Atacama e Piedras Rojas e Laguna Chaxa.
Tarde livre em San Pedro

Dia 11/01
Reserva Nacional los Flamencos - Salar de Tara e Águas Calientes
Após este passeio, não retornamos mais a San Pedro, seguimos direto para Salta.

Tabela com alguns custos:



Deserto do Atacama – Dia 1

Nosso Motorhome se chama Treme Terra e sim, já fizemos uma alusão ao trio Elétrico do Terra Samba, mas por enquanto estávamos longe da zoeira de um carnaval, no motorhome reinava a calmaria, enquanto avançávamos em território catarinense.
Saí cedo de casa, rumo a Rio do Sul, onde peguei o motorhome, na correria acabei esquecendo de escolher um livro para a viagem, o que já estava me fazendo falta, mas logo se resolveu. Meus tios foram me levar até Rio do Sul e lá aguardei os outros chegarem, uma senhora foi muito gentil comigo, compadecida de mim com minhas inúmeras mochilas de bagagem, ela me chamou para entrar e aguardar dentro da Lanchonete!
Já em transito, paramos em Pouso Redondo para o almoço!
Voltamos para o Motorhome prontos para mais algumas horas de estrada.
Juntos nessa jornada estamos, Adri, Adriana, Bell, Maikol, Anny, Luiz, Alberto, Catarina, Daniel, Tami, Chris, Shonda Rhimes e eu.
Sim! Shonda Rhimes está viajando comigo! Como eu esqueci de trazer um livro a Chris resolveu revezar o dela comigo. O livro que estou lendo foi escrito por Shonda e é incrível, me sinto intima depois de horas escutando – lendo – o que ela conta em seu livro.
A próxima parada foi em Mato Castelhano, para um pit stop rápido e depois seguir initerruptamente até o trevo de acesso a São Miguel das Missões.
Bom, esse é um texto meu e se você já me conhece, sabe que nele está faltando um pouco de drama, um pouquinho de sofrimento, certo?
Certo.
Na janta comi apenas o que mais amo no mundo – o que seria? -, carne e batata, comprei um livro sobre Leopoldina e mal coloquei os pés para fora do restaurante comecei a passar mal. Pressão baixa, quase desmaio, vontade de vomitar. Tive que deitar com as pernas para cima, com Cate as segurando e para terminar a “carolice”, vomitei, perto do milharal com os raios caindo ao fundo – quando você ver o vídeo saberá do que se tratavam.
É isso, voltei para motorhome, tomei 3 tipos de remédio, melhorei e dormi sem banho, de calça jeans e de lente, até o dia seguinte.
Beijos!

Ps: Mãe, estou bem.

