segunda-feira, agosto 10, 2009

Silva Jardim

A primeira vez que lembro-me de la ter pisado me remete a quando eu tinha uns 3 anos, e fui participar de uma gincana. Minha tia ainda estudava, e a prova surpresa da equipe dela era achar uma criança para cantar uma canção. Para todos que devem estar se perguntando: “não, eu não canto bem”, mas uma criancinha de 3 anos, em cima de uma carteira cantando, por mais desafinada que seja é no minimo engraçadinho, e eu ganhei, lembro-me até da roupa que eu usava, era uma vestido verdinho, com umas fitas de cetim (bom, acho que o cetim deveria ser moda no final dos anos 80, ou pelo menos espero). O fato é que ir para aquela “escola grande” foi um acontecimento para mim, tanto que eu nunca me esquecerei.
Depois disso, fiz dois anos de Pré lá, e por conta de uma enchente que devastou nossa cidade, inclusive minha casa, nós mudamos de casa para construir uma nova, e eu acabei tendo que fazer a 1ª série em outro colégio.
Em 1995, eu voltei. Lembro-me muito bem do meu primeiro dia de aula na 2ª série, lembro das professoras, das brincadeiras do recreio, lembro inclusive que em um amigo secreto eu não comprei o presente, fiquei com o dinheiro e dei meu penal usado para a menina que eu tinha pego. De 95 até 2004. passei grande partes dos meus dias lá dentro. Sorri, chorei, cantei, pulei, fiz gols, me machuquei, quebrei alguns óculos, briguei, fiz amigos e quem diria, a CDF até assinou o livro negro.
Meu primeiro emprego, foi onde? No Silva Jardim. Como estagiária, em 2001, e agora também é o local onde trabalho, em meu primeiro emprego depois de formada.
É enorme o amor e o carinho que eu sinto por aquele colégio. Pois ele sempre fez parte da minha vida. Não há corredor, sala, banco, pedacinho do pátio do colégio que não me traga alguma lembrança. Lembro-me das brincadeiras de roda, dos meus momentos de ginasta no antigo parquinho, da sala onde eu conheci a minha melhor amiga, que tinha decoração de Smurfs, da nossa foto nas escadarias da quadra de areia para o convite do Terceirão, do palco onde a gente apresentava as danças, teatos, são tantas coisas, tantas lembranças. Acho que grande parte dos alunos tem no peito esse sentimento de amor pelo nosso colégio, e também o defendem, assim como eu o defendia, em jogos, encontros culturais e nas feiras de matemática que eu era tão acostumada a ir.
Tenho orgulho de dizer que estudei no Silva Jardim, um colégio publico, da rede estadual, que me ensinou todos os valores, e me deu toda a minha base de conhecimento. Tenho uma imensa satisfação em responder quando me perguntam: “Onde trabalhas?”, “No Silva Jardim”.
Silva Jardim, parabéns pelos seus 55 anos de história. Se eu pudesse te dizer algo, te diria obrigada. Obrigada por tudo, e saibas que atrás de seu muros está o cenário de algumas de minhas melhores lembranças.

FIM.

Aproveitando o momento. Gostaria de dar os Parabéns ao Colégio, que tanto tenho orgulho. Pelo prêmio merecido.
http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/noticias/2048-eeb-silva-jardim-e-a-representante-catarinense-em-premiacao-nacional-
Parabéns Tbem as duas responsáveis pela premiação Dona Eliziane e dona Zorene. Temos que reconhecer que sem elas esse premio não seria nosso.

Carol Pereira

quarta-feira, agosto 05, 2009

Dor

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Nós estamos acostumados a sempre tentarmos sair de situações desagradáveis, mas as vezes nos deparamos com casos, onde somos completamente impotentes, onde não podemos fazer nada, a não ser confiar em Deus.
Tenho fé, e uma relação bastante íntima com ela. Rezo todos os dias, e confiava que ele poderia salvar meu pai. Infelizmente, minha fé foi bastante abalada nesse final de semana. A saúde do meu pai tem piorado bastante, e parece que as únicas pessoas que confiam em sua reabilitação, somos eu, ele e um dos meus irmãos. Fiquei desesperada.
Minha relação com meu pai era um pouco distante, abalada por dramas familiares, separações e uma educação rigorosa, cobrada de mim por parte dele. A minha figura de pai era um pouco distorcida e desbotada. Depois de alguns anos, amadurecimento de ambos, feridas cicatrizadas, nossa relação foi se tornando algo bonito, cheia de companheirismo, afeto e amor. Tenho orgulho de meu pai, e sei que ele tem de mim. E agora tudo isso está por um fio. Pior, a vida dele para alguns parece ter um prazo de validade.
Eu não entendo a frieza de algumas pessoas. “ Não tem esperanças, jeito não tem mais, o pai de vocês vai morrer, e não tem nada que possamos fazer”. Obrigada pelas palavras de apoio. Sou adulta, sabia que a situação era grave, mas realmente não sabia que era para eu sentar cruzar meus braços e assistir a morte do meu pai. Mais insensível que isso, só falar isso para uma criança de 13 anos, que tem o pai como um herói, companheiro e amigo, e nem por um segundo teve a imagem do pai abalada como eu eu tive. Isso foi horrível. Meu desespero foi ainda maior, quando me vi dentro do carro chorando e olhei para trás e vi o desespero do meu irmão. Insensibilidade e falta de fé. Tá certo que devemos ter os pés no chão e estarmos preparado para o pior. Mas não podíamos ter ficado sem chão, nem sem esperanças. Mentiram para a gente, e agora nos jogaram no meio de uma realidade dura e cruel ao extremo. Pensamos que teríamos nosso pai bom de novo, forte e disposto como sempre foi, imagem bastante diferente da que temos hoje, onde ele tem 50 quilos e mal consegue ir ao banheiro sozinho. Nosso Pai motoqueiro, que nos levava para trilhas e nas voltas pelos lugares mais lindo da nossa cidade. Nosso pai gaúcho, cheio de orgulho do seu estado e histórias pra contar.
Por mais que me digam o contrario, não posso desanimar, nem perder as esperanças. Me disseram que Deus é o cara mais fodão do mundo, e que sabe o que faz. Acredito e confio nele. E espero que ele também ache que meu pai deve viver. Esses dias, estava olhando de longe, um amigo de meu pai foi visitar ele, e o levou para uma volta de moto. Meu Pai sentou na garupa, quando a moto começou a andar ele abriu os braços, e eu pude sentir ele apreciando o vento em seu rosto, a sensação de liberdade, tão diferente da realidade que ele vive hoje, de meses em cima de uma cama. Deus devolva isso para ele, e não me deixe perder meu pai, nem a fé no senhor. Obrigada.

Carol Pereira