segunda-feira, agosto 24, 2015

Trekking/trilha Costão do Frade

Por Manuela Schutz Mariani

Ao pesquisar na internet sobre trilha, encontrei esse significado: Rasto ou vestígio que uma pessoa ou animal deixa no lugar por onde passa. Além do vestígio, a gente deixa muita coisa boa quando resolvemos conhecer um novo lugar. Deixamos sensações, levamos a felicidade de viver aquele momento, o entusiasmo de superar os obstáculos, o prazer em avistar uma deslumbrante paisagem e principalmente, deixamos belas histórias.
A trilha do Costão do Frade foi suada e encantadora. Descrever o que vimos, não dá, é único. Nem as melhores câmeras registrariam a emoção de chegar ao topo, respirar ar puro e visitar esse pedacinho catarinense que me enche de orgulho.
Encontrei poucos registros na web sobre o costão, mas acredita-se que ele possui aproximadamente 1.400 metros de altitude. Localiza-se no município de Bom Retiro. O acesso pode ser pela localidade de Pinguirito, em Alfredo Wagner, ou por Bom Retiro (nossa opção). Contamos com ajuda do guia, o Marcos.
Nossa turma, que por uma brincadeira, se tornou o grupo “Só para os fortes”, botou o pé na estrada dia 15, um sábado lindo e ensolarado. Saímos de Alfredo Wagner às 7 horas da manhã e começamos a trilha por volta das 8:30h. O primeiro trecho era árduo e já nos deixou cansados. Em seguida, a mata começou a fechar, grandes árvores nos rodeavam, porém o caminho já estava facilitado, pois fazia “ziguezague”.
Você já imaginou encontrar no meio de uma vegetação, num lugar calmo, uma placa pedindo silêncio? Nós encontramos! Foi cômico.
A vegetação alta começou a desaparecer, dando lugar à vegetação rasteira e isso já nos deu noção de quanto estava alto e lindo o local. Muitas paradas para o café foram dadas. O lanche era bem nutritivo: bananas, bolachas, sanduíches... ou até mesmo o inseparável fandangos da Elisa e o bolo de cenoura, bolinho de carne, pão com linguiça e café da Jucelita! Eu diria que esse povo é bem preparado...
Conto agora que particularmente, para mim, a pior parte da trilha se deu quando precisamos de corda, que no caso eram fios de luz amarrados e um cabo de aço (que cortava as mãos), para usar como apoio na subida. Naquele momento eu segurei na mão de Deus e fui. Era uma sensação de fazer rapel com “quero minha mãe”. Mas todos foram firmes e subiram.
A chegada foi incrível. Nós não sabíamos se descansávamos, se comíamos ou se apreciávamos aquela beleza. Ora, fizemos tudo de uma vez só!
Existia dois pontos mais altos, em um deles havia uma cruz. Ficamos um bom tempo apreciando o momento, compartilhando comida e risadas. Abro espaço para dizer que sentimos falta da querida Carol, que por ser tão dedicada aos estudos, não pode comparecer.
Alguns trilheiros também pegaram um caminho para ir até a “Pedra do Frade”. Reza a lenda que perto dessa pedra um frade escondeu seu tesouro. Muita gente já escavou o local.
A descida foi um pouco mais descontraída, para não falar que houve muitos tombos. Principalmente na bendita corda.
Nossa trilha ainda não terminou. Seguimos para a “Calçada de Pedra”.  Essas calçadas são importantíssimas para a história catarinense e brasileira, pena ser tão esquecida e tão pouco divulgada pelo povo local. Sua construção é datada entre 1750 e 1800. A estrada fazia ligação Desterro, atual Florianópolis, a Lages. Contam que muitas mulas atolavam no local, então os escravos posicionavam pedras, uma ao lado da outra, formando a estrada de pedra, assim, as mulas passavam tranquilamente.
No começo era um pouco difícil de encontrar o caminho de pedra, visto que o local está tomado por arvores e matos, contudo, encontramos e fomos visitar. Batemos um papo com um morador que estava lá perto e ele nos contou histórias interessantes.
Em seguida, pegamos nosso caminho de casa e finalizamos com um bom café, na Lomba Alta. 