Deserto do Atacama de motorhome - dia 2


Acordei e fui tomar banho, afinal não sou o cascão.
Tomamos banho em um banheiro de posto de gasolina para economizar a água do motorhome. Segundo informações dormimos em um posto, todo mundo tomou banho e até tivemos que mover nossa “casa” durante a noite, mas eu não lembro de nada, pois como já comentei na postagem do primeiro dia, dormi profundamente.
Nosso pernoite foi em São Borja e logo, antes das 9hrs, já havíamos passado pela imigração e entrado no país dos “Hermanos”.
Tem sido assim... leio um pouco, durmo. Olho o charco... durmo. Ouço a Shondas Rhimes... durmo. Riu de Shonda... durmo. Converso um pouco... durmo. Tomo uma cervejinha... durmo.... durmo, durmo, durmo.
Viajar pela Argentina não tem toda aquela adrenalina das estradas cheias de curvas do Brasil. Você olha para o horizonte e não vê nenhum morrinho, a impressão que tenho é que se pode colocar no piloto automático e deixar o carro ir. Tenho sono, durmo.
Entre meus cochilos, leio. Além do livro da minha BFF Shonda, li também um artigo sobre o Atacama em uma revista de viagens, escrito por quem? Por minha outra BFF, Martha... Martha Medeiros... No artigo ela da várias dicas que poderei usar quando finalmente chegar ao Chile.
Como diria Shonda, simbiose.  Valeu pelas dicas Martha.
Almoçamos na cidade de Ita Ibaté, uma vila... só lá encontramos um restaurante, perdido no meio do charco, estávamos afoitos para usar a internet – sim, mais do que para comer -, pois a do nosso MH não funciona. Demoramos séculos para conseguir entender a senha do Wi-fi – ComedorNeon1, comedorLeon1, comedorminhon1, por fim descobrindo que era comedor-1, pois o hífen em espanhol significa guión e não tracito. Foi engraçado, juro.
Em uma de minhas sonecas acordei pensando que estava tipo, no inferno. Nosso ar deu problemas e como fazia um calor infernal pelos charcos argentinos, ficou insuportável estar dentro de nosso veículo. Tivemos que andar quase 100km até chegar a Corrientes e tentar solucionar o problema.
Ficamos mais de 4 horas dentro da loja de conveniência de um posto de gasolina, fazendo companhia ao cara do caixa que aparentemente gostou de nossa companhia, mas quando a moça que trabalharia depois dele chegou, desligou a internet e entendemos o recado, não éramos mais bem-vindos por ali. Nesse tempo deu a maior tempestade por lá e caiu um grande volume d’agua, alagando o posto. Sim, não to exagerando. Fora o número imenso de raios que caiam.
Durantes as 4 horas no posto...  encontrei uma família de Otacílio Costa, que conhece a Ana, uma grande amiga que tenho lá, e também uma cerveja bem sugestiva, chamada Schneider! Tive que tomar.
Falando em cerveja, é a segunda que experimento hoje, no Restaurante do Comedor, tomamos Quilmes, que da última vez que estive na Argentina não pude tomar devido a minha reação da vacina, lembram? Dessa vez quero conhecer muitas! Coloquem 2 aí na lista!
Por fim, expulsos do posto fomos até a oficina onde nosso MH estava sendo concertado e de lá seguimos sem descer do MT até a província de Salta. Fizemos nossas refeições dentro de nossa casa móvel.
Essa noite não dormi tão bem quanto na anterior, com o veículo em movimento se torna mais difícil. 
Amanhã já tem turismo! 


Deserto do Atacama - dia 3 - Humahuaca e Salinas Grandes

Salinas Grandes
Finalmente iniciamos a parte turística.
Acordamos em Salta, tomamos café e nossos banhos de gato e seguimos para nossa programação de dia.
A paisagem é belíssima e nos encantava durante todo o caminho. Seguimos para Humahuaca.
A quebrada de Humahuaca, declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, fica no norte da Argentina, especificamente na província de Jujuy, esta região contém uma história de mais de 10.000 anos, na qual viveram aborígenes de distintas etnias que deixaram um patrimônio histórico notável para pesquisadores e público em geral.

Hamuhaca com seus cactos gigantes
Lá conhecemos a Torre de Santa Barbara, Cabildo de La Municipalidad de Humahuaca e o Monumento de Los Heróis de La Independência.
A Torre de Santa Barbara pertence a igreja de mesmo nome, construída no início do século XIX. Ela foi utilizada por um dos grandes heróis da cidade o General Manuel Belgrado como mirante. No ano de 1837 foi construída uma nova igreja, mas a torre foi mantida. Quem nos conta tudo isso é nosso Guia Martín, um humahuacaense – sim acabei de inventar esse gentílico – orgulhoso.
Conhecemos o monumento aos heróis anônimos da independência, que é uma majestosa escultura que foi inaugurado no ano de 1950 e que fica no alto de mais 130 degraus de uma escada. A figura central representa o cacique principal Viltípio, um poderoso líder na tribo ancestral dos Omaguacas. Nas laterais estão representados os gaúchos norteños - descendentes de espanhóis já nascidos nas terras colonizadas e filhos de mesclas de espanhóis com os indígenas -, e também os guerreiros da tripo Omaguacas.

Monumento aos heróis anônimos 
Por últimos conhecemos o Cabildo de La Municipalidad de Humahuaca, que foi inaugurado em 2 de fevereiro de 1950. Lá existe um relógio público construído em sua totalidade de bronze e tem um peso aproximado de uma tonelada e 800kg. Lá de dentro sai uma imagem de San Francisco Solano e ele da sua benção ao povo exatamente ao meio dia. Ele sai da torre feito um cuco, levanta e abaixa uma cruz. Segundo as explicações de Matín, tenho certeza de que todos nós esperávamos mais e foi visível a decepção em nosso rosto, mas seguimos adiante.
Fomos tentar almoçar em um restaurante para experimentar uma batata típica da região, mas enquanto eu e algumas outras pessoas estávamos no banheiro o restante do grupo desistiu – devido ao preço, que estava exorbitante a ainda não tínhamos reparado -, fomos comer no MH. Lá a Chris preparou uma deliciosa pasta e dividimos.
Toda a rota de Humahuaca até as Salinas Grandes é maravilhosa, então não foram poucas as contemplações pelas janelas do MH. De lá vimos até mesmo a pirâmide de Tilcara. Em uma descida para fotos acabei tropeçando em uma pedra e por estar de havaianas – e ter a pele do pé muito frágil devido as minhas alergias também conhecidas como perebas – acabei fazendo um corte profundo no pé, que vem sendo tratado graças a Chris, que em primeiro momento colocou uma faixa tão apertada que quase fez meus dedos gangrenarem, mas vem obtendo ótimos resultados com o tratamento. Hahaha

Grupo Annunaki Trilhando em Salinas Grandes
Andamos, andamos e finalmente chegamos as Salinas Grandes, que como não poderia deixar de ser lembram muito o Salar de Uyuni, que visitei em janeiro passado. Como o local é espetacular nos rendeu inúmeras fotos lindas e muitas risadas também. Contratamos a guia Soledad que além de nos guiar, nos dava esporros por não pularmos todos juntos na hora da foto e tinha uma bolota de folhas de coca dentro da bochecha.
O passeio pela Salina Grande foi demais, superou todas as expectativas.

Depois do Salar fomos procurar um posto com ducha e um lugar para estacionarmos o MT durante a noite. Não encontramos duchas, então a solução foi tomar banho no MT – o banheiro é bem apertada e eu tive que tomar banho na água fria -, mas o lugar que paramos tinha uma boa comida e uma internet que apesar de lenta serviu para gente dar notícias que estavamos vivos.

Deserto do Atacama - Dia 4 - Chegando a San Pedro d


Finalmente chegamos a San Pedro de Atacama, mas se você pensa que a demora para chegar tirou o brilhantismo do lugar, está muito enganado. Valeu cada quilometro rodado para chegar até aqui.
Antes de chegar, passamos pela Aduana Argentina/Chile e demoramos quase 3 horas em uma burocracia sem fim e sem necessidade. Lá tinha muita gente passando mal por causa da altitude, mais de 4 mil metros!
Muitos quilômetros antes de San  Pedro já avistamos o Licancabur, imponente, com mais de 6 mil metros de altura. É incrível de qualquer ponto da cidade se pode ver o vulcão.
Chegando em San Pedro fomos fazer cambio de dinheiro e procurar um local para comer. Depois do almoço fomos nos acomodar em nossa casa e finalmente tomar um banho decente, lavando enfim meus cabelos.
Depois do banho subimos para conhecer um pouco mais de San Pedro, fomos parar na rua Caracoles e me apaixonei. O lugar é realmente tudo aquilo que se houve falar! É fantástico, com um astral maravilhoso.
Ficamos lá por um tempão, contratamos tour, jantamos, tomamos algumas cervejas e descobrimos – eu, Chris, Adriana e Luiz – da pior maneira possível que não existe táxi em San Pedro de Atacama. Saímos de um restaurante e quando fomos pedir um táxi descobrimos que não tinha e tampouco sabíamos exatamente o caminho para casa. Tentamos encontrar o caminho, mas não obtivemos muito êxito, então quando pensamos estar sendo perseguidos por 3 garotos pedimos ajuda para um casal que estava passando e após muitos erros, finalmente chegamos em casa.
Dormir em uma cama de verdade foi muito bom, MUITO BOM!
O dia seguinte prometia! 

Deserto do Atacama - Dia 5 - Cavalgada


Nossa caravana pelo deserto

Bom, as aventuras começaram e para dar início com o pé direito, que tal uma cavalgada pelo deserto?
Assim que chegamos na sexta em São Pedro, aproveitamos para ver alguns tours e um que nos chamou a atenção foi o de cavalgada. O trajeto de cerca de 18 km prometia pura adrenalina e cenas estilo Indiana Jones.
Marcamos para as 11 horas e assim que chegamos fomos até os estábulos buscar os animais. O nosso guia – que até hoje não conseguimos saber o nome, mas suspeitamos se chamar Tukarai – escolheu qual animal se destinaria a cada um, nesse passeio estávamos, Adri, Luiz, Chris e eu. Meu cavalo se chamava Centauro, mas na verdade poderia se chamar filho do satã.
O dono da agencia que nos vendeu o tour disse que todos eram animais muito dóceis e tranquilos, porém não foi bem o que aconteceu.