Cinquentenário de inauguração da Matriz

No último dia 6 de agosto nosso igreja Matriz completou 50 anos e dia 15 realizou-se uma grande missa de reinauguração (do novo telhado) e de comemoração ao cinquentenário. Senhor Pedro Jaime solicitou que eu e o professor Fabricio Dorigon criássemos um pequeno vídeo para contar um pouco do histórico da nossa matriz, a seguir o resultado.


Edição: Carol Pereira
Texto: Fabricio Dorigon
Narração: Juliana Eli de Souza Dorigon

Contribuição: Pedro Jayme, Juliano Wagner, Acervo Histórico Fotográfico de Alfredo Wagner
6 de agosto de 2015, é nesse dia que comemoramos o cinquentenário de inauguração da matriz da Paroquia Bom Jesus
Durante esses 50 anos muitas são as histórias de fé, dedicação, doação e amor a Deus. Desde os primeiros tijolos e de sua inauguração até os dias de hoje, muitas foram as pessoas que no decorrer do tempo fizeram com que tudo isso pudesse ser real. Não saberíamos dizer o nome de tantas pessoas que de uma forma ou outra doaram o seu tempo de suas vidas para o serviço da comunidade, mas como certeza Deus sabe. Jesus Cristo sabe de todos os que se dedicam, que se dedicaram e que irão se dedicar para que o evangelho possa ser anunciado. Leitores, cantores, músicos, ministros, ministros, catequistas, padres que junto com todo o povo fizeram e fazem com que a igreja se torne um pedacinho do céu na terra e depois voltam para suas casas com esse sentimento e transmitem a suas famílias, seus trabalhos, as suas vidas.
Quantos de nós que estamos aqui neste momento se casaram nessa igreja, foram batizados, fizeram a primeira comunhão, que foram crismados ou simplesmente vieram aqui para rezar, agradecer, pedir graças, forças para enfrentar os desafios que a vida nos apresenta e temos a certeza que esse lugar santo continuará a nos trazer mais para perto dele, de Jesus Cristo. Essa igreja vai continuar a trazer paz, amor, conforto e muitas bênçãos para cada um de nós, não importa o que aconteça, não importa as provações que apareceram com as graças de Deus e com a força e com a fé de muitos fieis estamos aqui hoje para festeja os 50 anos da nossa igreja Matriz da Paróquia Bom Jesus.


Histórico Matriz
Texto: Juliano Wagner
Colaboradores: Luci Schweitzer e Marides Margarida Marocco

06/08/1965-06/08/2015
No última dia seis de agosto, dia do Senhor Bom Jesus, padroeiro da Paróquia de Alfredo Wagner, fez exatamente cinquenta anos que nossa Matriz foi inaugurada. A entronização do Sacrário à sua nova morada e a abertura do templo aos fiéis deu-se através de uma missa solene, sucedida por animada festa.

A tradicional Festa do Padroeiro, realizada desde imemoráveis tempos, naquele ano de 1965 superou todas as outras. O convite, guardado com admirável zelo pela Secretaria Paroquial, conclamava a comunidade a participar da festividade, nestes termos: “Inauguração da majestosa Igreja do Senhor Bom Jesus, construída pela fé inquebrantável, coragem indomável e esforço generoso do povo de Alfredo Wagner.”. Nas semanas que precederam a data, os senhores Alcebíades Andersen, AlfredoWagner Júnior, Lindolfo Souza, Orlando Dorigon, Rodolfo Crispim e suas esposas, na qualidade de festeiros, percorreram incansavelmente o município convidando o povo para a festa e arrecadando numerosas prendas. 