Eu, Adri e Luiz
O meu cavalo era simplesmente indomável, selvagem, chucro... Acha que é exagero? Pois não é! O animal não podia ouvir o tropel do Diamante – cavalo da Adri -, acelerar que disparava. Em um desses disparos ele resolveu incorporar o espirito do cavalo do finado Beto Carreto e empinar, foi assustador, mas consegui me equilibrar e apesar de estar morta de medo, mantive a pose de imponente amazona – mentira.
Me imaginem em cima desse bicho, em um terreno hostil, cheio de pedras e tomada pelo pânico! Como nem o domador estava conseguindo acalmar o animal – sério acho que nem Eva Schneider ou o próprio Dr. Jones conseguiriam – ele resolveu puxar meu cavalo. A minha diversão acabou, mas ainda dava para curtir as belíssimas paisagens.
Passamos por lugares pouco conhecidos pelos turistas, como por exemplo um vilarejo de pastores, que foi habitado pelos primeiros habitantes do Atacama.

"You see I've been through the desert on a horse with no name"
O Tukarai – ou seja lá qual o nome dele – ficou o tempo todo conversando conosco, algumas coisas muito interessantes, outras nem tanto. Falou que a Europa era muito pobre, que os chilenos odeiam os argentinos, que os bolivianos são muito queridos por todos, os nomes dos vulcões, enfim... Ele queria agradar e apesar do meu cavalo e do da Chris parecerem ter como único objetivo do dia nos derrubar, foi um passeio realmente memorável.
Sem dúvidas a cavalgada pelo deserto é algo que você deve manter em sua lista de passeios a serem realizados no Atacama!
Custou 20.000 pesos e o realizamos com a empresa Atacama Mística.

 Valle de la luna


Ainda no dia 5... Valle de La Luna

É um dos lugares mais visitados de San Pedro e se encontra a 17km do centro, em uma zona conhecida como “Codillera de la Sal”. É uma área muito interessante com formação de pedras e areia esculpidas por milênios de inundações e pela ação dos fortes ventos.
São cores e texturas únicas, no meio do deserto. Suas formas lembrar a superfície lunar e o local já foi até mesmo utilizado pela NASA para testar os veículos que realizam expedições na lua.
Declarado santuário da natureza por sua grande beleza natural e aparência peculiar lunar, a o que se deve seu nome, o local é visitado por milhares de cientistas e turistas todos os anos sendo assim um dos lugares mais conhecidos do Chile.

Logo que se chega já se espanta com a paisagem, diferente de tudo o que eu já havia visto. Parece mesmo que está se chegando a outro planeta. Na chegada já pegamos a trilha para uma das cavernas do local. A caverna provavelmente surgiu pela ação da água, e andar pelo meio daqueles imensos paredões dava um ar de aventura ao hiking. 

A Anny que é uma de minhas companheiras de viagem, tem 75 anos de idade, isso mesmo, você não leu errado, ela tem 75 anos e fez TODOS os passeios, incluindo essa aventura no subterrâneo do Vale da Lua. Quando eu crescer quero ser igual a ela! O local exigia que andássemos de quatro, que realizássemos pequenas escaladas e ela fez tudo isso com um sorriso no rosto e tirando muitas fotos.
Saindo da caverna chegamos a um local alto de onde era possível contemplar boa parte do local. Passando por um Canyon incrível chegamos a outra caverna, que era um verdadeiro Oasis para os aventureiros, pois era um lugar super fresco e arejado. 