O dia seis de agosto de 1965, uma sexta-feira, amanheceu ensolarado. O Pe. Cristóvão Arnaud registraria no Livro Tombo: “Até o tempo contribuiu, pois Nossa Senhora nos mandou um dia de sol magnífico que, para agosto, foi surpresa.”. Às 8 horas da manhã, Pe. Cristóvão oficiava, em latim, a primeira missa no novel templo, cujas intenções eram: “Para comunhão geral de todos os paroquianos e em agradecimento a Deus Nosso Senhor por cinco anos de trabalhos pacíficos na construção de Sua casa.”
Às dez horas, o Pe. Quinto Baldassar, vigário do Estreito, capelão militar e presidente da comissão de liturgia sacra celebrava a esperada Missa Solene, desta vez no idioma português, a qual foi acompanhada pelo Coro e Banda de Música do grande seminário de Ascurra, regidos pelo Pe. Genésio. A comunidade lotou o templo, maravilhando-se com a altivez de sua estrutura bem como com a riqueza espiritual da cerimônia inaugural. A festa após a missa causou sensação, resultando num lucro bruto de 4 milhões de cruzeiros, dos quais se obteve o valor líquido de Cr$ 3.400.000. A comissão, a fim de concluir a obra, contraiu dívida no valor de Cr$ 2.200.000, a qual pôde ser quitada, sobrando Cr$1.200.000 para os acabamentos e retalhos – conforme palavras do Pe. Cristóvão.
A primeira missa realizada neste templo, ocorrida às 8h do dia seis de agosto, no rito tridentino, como citado, foi em ação de graças pelos cinco anos de trabalhos pacíficos. Teve todas as razões para ser celebrada, pois os efervescentes anos de 1960 a 1965 foram deveras profícuos. Aqui contaremos um pouco da história que culminou na edificação da nova matriz de Alfredo Wagner.
A Paróquia Bom Jesus, que havia sido fundada em 17 de janeiro de 1959, antes mesmo da criação do município, tinha como matriz uma igreja datada em 1927, cujos aspectos arquitetônicos eram bem interessantes esteticamente falando; porém, seu porte físico de capela já não comportava o emergente número de fiéis. Em dias de festa e visita do Bispo, as missas tinham de ser celebradas na rua.
A ereção da atual Matriz constituiu quase que uma saga. Frei Agatângelo de Umbará, cujo nome civil é Eugênio Nichele, conclamou seu rebanho a se unir visando a edificar uma nova igreja. Designou-se, então, uma comissão, tendo como presidente o benfeitor Izidoro Cechetto e membros principais – com poder de decisão – Paulo Schwinden (Almeida) e Paulo Bunn.
Frei Agatângelo, paranaense, soube que o povo de Irati - município situado a 150 km de Curitiba, declinara de um projeto para a construção da Matriz local: seria muito grande e, por conseguinte, demasiado onerosa para o parco orçamento disponível na paróquia. O frade teve uma ideia, e provocou Cechetto: "Izidoro, Irati abandonou a planta de uma grande igreja por não acreditar que conseguisse fundos para a construir. Que achas de nós nos valermos dela para erguer a nossa matriz? Será uma igreja magnânima, aludindo à magnanimidade da fé do povo deste distrito de Barracão!". Frei Agatângelo, sagaz e astuto, conhecia a obstinação que pontuava o caráter do italiano, e era cônscio de que ele não se prostrava ante desafios. Deu certo. Izidoro Cechetto, em consonância com seus dois parceiros de comissão, não só aquiesceu à proposta como a aderiu com copioso ardor: "- Frei Agatângelo, a fé do nosso povo certamente é maior que essa enorme igreja de que o senhor fala. Custe o que custar, nós concretizaremos o projeto. 
Vamos movimentar famílias, homens, mulheres, crianças, e a poremos de pé em pouco tempo!". Ao contemplar a adesão irrestrita da comissão (nome para o hoje CPC), Frei Agatângelo tratou de marcar uma ida à cidade de Irati, com o intento de apanhar a planta. Foram de jeep o religioso, Izidoro, Balcino Wagner e, se não me engano, Dido Cechetto - na época, um menino.

Ao analisarem o projeto, os homens seguramente se assustaram. A igreja tinhas proporções colossais em relação às existentes nestas plagas na época. Se uma cidade como Irati, emancipada há mais de 40 anos, desistira de executá-lo, será que Barracão, que era um mero distrito, seria capaz? Havia duas opções: desistir também ou abraçar. Optou-se pela segunda assertiva.
Um pouco de receio dominou nossos homens nos primeiros quilômetros da viagem de volta. Mas agora, com a planta na mão, eles não voltariam mais atrás. Ao contrário, em nome de sua honra e da honra de seu povo, poriam de pé a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. O Senhor Balcino Matias Wagner, compadre e amigo íntimo de Izidoro Cechetto, me contava: “O compadre Izidoro é um italiano típico: teimoso. Se quiser que ele faça alguma coisa, é só dizer que ele não vai conseguir. Daí ele se embrenha naquilo, é não sossega enquanto não deixar pronto!”. Ainda no trajeto, Wagner, Cechetto e Frei Agatângelo confabulavam sobre o desafio. Numa parada para pouso, após terem bebericado uma pinguinha, Izidoro rogou a Balcino, que era oleiro: “Compadre, a partir da hora em que a gente chegar a Barracão, começa a fazer tijolo na tua olaria pra nossa igreja. Não dês trégua, compadre, porque vai precisar muitos milhares de tijoDe volta a Barracão, a ordem era não perder tempo. Primeira coisa: demolir a velha matriz. O frade clamou aos jovens que assumissem a tarefa.
 No dia marcado, 12 de junho de 1960, moços e moças lotaram o adro do templo, dispostos a, sem mensurar esforços, darem sua contribuição. Concretizava-se já nesse primeiro trabalho o que predissera Cechetto: “O nosso povo vai ajudar!”. E foi assim nos anos seguintes: homens e mulheres trabalhavam com pás, enxadas e carrinhos de mão; o próprio frade amarrava sua batina à altura da cintura e, dia após dia, labutava como operário, sem flectir. As crianças, inspiradas no exemplo do frei, também faziam sua parte, recolhendo pedrinhas no rio para o fundamento, sendo recompensadas com santinhos em papel doados por Frei Agatângelo e, posteriormente, pelo Pe. Cristóvão Freire Arnaud.los pra construção!”
A arquitetura da igreja mostrou-se deveras arrojada, sendo constituída por extensa nave central, nove absides, nártex – sobre o qual se encontra o coro, nártex externo (ou átrio). No abside maior, encontra-se o presbitério, com o altar-mor, ladeado por dois absides menores, ou capelas radiantes. Cinco absides contêm cúpulas. Com pé direito de quase 25 metros, a edificação apresentava, cinquenta anos atrás, obstáculos à engenharia e à construção. 
A planta, que fora desenhada por um padre alemão (esta informação carece de confirmação), teve como engenheiro responsável o Dr. Antônio Carlos Werner. A família Zilli, cujos membros eram afamados na arte da construção em alvenaria, foi requisitada para levantar a imponente obra, chefiada pelo exímio mestre de obras José (Bépi) Zilli. A parte de carpintaria ficou a cargo de Juca Sens, genro de Vilson Schweitzer. Ele é o feitor da linda escada para o coro, a grande cruz que orna o teto, as cúpulas dos absides... Um artista!


A obra seguiu ininterruptamente. No princípio dos anos 60, Frei Agatângelo foi transferido para o Paraná vindo, em seu lugar, o Pe. Cristóvão. Tal qual seu predecessor, ele abraçou a causa. O mandato da comissão vencia, mas o pároco suplicava para que Cechetto, Schwinden e Bunn permanecessem. Eles administraram a comunidade por quase duas décadas!

Em 1965, a parte externa era concluída. Faltavam os dispendiosos acabamentos, bem como bancos, altares. As famílias locais, como os Kretzer, os Almeida, os Schweitzer, os Bunn, os Cechetto, José de Campos, Nena Frutuoso, entre muitas outras, doaram desde as fechaduras, bancos, até os vidros para as janelas e portas. Em seis de agosto de 1965, com as bênçãos do santo do dia, o padroeiro da Paróquia, a Matriz era declarada apta para a realização do ofício divino.

A planta previa uma altíssima torre, na parte de trás esquerda (onde hoje se encontra o Salão Paroquial). Izidoro e seus companheiros computaram que o valor a ser gasto nessa torre quase se equipararia ao da igreja na totalidade. Decidiu-se omiti-la provisoriamente e, quando sobrassem recursos, a ergueriam.

Quem sabe agora, passados 50 anos da inauguração, a comunidade católica de Alfredo Wagner se dê as mãos novamente, tal qual fez entre 1960 e 1965 e, guiada pelo espírito obstinado dos senhores Pedro Jayme Dos Santos e Orlando de Souza e equipe, se encoraje para edificar a alta torre. Será, esteticamente falando, a cereja do bolo da nossa igreja. Avante, Alfredo Wagner!