Dentro dessa caverna onde reinava a paz realizamos uma meditação, em um processo de interação com o ambiente, reflexão e profunda harmonização.
Como o vale é formado por inúmeros minerais, entre eles muitos cristais. Muitas pessoas aproveitaram para recolher pequenas pedras como souvenires.
Subindo pelas dunas se chega até um mirante muito alto de onde é impossível não ficar boquiaberto diante de paisagem. De lá se vê o Amphi Theatre, que é um imenso paredão formado pela ação da crosta terrestre e ação do vento. O paredão parece uma escultura no meio do deserto. Passamos também pelas Três Marias que ficam no meio de uma parte do deserto com a presença de muito sal.
Seguimos a dica de assistir a um pôr do Sol lá de cima, próximo a Pedra do Coite e valeu a pena a experiência. Foi um espetáculo,  repleto de cores, luz e paz!

Para chegar até lá passamos pela cordilheira de Sal, que impressiona pelo formato de pequenas montanhas que se assemelham a pirâmides ou vistas de longe, a uma pequena civilização.
Ficou faltando a visita ao Vale de la Muerte.
O Vale  de La Muerte, segundo nosso guia da cavalgada – aquele, o Tukarai – era chamado pelos primeiro habitante como Vale de Marte, devido a visão que se podia ter desse planeta lá de cima, mas como os americanos tinham dificuldade para entender e falar “Marte” começaram a pronunciar algo parecido com Muerte e o nome se disseminou.
Foi um dia cheio, mas repleto de aventura e emoção! 



Deserto do Atacama - Dia 6 - ALMA


No cronograma do domingo tínhamos a visita ao ALMA. Tive problemas com minha reserva e tive que ficar esperando para ver se me sobrava uma vaga, depois dos que tinham reserva, dos que estavam na fila de espera e também dos outros que tinham chegado antes de mim e adivinhem, eu consegui! Seguimos todos para o ALMA.
O Atacama Large Milliter/submillimeter Array (ALMA) é uma associação internacional entre o Observatório Europeu Austral (ESO), a Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF), o Instituto Nacional de Ciências Naturais do Japão (NINS), junto com NRC (Canadá), NSC e ASIAA (Taiwán), KASI (República de Correa), em cooperação com a república do Chile. ALMA, é o maior projeto astronômico que existente no planeta, ele é um telescópio gigantesco formado por 66 antenas de alta precisão, que se situam próximas ao vulcão Chajantor a 5.000 metros de altitude.
Na visita fomos guiados por Lea, uma norueguesa cativante – vestida de Indiana Jones – que nos contou tudo sobre o projeto. Nosso grupo se dividiu entre os que seguiram com Lea com a visita guiada em inglês e os que seguiram com Daniel que realizava a visita guiada em espanhol.
O complexo é imenso e as informações recolhidas lá são espalhadas por todo o mundo e estão ajudando os cientistas a realizarem muitas descobertas importantes.


O céu do Atacama é um dos melhores locais para quem deseja realizar observações astronômica, pois devido a altitude do deserto a umidade que vem do oceano pacifico não chega até aqui e não prejudica a visibilidade do céu, outro fator é a cordilheira dos Andes que funciona como uma barreira natural impedindo que frentes frias cheguem até o Atacama.

 Laguna Chaxa, Ojos del Salar, Laguna Tebinquinche


Depois do ALMA almoçamos no Tierra Natural, um restaurante delicioso onde pudemos provar entre outras coisas o creme de abacate com pimenta, servido como entrada junto com pão.
De lá seguimos até algumas lagoas. A primeira delas foi a Laguna de Chaxa.
A Laguna de Chaxa fica a cerca de 62km de San Pedro e 24km da comunidade de Toconao. Lá o guia parecia estar de mau humor e ao explicar sobre os Flamingo que podem ser avistados aos montes na lagoa, batia com a régua no quadro, como se fosse um daqueles professores autoritários de décadas atrás. Tiramos várias fotos dos Flamingo e fizemos uma pequena caminhada entre os cristais formados pelo acúmulo de sal.
O Chile se encontra sobre a zona de maior atividade sísmica e vulcânica da terra, o chamado “Cinturão de fogo do Pacífico”, contendo mais de 150 vulcões ativos, o que representa 10% de todos os vulcões existentes na face da terra. Por isso que para todos os lados que se olha no Atacama se ve um vulcão.
A atividade tectônica que no caso do Chile são geradas pelo choque das placas de Nazca e Sul-americana que gera altíssimas temperaturas, fundem as rochas e formam o magma que ascende a superfície, para criar o grande altiplano e os vulcões como os que se veem por todos os lados. Esse fenômeno também é responsável pela elevação da Cordilheira dos Andes.
Da Laguna Chaxa se podia ter uma ótima visão do Vulcão Láscar, o vulcão mais ativo do norte do Chile, que fica a uma altitude de 5.592 metros e só nos últimos 150 anos já registrou mais de 30 erupções. Constantemente se pode ver ele soltando fumarolas de gazes contendo altos níveis de dióxido e enxofre.
Sua última grande erupção aconteceu em abril de 1993 e a fumaça gerada por ela percorreu milhares de km, chegando até o Brasil.
Foi no estacionamento da Laguna que realizei o sonho de ser a Rainha do Deserto! Khaleesi! Em menção ao filme “Priscila, a rainha do deserto” eu subi no MH e segurando um lenço, tentei imortalizar uma das cenas mais conhecidas do filme. Foi engraçado.
Da Laguna fomos até “Los Ojos del Salar”, que são duas grandes lagoas que como o nome diz, parecem dois imensos olhos no meio do deserto. Lá os mais corajosos se jogaram na água e curtiram um misto de adrenalina e ... frio, pois foi gelado o percurso da água até o motorhome.
O pôr do sol desse dia ficou para a Laguna Tebinquinche e foi outro espetáculo da natureza. A lagoa é linda, mas a mudança de luz, iluminando o Vulcão Licancabur foi surreal. A medida que o sol ia se ponto o vulcão ia mudando de cor, ficando mais alaranjado, as águas também refletiam o restinho da iluminação solar, tornando o cenário majestoso. 

Na volta jantamos no “Sabores Inca” e apesar de pedir papas, comi sopa – sim, comi sopa, comida de doente – que veio por engano, nas superei.

Deserto do Atacama - Dia 7 - Geyseres del Tatio



Para o sétimo dia de viagem contratamos um tour para nos levar até os Geyseres del Tatio. Pagamos 18.000 mil pelo guia e transporte e mais 10.000 mil para entrarmos no parque.
Acordamos cedo – 3:30 da madrugada – e nos preparamos para enfrentar um frio que vai de -6 a -10 graus.
A atividade termal de Tatio envolve uma área aproximada de 10km² incluindo Geyseres, fumarolas, águas e tanques de barro e água fervendo. A água submetida a alta pressão busca saída para a superfície através de fissuras, assim formando os geyseres, a água alcança uma temperatura de até 85cº e suas fumarolas se lançam a mais de 10 metros do solo. Os geyseres se originaram pelo contato de águas subterrâneas frias com rochas quentes, e os mananciais quentes de El Tatio dão origem ao “Rio Salado”. Eles ficam na Alta Cordilheira Andina, distante 98km de San Pedro, em uma altitude de 4320 metros. O geysere del Tatio, é terceiro maior Geyser do planeta e também o mais alto do mundo.

Assim que chegamos nosso guia nos serviu um café, o frio estava realmente intenso e parecia uma insanidade entrarmos na água com aquele frio, mas entramos, após passear pelo parque. Foi difícil tirar a roupa, mas ao mesmo tempo recompensador. Parecíamos crianças dentro daquela piscina de água termal, quando saímos a temperatura já havia subido um pouco, mesmo assim batemos queixo.


Machuca

Igreja do povoado de Machuca
Machuca é uma pequena aldeia, a qual você provavelmente já deve conhecer por fotos, pois aquela igreja branca com azul que se vê no Google quando se digita San Pedro de Atacama fica lá. O vilarejo tem como principais fontes de renda a criação de lhamas e o turismo, baseados na cultura, na gastronomia - empanada de queijo de cabra e as bruchetas de Lhama, assadas na frente dos turistas, juntamente com cebola.

Durante todo o caminho vimos muitos animais e nosso guia nos explicou um pouco sobre eles: As diferenças básicas entre as espécies nativas de animais da região da América do sul principalmente da patagônia e dos andes varia bastante com relação a tamanho e uso, a exemplo disto temos os guanacos e as vicunhas que são espécies selvagens, e as lhamas e alpacas que são domesticas. Lembrando que destas também é utilizado no geral a pelagem para fabricação de roupas fato que quase levou as vicunhas e extinção no passado. As lhamas e alpacas surgiram a partir de cruzamentos realizados pelos Incas entre Guanacos e vicunhas – ou vinhacas como eram chamada as vicunhas pela Adri.

Comendo Brucheta de lhama, com meu cabelo banhado pelo enxofre do geyseres,


Passeio de Bike pelo Deserto


De volta a San Pedro, resolvemos finalmente fazer nosso pedal no Atacama. Luiz, Chris, Beto e eu que já estávamos planejando há alguns dias. Pedalar no deserto é certamente uma experiência que você deve viver se curte bikes. San Pedro fica a cerca de 2.300 metros de altitude, o que por si só já deixa as condições mais extremas, além disso tem o vento e o caminho inteiro sem sombra, porém a vista que se tem ao pedalar por lá é muito recompensadora.

Nosso pedal foi de 29km, o trajeto foi o seguinte: Após locar as bikes – por 3.500 pesos, podendo entrega-las até as 21hrs - no centro fomos até a Aldeia de Tolur – apesar de não termos certeza do caminho – depois fomos até Pukara e andamos novamente pelo centro.
A visita a aldeia – que fica a 12km do centro – foi completamente cativante, parte disso por conta da guia local Clara, que falava da origem do seu povo com o mesmo orgulho e amor com o qual falo da minha Alfredo Wagner.
Tolur fica entre a Cordilheira de Sal e as dunas de areia e é a prova viva das mudanças climáticas ocorridas naquela região do Chile. Antigamente local já foi margem de um grande rio. As ruinas dessa antiga civilização começaram a ser conhecidas no ano de 1956, em descobertas realizadas por Gustavo Le Paige – que segundo Clara roubou muitos objetos arqueológicos dos nativos.

As ruinas são formadas por uma série de estruturas circulares interconectadas entre si e que possuíam diversos usos e funções. As escavações continuaram em 1980 com a arqueóloga Ana Maria Barón.
As ruínas da aldeia ficam entre o Ailu de Tulor e a comunidade de Coyo. Ela é composta por uma série de estruturas circulares interconectadas entre si e que possuem diversos usos e funções de acordo com as atividades cotidianas que se desenvolviam em seu interior. Eles viviam da agricultura e de atividade de pastoreio.
Clara, nossa guia era descendente dos Likanantaí – o povo que habitava a aldeia – e foi impossível não se emocionar ouvindo suas palavras.
Assim que chegamos compramos o ingresso – 3.000 pesos – e andamos por cerca de 600 metros até uma réplica de uma casa do povo likanantaí.

Depois das explicações andamos sobre uma passarela para ver as ruínas.
Na volta fomos castigados pelo vento, que batia de lado na bike, fazendo com que tivéssemos que nos esforçar para deixa-las de pé. Em meio a essa ventania, quando passavam veículos grandes as coisas eram ainda piores, a bicicleta ficava completamente desgovernada, mas chegamos inteiros até San Pedro e de lá seguimos para Pukara. Que é outro sitio arqueológico, há uns 3km do centro.



Não subimos, pois, as pernas não estavam mais aguentando devido à combinação: acordar as 3:30, nadar, andar de bike com altitude, vento, sol, areia... enfim... mal nos mantínhamos de pé, mas mesmo assim ainda andamos mais um pouco pelo centro e depois fomos tomar uma cerveja e jantar.  







Deserto do Atacama - Dia 8 - Lagunas Altiplanicas e resgate de múmia


Esse passeio surpreendeu, não esperava encontrar um lugar tão maravilhoso. Saímos de ônibus cedo e andamos muuuuuuuuuito até chegar as Lagunas de Miscanti e Miñique, a cerca de 4.300 metros de altitude.

Nossa guia nos contou que as há alguns milhões de anos a paisagem era muito diferente, as águas provenientes da alta cordilheira escorriam livremente em frente aos vulcões Micanti e Miñique, baixando até o Salar de Atacama. Faz menos um milhão de anos que tudo mudou, a erupção do vulcão Miñiques interrompeu o avance das águas, que começaram a ficar retidas, provocando a mudança da paisagem e a formação das lagoas.
A paisagem é magnifica, se não bastasse as lagoas no local ainda existem 5 vulcões, que deixam o  local ainda mais esplendoroso, sendo eles: Miñiques, Miscanti, chilique, Lausa e Tumisa.
Assim que se chega até as lagoas e paga-se o ingresso – 3.000 pesos – somos instruídos para pegar uma trilha e realizar um pequeno trekking de 6km. O lugar é tão lindo que foi impossível conter as lágrimas. Sério parece muito brega, mas é a verdade. É muita beleza junta, são cores, formas, movimentos... o local nem parece ser real. É um lugar especial no mundo.

A altitude deixa o trekking cansativo, mas vale a pena o esforço.
Saindo das lagunas o objetivo era ir até Pedras Rojas, porém acho que nos perdemos no caminho e acabamos parando em outra lagoa, que suspeito se tratar da Laguna Sejar, lá aproveitamos para – tentar no meu caso - praticar acro yoga.

O Acro yogo é uma junção de acrobacia, yoga e thai massagem. O Maykol é professor de hatha yoga, massoterapeuta com diversas formações, da aulas de acro yoga e busca formação do acro yoga internacional, o cara é fera e sério tudo parecia fácil, devido à enorme confiança que ele me passava.
Primeiro começamos tentando algumas posturas altas, de pé, mas eu fiquei com um pouco de medo, ventava muito e a altura me impressionou, também temos que levar em conta que estávamos a mais de 4.000 metros de altitude e o esforço era grande. Mesmo assim, quase consegui. Partimos para posturas com o base deitado e o resultado foi bem melhor, levando em consideração que era minha primeira experiência com o acro yoga. Essas posturas eram as mais adequadas para uma iniciante. Meu professor, o Maykol, disse que me saí bem. Tem até um vídeo que mostra tudo o que fizemos.


Chegamos novamente a San Pedro já era quase 16hrs, aproveitamos para fazer nossa última refeição em nosso restaurante favorito, o Tierra Natural e depois partimos para as compras.
Antes ainda pudemos presenciar um fato histórico, ali mesmo no meio de uma das ruas tinha uma arqueóloga escavando uma múmia, isso mesmo, você não leu errado. Parece coisa de filme né? Mas tava acontecendo bem ali, diante de nossos olhos. Segundo explicado pela arqueóloga que comandava a operação de resgate, a região onde a múmia foi encontrada era área de uma antiga tribo e não há intenção de cavar para novas descobertas, apenas realizar esse tipo de resgate quando necessário.



Bom depois de tudo isso só nos restava comprar lembrancinhas, passear e encontrar um bar para jogar conversa fora e experimentar mais uma cerveja nova – conheci apenas 5. San Pedro deixará saudades!

Deserto do Atacama - O retorno para casa

Saímos de San Pedro e descobrimos que no meio do caminho caiu uma enorme barreira na estrada, uma enxurrada que levou tudo o que encontrou pela frente, boa parte da cidade teve que ser evacuada, pedras e lama ficaram no meio do caminho impedindo o transito, fazendo com que pegássemos um desvio que aumentou em 200km a distância.
No deserto do Atacama estava ocorrendo a edição 2017 do Rally Dakar, que este ano está sendo realizado no Paraguai, Argentina e Bolívia. Devido ao desmoronamento ocorrido na província de Jujuy – que inclusive deixou mortos -, a 9ª etapa do evento foi cancelada, fazendo com que os veículos e equipes do Rally Dakar se dirigissem até a província de Salta para a próxima etapa do rally, seguindo pelo mesmo desvio que a gente. Ou seja, estávamos “correndo” com eles, foi massa. Em nossa ida também estávamos junto deles e como nosso MH não era nada discreto quando passávamos, o pessoal que estava aguardando os carros do rally pensava que fazíamos parte da corrida, tiravam foto, abanavam a mão freneticamente... também foi divertido.
Foram praticamente 3 dias e duas noites rodando para chegar em Blumenau. Depois ainda tivemos a força de ir até a Festa Pomerana para fechar a trip com chave de ouro.
Foi uma experiência maravilhosa e sem dúvidas a viagem que mais me surpreendeu. Quando realizei meu mochilão de 2016 eu queria incluir San Pedro no roteiro, mas me falaram que não valeria a pena, sendo assim risquei da rota. Como puderam me falar isso?
San Pedro é demais! O Atacama é maravilhoso! Eu me apaixonei por esse pedacinho do Chile, lá vi algumas das paisagens mais belas da minha vida! 
O motorhome e as companhias ajudaram a fazer dessa uma das melhores viagens da minha vida. 



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